BATES ACEITA O SÁBADO 1 - MEDITAÇÃO DIÁRIA 28-02-2015

"Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus". (Êxodo 20:8-10)

Os adventistas do sétimo dia consideram José Bates o apóstolo do sábado, mas precisamos nos perguntar: Como ele se deparou com esse assunto?

A resposta a essa pergunta tem mais de um desdobramento. Para começar, desde que se tornara cristão, ele guardava o domingo de forma estrita, chegando ao ponto de impor essa posição à tripulação quando foi capitão de um navio.

O segundo aspecto envolve, sem dúvida, seu estudo das profecias. Afinal, um estudioso do livro do Apocalipse não teria dificuldade em perceber que os mandamentos de Deus seriam guardados no tempo do fim (ver Ap 12:17; 14:12).

Entretanto, o que de fato foi determinante para que Bates entendesse que o sábado do Novo Testamento é o sétimo dia, e não o domingo?

É aí que entram os batistas do sétimo dia. O grupo nunca teve uma abordagem evangelística agressiva. Os Estados Unidos tinham apenas 6 mil pessoas dessa denominação em 1840. Por volta do ano 2000, o número havia diminuído para 4.800, uma perda de 20% dos membros em 160 anos. Para ser claro, o evangelismo nunca foi seu ponto forte.

No entanto, houve pelo menos um momento da história em que assumiram uma abordagem mais ativa. Em sua reunião geral de 1841, concluíram que Deus “requeria” o evangelismo sobre o assunto do sábado. Merlin Burt relata que, em 1842, a sociedade de publicações da denominação “começou a divulgar uma série de folhetos com o objetivo de ‘apresentar o sábado’ ao ‘público cristão’”. Mais uma vez, na assembleia geral de 1843, os batistas do sétimo dia decidiram que era seu “dever solene” esclarecer os outros cidadãos sobre o assunto do sábado do sétimo dia.

Seus esforços tiveram resultados positivos. Em sua reunião de 1844, os batistas do sétimo dia agradeceram a Deus porque “um interesse mais profundo e disseminado sobre o assunto havia surgido como nunca antes se ouviu falar em nosso país”.

A história desses batistas nos mostra que a verdade é algo bom, mas também indica que ela não pode fazer nenhum bem caso as pessoas simplesmente se acomodem e não façam nada para disseminá-la.

Foi somente depois de tomarem a decisão consciente de fazer brilhar sua luz sobre o assunto que as coisas começaram a acontecer. Continuamos precisando de decisões assim para fazer a luz brilhar hoje.

George Knight - "Para não esquecer"

TESTANDO OS PROFETAS 2 - MEDITAÇÃO DIÁRIA 27-02-2015

"Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus". 1João 4:1

O ponto da virada na avaliação de Bates sobre o dom de Ellen White ocorreu em novembro de 1846, em Topsham, Maine, quando ela teve uma visão que incluía dados astronômicos. Por ser um ex-marinheiro, Bates era bem familiarizado com o assunto.

Posteriormente, ele contou a J. N. Loughborough sobre sua experiência em Topsham. Loughborough relatou: “Certa noite, na presença do irmão Bates, que ainda não cria nas visões, a Sra. White teve uma visão na qual logo começou a falar sobre as estrelas. Ela fez uma vívida descrição dos cinturões rosados que viu na superfície de algum planeta e então acrescentou: ‘Vejo quatro luas’. ‘Ah’, disse o irmão Bates, ‘ela está vendo Júpiter.’” Ellen continuou a descrever vários outros fenômenos astronômicos.

Depois que Ellen White saiu da visão, Bates lhe perguntou se já havia estudado astronomia. Ela recorda: “Disse-lhe que não tinha lembrança de já haver visto um livro de astronomia” (VE, p. 88).

Tiago White tinha a mesma opinião a respeito do desconhecimento de Ellen sobre o assunto. “Sabe-se muito bem”, escreveu ele ao relatar a visão de Topsham, no início de 1847, “que ela não tinha nenhum conhecimento de astronomia e não saberia responder nenhuma pergunta sobre os planetas antes de receber essa visão.”

A evidência foi suficiente para o cético Bates. Daquele momento em diante, passou a acreditar firmemente que Ellen tinha o dom divino. Ele concluiu, em abril de 1847, que Deus havia concedido o dom a ela “para confortar e fortalecer seu ‘povo disperso’, ‘dilacerado’ e ‘despedaçado’”, desde o desapontamento de 1844.

Em janeiro de 1848, Bates fez um apelo a seus leitores para que não rejeitassem a obra de Ellen White “por causa de sua juventude, suas enfermidades corporais e sua falta de conhecimento secular”. Afinal, destacou: “A característica de Deus sempre foi usar as coisas fracas deste mundo para confundir as sábias e fortes.” De acordo com Bates, o Senhor a estava usando para “encorajar o pequeno rebanho” numa época em que muitos dos líderes estavam desertando.

“No passado”, observou, “fui lento em acreditar que as visões dessa irmã provinham de Deus. Não me opus a elas porque a Palavra do Senhor é absolutamente clara ao afirmar que seriam dadas visões espirituais a Seu povo nos últimos dias.”
E assim será. Nossa tarefa não é desprezar, mas, sim, testar e provar.


