ELLEN CRÊ NO ADVENTO 2 - Meditação Diária 10-02-2015

"Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos Céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras". (1Tessalonicenses 4:16-18)

Que palavras consoladoras! Elas soaram alegremente para a jovem Ellen Harmon. Depois de descobrir que Deus é um “Pai bondoso”, ela se encheu de energia para anunciar a segunda vinda aos outros.

Por isso, indo contra sua índole naturalmente tímida, ela começou a orar em público, a compartilhar, nas reuniões metodistas, sua crença no poder salvador e no breve retorno de Jesus e a ganhar dinheiro para comprar materiais impressos e, assim, espalhar a doutrina adventista.

Essa última atividade era especialmente difícil para Ellen. Por causa da saúde fragilizada, precisava se assentar apoiada na cama para tricotar meias, ganhando 25 centavos por dia. Sincera ao extremo, sua convicção se demonstrava em todos os aspectos da vida. Isso levou muitos de seus amigos à fé em Jesus.

Não era só Ellen que demonstrava zelo pela mensagem do advento pregada por Miller, mas também seus pais e irmãos. No entanto, a igreja metodista, da qual eram membros, ensinava que Cristo só voltaria após mil anos de paz e abundância. A denominação não apreciava a agitação constante do ensino sobre o breve retorno de Jesus. Por isso, em setembro de 1843, a família Harmon foi expulsa do rol de membros dessa igreja.

Tal experiência refletiu a de muitos outros adventistas em vários lugares, que se recusaram a permanecer em silêncio sobre o assunto da volta de Jesus.

Ellen e a maioria dos outros mileritas não se deixavam abater pela expulsão das diferentes denominações. Afinal, eles criam que Jesus viria dentro de poucos meses, acabando com todos os seus problemas. Com essa esperança em mente, os crentes mileritas mantinham suas reuniões para se encorajarem, à medida que o momento predito se aproximava. A alegria lhes enchia o coração. Conforme Ellen expressou posteriormente, o ano de 1844 foi o “mais feliz de sua vida” (LS, p. 59).

Ao olhar para o passado, percebemos que aqueles fiéis estavam errados quanto à data do advento, mas não em relação à esperança. A bendita esperança do advento de Jesus continua a ser uma alegria que enche nosso coração de expectativa.


George Knight - "Para não esquecer"

ELLEN CRÊ NO ADVENTO 1 - Meditação Diária 09-02-2015

"Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando Eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também". (João 14:2, 3)

Ellen Harmon ouviu Guilherme Miller pela primeira vez em uma série em Portland, Maine, em março de 1840. Quando ele voltou para uma segunda sequência de encontros, em junho de 1842, ela participou com alegria.

Ellen aceitara a mensagem de Miller, mas não conseguia escapar do medo incessante de não ser “boa o suficiente”. Além disso, a ideia de Deus torturando as pessoas num inferno eterno a atormentava.

Enquanto Ellen se encontrava nesse estado mental, a mãe sugeriu que ela se aconselhasse com Levi Stockman, pastor metodista que havia aceitado o milerismo. Stockman aliviou a mente de Ellen ao lhe contar “acerca do amor de Deus por Seus filhos errantes; disse que, em vez de Se alegrar em sua destruição, Ele almeja atraí-los a Si com fé e singela confiança. Ele se demorou a falar do grande amor de Cristo e do plano da redenção”.

“Vai em paz, Ellen”, ele disse, “volte para a sua casa confiante em Jesus, pois Ele não retirará Seu amor de todo aquele que O busca verdadeiramente” (T1, p. 30).

A conversa foi um dos grandes pontos de virada na vida de Ellen Harmon. Daquele momento em diante, ela começou a ver em Deus “um Pai bondoso e terno, em vez de um tirano austero, que constrange os seres humanos à obediência cega”. Seu coração “correu em direção a Ele com amor profundo e fervoroso. A obediência à Sua vontade [então] parecia uma alegria; era um prazer estar a Seu serviço” (LS, p. 39).

A nova compreensão de que Deus é um Pai carinhoso ajudou a jovem Ellen de diversas maneiras. Uma delas foi entender a natureza do inferno, assunto que analisaremos mais à frente.

A visão de Deus como Pai bondoso também a ajudou a aguardar o segundo advento com alegria e entusiasmo. Ela percebeu que não tinha nada a temer; na verdade, entendeu que tinha tudo a esperar.

E que esperança bendita! Quantas vezes nós, no século 21, ficamos tão envolvidos em nossa vida cotidiana a ponto de falharmos em compreender a magnitude das promessas da segunda vinda de Jesus! Por melhores que sejam as coisas dadas a nós por nosso Pai bondoso aqui na Terra, a Bíblia nos revela que aquilo que está por vir será infinitamente melhor.

Podemos ser gratos por ter um “Pai bondoso”. 


George Knight - "Para não esquecer"

ELLEN LUTA COM DEUS - Meditação Diária 08-02-2015

"Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé"! (Marcos 9:24)

A jornada religiosa não é igualmente aprazível para todos. Isso se aplica em especial àqueles de natureza sensível. E a jovem Ellen era uma pessoa sensível.

Vimos que ela foi “tomada pelo terror” quando criança, depois de ler pela primeira vez sobre a proximidade do advento. Seu temor da segunda vinda se originava de várias fontes. Uma delas era a sensação de indignidade. “Havia em meu coração o sentimento de que eu nunca conseguiria me tornar digna de ser chamada de filha de Deus. […] Parecia-me que não era boa o bastante para entrar no Céu” (LS, p. 21).

