BATES PREGA O SÁBADO 2 - MEDITAÇÃO DIÁRIA 05-03-2015

"Estejam sempre prontos para responder a qualquer pessoa que pedir que expliquem a esperança que vocês têm". 1Pedro 3:15, NTLH

Sendo bem discreto na forma de expressar, pode-se dizer que José Bates foi uma testemunha entusiasmada de sua nova compreensão acerca do sábado. Em 1854, por exemplo, o jovem Stephen N. Haskell (pregador adventista do primeiro dia) encontrou aquele turbilhão de energia, convicção e entusiasmo. Haskell tinha 21 anos e já havia ouvido sobre o sétimo dia, mas não estava totalmente convencido do assunto. Até que alguém levou Bates à casa dele.

Haskell conta que Bates passou dez dias com eles, pregando todas as noites, bem como no sábado e no domingo. Além disso, o missionário irrefreável fez um estudo com Haskell e alguns outros “da manhã até o meio-dia, do meio-dia até o anoitecer e depois à noite até a hora de todos irem se deitar”.

Entretanto, nem sempre ele era bem-sucedido em seu testemunho. Um de seus maiores fracassos ocorreu em agosto de 1846, no mês em que conheceu um jovem pregador da denominação Conexão Cristã e sua namorada – Tiago White e Ellen Harmon. Bates, é claro, deu um de seus extensos estudos bíblicos sobre o tema que se tornara seu preferido. O resultado? Fracasso total!

Ambos rejeitaram o ensino sobre o sétimo dia. Ellen relembrou: “O irmão Bates estava guardando o sábado e insistiu quanto à sua importância. Eu não consegui senti-la e achei que o irmão B. estava enganado ao se deter no quarto mandamento mais do que nos outros nove” (1888 LS, p. 236, 237).

O encontro de Bates com Tiago White e sua então futura esposa não foi o único acontecimento importante de agosto de 1846. Naquele mês, aconteceu o casamento de Tiago e Ellen, além da publicação do primeiro livro de Bates sobre o sábado, chamado The Seventh-day Sabbath, a Perpetual Sign [O Sábado do Sétimo Dia, um Sinal Perpétuo].

No entanto, antes de falar sobre esses acontecimentos, precisamos olhar um pouco mais para Bates. Podemos aprender no mínimo três lições com ele. Primeiro: é fácil nos tornarmos unilaterais e desequilibrados em nossa apresentação da mensagem bíblica. Segundo, até mesmo as pessoas mais zelosas falham de tempos em tempos. Terceiro, tal falha não é desculpa para pararmos de tentar.


George Knight - "Para não esquecer"

ESTUDO 1 APOCALIPSE: "CONTAGEM REGRESSIVA PARA O FUTURO"

BATES PREGA O SÁBADO 1 - MEDITAÇÃO DIÁRIA 04-03-2015

"Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim". Isaías 6:8

Logo depois de aceitar o sábado, Bates viajou até New Hampshire, para se encontrar com Wheeler, os irmãos Farnsworth e outros adventistas que guardavam o sétimo dia. George, filho de Wheeler, relata que Bates chegou perto das 22h, “depois que toda a família já se encontrava deitada”.

George ouviu o pai abrir a porta para alguém. Durante a noite, ele acordou de tempos em tempos para ouvir a voz deles. Conversaram a noite inteira e continuaram até meio-dia. Depois disso, Bates voltou para sua casa.

De volta a Massachusetts, Bates encontrou James Madison Monroe Hall, na ponte que une as cidades de Fairhaven e New Bedford.

Foi durante esse encontrou que Hall fez a pergunta que provavelmente alterou suas atividades daquele dia inteiro e, com certeza, mudou sua vida para sempre.
– Quais são as novidades, capitão Bates?
– A novidade é que o sétimo dia é o sábado e que nós devemos guardá-lo.

Não sei quanto tempo eles passaram na ponte; mas, considerando o estilo de Bates, pode ter sido o dia inteiro. O que sabemos é que Hall foi para casa, estudou sobre o assunto na Bíblia e guardou o sábado seguinte. Sua esposa o acompanhou uma semana depois. Hall foi o primeiro converso de Bates a uma compreensão que moldaria a vida de ambos daquele dia em diante.

Hall passou a ter tanta consideração por Bates que deu a seu único filho o nome de José Bates Hall.

E José Bates continuou a ser um homem com uma missão. Ele não relaxaria nessa iniciativa até se encontrar em seu leito de morte. Nada seria capaz de detê-lo.

