Mensagem: Escolhas

"...te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência"
(Deut. 30:19)

CONHEÇA ELLEN WHITE - Meditação Diária 07-02-2015

"Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade". (Eclesiastes 12:1)

“Enquanto eu estava orando junto ao altar da família, o Espírito Santo me sobreveio, e pareceu-me estar subindo mais e mais alto da escura Terra.

Voltei-me para ver o povo do advento no mundo, mas não o pude achar, quando uma voz me disse: ‘Olha novamente, e olha um pouco mais para cima.’ Então, olhei mais para o alto e vi um caminho reto e estreito, levantado num lugar elevado do mundo. O povo do advento estava nesse caminho, a viajar para a cidade que se achava na sua extremidade mais afastada” (PE, p. 14). Essas palavras registram parte da primeira visão celestial de Ellen G. Harmon, aos dezessete anos, em dezembro de 1844.

Ellen e sua irmã gêmea eram as mais novas de uma família de oito filhos em Gorham, Maine. Elas nasceram em 26 de novembro de 1827. O pai era chapeleiro e, depois de um tempo, levou a família para morar em Portland, Maine.

Foi em Portland que, aos nove anos de idade, Ellen sofreu um acidente que a afetou profundamente. Atingida no rosto por uma pedra jogada por uma colega de classe, ficou à beira da morte por várias semanas. Após certo tempo, conseguiu se recuperar, mas a experiência a deixou com a saúde tão fragilizada que não pôde continuar a frequentar a escola. Isso a afligiu ao longo da maior parte de sua vida.

Todavia, a incapacidade de obter escolarização formal não impediu sua educação informal. Seus relatos autobiográficos revelam uma jovem com mente inquiridora e natureza sensível. O tamanho de sua biblioteca pessoal na época de sua morte indica que era uma pessoa 
versada em vários assuntos.

Sua sensibilidade transparecia não só no relacionamento com as outras pessoas, mas também com Deus. Na verdade, mesmo uma leitura casual de sua autobiografia leva à conclusão de que ela era uma pessoa fervorosa na religião desde suas lembranças mais antigas.

O pensamento de que Jesus poderia voltar dentro de alguns anos foi um choque para a pequena Ellen. Ela ouviu falar sobre esse ensino pela primeira vez aos oito anos, quando, a caminho da escola, pegou um pedaço de papel no qual havia a mensagem de que Cristo poderia voltar em poucos anos. “Fui tomada pelo terror”, escreveu. “Uma impressão tão profunda se formou em minha mente […] que mal consegui dormir por várias noites e eu orava continuamente para estar pronta quando Jesus viesse” (LS, p. 20, 21).

Sua experiência na juventude nos ajuda a ver que algumas coisas que tememos podem acabar se transformando na esperança de nossa vida, sobretudo quando passamos a entender melhor o caráter de Deus. 

George Knight - "Para não esquecer"

NINGUÉM DISSE QUE SERIA FÁCIL - Meditação Diária 06-02-2015

"Você, porém, seja sóbrio em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério". (2Timóteo 4:5, NVI)
Ninguém disse que fazer a vontade de Deus seria fácil. Pelo menos não foi para o pregador Tiago White. Para começar, ele era pobre. Tiago lembra que, ao sair para “o grande campo de colheita, não tinha cavalo, sela, rédea, nem dinheiro”, mas sentia que devia ir. “Eu havia gastado o dinheiro recebido no último inverno em roupas necessárias, na ida a reuniões do segundo advento e na compra de livros. No entanto, meu pai me ofereceu um cavalo para o inverno e o Ancião Polley me deu uma sela com o acolchoado gasto e vários pedaços de uma velha rédea.”

Sim, Tiago White era pobre, mas foi, assim mesmo. Contudo, nem todos ficavam felizes com sua chegada. Em um lugar, ele relata que uma bola de neve quase atingiu sua cabeça enquanto orava. Então veio um dilúvio delas, acompanhado do barulho de uma turba com a qual precisou gritar. Ele recorda: “Minhas roupas e a Bíblia também ficaram molhadas com os flocos derretidos de uma centena de bolas de neve.”

O desafio era o que fazer. Ele concluiu: “Não havia tempo para lógica, então fechei a Bíblia e descrevi os terrores do dia do Senhor. […] Arrependei-vos e convertei-vos” foi seu apelo. No fim da reunião, quase cem pessoas creram.

Deus nunca disse que seria fácil. No entanto, só porque ir é difícil, não significa que a bênção divina não repousa sobre nós. O jovem pregador Tiago White aprendeu a crescer a despeito das dificuldades. Nesse processo, ele desenvolveu abordagens inovadoras para falar à mente e ao coração das pessoas.

Em certo lugar barulhento, onde encontrou dificuldades até mesmo para subir ao púlpito, as primeiras palavras que o público ouviu de seus lábios foi uma canção em alto e bom som:
“Vereis o Senhor voltando
Vereis o Senhor voltando
Vereis o Senhor voltando
Não tardará,
Com o som de canções
Com o som de canções
Com o som de canções
Ecoando pelo ar”.

Além de acalmar a multidão, o cântico expressou a esperança da breve chegada do advento, à qual ele dedicou sua vida. Deus nunca nos disse que seria fácil seguir Jesus, mas Ele nos promete bênçãos sem limites quando o fazemos.