George Knight - "Para não esquecer"

TESTANDO OS PROFETAS 1 - MEDITAÇÃO DIÁRIA 26-02-2015

"Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas. […] Pelos seus frutos os conhecereis". Mateus 7:15, 16

Ontem vimos que a Bíblia nos manda testar aqueles que alegam ter o dom profético. Foi exatamente isso que os primeiros adventistas guardadores do sábado fizeram.

Analisemos o exemplo de José Bates: depois de testemunhar Ellen White em visão muitas vezes, declarou ser como “Tomé, duvidoso”. Ele disse: “Não acredito em [suas] visões. Mas se conseguisse crer que o testemunho relatado pela irmã nesta noite é mesmo a voz de Deus para nós, eu seria o homem mais feliz da Terra.”

Afirmou que a mensagem dela o emocionava profundamente, cria que ela era sincera e, de certo modo, foi envolvido pela experiência. “Embora não conseguisse ver nada [nas visões] que militasse contra a Palavra”, escreveu posteriormente, “senti-me excessivamente provado e alarmado. Por muito tempo, [permaneci] indisposto a crer que se tratasse de algo mais do que um estado produzido pela condição debilitada de seu corpo.”

Entretanto, mesmo tendo dúvidas, ele não a rejeitou de imediato. Tendo vindo da Conexão Cristã, pelo menos estava aberto à ideia de que os dons do Espírito Santo, inclusive o de profecia, permaneceriam em atividade na igreja até o retorno de Cristo.

Por isso, Bates decidiu investigar o que Ellen acreditava ser o dom de profecia. “Portanto”, escreveu, “procurei oportunidades na presença de outros, quando sua mente parecia livre de exaltação, fora de reuniões, para questionar e interrogar a ela e aos amigos que a acompanhavam, sobretudo sua irmã mais velha, a fim de tentar chegar à verdade.” Quando ela estava em visão, Bates acrescentou: “Eu ouvia cada palavra e observava todos os movimentos para detectar qualquer engano ou influência hipnótica.”

A experiência de Bates nos mostra um estudo de caso de alguém lutando entre a propensão natural a rejeitar a reivindicação individual ao dom profético e a ordem bíblica para testar tudo e reter o que é bom (1Ts 5:19-21).

Voltaremos à luta de Bates sobre essa questão, mas precisamos ser honestos com nós mesmos. Como estão as coisas comigo? A mente e o coração estão abertos à verdade? Ou estou tão cheio de preconceitos que fico cego às evidências? Que Deus conceda a cada um de nós uma visão clara e um coração aberto em relação ao assunto do dom profético.

George Knight "Para não esquecer"

OS DONS ESPIRITUAIS E A BÍBLIA 3 - Meditação Diária 25-02-2015

"Não atrapalhem a ação do Espírito Santo. Não desprezem as profecias. Examinem tudo, fiquem com o que é bom. (1Tess. 5:19-21, NTLH)

Como é fácil desprezar qualquer pessoa que afirme ter o dom de profecia; afinal, temos a Bíblia. Além disso, várias pessoas com problemas mentais e questionáveis em vários aspectos fizeram tal declaração ao longo da história. À luz dos fatos, é natural duvidar ou até mesmo desprezar.

No entanto, o conselho da Bíblia sobre o assunto é este: “Não atrapalhem a ação do Espírito Santo. Não desprezem as profecias” (1Ts 5:19-21, NTLH).


Desprezar quem afirma ter o dom de profecia não é uma alternativa para os cristãos. Em vez disso, as Escrituras exigem que tais pessoas sejam “examinadas” ou testadas.

Além de nos pedir para avaliá-las, a Bíblia sugere algumas formas de fazê-lo. Uma aparece no Sermão do Monte, no qual Jesus nos ordena: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. […] Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus” (Mt 7:15-17).

Aplicando o texto ao aspirante a profeta, é preciso avaliar os resultados dos princípios que ele advoga e observar se a vida dele reflete a vontade divina.

Outra passagem se encontra em 1 João 4: “Provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus” (v. 1-3).

Devemos nos perguntar: Qual é o testemunho do candidato a profeta a respeito de Jesus? Isaías 8:20 apresenta um terceiro teste: os ensinos da pessoa estão em conformidade com a Bíblia?

Todos esses critérios são importantes, mas o mais crucial é se os profetas apontam para si mesmos e para a própria mensagem ou para Jesus e a Bíblia.

Os primeiros adventistas foram obrigados a usar a Bíblia para avaliar as declarações feitas pela jovem Ellen Harmon e por outros no fim dos anos 1840. E nem sempre era fácil tomar uma decisão. Continua a ser uma tarefa difícil.

Ajuda-nos hoje, ó Pai, a nos tornarmos estudantes zelosos de Tua Palavra a fim de podermos avaliar melhor todas as coisas espirituais.


George Knight - "Para não esquecer"

OS DONS ESPIRITUAIS E A BÍBLIA 2 - Meditação Diária 24-02-2015

"A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas". (1Coríntios 12:28)

A Conexão Cristã exerceu forte impacto sobre os primeiros adventistas guardadores do sábado, inclusive em seu ponto de vista sobre os dons espirituais.