Por exemplo, no início dos anos 1850, Bates relata uma viagem missionária ao Canadá que durou cinco semanas, durante a qual ele lutou com neve forte e frio extremo por mais de 20 dias, “atravessando neve profunda com dificuldade por mais de 60 quilômetros” para levar a mensagem a uma família interessada.

Em outra ocasião, abriu um buraco de um metro no gelo a fim de encontrar água suficiente para batizar sete pessoas em um dia cuja temperatura era de 34 graus Celsius abaixo de zero. O nome disso é zelo missionário.

Deus, ajuda-me hoje a levar Tua mensagem mais a sério. Ajuda-me a sair de minha zona de conforto.

George Knight - "Para não esquecer"

BATES ACEITA O SÁBADO 4 - MEDITAÇÃO DIÁRIA 03-03-2015

"Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos". João 14:15

A experiência adventista com o sábado em New Hampshire, durante a primavera de 1844, foi significativa. Entretanto, a conversão de Thomas M. Preble ao sábado bíblico teve impacto ainda maior. Preble, pastor de uma congregação da Igreja Batista do Livre-Arbítrio na região de Nashua, era milerita desde 1841. Parece que foi Frederick Wheeler quem lhe falou sobre o sábado. A congregação de Wheeler em Washington ficava a cerca de 50 quilômetros da casa de Preble, que começou a guardar o sábado no verão de 1844.

Não temos o registro de nenhuma publicação de Preble sobre o sábado antes do desapontamento, embora seja provável que ele tenha participado da agitação que deu origem às várias respostas publicadas na edição de setembro do periódico Midnight Cry, com o objetivo de arrefecer a discussão sobre o sétimo dia.

No entanto, no início de 1845, Preble abordou o assunto com muita ênfase, publicando um artigo sobre o sábado em Hope of Israel, no dia 28 de fevereiro. Ele concluiu seu estudo afirmando que “todos aqueles que guardam o primeiro dia como se fosse ‘o sábado’, são guardadores do domingo papal! E transgressores do sábado de Deus!”

Declarou: “Se eu só tivesse um dia para viver nesta Terra, deixaria de lado o erro e abraçaria a verdade assim que a conseguisse enxergar. Que o Senhor nos dê sabedoria e nos ajude a guardar todos ‘os Seus mandamentos, para que [tenhamos] direito à árvore da vida’” (Ap 22:14, ACRF).

Um panfleto de 12 páginas intitulado “Livreto Demonstrando que o Sétimo Dia Deve Ser Guardado como Sábado em vez do Primeiro Dia, Segundo o Mandamento” foi escrito logo em seguida ao artigo.

Em abril de 1845, Bates entrou em contato com o artigo de Preble sobre o sábado em Hope of Israel. Ele nos conta que “leu e comparou” as evidências de Preble com a Bíblia e se convenceu de que “nunca houvera mudança” do sábado para o primeiro dia da semana.

“Esta é a verdade”, declarou. E “em poucos dias”, ele relatou: “minha mente se convenceu a guardar o quarto mandamento”. Uma das características impressionantes de Bates era sua disposição de mudar opiniões sólidas quando deparava com evidências bíblicas adequadas.
Deus deseja que cada um de nós também tenha uma mente disposta a aprender à medida que Ele nos guia no caminho da verdade.

George Knight - "Para não esquecer"

BATES ACEITA O SÁBADO 3 - MEDITAÇÃO DIÁRIA 02-03-2015

"Porque em verdade vos digo: até que o céu e a Terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra". Mateus 5:18

Entre os batistas do sétimo dia que interagiram com os mileritas, uma das pessoas mais importantes foi Rachel Oakes. No início de 1844, ela já havia aceitado a mensagem do advento e também partilhado sua crença sobre o sábado com a congregação adventista em Washington, New Hampshire, da qual sua filha Cyrus Farnsworth era membro. Parece que seu primeiro converso foi William Farnsworth, que, no passado, a convencera dos ensinos mileritas.

Outra pessoa a quem ela levou a verdade sobre o sábado foi Frederick Wheeler. Enquanto pregava na igreja de Washington, ele afirmou que todos aqueles que confessavam comunhão com Cristo deveriam “estar prontos para segui-Lo, obedecendo aos mandamentos de Deus e guardando-os em todas as coisas”.