George Knight - "Para não esquecer"

PREGADOR A DESPEITO DE SI MESMO - Meditação Diária 05-02-2015

"Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus[…]: Prega a Palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina". (2Timóteo 4:1, 2)

Na meditação de ontem, vimos Tiago White resistindo ao chamado de Deus. Ele conta: “Finalmente resolvi que cumpriria meu dever.” Logo em seguida, “a doce paz de Deus fluiu para minha mente e o Céu parecia brilhar a meu redor. Levantei as mãos e louvei ao Senhor com voz de triunfo”. Suas lutas com as ambições terrenas não terminariam naquele momento; mas, pelo menos, ele estava caminhando na direção correta.
O testemunho de Tiago causou impacto desde o início. Em certo lugar, uma mulher reuniu uns 25 vizinhos não cristãos, e ele deu seu testemunho e, então, se prostrou para orar. “Fiquei surpreso ao descobrir que aqueles 25 pecadores se prostraram comigo. Só consegui chorar. Todos eles choraram junto.”

Tiago obtinha sucesso, mas sentia-se constantemente dividido entre suas ambições terrenas e o chamado de Deus para pregar o breve advento. Escreveu que “a luta era ferrenha”. Após uma ocasião em que se “sentiu envergonhado” porque sua pregação fora pobre por falta de conhecimento da Bíblia, ficou chocado ao ouvir alguns de seus ouvintes chamarem-no de “Ancião White”. “A palavra Ancião”, relembra ele, “cortou meu coração. Senti-me confuso e quase paralisado.”


As coisas prosseguiram relativamente bem até ele tentar falar na presença de dois pregadores que não haviam aceitado a doutrina do advento. Após vinte minutos, ele ficou “confuso e constrangido e se assentou”. Naquele momento, constatou: “Eu finalmente abri mão de tudo por Cristo e pelo evangelho, encontrando enfim paz e liberdade.”


Além da entrega, Tiago percebeu que, se queria ser um pregador bem-sucedido, precisava se preparar para a tarefa. Para isso, ele nos conta que comprou publicações adventistas, leu-as com cuidado e estudou a Bíblia. Também falava em público à medida que Deus abria o caminho.


Podemos encontrar uma lição para todos nós na experiência de Tiago White. É claro que nem todos somos chamados para o ministério pastoral, mas Deus convida cada um para usar os talentos que nos deu. Alguns passam por uma batalha contínua de aceitação. A boa notícia é que o Senhor não perde a paciência conosco. Assim como Ele fez com Tiago, continua a trabalhar 
em nós a fim de poder trabalhar por meio de nós. Nossa oração diária deve ser para que Deus nos mostre Sua vontade e a aceitemos em nossa vida.

George Knight - "Para não esquecer"

CONHEÇA TIAGO WHITE - Meditação Diária 04-02-2015

"Veio a palavra do SENHOR a Jonas[…] dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até Mim. Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do SENHOR". (Jonas 1:1-3)
Alguns de nós ouvem o chamado do Senhor para pregar a Palavra, mas não nos sentimos tão dispostos a fazê-lo. Esse foi o caso de Tiago White, a segunda pessoa fundamental para a fundação do adventismo do sétimo dia.

Tiago nasceu em Palmira, Maine, em 4 de agosto de 1821. Ele conta: “Batizei-me aos quinze anos e me uni à igreja [Conexão] Cristã. Contudo, aos vinte, eu havia afundado meu espírito no estudo e no ensino […]. Nunca caí no pecado comum de profanidade, não usei tabaco, chá ou café, nem levei aos lábios um copo de bebida alcoólica. Todavia, eu amava este mundo mais do que a Cristo e o mundo por vir, e adorava a educação, em vez de adorar o Deus dos Céus.”


O jovem Tiago ouvira falar sobre o milerismo, mas considerava o movimento um “fanatismo alucinado”. No estado de espírito em que se encontrava, ficou chocado ao ouvir sua mãe, em quem confiava, expressar uma opinião favorável à doutrina adventista. Ele não estava preparado para o impacto que isso teria sobre ele, em parte porque já havia feito planos para a própria vida, mas a convicção da verdade foi algo que não conseguiu evitar.


Ele relata: “Ao voltar para Deus, senti a forte convicção de que deveria renunciar aos meus planos mundanos e me entregar à obra de advertir o povo a se preparar para o dia do Senhor. Eu amava os livros em geral; mas, durante o período de apostasia, não tinha tempo para o estudo das Sagradas Escrituras, nem gosto por fazê-lo. Por isso, era ignorante quanto às profecias.”


De maneira mais específica, Tiago White sentiu-se impressionado a visitar os alunos da turma em que lecionava em uma escola pública. “Orei para ser poupado desta tarefa”, escreveu, “mas não senti nenhum alívio.” Naquele estado de espírito, foi trabalhar nos campos do pai, “na esperança de que conseguisse dar vazão aos sentimentos que me faziam sofrer”.


Entretanto, não conseguiu. Então Tiago orou pedindo alívio a Deus, sem o sentir. Por fim, “meu espírito se levantou em rebelião contra o Senhor e, impensadamente, disse: ‘Eu não irei’.” Batendo o pé, pôs fim ao assunto e prosseguiu com a vida.


A experiência de Tiago White não é diferente da de alguns de nós. Ouvimos o chamado de Deus para fazer isto ou aquilo, mas batemos o pé e resistimos.


Deus, porém, não desiste. Ele tem um plano para cada um. Qual é o plano dEle para você hoje? E o mais importante: Como você reagirá à vontade divina?