Ellen lutou com esses medos durante anos. Duas falsas crenças agravaram seu problema. A primeira era crer que precisava ser boa – ou até mesmo perfeita – para que Deus a aceitasse. A segunda era que se estivesse verdadeiramente salva, teria um sentimento de êxtase espiritual.

Suas trevas emocionais começaram a se dissipar durante o verão de 1841, quando participou de uma reunião campal metodista em Buxton, Maine. Em um sermão, ouviu que nem todos os esforços pessoais têm valor para conquistar o favor divino. Ela percebeu que “somente por meio da ligação com Jesus, mediante a fé, o pecador se transforma em um filho de Deus, cheio de fé e esperança” (LS, p. 23).

Daquele momento em diante, fervorosamente pediu perdão por seus pecados e se esforçou para entregar-se ao Senhor por completo. “Tudo o que meu coração expressava era: ‘Ajuda-me, Jesus; salva-me ou perecerei!’” “De repente”, ela nos conta, “o fardo me deixou e meu coração ficou leve” (ibid.).

No entanto, ela pensou que aquilo era bom demais para ser verdade. Por isso, tentou reassumir parte da aflição e da culpa que sempre a haviam acompanhado. Conforme ela mesma expressou: “Parecia-me que eu não tinha direito nenhum de me sentir jubilosa e feliz” (ibid.). Só aos poucos Ellen compreendeu as maravilhas da plenitude da graça redentora de Deus.

A despeito do novo entendimento, ela continuou a lutar com as dúvidas, pois não sentia o êxtase que acreditava ser necessário experimentar caso estivesse salva de verdade. Em decorrência disso, continuou a temer que não fosse perfeita o suficiente para encontrar Seu Salvador durante o advento.

A reação de Ellen parece familiar? Muitos de nós temos dificuldade em crer que o evangelho realmente seja tão bom quanto Deus afirma. No fim, a solução não se encontra nos sentimentos, mas em entender, de fato, como são as promessas divinas.

Ajuda-nos hoje, Senhor, em nossa descrença. 

George Knight - "Para não esquecer"

Mensagem: Escolhas

"...te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência"
(Deut. 30:19)

CONHEÇA ELLEN WHITE - Meditação Diária 07-02-2015

"Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade". (Eclesiastes 12:1)

“Enquanto eu estava orando junto ao altar da família, o Espírito Santo me sobreveio, e pareceu-me estar subindo mais e mais alto da escura Terra.

Voltei-me para ver o povo do advento no mundo, mas não o pude achar, quando uma voz me disse: ‘Olha novamente, e olha um pouco mais para cima.’ Então, olhei mais para o alto e vi um caminho reto e estreito, levantado num lugar elevado do mundo. O povo do advento estava nesse caminho, a viajar para a cidade que se achava na sua extremidade mais afastada” (PE, p. 14). Essas palavras registram parte da primeira visão celestial de Ellen G. Harmon, aos dezessete anos, em dezembro de 1844.

Ellen e sua irmã gêmea eram as mais novas de uma família de oito filhos em Gorham, Maine. Elas nasceram em 26 de novembro de 1827. O pai era chapeleiro e, depois de um tempo, levou a família para morar em Portland, Maine.

Foi em Portland que, aos nove anos de idade, Ellen sofreu um acidente que a afetou profundamente. Atingida no rosto por uma pedra jogada por uma colega de classe, ficou à beira da morte por várias semanas. Após certo tempo, conseguiu se recuperar, mas a experiência a deixou com a saúde tão fragilizada que não pôde continuar a frequentar a escola. Isso a afligiu ao longo da maior parte de sua vida.

Todavia, a incapacidade de obter escolarização formal não impediu sua educação informal. Seus relatos autobiográficos revelam uma jovem com mente inquiridora e natureza sensível. O tamanho de sua biblioteca pessoal na época de sua morte indica que era uma pessoa 
versada em vários assuntos.

Sua sensibilidade transparecia não só no relacionamento com as outras pessoas, mas também com Deus. Na verdade, mesmo uma leitura casual de sua autobiografia leva à conclusão de que ela era uma pessoa fervorosa na religião desde suas lembranças mais antigas.

O pensamento de que Jesus poderia voltar dentro de alguns anos foi um choque para a pequena Ellen. Ela ouviu falar sobre esse ensino pela primeira vez aos oito anos, quando, a caminho da escola, pegou um pedaço de papel no qual havia a mensagem de que Cristo poderia voltar em poucos anos. “Fui tomada pelo terror”, escreveu. “Uma impressão tão profunda se formou em minha mente […] que mal consegui dormir por várias noites e eu orava continuamente para estar pronta quando Jesus viesse” (LS, p. 20, 21).

Sua experiência na juventude nos ajuda a ver que algumas coisas que tememos podem acabar se transformando na esperança de nossa vida, sobretudo quando passamos a entender melhor o caráter de Deus. 

George Knight - "Para não esquecer"

NINGUÉM DISSE QUE SERIA FÁCIL - Meditação Diária 06-02-2015

"Você, porém, seja sóbrio em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério". (2Timóteo 4:5, NVI)
Ninguém disse que fazer a vontade de Deus seria fácil. Pelo menos não foi para o pregador Tiago White. Para começar, ele era pobre. Tiago lembra que, ao sair para “o grande campo de colheita, não tinha cavalo, sela, rédea, nem dinheiro”, mas sentia que devia ir. “Eu havia gastado o dinheiro recebido no último inverno em roupas necessárias, na ida a reuniões do segundo advento e na compra de livros. No entanto, meu pai me ofereceu um cavalo para o inverno e o Ancião Polley me deu uma sela com o acolchoado gasto e vários pedaços de uma velha rédea.”