Mais tarde, Rachel Oakes lembrou Wheeler de suas observações. Ela lhe disse:
– Eu quase me levantei naquele momento do culto para dizer algo.
– E o que você tinha em mente? – perguntou Wheeler.
– Eu queria falar que você devia arrumar de volta a mesa da Ceia e colocar a toalha sobre ela até começar a guardar os mandamentos de Deus.

Wheeler ficou chocado com um ataque tão direto. Depois de um tempo, ele contou a um amigo que as palavras da senhora Oakes “cortaram mais fundo do que qualquer coisa que lhe havia dito até então”. No entanto, ele refletiu sobre elas, estudou o assunto na Bíblia e logo começou a guardar o sábado.

Ao que parece, isso aconteceu em março de 1844. depois disso, vários membros da igreja de Washington se uniram a Wheeler e William Farnsworth na observância do sábado bíblico.
Quando eu chegar ao Céu, uma das pessoas que quero procurar é Rachel Oakes. Ela deve ter sido uma figura peculiar. O mínimo que podemos dizer a seu respeito é que, com toda certeza, ela não tinha vergonha de compartilhar suas crenças. Deus lhe deu uma voz e ela a usou para espalhar a verdade do sábado. Provavelmente sua abordagem sobre esse tema era cristocêntrica, uma que Wheeler, um pastor metodista, não se esquivou dela.

Uma das lições que aprendemos com Rachel Oakes é que nunca sabemos a dimensão da influência que teremos sobre as outras pessoas. E isso vale para todos nós. Inclusive para você!

George Knight - "Para não esquecer"

BATES ACEITA O SÁBADO 2 - MEDITAÇÃO DIÁRIA 01-03-2015

"E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera". (Gênesis 2:3)

Ontem constatamos que os batistas do sétimo dia tiveram certo êxito, no início dos anos 1840, em seus esforços para chamar a atenção de outros cristãos para o sábado bíblico.

O interessante é que parte significativa desse interesse desenvolveu-se entre os adventistas mileritas. Como resultado, o periódico Sabbath Recorder relatou, em junho de 1844, que “números consideráveis dentre aqueles que aguardam a breve aparição de Cristo aceitaram o sétimo dia e começaram a observar o sábado”. O artigo também sugeria que a obediência ao sábado fazia parte do “melhor preparo” para o advento.

Não sabemos exatamente o que o Sabbath Recorder quis dizer com “números consideráveis” de mileritas que havia começado a guardar o sábado até o verão de 1844, mas temos conhecimento de que a questão do sábado havia se tornado problemática o bastante por volta de setembro, a ponto de a publicação milerita Midnight Cry divulgar dois artigos detalhados sobre o assunto.


Em um deles, lemos: “Muitas pessoas treinaram a mente para respeitar uma suposta obrigação de observar o sétimo dia”. Os editores decidiram que, “pela lei, os cristãos não estão sob a exigência de separar nenhuma porção específica do tempo e considerá-la sagrada”. Mas, se tal conclusão fosse incorreta, “então pensamos que o sétimo dia seria o único dia de guarda sobre o qual há uma lei”.


O artigo final concluiu com o pensamento de que “os irmãos e as irmãs que defendem o sétimo dia […] estão tentando consertar o velho e quebrado jugo judaico para colocá-lo sobre o próprio pescoço”. O artigo também sugeria que os cristãos não deveriam chamar o domingo de sábado.


Os batistas do sétimo dia responderam aos artigos do Midnight Cry declarando o seguinte: “A recente descoberta dos crentes no segundo advento, que lhes dá a certeza de que Cristo virá no décimo dia do sétimo mês, provavelmente incapacitou a mente deles para dar a atenção devida às considerações sobre o sábado”.


E foi isso mesmo que aconteceu, mas a verdade bíblica é persistente. E podemos ser gratos por isso. Deus dirige Seu povo como um todo, e também individualmente, passo a passo, por meio de Sua Palavra.

George Knight - "Para não esquecer"

BATES ACEITA O SÁBADO 1 - MEDITAÇÃO DIÁRIA 28-02-2015

"Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus". (Êxodo 20:8-10)

Os adventistas do sétimo dia consideram José Bates o apóstolo do sábado, mas precisamos nos perguntar: Como ele se deparou com esse assunto?

A resposta a essa pergunta tem mais de um desdobramento. Para começar, desde que se tornara cristão, ele guardava o domingo de forma estrita, chegando ao ponto de impor essa posição à tripulação quando foi capitão de um navio.