Descobrimos a perspectiva conexionista sobre o assunto por meio dos escritos de William Kinkade (nascido em 1783), um dos mais proeminentes teólogos do movimento. Kinkade escreveu em 1829 que, durante a juventude, ele se recusava a “ser chamado de qualquer outro nome além de cristão” e só tinha um livro por “padrão: a Bíblia”.

Ele não tinha dúvidas em relação à autoridade suprema das Escrituras. No entanto, em sua extensa discussão sobre a “restauração da antiga ordem das coisas”, afirmou que não conseguia entender “um pequeno ponto” da mensagem neotestamentária.

Ele argumentou que no centro do Novo Testamento se encontravam os dons espirituais, inclusive “o dom de profecia, mencionado em passagens como 1 Coríntios 12:8-31 e Efésios 4:11-16. Os dons espirituais estavam presentes na antiga ordem das coisas na igreja; todos que se opõem a isso, estão se opondo ao cristianismo. Dizer que Deus fez os dons cessarem é o mesmo que alegar que Ele aboliu a mensagem da igreja neotestamentária. […] Esses dons constituem a antiga ordem de coisas”.

Kinkade defendeu que não se tratava de dons temporários que terminaram com a era apostólica. Em vez disso, “esses dons, conforme expostos nas Escrituras, compõem o ministério evangélico” anunciado no Novo Testamento.

A teologia de William Kinkade sobre o Novo Testamento, da perpetuidade dos dons espirituais, no contexto da Bíblia como única fonte de autoridade, é importante para a compreensão dos primórdios do adventismo do sétimo dia, uma vez que dois dos três fundadores da denominação haviam participado ativamente da Conexão Cristã. Tiago White e José Bates chegaram ao adventismo do sétimo dia vindos de um movimento que defendia tanto a Bíblia como único fator determinante de fé e prática quanto a continuidade dos dons espirituais.

O delicado equilíbrio entre os dois elementos se reflete nos escritos de Tiago White, que define o tom da função apropriada dos dons espirituais na igreja.

Pai, somos gratos porque cuidas tanto de Tua igreja a ponto de derramar sobre ela os dons do Espírito. Ajuda-nos a ser sábios no uso dos Teus dons.

George Knight - "Para não esquecer"

Estudo Livro de Daniel - "Um livro para nossos dias"

OS DONS ESPIRITUAIS E A BÍBLIA 1 - Meditação Diária 23-02-2015

"E Ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado". (Efésios 4:11, 12, NVI)

Os primeiros adventistas guardadores do sábado defendiam o ensino bíblico de que os dons espirituais, inclusive o dom de profecia, existiriam na igreja até o segundo advento.

Uriah Smith fez uma ilustração que expressa bem essa ideia. Ele escreveu: “Suponha que estejamos prestes a começar uma viagem. O dono da embarcação nos entrega um livro de instruções, dizendo que ele contém as orientações necessárias para toda a jornada e que se prestarmos atenção a elas, chegaremos com segurança ao destino.

“Depois de partir, abrimos o livro para saber o que ele diz. Descobrimos que o autor alista princípios gerais para nos governarem na viagem e nos instrui o máximo possível, abordando as várias dificuldades que podem surgir, até o fim. Entretanto, também nos fala que a última parte de nossa jornada será especialmente perigosa; que as características da subida estão em constante mudança por causa de areias movediças e tempestades; ‘contudo, para essa parte da viagem’, diz ele, ‘providenciei um piloto que os encontrará e lhes dará as informações que as circunstâncias e os perigos ao redor exigirem; deem ouvidos a ele’.

“Com essas instruções, chegamos ao momento especificado de perigo e, conforme a promessa, o piloto veio a nosso encontro; mas, assim que ele ofereceu seus serviços, alguns dos tripulantes se levantaram contra ele. ‘Temos o livro de instruções original’, protestaram, ‘e isso nos basta. Só nele nos baseamos e em nada mais; não queremos nada de você’.

“Quem está dando ouvidos ao livro de instruções? Aqueles que rejeitam o piloto ou os que o aceitam, conforme o livro orienta? Julguem vocês.


“No entanto, alguns […] podem nos abordar sobre esse ponto da seguinte forma: ‘Então você considera que a senhora White é nosso piloto?’. É para evitar esforços nessa direção que escrevemos essa frase. Não é isso que estamos dizendo. O que afirmamos com distinção é isto: que os dons do Espírito nos são dados para servirem de piloto nestes tempos de perigo e sempre que encontrarmos manifestações genuínas dos dons, em quem quer que seja, temos o dever de respeitá-las. Se não o fizermos, chegamos ao ponto de rejeitar a Palavra de Deus, que nos instrui a aceitá-los”.