George Knight - Para Não Esquecer

BATES DESCOBRE A REFORMA SUPREMA - Meditação Diária 03-02-2015

"Nós, porém, segundo a Sua promessa, esperamos novos Céus e nova Terra, nos quais habita justiça". (2Pedro 3:13)

Bates deparou-se pela primeira vez com o ensino sobre o breve retorno de Cristo por intermédio de um pastor local, mas a ideia não progrediu muito em sua mente até 1839. No outono daquele ano, ouviu a respeito de Guilherme Miller, que pregava o retorno de Cristo para ocorrer por volta de 1843.

Quando apresentou objeções à ideia, alguém lhe disse que Miller usava bastante as Escrituras para comprovar seu ponto de vista. Logo Bates começou a frequentar uma série de reuniões adventistas e ficou “muito surpreso ao descobrir que era possível alguém mostrar qualquer coisa sobre o tempo da segunda vinda do Salvador”. Ao voltar para casa da primeira palestra, declarou à esposa: “Esta é a verdade.”


Seu passo seguinte foi ler um livro que em português seria: “Evidências das Escrituras e da História sobre a Segunda Vinda de Cristo, por Volta do Ano de 1843”, de Guilherme Miller. Bates aceitou os ensinos de Miller de todo o coração, sendo, assim, o primeiro dos que mais tarde se tornariam adventistas do sétimo dia.


Logo o milerismo dominou a vida de Bates, tomando o tempo que ele antes devotava às reformas sociais. Nessa época, alguns de seus amigos lhe perguntaram por que ele não frequentava mais as reuniões de temperança e as sociedades abolicionistas. Ele dizia: “Ao aceitar a doutrina da segunda vinda do Salvador, encontrei o suficiente para engajar todo o meu tempo no preparo para tal acontecimento e ajudar os outros a fazer o mesmo. Além disso, todos os que aceitassem essa doutrina se tornariam necessariamente defensores da temperança e da abolição da escravatura.”


Bates continuou dizendo a seus amigos que “muito mais poderia ser realizado ao se trabalhar na fonte” do problema. Afinal, os vícios que as várias sociedades de reforma tentavam erradicar eram consequências de uma vida pecaminosa, mas o retorno de Cristo resultaria na “obliteração súbita e completa de todo mal”. Por isso, para Bates, o milerismo se transformou na “reforma suprema”. Ele concluiu que “uma humanidade corrupta era incapaz de reformar a corrupção”. O breve advento de Cristo seria a única solução real e permanente.


Desde o início, Bates foi um líder no milerismo. Foi um dos dezesseis que convocaram a primeira reunião geral do movimento em 1840 e o presidente da assembleia que ocorreu em maio de 1842.


Deus dirigiu a vida de Bates passo a passo. Ele faz o mesmo com você e comigo. Nosso papel é não correr à frente, mas seguir Sua direção dia após dia. 


George Knight - "Para não esquecer"

UM REFORMADOR À SOLTA - Meditação Diária 02-02-2015

"Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o SENHOR". (Lamentações 3:40)

Em sua última viagem (a que ele fez depois de se converter), Bates acreditava que era seu dever não só converter marinheiros ao cristianismo, mas também se certificar de que eles se comportassem como cristãos, mesmo antes de sê-lo.

Por isso, no pôr do sol de 9 de agosto de 1827 (o dia em que partiram), Bates reuniu a tripulação e explicou as regras da viagem. Deve ter sido um choque para os rudes homens do mar que se encontravam diante dele. Além de não xingar, deveriam demonstrar respeito uns pelos outros usando o nome próprio de cada um, em vez de apelidos. Mais radical ainda era a regra que proibia a saída da embarcação aos domingos, quando o navio estivesse no porto.
Em vez disso, proclamou o capitão, “guardaremos o sábado” abordo do navio.


A maioria deles ficou assentada, em silêncio, estupefata diante das declarações. Alguns exprimiram opiniões contrárias, mas o que podiam fazer? Afinal, já estavam no mar para uma jornada que provavelmente duraria um ano e meio.


Entretanto, a bomba de verdade ainda não havia tinha sido lançada. 
The Empress [A Imperatriz], anunciou Bates, seria um navio temperante. Não haveria licor nem bebidas embriagantes a bordo e, se pudesse, ele os convenceria a nunca beber, nem mesmo em terra firme. Naquele instante, Bates se ajoelhou, dedicando a si mesmo e os marinheiros a Deus.
Sem dúvida, foi uma viagem bem diferente para os tripulantes. Não sabemos tudo o que sentiram, mas uma exclamou que eles estavam “começando muito bem”. Pelo menos um deles achava que, na verdade, estavam começando muito mal.

Durante a viagem, Bates começou a entender mais sobre o sábado, ele leu pelo menos duas vezes a obra de Seth Williston, 
Five Discourses on the Sabbath [Cinco Discursos Sobre o Sábado]. Após a primeira leitura, Bates declarou não saber que a Bíblia tinha tanto a dizer sobre o assunto. Observou que, logicamente, “ele fora alterado para o primeiro dia da semana”, em lembrança ao dia em “nosso Salvador se levantou triunfante da sepultura”. Algumas semanas mais tarde, escreveu: “Quanto mais leio e reflito sobre este dia santo [domingo], mais me convenço da necessidade de santificá-lo por completo”.