O segundo aspecto envolve, sem dúvida, seu estudo das profecias. Afinal, um estudioso do livro do Apocalipse não teria dificuldade em perceber que os mandamentos de Deus seriam guardados no tempo do fim (ver Ap 12:17; 14:12).

Entretanto, o que de fato foi determinante para que Bates entendesse que o sábado do Novo Testamento é o sétimo dia, e não o domingo?

É aí que entram os batistas do sétimo dia. O grupo nunca teve uma abordagem evangelística agressiva. Os Estados Unidos tinham apenas 6 mil pessoas dessa denominação em 1840. Por volta do ano 2000, o número havia diminuído para 4.800, uma perda de 20% dos membros em 160 anos. Para ser claro, o evangelismo nunca foi seu ponto forte.

No entanto, houve pelo menos um momento da história em que assumiram uma abordagem mais ativa. Em sua reunião geral de 1841, concluíram que Deus “requeria” o evangelismo sobre o assunto do sábado. Merlin Burt relata que, em 1842, a sociedade de publicações da denominação “começou a divulgar uma série de folhetos com o objetivo de ‘apresentar o sábado’ ao ‘público cristão’”. Mais uma vez, na assembleia geral de 1843, os batistas do sétimo dia decidiram que era seu “dever solene” esclarecer os outros cidadãos sobre o assunto do sábado do sétimo dia.

Seus esforços tiveram resultados positivos. Em sua reunião de 1844, os batistas do sétimo dia agradeceram a Deus porque “um interesse mais profundo e disseminado sobre o assunto havia surgido como nunca antes se ouviu falar em nosso país”.

A história desses batistas nos mostra que a verdade é algo bom, mas também indica que ela não pode fazer nenhum bem caso as pessoas simplesmente se acomodem e não façam nada para disseminá-la.

Foi somente depois de tomarem a decisão consciente de fazer brilhar sua luz sobre o assunto que as coisas começaram a acontecer. Continuamos precisando de decisões assim para fazer a luz brilhar hoje.

George Knight - "Para não esquecer"

TESTANDO OS PROFETAS 2 - MEDITAÇÃO DIÁRIA 27-02-2015

"Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus". 1João 4:1

O ponto da virada na avaliação de Bates sobre o dom de Ellen White ocorreu em novembro de 1846, em Topsham, Maine, quando ela teve uma visão que incluía dados astronômicos. Por ser um ex-marinheiro, Bates era bem familiarizado com o assunto.

Posteriormente, ele contou a J. N. Loughborough sobre sua experiência em Topsham. Loughborough relatou: “Certa noite, na presença do irmão Bates, que ainda não cria nas visões, a Sra. White teve uma visão na qual logo começou a falar sobre as estrelas. Ela fez uma vívida descrição dos cinturões rosados que viu na superfície de algum planeta e então acrescentou: ‘Vejo quatro luas’. ‘Ah’, disse o irmão Bates, ‘ela está vendo Júpiter.’” Ellen continuou a descrever vários outros fenômenos astronômicos.

Depois que Ellen White saiu da visão, Bates lhe perguntou se já havia estudado astronomia. Ela recorda: “Disse-lhe que não tinha lembrança de já haver visto um livro de astronomia” (VE, p. 88).

Tiago White tinha a mesma opinião a respeito do desconhecimento de Ellen sobre o assunto. “Sabe-se muito bem”, escreveu ele ao relatar a visão de Topsham, no início de 1847, “que ela não tinha nenhum conhecimento de astronomia e não saberia responder nenhuma pergunta sobre os planetas antes de receber essa visão.”

A evidência foi suficiente para o cético Bates. Daquele momento em diante, passou a acreditar firmemente que Ellen tinha o dom divino. Ele concluiu, em abril de 1847, que Deus havia concedido o dom a ela “para confortar e fortalecer seu ‘povo disperso’, ‘dilacerado’ e ‘despedaçado’”, desde o desapontamento de 1844.

Em janeiro de 1848, Bates fez um apelo a seus leitores para que não rejeitassem a obra de Ellen White “por causa de sua juventude, suas enfermidades corporais e sua falta de conhecimento secular”. Afinal, destacou: “A característica de Deus sempre foi usar as coisas fracas deste mundo para confundir as sábias e fortes.” De acordo com Bates, o Senhor a estava usando para “encorajar o pequeno rebanho” numa época em que muitos dos líderes estavam desertando.