George Knight - "Para não esquecer"

SOBRE O RESTAURACIONISMO - Meditação Diária 22-02-2015

"Os teus filhos edificarão as antigas ruínas; levantarás os fundamentos de muitas gerações e serás chamado reparador de brechas e restaurador de veredas para que o país se torne habitável". Isaías 58:12

Por volta de 1800, surgiu nos Estados Unidos um movimento de restauracionismo desejando reformar as igrejas por meio da recuperação de todos os ensinos do Novo Testamento. Os restauracionistas rejeitavam a ideia de que a Reforma era algo que havia acontecido somente no século 16. Em vez disso, ela havia começado nessa época, mas deveria continuar até os últimos vestígios da tradição serem rejeitados e a Bíblia assumir um lugar central dentro da igreja. A tarefa do movimento restauracionista era terminar a Reforma inacabada.

Os restauracionistas defendiam um ponto de vista radical do princípio de sola scriptura. Queriam evidências bíblicas para todas as posições que adotavam. As Escrituras eram o único fundamento para sua fé e prática. O movimento também era contrário aos credos. Uma declaração popular entre seus defensores era: “Não temos outro credo além da Bíblia.”
O espírito do movimento restauracionista abriu caminho para grande parte da agenda teológica da maioria dos protestantes norte-americanos durante o início do século 19. 
Promovia a atitude de retorno à Bíblia que permeava a mentalidade protestante da época.

Uma das ramificações do movimento restauracionista teve importância especial para os adventistas do sétimo dia: a Conexão Cristã. Tiago White e José Bates (dois dos três fundadores do adventismo) eram membros desse grupo.

Os dois levaram consigo para o adventismo tanto a filosofia centrada na Bíblia, da Conexão Cristã, quanto o alvo de conduzir a igreja de volta a todos os ensinos esquecidos das Escrituras. Estavam convictos de que tal restauração deveria acontecer antes do segundo advento.

A visão restauracionista da história continua a influenciar o adventismo hoje. Veja, por exemplo, as palavras introdutórias da Declaração de Crenças Fundamentais: “Os adventistas do sétimo dia aceitam a Bíblia como seu único credo.” Além disso, O Grande Conflito, de Ellen White, baseia-se em um padrão restauracionista, identificando a redescoberta dos ensinos bíblicos perdidos nos primeiros séculos do cristianismo, desde a Reforma até o fim dos tempos.

Nós, adventistas do sétimo dia, temos motivos para agradecer por pertencermos a um movimento que se baseia firmemente nas Escrituras.


George Knight - "Para não esquecer"

O CHAMADO PARA TESTEMUNHAR - Meditação Diária 21-02-2015

"Não temas; pelo contrário, fala e não te cales". Atos 18:9

Cerca de uma semana após a primeira visão, Ellen recebeu uma segunda, instruindo a contar aos outros adventistas o que Deus lhe havia revelado. Também lhe disse que ela enfrentaria grande oposição.

Ellen hesitou diante do dever. Afinal, raciocinou, sua saúde era frágil, tinha apenas 17 anos e era naturalmente tímida. “Durante vários dias”, explicou mais tarde, “orei para que este encargo fosse removido de mim e posto sobre alguém capaz de o suportar. Não se alterou, porém, minha consciência do dever, e soavam-me continuamente aos ouvidos as palavras do anjo: ‘Torna conhecido a outros o que te revelei’” (VE, p. 65). Ela prosseguiu admitindo que preferia a morte à tarefa a sua frente. Depois de perder a doce paz que lhe sobreviera após a conversão, encontrava-se mais uma vez em desespero.

Não é de se espantar que Ellen Harmon sentisse medo de falar em público. Afinal, a população em geral zombava dos mileritas. Além disso, erros doutrinários graves e várias formas de fanatismo assolavam as próprias fileiras dos mileritas após o desapontamento.
De maneira mais específica, o dom de profecia se tornara especialmente suspeito em 1844, tanto para a sociedade mais ampla quanto para os adventistas mileritas. No verão de 1844, Joseph Smith, o “profeta” mórmon, perdera a vida ao ser atacado por uma multidão, em Illinois. O fim de 1844 e o início de 1845 testemunharam o surgimento de um grande número de “profetas” adventistas de caráter questionável, vários deles atuando em Maine. Na primavera de 1845, os adventistas de Albany votariam que não tinham “confiança em nenhuma mensagem ou visão, nem em sonhos, línguas, milagres, dons extraordinários, revelações” e assim por diante.

Em meio a uma atmosfera como essa, não surpreende que a jovem Ellen Harmon tenha procurado evitar seu chamado ao ministério profético. Contudo, a despeito de seus temores pessoais, ela foi em frente e começou a apresentar o confortante conselho divino aos adventistas confusos.

Mesmo uma rápida consideração sobre suas diversas declarações autobiográficas iniciais revela que ela se deparou com bastante fanatismo e oposição pessoal.
Algumas de suas primeiras visões trataram do fanatismo e da oposição ao dar conselhos e repreensões de natureza particular.

Ó Senhor, ajuda-nos hoje a sermos fiéis no lugar onde nos colocaste e capacita-nos para anunciarmos a mensagem que nos tens dado.

George Knight - "Para não esquecer"

Mensagem: A Criação

A PRIMEIRA VISÃO DE ELLEN WHITE 2 - Meditação Diária 20-02-2015

"E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do Meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão". Atos 2:17

É surpreendente notar que a primeira visão de Ellen White não abordou o tema do santuário, nem de sua purificação. Em vez disso, seu objetivo era encorajar os desapontados adventistas mileritas, oferecendo-lhes segurança e consolo. De maneira mais específica, proporcionava instrução em várias frentes.