O cristianismo fez a diferença na vida de Bates. Mudou tudo. O mesmo deve acontecer conosco depois de encontrarmos Cristo e O recebermos como Salvador e Senhor. Seguir Seus passos deve nos levar a uma vida radicalmente distinta do mundo ao nosso redor. 


George Knight - "Para não esquecer" 

BATES SE TORNA RELIGIOSO - Meditação Diária 01-02-2015

"Busquei ao SENHOR, e Ele me respondeu".  (Salmos 34:4, ARC)

O pai Bates era um homem religioso que tentara, sem sucesso, criar seu filho para ser uma pessoa espiritual. Em 1807, uma das ondas de reavivamento do Segundo Grande Despertamento mexeu com o jovem Bates, mas o interesse durou pouco, pois a carreira no mar levou sua vida para outro rumo.

Todavia, o mar tem uma forma de fazer os olhos dos marinheiros se voltarem para Deus, sobretudo quando viajam em pequenos barcos de madeira. Como Bates expressou posteriormente: a única coisa no mar turbulento “que nos separava da eternidade tinha a espessura de uma tábua”. Segundo ele, suas primeiras inquietações religiosas surgiram quando percebeu essa barreira de separação. No meio de um furacão furioso de quatro dias, que fez as ondas chegarem até a altura do topo dos mastros, o jovem capitão desesperado fez duas coisas: lançou 40 toneladas de ferro ao mar e deu o passo inédito de pedir ao cozinheiro do navio que orasse.


O cozinheiro não era o único em oração. Prudy, esposa de Bates, também orava. Além disso, achando que o esposo levava romances e novelas demais nas viagens, Prudy acrescentou um Novo Testamento e outras publicações cristãs à bagagem dele. Por meio delas, o Espírito Santo fez Sua obra. Logo Bates perdeu o interesse em ler simplesmente como passatempo e começou a devorar livros como 
Rise and Progresso of Religion in the Soul [Crescimento e Progresso da Religião na Alma], de Philip Doddridge. O capitão de 32 anos estava se tornando religioso, mas temia que seus oficiais e subalternos descobrissem e zombassem dele.

O ponto de virada aconteceu por ocasião da morte de um marinheiro chamado Christopher. Por ser o capitão, era dever de Bates supervisionar o funeral, mas ele sentia-se muito indigno para isso.


Bates fez o melhor que pôde. Quatro dias depois do sepultamento, entregou a vida a Deus: “Prometi ao Senhor que eu O serviria pelo resto da vida”.


O sentido do enterro de Christopher afetou não só a Bates. Ele usou o acontecimento para tocar seus tripulantes também. No domingo seguinte, fez um sermão sobre a vida eterna.

Bates recordava sua conversão como “a pérola de grande valor, equivalente a mais riquezas do que minha embarcação é capaz de conter”. Observou também qual era seu único desejo: “Poder ensinar [aos outros] o caminho da vida e da salvação”.

E foi isso que ele fez. Tal missão dominou o restante de sua existência.


Servimos a um Deus poderoso, capaz de transformar nossa vida. 


George Knight - "Para não esquecer"

Meditação Diária 31-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

O BATES PRISIONEIRO

"Basta a cada dia o seu próprio mal". Mateus 6:34, NVI

Precisei viver um pouco para finalmente entender esse versículo. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje é ainda mais clara: “Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades.”


O grande ponto de virada na vida de Bates ocorreu em 27 de abril de 1810. Naquela noite, uma equipe de recrutadores formada por um oficial e 12 homens entrou na pensão onde ele se encontrava, em Liverpool, na Inglaterra, pegou-o com outros norte-americanos à força e os arrastou, para serem “recrutas” da marinha britânica, embora tivessem documentos comprovando serem cidadãos dos Estados Unidos.


Para nós, esse tipo de abordagem pode parecer algo absolutamente impensável, mas aqueles eram tempos diferentes. A Grã-Bretanha estava no meio de uma guerra mortal contra Napoleão, e a marinha necessitava de homens. Por causa do baixo salário, das péssimas condições de vida, da alimentação pobre e das surras costumeiras, era quase impossível conseguir recrutas suficientes. No início da guerra dos Estados Unidos contra a Grã-Bretanha, em 1812, a marinha britânica contava com cerca de 6 mil norte-americanos. Bates, aos 17 anos, passaria os cinco anos seguintes (1810-1815) como “convidado” do governo britânico. Serviu metade do tempo na Marinha Real e a outra metade ficou como prisioneiro de guerra. As experiências que teve revelam a força de sua constituição. No início da guerra, em 1812, os britânicos enviaram 200 norte-americanos do esquadrão de Bates para guerrear contra os franceses. Somente seis deles se recusaram, incluindo Bates. Sua recusa lhe custou caro.


Em certa ocasião, num conflito com a frota francesa, todos os norte-americanos auxiliaram os britânicos, menos ele, conforme seu relato da ocasião. Por causa dessa intransigência, um oficial britânico o jogou no chão e ordenou-lhe que colocasse cadeias nos próprios pés. Bates respondeu que o faria sem problemas, mas não trabalharia porque era prisioneiro de guerra. Naquele instante, o oficial disse a Bates que, quando começasse a batalha, ele seria “içado no mastro principal para servir de alvo para os franceses”.


O espírito de independência e determinação caracterizou toda a vida de José Bates. Foi justamente essa índole corajosa baseada em princípios que o transformou no tipo de pessoa enérgica o bastante para dedicar-se à edificação de um movimento, que se originou das ruínas do milerismo.


Sigamos seu exemplo! Deus necessita de pessoas como José Bates.