“No passado”, observou, “fui lento em acreditar que as visões dessa irmã provinham de Deus. Não me opus a elas porque a Palavra do Senhor é absolutamente clara ao afirmar que seriam dadas visões espirituais a Seu povo nos últimos dias.”
E assim será. Nossa tarefa não é desprezar, mas, sim, testar e provar.


George Knight - "Para não esquecer"

TESTANDO OS PROFETAS 1 - MEDITAÇÃO DIÁRIA 26-02-2015

"Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas. […] Pelos seus frutos os conhecereis". Mateus 7:15, 16

Ontem vimos que a Bíblia nos manda testar aqueles que alegam ter o dom profético. Foi exatamente isso que os primeiros adventistas guardadores do sábado fizeram.

Analisemos o exemplo de José Bates: depois de testemunhar Ellen White em visão muitas vezes, declarou ser como “Tomé, duvidoso”. Ele disse: “Não acredito em [suas] visões. Mas se conseguisse crer que o testemunho relatado pela irmã nesta noite é mesmo a voz de Deus para nós, eu seria o homem mais feliz da Terra.”

Afirmou que a mensagem dela o emocionava profundamente, cria que ela era sincera e, de certo modo, foi envolvido pela experiência. “Embora não conseguisse ver nada [nas visões] que militasse contra a Palavra”, escreveu posteriormente, “senti-me excessivamente provado e alarmado. Por muito tempo, [permaneci] indisposto a crer que se tratasse de algo mais do que um estado produzido pela condição debilitada de seu corpo.”

Entretanto, mesmo tendo dúvidas, ele não a rejeitou de imediato. Tendo vindo da Conexão Cristã, pelo menos estava aberto à ideia de que os dons do Espírito Santo, inclusive o de profecia, permaneceriam em atividade na igreja até o retorno de Cristo.

Por isso, Bates decidiu investigar o que Ellen acreditava ser o dom de profecia. “Portanto”, escreveu, “procurei oportunidades na presença de outros, quando sua mente parecia livre de exaltação, fora de reuniões, para questionar e interrogar a ela e aos amigos que a acompanhavam, sobretudo sua irmã mais velha, a fim de tentar chegar à verdade.” Quando ela estava em visão, Bates acrescentou: “Eu ouvia cada palavra e observava todos os movimentos para detectar qualquer engano ou influência hipnótica.”

A experiência de Bates nos mostra um estudo de caso de alguém lutando entre a propensão natural a rejeitar a reivindicação individual ao dom profético e a ordem bíblica para testar tudo e reter o que é bom (1Ts 5:19-21).

Voltaremos à luta de Bates sobre essa questão, mas precisamos ser honestos com nós mesmos. Como estão as coisas comigo? A mente e o coração estão abertos à verdade? Ou estou tão cheio de preconceitos que fico cego às evidências? Que Deus conceda a cada um de nós uma visão clara e um coração aberto em relação ao assunto do dom profético.

George Knight "Para não esquecer"

OS DONS ESPIRITUAIS E A BÍBLIA 3 - Meditação Diária 25-02-2015

"Não atrapalhem a ação do Espírito Santo. Não desprezem as profecias. Examinem tudo, fiquem com o que é bom. (1Tess. 5:19-21, NTLH)

Como é fácil desprezar qualquer pessoa que afirme ter o dom de profecia; afinal, temos a Bíblia. Além disso, várias pessoas com problemas mentais e questionáveis em vários aspectos fizeram tal declaração ao longo da história. À luz dos fatos, é natural duvidar ou até mesmo desprezar.

No entanto, o conselho da Bíblia sobre o assunto é este: “Não atrapalhem a ação do Espírito Santo. Não desprezem as profecias” (1Ts 5:19-21, NTLH).


Desprezar quem afirma ter o dom de profecia não é uma alternativa para os cristãos. Em vez disso, as Escrituras exigem que tais pessoas sejam “examinadas” ou testadas.

Além de nos pedir para avaliá-las, a Bíblia sugere algumas formas de fazê-lo. Uma aparece no Sermão do Monte, no qual Jesus nos ordena: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. […] Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus” (Mt 7:15-17).

Aplicando o texto ao aspirante a profeta, é preciso avaliar os resultados dos princípios que ele advoga e observar se a vida dele reflete a vontade divina.

Outra passagem se encontra em 1 João 4: “Provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus” (v. 1-3).

Devemos nos perguntar: Qual é o testemunho do candidato a profeta a respeito de Jesus? Isaías 8:20 apresenta um terceiro teste: os ensinos da pessoa estão em conformidade com a Bíblia?