Sim, Tiago White era pobre, mas foi, assim mesmo. Contudo, nem todos ficavam felizes com sua chegada. Em um lugar, ele relata que uma bola de neve quase atingiu sua cabeça enquanto orava. Então veio um dilúvio delas, acompanhado do barulho de uma turba com a qual precisou gritar. Ele recorda: “Minhas roupas e a Bíblia também ficaram molhadas com os flocos derretidos de uma centena de bolas de neve.”

O desafio era o que fazer. Ele concluiu: “Não havia tempo para lógica, então fechei a Bíblia e descrevi os terrores do dia do Senhor. […] Arrependei-vos e convertei-vos” foi seu apelo. No fim da reunião, quase cem pessoas creram.

Deus nunca disse que seria fácil. No entanto, só porque ir é difícil, não significa que a bênção divina não repousa sobre nós. O jovem pregador Tiago White aprendeu a crescer a despeito das dificuldades. Nesse processo, ele desenvolveu abordagens inovadoras para falar à mente e ao coração das pessoas.

Em certo lugar barulhento, onde encontrou dificuldades até mesmo para subir ao púlpito, as primeiras palavras que o público ouviu de seus lábios foi uma canção em alto e bom som:
“Vereis o Senhor voltando
Vereis o Senhor voltando
Vereis o Senhor voltando
Não tardará,
Com o som de canções
Com o som de canções
Com o som de canções
Ecoando pelo ar”.

Além de acalmar a multidão, o cântico expressou a esperança da breve chegada do advento, à qual ele dedicou sua vida. Deus nunca nos disse que seria fácil seguir Jesus, mas Ele nos promete bênçãos sem limites quando o fazemos.

George Knight - "Para não esquecer"

PREGADOR A DESPEITO DE SI MESMO - Meditação Diária 05-02-2015

"Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus[…]: Prega a Palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina". (2Timóteo 4:1, 2)

Na meditação de ontem, vimos Tiago White resistindo ao chamado de Deus. Ele conta: “Finalmente resolvi que cumpriria meu dever.” Logo em seguida, “a doce paz de Deus fluiu para minha mente e o Céu parecia brilhar a meu redor. Levantei as mãos e louvei ao Senhor com voz de triunfo”. Suas lutas com as ambições terrenas não terminariam naquele momento; mas, pelo menos, ele estava caminhando na direção correta.
O testemunho de Tiago causou impacto desde o início. Em certo lugar, uma mulher reuniu uns 25 vizinhos não cristãos, e ele deu seu testemunho e, então, se prostrou para orar. “Fiquei surpreso ao descobrir que aqueles 25 pecadores se prostraram comigo. Só consegui chorar. Todos eles choraram junto.”

Tiago obtinha sucesso, mas sentia-se constantemente dividido entre suas ambições terrenas e o chamado de Deus para pregar o breve advento. Escreveu que “a luta era ferrenha”. Após uma ocasião em que se “sentiu envergonhado” porque sua pregação fora pobre por falta de conhecimento da Bíblia, ficou chocado ao ouvir alguns de seus ouvintes chamarem-no de “Ancião White”. “A palavra Ancião”, relembra ele, “cortou meu coração. Senti-me confuso e quase paralisado.”


As coisas prosseguiram relativamente bem até ele tentar falar na presença de dois pregadores que não haviam aceitado a doutrina do advento. Após vinte minutos, ele ficou “confuso e constrangido e se assentou”. Naquele momento, constatou: “Eu finalmente abri mão de tudo por Cristo e pelo evangelho, encontrando enfim paz e liberdade.”


Além da entrega, Tiago percebeu que, se queria ser um pregador bem-sucedido, precisava se preparar para a tarefa. Para isso, ele nos conta que comprou publicações adventistas, leu-as com cuidado e estudou a Bíblia. Também falava em público à medida que Deus abria o caminho.


Podemos encontrar uma lição para todos nós na experiência de Tiago White. É claro que nem todos somos chamados para o ministério pastoral, mas Deus convida cada um para usar os talentos que nos deu. Alguns passam por uma batalha contínua de aceitação. A boa notícia é que o Senhor não perde a paciência conosco. Assim como Ele fez com Tiago, continua a trabalhar 
em nós a fim de poder trabalhar por meio de nós. Nossa oração diária deve ser para que Deus nos mostre Sua vontade e a aceitemos em nossa vida.

George Knight - "Para não esquecer"

CONHEÇA TIAGO WHITE - Meditação Diária 04-02-2015

"Veio a palavra do SENHOR a Jonas[…] dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até Mim. Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do SENHOR". (Jonas 1:1-3)
Alguns de nós ouvem o chamado do Senhor para pregar a Palavra, mas não nos sentimos tão dispostos a fazê-lo. Esse foi o caso de Tiago White, a segunda pessoa fundamental para a fundação do adventismo do sétimo dia.

Tiago nasceu em Palmira, Maine, em 4 de agosto de 1821. Ele conta: “Batizei-me aos quinze anos e me uni à igreja [Conexão] Cristã. Contudo, aos vinte, eu havia afundado meu espírito no estudo e no ensino […]. Nunca caí no pecado comum de profanidade, não usei tabaco, chá ou café, nem levei aos lábios um copo de bebida alcoólica. Todavia, eu amava este mundo mais do que a Cristo e o mundo por vir, e adorava a educação, em vez de adorar o Deus dos Céus.”