Meditação Diária 30-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

CONHEÇA JOSÉ BATES

"Eis que Eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores". Gênesis 28:15


José Bates foi fundamental durante a etapa inicial do adventismo do sétimo dia. Além de estar no centro do desenvolvimento da posição doutrinária do movimento, levou, depois de um tempo, a mensagem do sábado aos outros dois fundadores do movimento. 


Conforme veremos, Bates, além de ser um dos fundadores do adventismo, foi também seu missionário mais zeloso. Podemos afirmar, sem dúvidas, que não haveria adventismo do sétimo dia da maneira que o conhecemos sem sua liderança pioneira.


Bates nem sempre foi cristão. Ele nasceu em Massachusetts, no dia 8 de julho de 1792, e rejeitou a fé de seu pai no início da vida. Sua cidade natal estava se transformando na capital dos caçadores de baleias dos Estados Unidos, e ele sonhava o tempo inteiro com uma vida de aventuras no mar. Apesar de o pai ter planos para ele, finalmente, lhe deu permissão para partir, na esperança de que uma viagem o “curaria”, mas o efeito foi exatamente o oposto.


Em junho de 1807, pouco antes de completar 15 anos, Bates partiu como assistente de navio numa viagem para a Europa. Suas primeiras experiências no mar poderiam levar uma pessoa mais acanhada a desistir dos sonhos e voltar para casa. Por exemplo, no retorno da viagem da Inglaterra, o jovem caiu no oceano do topo de um dos mastros, perto de um grande tubarão para o qual alguns de seus companheiros estavam jogando iscas. Caso a criatura não tivesse mudado de posição bem naquele instante, a carreira de Bates no mar teria sido bem curta.


Na primavera de 1809, ele teve outra experiência quase fatal quando o navio em que estava atingiu um iceberg, próximo a Newfoundland. Presos no porão de carga do navio, ele e outro marinheiro seguraram-se no escuro, preparados para morrer, enquanto ouviam, de tempos em tempos, “os gritos de alguns dos miseráveis companheiros, no convés acima [deles], suplicando a Deus por misericórdia”.


Anos mais tarde, Bates escreveu sobre suas inquietações espirituais na ocasião: “Oh, que pensamento terrível! Prestes a entregar minha alma e […] descer com o navio naufragado até o fundo do oceano, tão longe de casa e dos amigos, sem a menor […] esperança do Céu.”


O vigoroso jovem recebeu um chamado para despertar, mas ainda não estava pronto para entregar a vida a Deus.


Podemos ser agradecidos porque Deus não desiste. Quão bem-aventurada é a verdade de que Ele continua a trabalhar inclusive por aqueles a quem amamos!

Meditação Diária 29-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

TEMPO DE DISPERSÃO 4

"Pela fé, entendemos". Hebreus 11:3

O entendimento não chega com facilidade. Em especial quando mais precisamos dele, quando nossa confusão abala os alicerces da vida.

É quase impossível para nós, que vivemos mais de 160 anos depois do evento, compreendermos o grau de confusão e caos entre os mileritas após o grande desapontamento de outubro de 1844.


As respostas para o que aconteceu, conforme observamos nos últimos três dias, eram muitas. O segmento espiritualizador defendia que eles estavam corretos quanto ao tempo e ao evento e afirmavam que Cristo tinha vindo no dia 22 de outubro. Os adventistas de Albany, por sua vez, alegavam que erraram quanto ao tempo, mas estavam corretos em relação ao evento que ocorreria no fim das 2.300 tardes e manhãs. Isto é, nenhuma profecia se cumprira em outubro, mas a purificação do santuário correspondia ao segundo advento e ainda estava por acontecer.


Os dois grupos abriram mão de algo essencial. No caso dos espiritualizadores, foi o entendimento literal da Bíblia, ao passo que o grupo de Albany deixou de lado a concepção de profecia defendida por Miller.


No entanto, houve uma terceira posição possível em relação ao cumprimento da profecia dos 2.300 dias em outubro de 1844, a saber, que os mileritas acertaram o tempo, mas erraram o evento. Em outras palavras, a profecia das 2.300 tardes e manhãs se cumprira, mas a purificação do santuário com certeza não correspondia ao segundo advento.
O interessante a respeito dessa terceira abordagem é que não teve muitos adeptos, diferentemente das outras duas propostas. Entretanto, na metade de 1845, milhares se identificavam com as ideias dos espiritualizadores e dos adventistas de Albany, mas a orientação que defendia o acontecimento de alguma coisa em 22 de outubro não teve presença marcante.


No entanto, era deste terceiro posicionamento que surgiriam os adventistas do sétimo dia, que se tornaram o maior dentre os grupos adventistas. Tal acontecimento aguardava três coisas: (1) o surgimento de líderes, (2) a evolução de doutrinas que explicassem a experiência milerita e esclarecesse noções equivocadas e (3) o surgimento de periódicos e estratégias organizacionais capazes de difundir tais ensinos. O restante da jornada deste ano seguirá esse terceiro grupo.


Desde já, porém, podemos ser gratos a Deus por Sua paciência. Ele espera por nós, enquanto procuramos resolver as dificuldades da vida.

Meditação Diária 28-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

TEMPO DE DISPERSÃO 3

"Tudo, porém, seja feito com decência e ordem". 1Coríntios 14:40

Colocar ordem na confusão: era disso que os adventistas precisavam na primavera de 1845. Pelo menos era o que Josué V. Himes pensava. Ele conseguia ver claramente que os espiritualizadores fanáticos levariam o movimento à ruína.