Todos esses critérios são importantes, mas o mais crucial é se os profetas apontam para si mesmos e para a própria mensagem ou para Jesus e a Bíblia.

Os primeiros adventistas foram obrigados a usar a Bíblia para avaliar as declarações feitas pela jovem Ellen Harmon e por outros no fim dos anos 1840. E nem sempre era fácil tomar uma decisão. Continua a ser uma tarefa difícil.

Ajuda-nos hoje, ó Pai, a nos tornarmos estudantes zelosos de Tua Palavra a fim de podermos avaliar melhor todas as coisas espirituais.


George Knight - "Para não esquecer"

OS DONS ESPIRITUAIS E A BÍBLIA 2 - Meditação Diária 24-02-2015

"A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas". (1Coríntios 12:28)

A Conexão Cristã exerceu forte impacto sobre os primeiros adventistas guardadores do sábado, inclusive em seu ponto de vista sobre os dons espirituais.

Descobrimos a perspectiva conexionista sobre o assunto por meio dos escritos de William Kinkade (nascido em 1783), um dos mais proeminentes teólogos do movimento. Kinkade escreveu em 1829 que, durante a juventude, ele se recusava a “ser chamado de qualquer outro nome além de cristão” e só tinha um livro por “padrão: a Bíblia”.

Ele não tinha dúvidas em relação à autoridade suprema das Escrituras. No entanto, em sua extensa discussão sobre a “restauração da antiga ordem das coisas”, afirmou que não conseguia entender “um pequeno ponto” da mensagem neotestamentária.

Ele argumentou que no centro do Novo Testamento se encontravam os dons espirituais, inclusive “o dom de profecia, mencionado em passagens como 1 Coríntios 12:8-31 e Efésios 4:11-16. Os dons espirituais estavam presentes na antiga ordem das coisas na igreja; todos que se opõem a isso, estão se opondo ao cristianismo. Dizer que Deus fez os dons cessarem é o mesmo que alegar que Ele aboliu a mensagem da igreja neotestamentária. […] Esses dons constituem a antiga ordem de coisas”.

Kinkade defendeu que não se tratava de dons temporários que terminaram com a era apostólica. Em vez disso, “esses dons, conforme expostos nas Escrituras, compõem o ministério evangélico” anunciado no Novo Testamento.

A teologia de William Kinkade sobre o Novo Testamento, da perpetuidade dos dons espirituais, no contexto da Bíblia como única fonte de autoridade, é importante para a compreensão dos primórdios do adventismo do sétimo dia, uma vez que dois dos três fundadores da denominação haviam participado ativamente da Conexão Cristã. Tiago White e José Bates chegaram ao adventismo do sétimo dia vindos de um movimento que defendia tanto a Bíblia como único fator determinante de fé e prática quanto a continuidade dos dons espirituais.

O delicado equilíbrio entre os dois elementos se reflete nos escritos de Tiago White, que define o tom da função apropriada dos dons espirituais na igreja.

Pai, somos gratos porque cuidas tanto de Tua igreja a ponto de derramar sobre ela os dons do Espírito. Ajuda-nos a ser sábios no uso dos Teus dons.

George Knight - "Para não esquecer"

Estudo Livro de Daniel - "Um livro para nossos dias"

OS DONS ESPIRITUAIS E A BÍBLIA 1 - Meditação Diária 23-02-2015

"E Ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado". (Efésios 4:11, 12, NVI)

Os primeiros adventistas guardadores do sábado defendiam o ensino bíblico de que os dons espirituais, inclusive o dom de profecia, existiriam na igreja até o segundo advento.

Uriah Smith fez uma ilustração que expressa bem essa ideia. Ele escreveu: “Suponha que estejamos prestes a começar uma viagem. O dono da embarcação nos entrega um livro de instruções, dizendo que ele contém as orientações necessárias para toda a jornada e que se prestarmos atenção a elas, chegaremos com segurança ao destino.

“Depois de partir, abrimos o livro para saber o que ele diz. Descobrimos que o autor alista princípios gerais para nos governarem na viagem e nos instrui o máximo possível, abordando as várias dificuldades que podem surgir, até o fim. Entretanto, também nos fala que a última parte de nossa jornada será especialmente perigosa; que as características da subida estão em constante mudança por causa de areias movediças e tempestades; ‘contudo, para essa parte da viagem’, diz ele, ‘providenciei um piloto que os encontrará e lhes dará as informações que as circunstâncias e os perigos ao redor exigirem; deem ouvidos a ele’.