Primeiro, a visão indicava que o movimento de 22 de outubro não havia sido um erro. Pelo contrário, em 22 de outubro houve o cumprimento de uma profecia. Por isso, era uma “luz brilhante” atrás deles, para ajudá-los a se orientar e a guiá-los rumo ao futuro. É interessante saber que Ellen Harmon havia abandonado a crença na mensagem de outubro de 1844 no mês anterior à sua primeira visão. Portanto, o que ela viu era contrário a seus pensamentos pessoais.

Segundo, a visão revelava que Jesus continuaria a dirigi-los, mas eles precisavam manter os olhos fitos nEle. Logo, o adventismo tinha dois focos de orientação: o acontecimento de outubro na história passada e o direcionamento contínuo de Jesus no futuro.

Terceiro, a visão parecia sugerir que demoraria mais do que o esperado para Cristo voltar.
Quarto, era um erro grave abandonar a experiência passada do movimento de 1844 e afirmar que ela não viera de Deus. Aqueles que chegassem a essa conclusão se afundariam em trevas espirituais e perderiam o rumo.

A primeira visão de Ellen White proporcionou várias lições positivas. Mas não deixemos de observar uma coisa: ela não mostrou o que havia acontecido em 22 de outubro de 1844. Tal conhecimento ficaria claro por meio do estudo da Bíblia. Em vez de dar explicações específicas, a primeira visão somente ressaltou o fato de que Deus estava guiando um povo a despeito do desapontamento e da confusão. Esse foi o primeiro sinal de Seu cuidado e direcionamento profético por intermédio de Ellen Harmon.

O tema de Deus guiando Seu povo em meio aos perigos e às ciladas da história se transformaria em um dos focos centrais do ministério dela. Ganharia maturidade em cinco obras importantes que acompanham o curso da história do direcionamento divino desde a entrada do pecado, em Patriarcas e Profetas, até a conclusão do plano de Deus, em O Grande Conflito.

Graças ao Senhor por Sua orientação constante!

George Knight - "Para não esquecer"

A PRIMEIRA VISÃO DE ELLEN WHITE 1 - Meditação Diária 19-02-2015

"E acontecerá, depois, que derramarei o Meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão". Joel 2:28

Em dezembro de 1844, Ellen Harmon estava orando com mais quatro mulheres na casa da Sra. Haines, em Portland, Maine. “Enquanto estávamos orando”, conta Ellen, “o poder de Deus veio sobre mim como nunca havia sentido antes” (LS, p. 64).

Durante a experiência, ela relata: “Pareceu-me estar subindo mais e mais alto da escura Terra. Voltei-me para ver o povo do advento […], mas não o pude achar, quando uma voz me disse: ‘Olha novamente, e olha um pouco mais para cima.’ Com isto olhei mais para o alto e vi um caminho reto e estreito, levantado num lugar elevado do mundo. O povo do advento estava nesse caminho, a viajar para a cidade que se achava na sua extremidade mais afastada. Tinham uma luz brilhante colocada por trás deles no começo do caminho, a qual um anjo me disse ser o ‘clamor da meia-noite’ [a pregação de que 22 de outubro seria a data do cumprimento de Daniel 8:14].

“Essa luz brilhava em toda extensão do caminho e proporcionava claridade para seus pés, para que não tropeçassem. Se conservavam o olhar fixo em Jesus, que Se achava precisamente diante deles, guiando-os para a cidade, estavam seguros.

“Mas logo alguns ficaram cansados e disseram que a cidade estava muito longe e esperavam nela ter entrado antes. Então Jesus os animava. […]

“Outros temerariamente negavam a existência da luz atrás deles e diziam que não fora Deus quem os guiara tão longe. A luz atrás deles desaparecia, deixando-lhes os pés em densas trevas, de modo que tropeçavam e, perdendo de vista o sinal e a Jesus, caíam do caminho para baixo, no mundo tenebroso e ímpio. […]

“Logo nossos olhares foram dirigidos ao oriente, pois aparecera uma nuvenzinha aproximadamente do tamanho da metade da mão de homem, a qual todos nós soubemos ser o sinal do Filho do Homem. Todos nós em silêncio solene olhávamos a nuvem que se aproximava e se tornava mais e mais clara e esplendente, até converter-se numa grande nuvem branca. […]

“Então a trombeta de prata de Jesus soou, ao descer Ele sobre a nuvem. […] Olhou para as sepulturas dos santos que dormiam, ergueu então os olhos e mãos ao céu, e exclamou: ‘Despertai! Despertai! Despertai, vós que dormis no pó, e levantai-vos!’”