O jovem Tiago ouvira falar sobre o milerismo, mas considerava o movimento um “fanatismo alucinado”. No estado de espírito em que se encontrava, ficou chocado ao ouvir sua mãe, em quem confiava, expressar uma opinião favorável à doutrina adventista. Ele não estava preparado para o impacto que isso teria sobre ele, em parte porque já havia feito planos para a própria vida, mas a convicção da verdade foi algo que não conseguiu evitar.


Ele relata: “Ao voltar para Deus, senti a forte convicção de que deveria renunciar aos meus planos mundanos e me entregar à obra de advertir o povo a se preparar para o dia do Senhor. Eu amava os livros em geral; mas, durante o período de apostasia, não tinha tempo para o estudo das Sagradas Escrituras, nem gosto por fazê-lo. Por isso, era ignorante quanto às profecias.”


De maneira mais específica, Tiago White sentiu-se impressionado a visitar os alunos da turma em que lecionava em uma escola pública. “Orei para ser poupado desta tarefa”, escreveu, “mas não senti nenhum alívio.” Naquele estado de espírito, foi trabalhar nos campos do pai, “na esperança de que conseguisse dar vazão aos sentimentos que me faziam sofrer”.


Entretanto, não conseguiu. Então Tiago orou pedindo alívio a Deus, sem o sentir. Por fim, “meu espírito se levantou em rebelião contra o Senhor e, impensadamente, disse: ‘Eu não irei’.” Batendo o pé, pôs fim ao assunto e prosseguiu com a vida.


A experiência de Tiago White não é diferente da de alguns de nós. Ouvimos o chamado de Deus para fazer isto ou aquilo, mas batemos o pé e resistimos.


Deus, porém, não desiste. Ele tem um plano para cada um. Qual é o plano dEle para você hoje? E o mais importante: Como você reagirá à vontade divina?


George Knight - Para Não Esquecer

BATES DESCOBRE A REFORMA SUPREMA - Meditação Diária 03-02-2015

"Nós, porém, segundo a Sua promessa, esperamos novos Céus e nova Terra, nos quais habita justiça". (2Pedro 3:13)

Bates deparou-se pela primeira vez com o ensino sobre o breve retorno de Cristo por intermédio de um pastor local, mas a ideia não progrediu muito em sua mente até 1839. No outono daquele ano, ouviu a respeito de Guilherme Miller, que pregava o retorno de Cristo para ocorrer por volta de 1843.

Quando apresentou objeções à ideia, alguém lhe disse que Miller usava bastante as Escrituras para comprovar seu ponto de vista. Logo Bates começou a frequentar uma série de reuniões adventistas e ficou “muito surpreso ao descobrir que era possível alguém mostrar qualquer coisa sobre o tempo da segunda vinda do Salvador”. Ao voltar para casa da primeira palestra, declarou à esposa: “Esta é a verdade.”


Seu passo seguinte foi ler um livro que em português seria: “Evidências das Escrituras e da História sobre a Segunda Vinda de Cristo, por Volta do Ano de 1843”, de Guilherme Miller. Bates aceitou os ensinos de Miller de todo o coração, sendo, assim, o primeiro dos que mais tarde se tornariam adventistas do sétimo dia.


Logo o milerismo dominou a vida de Bates, tomando o tempo que ele antes devotava às reformas sociais. Nessa época, alguns de seus amigos lhe perguntaram por que ele não frequentava mais as reuniões de temperança e as sociedades abolicionistas. Ele dizia: “Ao aceitar a doutrina da segunda vinda do Salvador, encontrei o suficiente para engajar todo o meu tempo no preparo para tal acontecimento e ajudar os outros a fazer o mesmo. Além disso, todos os que aceitassem essa doutrina se tornariam necessariamente defensores da temperança e da abolição da escravatura.”


Bates continuou dizendo a seus amigos que “muito mais poderia ser realizado ao se trabalhar na fonte” do problema. Afinal, os vícios que as várias sociedades de reforma tentavam erradicar eram consequências de uma vida pecaminosa, mas o retorno de Cristo resultaria na “obliteração súbita e completa de todo mal”. Por isso, para Bates, o milerismo se transformou na “reforma suprema”. Ele concluiu que “uma humanidade corrupta era incapaz de reformar a corrupção”. O breve advento de Cristo seria a única solução real e permanente.


Desde o início, Bates foi um líder no milerismo. Foi um dos dezesseis que convocaram a primeira reunião geral do movimento em 1840 e o presidente da assembleia que ocorreu em maio de 1842.


Deus dirigiu a vida de Bates passo a passo. Ele faz o mesmo com você e comigo. Nosso papel é não correr à frente, mas seguir Sua direção dia após dia. 


George Knight - "Para não esquecer"

UM REFORMADOR À SOLTA - Meditação Diária 02-02-2015

"Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o SENHOR". (Lamentações 3:40)

Em sua última viagem (a que ele fez depois de se converter), Bates acreditava que era seu dever não só converter marinheiros ao cristianismo, mas também se certificar de que eles se comportassem como cristãos, mesmo antes de sê-lo.

Por isso, no pôr do sol de 9 de agosto de 1827 (o dia em que partiram), Bates reuniu a tripulação e explicou as regras da viagem. Deve ter sido um choque para os rudes homens do mar que se encontravam diante dele. Além de não xingar, deveriam demonstrar respeito uns pelos outros usando o nome próprio de cada um, em vez de apelidos. Mais radical ainda era a regra que proibia a saída da embarcação aos domingos, quando o navio estivesse no porto.
Em vez disso, proclamou o capitão, “guardaremos o sábado” abordo do navio.


A maioria deles ficou assentada, em silêncio, estupefata diante das declarações. Alguns exprimiram opiniões contrárias, mas o que podiam fazer? Afinal, já estavam no mar para uma jornada que provavelmente duraria um ano e meio.