“Com essas instruções, chegamos ao momento especificado de perigo e, conforme a promessa, o piloto veio a nosso encontro; mas, assim que ele ofereceu seus serviços, alguns dos tripulantes se levantaram contra ele. ‘Temos o livro de instruções original’, protestaram, ‘e isso nos basta. Só nele nos baseamos e em nada mais; não queremos nada de você’.

“Quem está dando ouvidos ao livro de instruções? Aqueles que rejeitam o piloto ou os que o aceitam, conforme o livro orienta? Julguem vocês.


“No entanto, alguns […] podem nos abordar sobre esse ponto da seguinte forma: ‘Então você considera que a senhora White é nosso piloto?’. É para evitar esforços nessa direção que escrevemos essa frase. Não é isso que estamos dizendo. O que afirmamos com distinção é isto: que os dons do Espírito nos são dados para servirem de piloto nestes tempos de perigo e sempre que encontrarmos manifestações genuínas dos dons, em quem quer que seja, temos o dever de respeitá-las. Se não o fizermos, chegamos ao ponto de rejeitar a Palavra de Deus, que nos instrui a aceitá-los”.

George Knight - "Para não esquecer"

SOBRE O RESTAURACIONISMO - Meditação Diária 22-02-2015

"Os teus filhos edificarão as antigas ruínas; levantarás os fundamentos de muitas gerações e serás chamado reparador de brechas e restaurador de veredas para que o país se torne habitável". Isaías 58:12

Por volta de 1800, surgiu nos Estados Unidos um movimento de restauracionismo desejando reformar as igrejas por meio da recuperação de todos os ensinos do Novo Testamento. Os restauracionistas rejeitavam a ideia de que a Reforma era algo que havia acontecido somente no século 16. Em vez disso, ela havia começado nessa época, mas deveria continuar até os últimos vestígios da tradição serem rejeitados e a Bíblia assumir um lugar central dentro da igreja. A tarefa do movimento restauracionista era terminar a Reforma inacabada.

Os restauracionistas defendiam um ponto de vista radical do princípio de sola scriptura. Queriam evidências bíblicas para todas as posições que adotavam. As Escrituras eram o único fundamento para sua fé e prática. O movimento também era contrário aos credos. Uma declaração popular entre seus defensores era: “Não temos outro credo além da Bíblia.”
O espírito do movimento restauracionista abriu caminho para grande parte da agenda teológica da maioria dos protestantes norte-americanos durante o início do século 19. 
Promovia a atitude de retorno à Bíblia que permeava a mentalidade protestante da época.

Uma das ramificações do movimento restauracionista teve importância especial para os adventistas do sétimo dia: a Conexão Cristã. Tiago White e José Bates (dois dos três fundadores do adventismo) eram membros desse grupo.

Os dois levaram consigo para o adventismo tanto a filosofia centrada na Bíblia, da Conexão Cristã, quanto o alvo de conduzir a igreja de volta a todos os ensinos esquecidos das Escrituras. Estavam convictos de que tal restauração deveria acontecer antes do segundo advento.

A visão restauracionista da história continua a influenciar o adventismo hoje. Veja, por exemplo, as palavras introdutórias da Declaração de Crenças Fundamentais: “Os adventistas do sétimo dia aceitam a Bíblia como seu único credo.” Além disso, O Grande Conflito, de Ellen White, baseia-se em um padrão restauracionista, identificando a redescoberta dos ensinos bíblicos perdidos nos primeiros séculos do cristianismo, desde a Reforma até o fim dos tempos.

Nós, adventistas do sétimo dia, temos motivos para agradecer por pertencermos a um movimento que se baseia firmemente nas Escrituras.


George Knight - "Para não esquecer"

O CHAMADO PARA TESTEMUNHAR - Meditação Diária 21-02-2015

"Não temas; pelo contrário, fala e não te cales". Atos 18:9

Cerca de uma semana após a primeira visão, Ellen recebeu uma segunda, instruindo a contar aos outros adventistas o que Deus lhe havia revelado. Também lhe disse que ela enfrentaria grande oposição.

Ellen hesitou diante do dever. Afinal, raciocinou, sua saúde era frágil, tinha apenas 17 anos e era naturalmente tímida. “Durante vários dias”, explicou mais tarde, “orei para que este encargo fosse removido de mim e posto sobre alguém capaz de o suportar. Não se alterou, porém, minha consciência do dever, e soavam-me continuamente aos ouvidos as palavras do anjo: ‘Torna conhecido a outros o que te revelei’” (VE, p. 65). Ela prosseguiu admitindo que preferia a morte à tarefa a sua frente. Depois de perder a doce paz que lhe sobreviera após a conversão, encontrava-se mais uma vez em desespero.