George Knight - "Para não esquecer"

NOVA LUZ SOBRE O SANTUÁRIO 5 - Meditação Diária 18-02-2015

"Portanto, era necessário que as cópias das coisas que estão nos Céus fossem purificadas com esses sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios superiores. Pois Cristo não entrou em santuário feito por homens, uma simples representação do verdadeiro; Ele entrou no próprio Céu, para agora Se apresentar diante de Deus em nosso favor". Hebreus 9:23, 24, NVI

A profecia de Daniel 8:14 sobre a purificação do santuário, no fim das 2.300 tardes e manhãs, era de grande importância para os adventistas da porta fechada. Por isso, não é de se espantar que encontremos outras pessoas além de Hiram Edson, Owen R. L. Crosier e Franklin B. Hahn preocupadas com a identidade do santuário, o sentido da purificação e o que de fato ocorreu na conclusão da profecia dos 2.300 dias.
Outros estudiosos que publicaram sobre o assunto incluem Emily C. Clemons, que editou um periódico, na metade de 1845, chamado Hope Within the Veil [Esperança Além do Véu]; e G. W. Peavey, o qual ensinava, em abril de 1845, que Cristo havia “terminado a obra tipificada pelas ministrações diárias antes do décimo dia do sétimo mês e que, naquela data, entrara no santo dos santos”.

Peavey também percebia uma conexão entre Daniel 8:14, Hebreus 9:23, 24 e Levítico 16. Ele concluiu que o lugar santíssimo do santuário celestial necessitava ser purificado pelo sangue de Cristo no dia antitípico da expiação. No entanto, ele acreditava que a purificação do santuário celestial havia acontecido em 22 de outubro de 1844, ao passo que Crosier e seus amigos consideravam a expiação um processo inacabado que havia começado naquela data. A interpretação de Crosier foi a adotada pelos adventistas guardadores do sábado.

As primeiras visões de Ellen Harmon também abordaram o tema do santuário. No início de 1845, ela relatou uma visão na qual viu “o Pai erguer-Se do trono e num flamejante carro entrar no santo dos santos para dentro do véu, e assentar-Se” no início da segunda fase do ministério celestial de Cristo (PE, p. 55).

Embora essa visão esteja em harmonia com as conclusões de Crosier e outros estudiosos da Bíblia, devemos nos lembrar de que Ellen Harmon não tinha preeminência nem autoridade sobre o adventismo da época. Era basicamente desconhecida das principais figuras ligadas ao desenvolvimento da teologia do santuário. Para eles, Ellen era apenas uma menina de 17 anos, afirmando ter visões em meio às vozes conflitantes do adventismo da porta fechada; que, na época, estava literalmente infestado de gente dizendo ter dons carismáticos.
Devemos louvar a Deus por sempre estar disposto a guiar nossa mente enquanto buscamos conhecer Seu maravilhoso plano de redenção.

George Knight - "Para não esquecer"

NOVA LUZ SOBRE O SANTUÁRIO 4 - Meditação Diária 17-02-2015

"Ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dEle, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles". Hebreus 7:25, NVI

Crosier começou a escrever sobre o santuário celestial em março de 1845, mas foi em 7 de fevereiro de 1846 que ele apresentou sua interpretação mais completa sobre o assunto em um artigo chamado “The Law of Moses” [A Lei de Moisés].

Podemos resumir da seguinte forma as conclusões mais importantes encontradas em “The Law of Moses”: (1) Existe um santuário literal no Céu. (2) O santuário hebraico era uma representação visual completa do plano da salvação, que seguia o modelo do santuário celestial. (3) Assim como os sacerdotes terrenos tinham um ministério em duas fases no santuário do deserto, Cristo tem um ministério de duas etapas no santuário celestial. A primeira etapa começou no lugar santo após Sua ascensão e a Segunda, em 22 de outubro de 1844, quando Jesus passou do primeiro compartimento do santuário celestial para o segundo. Logo, o dia antitípico ou celestial do Dia da Expiação começou nessa data. (4) A primeira etapa do ministério de Cristo está ligada ao perdão, ao passo que a segunda envolve o apagamento dos pecados e a purificação tanto do santuário quanto dos crentes. (5) A purificação de Daniel 8:14 era do pecado; portanto, seria efetuada pelo sangue, não pelo fogo. (6) Haveria um intervalo de tempo entre o início do ministério de Jesus no santíssimo e o segundo advento.

Os resultados do estudo da Bíblia, realizado por Crosier, responderam às perguntas sobre a identidade do santuário e a natureza da purificação. Além disso, mostraram o que havia acontecido no fim da profecia dos 2.300 dias de Daniel 8:14.

O artigo de Crosier não passou despercebido por aqueles que se tornariam líderes dos adventistas guardadores do sábado. Já em maio de 1846, José Bates recomendou a abordagem de Crosier sobre o santuário, considerando-a “superior a qualquer material do tipo disponível”.

No ano seguinte, Ellen White escreveu: “O Senhor me mostrou em visão, mais de um ano atrás, que o irmão Crosier tem a luz verdadeira acerca da purificação do santuário […] e que era de Sua vontade que o irmão Crosier escrevesse o ponto de vista que nos mostrou em Day-Star Extra, no dia 7 de fevereiro de 1846” (WLF, p. 12).

Podemos ser gratos a Deus não só porque tem um plano para salvar Seu povo do pecado, mas também porque esse plano está sendo levado a efeito por meio do ministério de Cristo em nosso favor no Céu.