Entretanto, a bomba de verdade ainda não havia tinha sido lançada. 
The Empress [A Imperatriz], anunciou Bates, seria um navio temperante. Não haveria licor nem bebidas embriagantes a bordo e, se pudesse, ele os convenceria a nunca beber, nem mesmo em terra firme. Naquele instante, Bates se ajoelhou, dedicando a si mesmo e os marinheiros a Deus.
Sem dúvida, foi uma viagem bem diferente para os tripulantes. Não sabemos tudo o que sentiram, mas uma exclamou que eles estavam “começando muito bem”. Pelo menos um deles achava que, na verdade, estavam começando muito mal.

Durante a viagem, Bates começou a entender mais sobre o sábado, ele leu pelo menos duas vezes a obra de Seth Williston, 
Five Discourses on the Sabbath [Cinco Discursos Sobre o Sábado]. Após a primeira leitura, Bates declarou não saber que a Bíblia tinha tanto a dizer sobre o assunto. Observou que, logicamente, “ele fora alterado para o primeiro dia da semana”, em lembrança ao dia em “nosso Salvador se levantou triunfante da sepultura”. Algumas semanas mais tarde, escreveu: “Quanto mais leio e reflito sobre este dia santo [domingo], mais me convenço da necessidade de santificá-lo por completo”.

O cristianismo fez a diferença na vida de Bates. Mudou tudo. O mesmo deve acontecer conosco depois de encontrarmos Cristo e O recebermos como Salvador e Senhor. Seguir Seus passos deve nos levar a uma vida radicalmente distinta do mundo ao nosso redor. 


George Knight - "Para não esquecer" 

BATES SE TORNA RELIGIOSO - Meditação Diária 01-02-2015

"Busquei ao SENHOR, e Ele me respondeu".  (Salmos 34:4, ARC)

O pai Bates era um homem religioso que tentara, sem sucesso, criar seu filho para ser uma pessoa espiritual. Em 1807, uma das ondas de reavivamento do Segundo Grande Despertamento mexeu com o jovem Bates, mas o interesse durou pouco, pois a carreira no mar levou sua vida para outro rumo.

Todavia, o mar tem uma forma de fazer os olhos dos marinheiros se voltarem para Deus, sobretudo quando viajam em pequenos barcos de madeira. Como Bates expressou posteriormente: a única coisa no mar turbulento “que nos separava da eternidade tinha a espessura de uma tábua”. Segundo ele, suas primeiras inquietações religiosas surgiram quando percebeu essa barreira de separação. No meio de um furacão furioso de quatro dias, que fez as ondas chegarem até a altura do topo dos mastros, o jovem capitão desesperado fez duas coisas: lançou 40 toneladas de ferro ao mar e deu o passo inédito de pedir ao cozinheiro do navio que orasse.


O cozinheiro não era o único em oração. Prudy, esposa de Bates, também orava. Além disso, achando que o esposo levava romances e novelas demais nas viagens, Prudy acrescentou um Novo Testamento e outras publicações cristãs à bagagem dele. Por meio delas, o Espírito Santo fez Sua obra. Logo Bates perdeu o interesse em ler simplesmente como passatempo e começou a devorar livros como 
Rise and Progresso of Religion in the Soul [Crescimento e Progresso da Religião na Alma], de Philip Doddridge. O capitão de 32 anos estava se tornando religioso, mas temia que seus oficiais e subalternos descobrissem e zombassem dele.

O ponto de virada aconteceu por ocasião da morte de um marinheiro chamado Christopher. Por ser o capitão, era dever de Bates supervisionar o funeral, mas ele sentia-se muito indigno para isso.


Bates fez o melhor que pôde. Quatro dias depois do sepultamento, entregou a vida a Deus: “Prometi ao Senhor que eu O serviria pelo resto da vida”.


O sentido do enterro de Christopher afetou não só a Bates. Ele usou o acontecimento para tocar seus tripulantes também. No domingo seguinte, fez um sermão sobre a vida eterna.

Bates recordava sua conversão como “a pérola de grande valor, equivalente a mais riquezas do que minha embarcação é capaz de conter”. Observou também qual era seu único desejo: “Poder ensinar [aos outros] o caminho da vida e da salvação”.

E foi isso que ele fez. Tal missão dominou o restante de sua existência.


Servimos a um Deus poderoso, capaz de transformar nossa vida. 


George Knight - "Para não esquecer"

Meditação Diária 31-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

O BATES PRISIONEIRO

"Basta a cada dia o seu próprio mal". Mateus 6:34, NVI

Precisei viver um pouco para finalmente entender esse versículo. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje é ainda mais clara: “Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades.”


O grande ponto de virada na vida de Bates ocorreu em 27 de abril de 1810. Naquela noite, uma equipe de recrutadores formada por um oficial e 12 homens entrou na pensão onde ele se encontrava, em Liverpool, na Inglaterra, pegou-o com outros norte-americanos à força e os arrastou, para serem “recrutas” da marinha britânica, embora tivessem documentos comprovando serem cidadãos dos Estados Unidos.


Para nós, esse tipo de abordagem pode parecer algo absolutamente impensável, mas aqueles eram tempos diferentes. A Grã-Bretanha estava no meio de uma guerra mortal contra Napoleão, e a marinha necessitava de homens. Por causa do baixo salário, das péssimas condições de vida, da alimentação pobre e das surras costumeiras, era quase impossível conseguir recrutas suficientes. No início da guerra dos Estados Unidos contra a Grã-Bretanha, em 1812, a marinha britânica contava com cerca de 6 mil norte-americanos. Bates, aos 17 anos, passaria os cinco anos seguintes (1810-1815) como “convidado” do governo britânico. Serviu metade do tempo na Marinha Real e a outra metade ficou como prisioneiro de guerra. As experiências que teve revelam a força de sua constituição. No início da guerra, em 1812, os britânicos enviaram 200 norte-americanos do esquadrão de Bates para guerrear contra os franceses. Somente seis deles se recusaram, incluindo Bates. Sua recusa lhe custou caro.