Não é de se espantar que Ellen Harmon sentisse medo de falar em público. Afinal, a população em geral zombava dos mileritas. Além disso, erros doutrinários graves e várias formas de fanatismo assolavam as próprias fileiras dos mileritas após o desapontamento.
De maneira mais específica, o dom de profecia se tornara especialmente suspeito em 1844, tanto para a sociedade mais ampla quanto para os adventistas mileritas. No verão de 1844, Joseph Smith, o “profeta” mórmon, perdera a vida ao ser atacado por uma multidão, em Illinois. O fim de 1844 e o início de 1845 testemunharam o surgimento de um grande número de “profetas” adventistas de caráter questionável, vários deles atuando em Maine. Na primavera de 1845, os adventistas de Albany votariam que não tinham “confiança em nenhuma mensagem ou visão, nem em sonhos, línguas, milagres, dons extraordinários, revelações” e assim por diante.

Em meio a uma atmosfera como essa, não surpreende que a jovem Ellen Harmon tenha procurado evitar seu chamado ao ministério profético. Contudo, a despeito de seus temores pessoais, ela foi em frente e começou a apresentar o confortante conselho divino aos adventistas confusos.

Mesmo uma rápida consideração sobre suas diversas declarações autobiográficas iniciais revela que ela se deparou com bastante fanatismo e oposição pessoal.
Algumas de suas primeiras visões trataram do fanatismo e da oposição ao dar conselhos e repreensões de natureza particular.

Ó Senhor, ajuda-nos hoje a sermos fiéis no lugar onde nos colocaste e capacita-nos para anunciarmos a mensagem que nos tens dado.

George Knight - "Para não esquecer"

Mensagem: A Criação

A PRIMEIRA VISÃO DE ELLEN WHITE 2 - Meditação Diária 20-02-2015

"E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do Meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão". Atos 2:17

É surpreendente notar que a primeira visão de Ellen White não abordou o tema do santuário, nem de sua purificação. Em vez disso, seu objetivo era encorajar os desapontados adventistas mileritas, oferecendo-lhes segurança e consolo. De maneira mais específica, proporcionava instrução em várias frentes.

Primeiro, a visão indicava que o movimento de 22 de outubro não havia sido um erro. Pelo contrário, em 22 de outubro houve o cumprimento de uma profecia. Por isso, era uma “luz brilhante” atrás deles, para ajudá-los a se orientar e a guiá-los rumo ao futuro. É interessante saber que Ellen Harmon havia abandonado a crença na mensagem de outubro de 1844 no mês anterior à sua primeira visão. Portanto, o que ela viu era contrário a seus pensamentos pessoais.

Segundo, a visão revelava que Jesus continuaria a dirigi-los, mas eles precisavam manter os olhos fitos nEle. Logo, o adventismo tinha dois focos de orientação: o acontecimento de outubro na história passada e o direcionamento contínuo de Jesus no futuro.

Terceiro, a visão parecia sugerir que demoraria mais do que o esperado para Cristo voltar.
Quarto, era um erro grave abandonar a experiência passada do movimento de 1844 e afirmar que ela não viera de Deus. Aqueles que chegassem a essa conclusão se afundariam em trevas espirituais e perderiam o rumo.

A primeira visão de Ellen White proporcionou várias lições positivas. Mas não deixemos de observar uma coisa: ela não mostrou o que havia acontecido em 22 de outubro de 1844. Tal conhecimento ficaria claro por meio do estudo da Bíblia. Em vez de dar explicações específicas, a primeira visão somente ressaltou o fato de que Deus estava guiando um povo a despeito do desapontamento e da confusão. Esse foi o primeiro sinal de Seu cuidado e direcionamento profético por intermédio de Ellen Harmon.

O tema de Deus guiando Seu povo em meio aos perigos e às ciladas da história se transformaria em um dos focos centrais do ministério dela. Ganharia maturidade em cinco obras importantes que acompanham o curso da história do direcionamento divino desde a entrada do pecado, em Patriarcas e Profetas, até a conclusão do plano de Deus, em O Grande Conflito.

Graças ao Senhor por Sua orientação constante!

George Knight - "Para não esquecer"
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