George Knight - "Para não esquecer"

NOVA LUZ SOBRE O SANTUÁRIO 3 - Meditação Diária 16-02-2015

" 'Eles servem num santuário que é cópia e sombra daquele que está nos Céus, já que Moisés foi avisado quando estava para construir o tabernáculo: “Tenha o cuidado de fazer tudo segundo o modelo que lhe foi mostrado no monte' ". Hebreus 8:5, NVI

Ontem conhecemos Owen R. L. Crosier, o amigo de Hiram Edson que dedicou tempo a um estudo intensivo e abrangente da Bíblia sobre o significado do santuário e da purificação que aconteceria no fim das 2.300 tardes e manhãs de Daniel 8:14. Em Day Dawn [Raiar do Dia], material publicado por Edson e Hahn, Crosier explicou suas descobertas de maneira sistemática. Uma de suas primeiras conclusões foi que a interpretação de Miller estava equivocada, visto que “a palavra santuário não pode se aplicar à Terra por nenhum princípio existente”. Crosier certamente tinha uma concordância em mãos quando observou que “a palavra santuário ocorre 104 vezes na Bíblia, 100 delas no Antigo Testamento […] e 4 no Novo, todas elas na epístola aos Hebreus”.

Mais adiante em seu artigo, Crosier conclui que o santuário de Daniel 8:14 não podia ser o santuário judaico, pois este fora “irrecuperavelmente destruído”. “Todavia, embora o santuário judaico tenha deixado de ser o santuário 1.800 anos atrás, algo maiseorge  existia no fim dos 2.300 dias para receber o título de santuário e, no fim do período, passar por uma mudança expressa pela palavra ‘purificado’, ‘justificado’, ‘vindicado’ ou ‘declarado justo’.”

Crosier observou que o livro de Hebreus deixa algo claro: “Após a ascensão, Cristo entrou no lugar do qual o santuário judaico era uma figura, um modelo ou tipo e este foi o local de Seu ministério durante a dispensação do evangelho.” Hebreus revela inquestionavelmente: “‘Temos um Sumo Sacerdote como esse, o qual Se assentou à direita do trono da Majestade nos Céus e serve no santuário.’ Esse não é o único texto do Novo Testamento no qual a palavra santuário é encontrada, mas os outros três se referem ao santuário judaico. Agora podemos ter segurança ao afirmar que não há autoridade bíblica para chamar qualquer outra coisa de santuário na dispensação do evangelho, além do local do ministério de Cristo no Céu, desde o momento de Sua ascensão ao Pai até Sua segunda vinda.”

Podemos agradecer a Deus hoje por Jesus ser nosso sumo sacerdote no santuário celestial. “Portanto, Ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dEle, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles” (Hb 7:25, NVI). Amém!


George Knight - "Para não esquecer"

NOVA LUZ SOBRE O SANTUÁRIO 2 - Meditação Diária 15-02-2015

"Temos um Sumo Sacerdote como esse, o qual Se assentou à direita do trono da Majestade nos Céus e serve no santuário, no verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, e não o homem". (Hebreus 8:1, 2, NVI)

Anos depois do acontecimento, Hiram Edson escreveu sobre uma experiência que afirma ter vivenciado em 23 de outubro de 1844, o dia após o desapontamento: “Comecei a sentir que poderia haver luz e auxílio para nós naquela aflição. Disse a alguns de meus irmãos: ‘Vamos ao celeiro.’ Entramos ali, fechamos as portas e nos prostramos perante o Senhor.

“Oramos com fervor, pois sentíamos nossa necessidade. Continuamos em oração sincera até recebermos o testemunho do Espírito de que nossa oração fora aceita, a luz seria dada e nosso desapontamento seria explicado e esclarecido de maneira satisfatória. Após o desjejum, disse a um de meus irmãos [provavelmente Owen R. L. Crosier]: ‘Vamos sair e animar alguns de nossos irmãos’.

“Começamos a caminhar e, enquanto passávamos por um grande campo, fui parado no meio dele. O Céu parecia aberto a meus olhos. Eu via com distinção e clareza que, em vez de nosso Sumo Sacerdote sair do santíssimo no santuário celestial para vir à Terra no décimo dia do sétimo mês, no fim das 2.300 tardes e manhãs, Ele entrou pela primeira vez no segundo compartimento do santuário e que tinha uma obra a realizar no santíssimo antes de voltar à Terra.”

As memórias de Edson são bem conhecidas entre os adventistas do sétimo dia. Alguns pensam que foi dessa “visão” que a igreja tirou a doutrina do santuário. No entanto, precisamos nos perguntar: As visões ou os insights dele (ou de qualquer outra pessoa) são um alicerce apropriado para fundamentar uma doutrina? E se o adventismo não contasse com o relato da experiência de Edson? Faria alguma diferença? Nenhuma!

Hiram continuou seu relato contando que ele, Crosier (que estava morando com ele parte do tempo) e o Dr. Franklin B. Hahn estudaram o tema do santuário na Bíblia. Crosier fez uma pesquisa aprofundada. Edson e Hahn concordaram em custear a publicação das descobertas.