Em certa ocasião, num conflito com a frota francesa, todos os norte-americanos auxiliaram os britânicos, menos ele, conforme seu relato da ocasião. Por causa dessa intransigência, um oficial britânico o jogou no chão e ordenou-lhe que colocasse cadeias nos próprios pés. Bates respondeu que o faria sem problemas, mas não trabalharia porque era prisioneiro de guerra. Naquele instante, o oficial disse a Bates que, quando começasse a batalha, ele seria “içado no mastro principal para servir de alvo para os franceses”.


O espírito de independência e determinação caracterizou toda a vida de José Bates. Foi justamente essa índole corajosa baseada em princípios que o transformou no tipo de pessoa enérgica o bastante para dedicar-se à edificação de um movimento, que se originou das ruínas do milerismo.


Sigamos seu exemplo! Deus necessita de pessoas como José Bates.

Meditação Diária 30-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

CONHEÇA JOSÉ BATES

"Eis que Eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores". Gênesis 28:15


José Bates foi fundamental durante a etapa inicial do adventismo do sétimo dia. Além de estar no centro do desenvolvimento da posição doutrinária do movimento, levou, depois de um tempo, a mensagem do sábado aos outros dois fundadores do movimento. 


Conforme veremos, Bates, além de ser um dos fundadores do adventismo, foi também seu missionário mais zeloso. Podemos afirmar, sem dúvidas, que não haveria adventismo do sétimo dia da maneira que o conhecemos sem sua liderança pioneira.


Bates nem sempre foi cristão. Ele nasceu em Massachusetts, no dia 8 de julho de 1792, e rejeitou a fé de seu pai no início da vida. Sua cidade natal estava se transformando na capital dos caçadores de baleias dos Estados Unidos, e ele sonhava o tempo inteiro com uma vida de aventuras no mar. Apesar de o pai ter planos para ele, finalmente, lhe deu permissão para partir, na esperança de que uma viagem o “curaria”, mas o efeito foi exatamente o oposto.


Em junho de 1807, pouco antes de completar 15 anos, Bates partiu como assistente de navio numa viagem para a Europa. Suas primeiras experiências no mar poderiam levar uma pessoa mais acanhada a desistir dos sonhos e voltar para casa. Por exemplo, no retorno da viagem da Inglaterra, o jovem caiu no oceano do topo de um dos mastros, perto de um grande tubarão para o qual alguns de seus companheiros estavam jogando iscas. Caso a criatura não tivesse mudado de posição bem naquele instante, a carreira de Bates no mar teria sido bem curta.


Na primavera de 1809, ele teve outra experiência quase fatal quando o navio em que estava atingiu um iceberg, próximo a Newfoundland. Presos no porão de carga do navio, ele e outro marinheiro seguraram-se no escuro, preparados para morrer, enquanto ouviam, de tempos em tempos, “os gritos de alguns dos miseráveis companheiros, no convés acima [deles], suplicando a Deus por misericórdia”.


Anos mais tarde, Bates escreveu sobre suas inquietações espirituais na ocasião: “Oh, que pensamento terrível! Prestes a entregar minha alma e […] descer com o navio naufragado até o fundo do oceano, tão longe de casa e dos amigos, sem a menor […] esperança do Céu.”


O vigoroso jovem recebeu um chamado para despertar, mas ainda não estava pronto para entregar a vida a Deus.


Podemos ser agradecidos porque Deus não desiste. Quão bem-aventurada é a verdade de que Ele continua a trabalhar inclusive por aqueles a quem amamos!

Meditação Diária 29-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

TEMPO DE DISPERSÃO 4

"Pela fé, entendemos". Hebreus 11:3

O entendimento não chega com facilidade. Em especial quando mais precisamos dele, quando nossa confusão abala os alicerces da vida.

É quase impossível para nós, que vivemos mais de 160 anos depois do evento, compreendermos o grau de confusão e caos entre os mileritas após o grande desapontamento de outubro de 1844.


As respostas para o que aconteceu, conforme observamos nos últimos três dias, eram muitas. O segmento espiritualizador defendia que eles estavam corretos quanto ao tempo e ao evento e afirmavam que Cristo tinha vindo no dia 22 de outubro. Os adventistas de Albany, por sua vez, alegavam que erraram quanto ao tempo, mas estavam corretos em relação ao evento que ocorreria no fim das 2.300 tardes e manhãs. Isto é, nenhuma profecia se cumprira em outubro, mas a purificação do santuário correspondia ao segundo advento e ainda estava por acontecer.


Os dois grupos abriram mão de algo essencial. No caso dos espiritualizadores, foi o entendimento literal da Bíblia, ao passo que o grupo de Albany deixou de lado a concepção de profecia defendida por Miller.


No entanto, houve uma terceira posição possível em relação ao cumprimento da profecia dos 2.300 dias em outubro de 1844, a saber, que os mileritas acertaram o tempo, mas erraram o evento. Em outras palavras, a profecia das 2.300 tardes e manhãs se cumprira, mas a purificação do santuário com certeza não correspondia ao segundo advento.
O interessante a respeito dessa terceira abordagem é que não teve muitos adeptos, diferentemente das outras duas propostas. Entretanto, na metade de 1845, milhares se identificavam com as ideias dos espiritualizadores e dos adventistas de Albany, mas a orientação que defendia o acontecimento de alguma coisa em 22 de outubro não teve presença marcante.