No entanto, o fanatismo não era o único ponto de divergência entre Himes e os espiritualizadores. Ele também discordava quanto ao suposto cumprimento da profecia em outubro de 1844. Conforme vimos antes, os espiritualizadores achavam que isso havia ocorrido – que Jesus entrara no coração deles em 22 de outubro de 1844 e que a profecia das 2.300 tardes e manhãs havia se cumprido, ou seja, eles estariam corretos tanto em relação ao tempo quanto ao evento.


Passado um período, Himes admitiu que o milerismo estivera errado em relação ao tempo, mas correto em relação ao evento que deveria acontecer no fim dos 2.300 dias. Em outras palavras, nenhuma profecia havia se cumprido no dia 22 de outubro, mas eles deveriam continuar a esperar o retorno de Jesus nas nuvens do céu durante os seguintes anos de “tempo controverso”. No processo para chegar a essa conclusão, ele começou a desistir da concepção de profecia defendida por Miller desde novembro de 1844. Eventualmente, afastou as pessoas da interpretação profética que dera força e foco ao evangelismo milerita.


Entretanto, esse resultado final não estava claro para todos durante a primavera de 1845. Tudo que Himes sabia era que eles precisavam fugir dos falsos ensinos dos fanáticos. Foi o mesmo temor que levou Miller, cada vez mais enfraquecido e tomado por dores, à campal de Himes, no fim de abril de 1845. Himes havia convencido Miller a se unir a ele em um congresso planejado para começar no dia 29 de abril, em Albany, Nova York. Lá o grupo majoritário de adventistas se organizou em uma quase denominação, com base doutrinária e abordagem organizacional rudimentar próxima ao congregacionalismo.


O evento em Albany foi positivo no sentido de tentar colocar ordem no caos. Todavia, foi prejudicial ao afastar o segmento do milerismo do modo de interpretar as profecias que deram origem e sentido ao movimento. O maior problema subjacente é que sua principal motivação era se definir em termos daquilo a que eram contrários. Caíram na armadilha de fazer teologia contra as crenças do próximo. E, com isso, vem uma falha de equilíbrio.


Ajuda-nos, Senhor, a manter os olhos em Tua Palavra, em vez de nos concentrarmos nos problemas de quem está ao redor, à medida que procuramos nos orientar ao longo do dia.

Meditação Diária 27-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

TEMPO DE DISPERSÃO 2

"Então, Jesus lhes disse: […] Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas". Mateus 26:31

Guilherme Miller temia o fanatismo mais do que qualquer outra coisa. Seu movimento ficara relativamente livre desse problema até outubro de 1844, mas, por volta da primavera de 1845, fanatismos e excessos carismáticos corriam soltos em meio a certos segmentos dos espiritualizadores.


Em abril de 1845, Miller estava extremamente incomodado com essa situação. Naquele mês, ele escreveu a Himes: “Vivemos em uma época estranha. Toda sorte de interpretação fantasiosa das Escrituras é agora prescrita por novos luminares, que refletem seus raios de luz e calor para todos os lados. Alguns deles são estrelas cadentes e outros só emitem luz fraca. Estou cansado dessas mudanças constantes; mas, meu querido irmão, precisamos aprender a ter paciência. Se Cristo voltar nesta primavera, não necessitaremos dela por muito tempo; e se Ele não vier, precisamos de muito mais. Estou preparado para o pior, esperando pelo melhor.”


Infelizmente, o tempo continuou a tardar. Miller e seus seguidores testemunharam algo diferente do “melhor” tão esperado. Um ano e meio depois, já enfermo, escreveu: “Estou tomado pela dor. Tenho sido assolado por dores de cabeça, nos dentes, nos ossos e no coração desde outubro; mas bem mais pela última dor, quando penso em tantos dos amados irmãos do passado que, depois do desapontamento, caíram em fanatismos de toda natureza, deixando os primeiros princípios do aparecimento glorioso de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo.”


Ele não era o único que ficou confuso e perturbado pelo caos de desorientação entre os espiritualizadores no início de 1845. Em maio, Himes observou que “o movimento do sétimo mês [produzira] mesmerismos profundos”.


O problema de todos os mileritas, nesse período, era a questão da identidade. Diferentes setores do movimento sugeriram respostas diversas para ela, mas todos lidavam com as mesmas inquietações.


Expressando da forma mais clara possível, é difícil se manter no caminho certo em períodos de grande perturbação. Sempre foi e sempre será. Nossa oração diária deve ser para Deus nos ajudar a manter os dois pés no chão e a mente tão clara quanto possível, sobretudo em tempos turbulentos. E assim como Miller, na prova devemos esperar pelo melhor, mas preparados para o pior.


Ajuda-nos hoje, ó Pai, a ter uma atitude de equilíbrio e uma prece no coração.

Meditação Diária 26-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

TEMPO DE DISPERSÃO 1

"Eis que vem a hora e já é chegada, em que sereis dispersos". João 16:32

Josiah Litch usou palavras cheias de significado bíblico ao escrever, dois dias depois do desapontamento de outubro: “O dia é sombrio por aqui. As ovelhas estão dispersas, e o Senhor ainda não voltou.” Desapontamentos espirituais profundos sempre tendem a provocar desilusão e dispersão dos fiéis.