Isso é importante. A experiência de Edson no máximo apontou para uma interpretação possível do significado do santuário, mas somente o estudo da Bíblia foi capaz de prover um fundamento sólido.

Sempre devemos basear todos os nossos ensinos no estudo da Bíblia. Sempre!

George Knight - "Para não esquecer"

NOVA LUZ SOBRE O SANTUÁRIO 1 - Meditação Diária 14-02-2015

"Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado". (Daniel 8:14)

Nunca devemos nos esquecer de que aqueles que se tornariam adventistas do sétimo dia defendiam a teoria da porta fechada. Isto é, eles acreditavam que a profecia de Daniel 8:14 havia se cumprido em outubro de 1844. Eles não tinham dúvidas quanto à data. Os intérpretes historicistas de Daniel sempre concordaram, de modo geral, que a profecia das 2.300 tardes e manhãs se cumpriria entre 1843 e 1847. A controvérsia não era em relação à data, mas, sim, ao que aconteceria no fim do período profético. Em outras palavras, havia um consenso generalizado sobre a interpretação do número simbólico ligado à data, mas ampla discordância no tocante à interpretação dos outros dois símbolos proféticos de Daniel 8:14.

A tarefa teológica que os adventistas precisavam realizar após o desapontamento de outubro era desvendar o significado do santuário e da purificação.

Conforme observamos anteriormente, Miller interpretara que o santuário era a Terra e a purificação seria pelo fogo, por ocasião do segundo advento. Estava claro que esse ponto de vista havia falhado. É importante reconhecer que alguns expressaram dúvidas sobre a interpretação de Miller antes mesmo do desapontamento de outubro de 1844. Josiah Litch, por exemplo, escreveu, em abril de 1844: “Não foi provado que a purificação do santuário, a qual deve acontecer no fim dos 2.300 dias, seja a vinda de Cristo e a purificação da Terra.” Mais uma vez, observou, enquanto lutava para compreender o sentido do texto, que eles provavelmente estavam “errados quanto ao evento que marcava seu fim”.

Essa linha de pensamento ganhou força logo depois do desapontamento de 1844. Joseph Marsh reconheceu, no início de novembro: “Admitimos alegremente que erramos no que se refere à natureza do evento que esperávamos ocorrer […]; mas não podemos admitir que nosso grande Sumo Sacerdote não tenha realizado naquele dia tudo que o tipo nos dá justificativa para acreditar.”

Podemos extrair uma lição aqui. Às vezes, temos mais certeza sobre determinada interpretação das Escrituras do que deveríamos. Precisamos ser humildes e fazer nossa parte ao estudar a Palavra de Deus.

Ajuda-nos, Pai, a manter a mente aberta à Tua orientação, à medida que estudamos Tua Palavra. 

George Knight - "Para não esquecer"

Mensagem: Sofrimento

"Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser

 comparados com a glória que em nós será revelada".

(Rom. 8:18)

A PORTA FECHADA - Meditação Diária 13-02-2015

"E, saindo elas [as virgens néscias] para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta. Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta! Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço". (Mateus 25:10-12)

Alguns símbolos bíblicos adquirem mais de um significado ao longo do tempo. Esse foi o caso da porta fechada no adventismo pós-milerita, no fim dos anos 1840.

Anteriormente, vimos que, desde 1836, Miller definiria a porta fechada de Mateus 25:10 como o fim do tempo da graça para a humanidade. Isto é, antes de Cristo voltar, todos os seres humanos já terão tomado uma decisão favorável ou contrária à salvação.

Miller relacionou o segundo advento à data de outubro de 1844; por isso, defendia que o tempo da graça encerraria nessa época. Ele continuou a apoiar tal opinião após o desapontamento de outubro. Por exemplo, em 18 de novembro de 1844, ele escreveu: “nós [terminamos] nossa obra de advertir os pecadores. […] Deus, em Sua providência, fechou a porta; a única coisa que podemos fazer é encorajar uns aos outros a sermos pacientes”.

Esse não era o único ponto de vista sobre os confusos acontecimentos do outono de 1844. Josué V. Himes, desde 5 de novembro, concluíra que nenhuma profecia havia se cumprido em outubro de 1844. Se esse fosse o caso, então a porta da graça não teria se fechado, e o povo de Deus ainda precisava anunciar a mensagem da salvação.

Por mais estranho que nos pareça hoje, foram as diferentes interpretações sobre o sentido da “porta fechada” que separaram as várias ramificações do adventismo a partir de 1845. Para entender esse assunto, é importante saber que, até o início de 1845, a expressão “porta fechada” havia adquirido dois significados:

O fim do tempo da graça; e o cumprimento de uma profecia em outubro de 1844.
Com isso em mente, podemos pensar nos adventistas de Albany que seguiram Himes como os “adventistas da porta aberta” e nos espiritualizadores fanáticos e nos guardadores do sábado que estavam surgindo como “adventistas da porta fechada”.

Nesse meio tempo, a tarefa teológica dos guardadores do sábado, no fim da década de 1840, era separar-se de seus primos fanáticos no segmento do adventismo que defendia a porta fechada. Isso só seria possível por meio de mais estudo da Bíblia e da orientação divina. 


George Knight - "Para não esquecer"
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