No entanto, era deste terceiro posicionamento que surgiriam os adventistas do sétimo dia, que se tornaram o maior dentre os grupos adventistas. Tal acontecimento aguardava três coisas: (1) o surgimento de líderes, (2) a evolução de doutrinas que explicassem a experiência milerita e esclarecesse noções equivocadas e (3) o surgimento de periódicos e estratégias organizacionais capazes de difundir tais ensinos. O restante da jornada deste ano seguirá esse terceiro grupo.


Desde já, porém, podemos ser gratos a Deus por Sua paciência. Ele espera por nós, enquanto procuramos resolver as dificuldades da vida.

Meditação Diária 28-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

TEMPO DE DISPERSÃO 3

"Tudo, porém, seja feito com decência e ordem". 1Coríntios 14:40

Colocar ordem na confusão: era disso que os adventistas precisavam na primavera de 1845. Pelo menos era o que Josué V. Himes pensava. Ele conseguia ver claramente que os espiritualizadores fanáticos levariam o movimento à ruína.


No entanto, o fanatismo não era o único ponto de divergência entre Himes e os espiritualizadores. Ele também discordava quanto ao suposto cumprimento da profecia em outubro de 1844. Conforme vimos antes, os espiritualizadores achavam que isso havia ocorrido – que Jesus entrara no coração deles em 22 de outubro de 1844 e que a profecia das 2.300 tardes e manhãs havia se cumprido, ou seja, eles estariam corretos tanto em relação ao tempo quanto ao evento.


Passado um período, Himes admitiu que o milerismo estivera errado em relação ao tempo, mas correto em relação ao evento que deveria acontecer no fim dos 2.300 dias. Em outras palavras, nenhuma profecia havia se cumprido no dia 22 de outubro, mas eles deveriam continuar a esperar o retorno de Jesus nas nuvens do céu durante os seguintes anos de “tempo controverso”. No processo para chegar a essa conclusão, ele começou a desistir da concepção de profecia defendida por Miller desde novembro de 1844. Eventualmente, afastou as pessoas da interpretação profética que dera força e foco ao evangelismo milerita.


Entretanto, esse resultado final não estava claro para todos durante a primavera de 1845. Tudo que Himes sabia era que eles precisavam fugir dos falsos ensinos dos fanáticos. Foi o mesmo temor que levou Miller, cada vez mais enfraquecido e tomado por dores, à campal de Himes, no fim de abril de 1845. Himes havia convencido Miller a se unir a ele em um congresso planejado para começar no dia 29 de abril, em Albany, Nova York. Lá o grupo majoritário de adventistas se organizou em uma quase denominação, com base doutrinária e abordagem organizacional rudimentar próxima ao congregacionalismo.


O evento em Albany foi positivo no sentido de tentar colocar ordem no caos. Todavia, foi prejudicial ao afastar o segmento do milerismo do modo de interpretar as profecias que deram origem e sentido ao movimento. O maior problema subjacente é que sua principal motivação era se definir em termos daquilo a que eram contrários. Caíram na armadilha de fazer teologia contra as crenças do próximo. E, com isso, vem uma falha de equilíbrio.


Ajuda-nos, Senhor, a manter os olhos em Tua Palavra, em vez de nos concentrarmos nos problemas de quem está ao redor, à medida que procuramos nos orientar ao longo do dia.

Meditação Diária 27-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

TEMPO DE DISPERSÃO 2

"Então, Jesus lhes disse: […] Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas". Mateus 26:31

Guilherme Miller temia o fanatismo mais do que qualquer outra coisa. Seu movimento ficara relativamente livre desse problema até outubro de 1844, mas, por volta da primavera de 1845, fanatismos e excessos carismáticos corriam soltos em meio a certos segmentos dos espiritualizadores.


Em abril de 1845, Miller estava extremamente incomodado com essa situação. Naquele mês, ele escreveu a Himes: “Vivemos em uma época estranha. Toda sorte de interpretação fantasiosa das Escrituras é agora prescrita por novos luminares, que refletem seus raios de luz e calor para todos os lados. Alguns deles são estrelas cadentes e outros só emitem luz fraca. Estou cansado dessas mudanças constantes; mas, meu querido irmão, precisamos aprender a ter paciência. Se Cristo voltar nesta primavera, não necessitaremos dela por muito tempo; e se Ele não vier, precisamos de muito mais. Estou preparado para o pior, esperando pelo melhor.”


Infelizmente, o tempo continuou a tardar. Miller e seus seguidores testemunharam algo diferente do “melhor” tão esperado. Um ano e meio depois, já enfermo, escreveu: “Estou tomado pela dor. Tenho sido assolado por dores de cabeça, nos dentes, nos ossos e no coração desde outubro; mas bem mais pela última dor, quando penso em tantos dos amados irmãos do passado que, depois do desapontamento, caíram em fanatismos de toda natureza, deixando os primeiros princípios do aparecimento glorioso de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo.”


Ele não era o único que ficou confuso e perturbado pelo caos de desorientação entre os espiritualizadores no início de 1845. Em maio, Himes observou que “o movimento do sétimo mês [produzira] mesmerismos profundos”.


O problema de todos os mileritas, nesse período, era a questão da identidade. Diferentes setores do movimento sugeriram respostas diversas para ela, mas todos lidavam com as mesmas inquietações.