Foi isso que ocorreu com os adventistas mileritas no fim de 1844 e início de 1845. Eles ficaram desorientados e confusos enquanto tentavam descobrir o sentido de sua experiência. O ápice de sua esperança os havia levado às profundezas do desespero.


É impossível formar um retrato totalmente preciso dos mileritas decepcionados, mas é provável que a maioria tenha abandonado a fé adventista e voltado para suas antigas igrejas ou se deixado arrastar para a descrença.


Aqueles que mantiveram a esperança no breve retorno de Cristo podem ser classificados em três grupos gerais. A grande pergunta que rondava a todos era: “O que aconteceu, se é que aconteceu algo, em 22 de outubro, no encerramento dos 2.300 dias de Daniel 8:14?”


O primeiro grupo identificável a surgir na esteira do desapontamento foi o dos espiritualizadores. Esse setor do adventismo defendia que o movimento estava correto tanto em relação à data quanto ao evento. Isto é, Cristo havia voltado em 22 de outubro. No entanto, Ele fizera uma entrada espiritual no coração dos fiéis, em vez de um retorno visual nas nuvens do céu.


Com essa interpretação, deram um importante passo para longe da interpretação de Miller sobre a Bíblia. Começaram a espiritualizar seu significado, mesmo em passagens que falam obviamente de eventos literais. Com isso, abriram-se a toda espécie de engano. O fanatismo despontou cedo entre os espiritualizadores. Havia quem afirmasse que, como já estavam no reino, encontravam-se necessariamente sem pecado e além do pecado. 

Alguns dentre o grupo tomaram maridos e esposas “espirituais”, com resultados nada espirituais. Outros defendiam que, como estavam no sétimo milênio, era errado trabalhar. Outros ainda, seguindo a ordem bíblica de que os membros do reino devem ser como criancinhas, descartaram o uso de talheres e passaram a comer com as mãos e a engatinhar. É desnecessário mencionar que ondas de entusiasmo carismático surgiram em meio a suas fileiras.


Precisamos ser cuidadosos e inteligentes ao ler a Palavra de Deus. Espiritualizar o significado claro das Escrituras corresponde a se abrir para um desastre espiritual.

Meditação Diária 25-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer

ORIENTAÇÃO DIVINA

"Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel". Lucas 24:21

Miller e seus companheiros de fé haviam se enganado em alguns aspectos de sua interpretação e de seu entendimento da Bíblia. Afinal, Jesus não voltou à Terra em 22 de outubro de 1844, nem em nenhuma data dos anos 1840. A pergunta que se impõe é: “Estaria Deus dirigindo um movimento como esse?”


Encontramos a melhor resposta no Novo Testamento. Lá vemos os discípulos interpretando erroneamente as palavras de Cristo sobre Sua crucifixão e a natureza de Seu reino diversas vezes. Foi só depois da ressurreição que eles começaram a entender o que Jesus tentara lhes ensinar. Mas, como não estavam prontos, precisaram passar por um desapontamento avassalador que abalou até mesmo os alicerces de sua crença na orientação divina. Foram necessários estudo e compreensão para conseguirem entender o que lhes havia acontecido.

O fato é que Deus escolhe trabalhar por meio de agentes humanos no plano da salvação. Até mesmo as situações guiadas por Ele têm tanto elementos divinos quanto humanos. E tudo o que concerne à humanidade se encontra manchado com a falibilidade. É assim que Deus tem trabalhado nos seres humanos e por meio deles ao longo da história.


Na situação específica do milerismo, podemos nos perguntar por que Miller não leu o restante de Apocalipse 10, uma vez que cria que a abertura das profecias do livrinho de Daniel refletida naquele capítulo se cumpriria em seus dias. Isto é, se ele acreditava que o livro fora aberto e sua mensagem era doce na boca, por que não percebeu que seria amarga no estômago (v. 10) e que outro movimento surgiria das cinzas da amargura, com uma mensagem mundial para “muitos povos, nações, línguas e reis” (v. 11)? A própria lógica de Miller deveria levá-lo a ver que Deus previra o amargo desapontamento, assim como Jesus predissera o mesmo em relação a Seus discípulos.


E ainda: Se Miller defendia estar pregando a primeira mensagem angélica (Ap 14:6, 7), e muitos de seus seguidores criam estar anunciando a segunda (v. 8), por que eles deixaram de dar a ênfase devida à terceira? (v. 9-12). As três juntas conduzem progressivamente ao segundo advento retratado nos versículos 14-20.


O fato é que Deus escolheu seres humanos falíveis para usar em Sua missão na Terra. A boa notícia é que Ele continua a trabalhar conosco, a despeito de nossas fraquezas. Podemos louvá-Lo e agradecê-Lo por isso!



Comentários Lição 07 - Cristo: Nosso Sacrifício (Prof. César Pagani)

9 a 16 de novembro de 2013

Verso para Memorizar

“Carregando Ele mesmo em Seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para o pecado, vivamos para a justiça; por Suas chagas fomos sarados.” (1Pe 2:24)

César L. Pagani
 “O Senhor proverá para Si o cordeiro” foram as palavras de Abraão a Isaque  no momento de sacrificá-lo sobre um tosco altar no alto do Monte Moriá.  E, de fato, o Altíssimo já havia feito isso muito antes da fundação do Universo e do mundo. Ele provera o holocausto de Si mesmo em Cristo para tirar o pecado do mundo.
Cristo Se dispôs a vir a este mundo sofrer pelo pecador, assumir todos os pecados dos homens, passar uma vida de constantes provações e dificuldades e, no final, sofrer vergonhosa morte de cruz.
Jesus observou fielmente os mandamentos de Deus, desenvolveu vida santa e imaculada, para poder creditar a nós todos os merecimentos de Seu sacrifício pessoal. Toda vez que confessamos nossos pecados em arrependimento e contrição, recebemos a justiça de Cristo a nosso crédito e ficamos diante de Deus como se nunca houvéssemos pecado.
Que plano! Não é sem razão que passaremos a eternidade toda estudando sobre esse sacrifício.