Expressando da forma mais clara possível, é difícil se manter no caminho certo em períodos de grande perturbação. Sempre foi e sempre será. Nossa oração diária deve ser para Deus nos ajudar a manter os dois pés no chão e a mente tão clara quanto possível, sobretudo em tempos turbulentos. E assim como Miller, na prova devemos esperar pelo melhor, mas preparados para o pior.


Ajuda-nos hoje, ó Pai, a ter uma atitude de equilíbrio e uma prece no coração.

Meditação Diária 26-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

TEMPO DE DISPERSÃO 1

"Eis que vem a hora e já é chegada, em que sereis dispersos". João 16:32

Josiah Litch usou palavras cheias de significado bíblico ao escrever, dois dias depois do desapontamento de outubro: “O dia é sombrio por aqui. As ovelhas estão dispersas, e o Senhor ainda não voltou.” Desapontamentos espirituais profundos sempre tendem a provocar desilusão e dispersão dos fiéis.


Foi isso que ocorreu com os adventistas mileritas no fim de 1844 e início de 1845. Eles ficaram desorientados e confusos enquanto tentavam descobrir o sentido de sua experiência. O ápice de sua esperança os havia levado às profundezas do desespero.


É impossível formar um retrato totalmente preciso dos mileritas decepcionados, mas é provável que a maioria tenha abandonado a fé adventista e voltado para suas antigas igrejas ou se deixado arrastar para a descrença.


Aqueles que mantiveram a esperança no breve retorno de Cristo podem ser classificados em três grupos gerais. A grande pergunta que rondava a todos era: “O que aconteceu, se é que aconteceu algo, em 22 de outubro, no encerramento dos 2.300 dias de Daniel 8:14?”


O primeiro grupo identificável a surgir na esteira do desapontamento foi o dos espiritualizadores. Esse setor do adventismo defendia que o movimento estava correto tanto em relação à data quanto ao evento. Isto é, Cristo havia voltado em 22 de outubro. No entanto, Ele fizera uma entrada espiritual no coração dos fiéis, em vez de um retorno visual nas nuvens do céu.


Com essa interpretação, deram um importante passo para longe da interpretação de Miller sobre a Bíblia. Começaram a espiritualizar seu significado, mesmo em passagens que falam obviamente de eventos literais. Com isso, abriram-se a toda espécie de engano. O fanatismo despontou cedo entre os espiritualizadores. Havia quem afirmasse que, como já estavam no reino, encontravam-se necessariamente sem pecado e além do pecado. 

Alguns dentre o grupo tomaram maridos e esposas “espirituais”, com resultados nada espirituais. Outros defendiam que, como estavam no sétimo milênio, era errado trabalhar. Outros ainda, seguindo a ordem bíblica de que os membros do reino devem ser como criancinhas, descartaram o uso de talheres e passaram a comer com as mãos e a engatinhar. É desnecessário mencionar que ondas de entusiasmo carismático surgiram em meio a suas fileiras.


Precisamos ser cuidadosos e inteligentes ao ler a Palavra de Deus. Espiritualizar o significado claro das Escrituras corresponde a se abrir para um desastre espiritual.

Meditação Diária 25-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

ORIENTAÇÃO DIVINA

"Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel". Lucas 24:21

Miller e seus companheiros de fé haviam se enganado em alguns aspectos de sua interpretação e de seu entendimento da Bíblia. Afinal, Jesus não voltou à Terra em 22 de outubro de 1844, nem em nenhuma data dos anos 1840. A pergunta que se impõe é: “Estaria Deus dirigindo um movimento como esse?”


Encontramos a melhor resposta no Novo Testamento. Lá vemos os discípulos interpretando erroneamente as palavras de Cristo sobre Sua crucifixão e a natureza de Seu reino diversas vezes. Foi só depois da ressurreição que eles começaram a entender o que Jesus tentara lhes ensinar. Mas, como não estavam prontos, precisaram passar por um desapontamento avassalador que abalou até mesmo os alicerces de sua crença na orientação divina. Foram necessários estudo e compreensão para conseguirem entender o que lhes havia acontecido.

O fato é que Deus escolhe trabalhar por meio de agentes humanos no plano da salvação. Até mesmo as situações guiadas por Ele têm tanto elementos divinos quanto humanos. E tudo o que concerne à humanidade se encontra manchado com a falibilidade. É assim que Deus tem trabalhado nos seres humanos e por meio deles ao longo da história.


Na situação específica do milerismo, podemos nos perguntar por que Miller não leu o restante de Apocalipse 10, uma vez que cria que a abertura das profecias do livrinho de Daniel refletida naquele capítulo se cumpriria em seus dias. Isto é, se ele acreditava que o livro fora aberto e sua mensagem era doce na boca, por que não percebeu que seria amarga no estômago (v. 10) e que outro movimento surgiria das cinzas da amargura, com uma mensagem mundial para “muitos povos, nações, línguas e reis” (v. 11)? A própria lógica de Miller deveria levá-lo a ver que Deus previra o amargo desapontamento, assim como Jesus predissera o mesmo em relação a Seus discípulos.


E ainda: Se Miller defendia estar pregando a primeira mensagem angélica (Ap 14:6, 7), e muitos de seus seguidores criam estar anunciando a segunda (v. 8), por que eles deixaram de dar a ênfase devida à terceira? (v. 9-12). As três juntas conduzem progressivamente ao segundo advento retratado nos versículos 14-20.


O fato é que Deus escolheu seres humanos falíveis para usar em Sua missão na Terra. A boa notícia é que Ele continua a trabalhar conosco, a despeito de nossas fraquezas. Podemos louvá-Lo e agradecê-Lo por isso!


Related Posts with Thumbnails