DOMINGO
Jesus em Isaías 53  
            O cap. 53 de Isaías tem início falando da humildade e despojamento do Servo do Senhor. Embora Sua obra pública precisasse de divulgação para que os pecadores soubessem quem era Ele e qual Sua missão, Jesus nunca procurou publicidade e nem obter culto à Sua personalidade. Não se vestia como os altivos rabinos judeus com pompa, luxo e custosos ornamentos.  Suas vestes eram as de um camponês Galileu.
            O verso 3 profetiza sobre como seria a vida do Messias em sociedade. Embora as multidões se admirassem de Seus ensinos, se beneficiasse de Seus milagres e maravilhas, desprezo foi o que Jesus mais conheceu. Os mestres do povo achavam que Ele estava com as faculdades mentais em colapso (ver Mc 3:21). Seus próprios irmãos não criam nEle (Jo 7:5). Como a pedra rejeitada, Cristo, em Sua missão terrestre suportara desdém e maus-tratos.” DTN, 600.  
            Porém, ali estava o Cordeiro que Deus proveria para Si, como disse Abraão a Isaque quando do sacrifício no Monte Moriá. Jesus, revestido de carne humana, estava sujeito às fraquezas e carências da humanidade. Tinha fome, sede, precisava de descanso, necessitava do apoio humano, tinha necessidades sociais. Como Substituto do homem Ele tinha todo o direito e poder de arrancar homens e mulheres das garras das enfermidades, das deformidades e mesmo da morte.  Não somente doenças físicas, mas também espirituais e psíquicas.
            Ele levou sobre Si os nossos pecados no madeiro. Deus, em Seu plano de resgate, colocou sobre Cristo todas as nossas iniquidades, transgressões, falhas, mazelas, deslizes... O Substituto do homem padeceu na cruz em nosso lugar. O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e por Seus ferimentos fomos curados.
            Ninguém sofreu maior e mais contínua pressão das hostes das trevas do que Jesus. Uma implacável perseguição foi movida contra o Salvador. Satanás seguia-Lhe no encalço procurando frustrar a obra que Jesus viera fazer.
“Quando a Palavra escrita de Deus foi dada por intermédio dos profetas hebreus, Satanás estudou com diligência as mensagens sobre o Messias. Ele sublinhou cuidadosamente as palavras que esboçavam com inconfundível clareza a obra de Cristo entre os homens como um sofredor sacrifício e como um rei conquistador. Nos rolos de pergaminho das Escrituras do Antigo Testamento ele leu que Aquele que devia aparecer, ‘como um cordeiro foi levado ao matadouro’ (Is 53:7), que ‘o Seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer’. Is 52:14. O prometido Salvador da humanidade devia ser ‘desprezado, e o mais indigno entre os homens, homem de dores... ferido de Deus e oprimido’ (Is 53:4), contudo devia Ele também exercer Seu grande poder para julgar ‘os aflitos do povo. ’ Ele devia salvar ‘os filhos do necessitado’, e quebrar ‘o opressor’. Sl 72:4. Estas profecias levaram Satanás a temer e tremer; mas ele não renunciou ao seu propósito de frustrar, se possível, as misericordiosas providências de Jeová para a redenção da ração perdida. Ele se determinou cegar os olhos do povo, tanto quanto fosse possível, para o real significado das profecias messiânicas, a fim de preparar o caminho para rejeição de Cristo em Sua vinda.” PR, 686, 687.    

SEGUNDA
Substituição eficiente       
            Para ser eficiente substituto do homem na assunção da punição devida aos pecados, Jesus tinha de ser carne. Viesse Ele apenas como Deus, inda que velando tremendamente Sua glória, não poderia assumir pecados sobre Si, pois Deus é absoluta santidade, justiça, inocência, imaculabilidade. Ele devia assumir a mesma carne que Adão legou aos seus descendentes.
            Jesus, como Verbo, era infinitamente maior do que os anjos, Suas criaturas. Jesus, como homem, tinha de ser menor do que eles. Não deveria ter seu poder, suas capacidades, suas habilidades. Era na condição de homem que Ele deveria passar pela “paixão da morte”. Era na condição de homem que Ele deveria provar “a morte por todos”.
            Nosso Salvador deveria ser em tudo “semelhante aos irmãos”. Ele devia sentir o que o homem sente em suas fraquezas e exposição às influências do mal, para poder ser “misericordioso e fiel sumo sacerdote”. 
            Ele não deveria ser apenas o substituto do homem para assumir seus pecados e sofrer a punição exigível pela Lei, mas o Intermediador entre a humanidade e a Divindade. Deus colocou sobre Cristo “a iniquidade de todos nós” (Is 53:6). Cristo coloca sobre nós a Sua justiça.
            Como invicto vencedor do pecado, Ele não pode ser acusado de pecado. “Quem dentre vós Me convence de pecado?” (Jo 8:6).  “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.” (Hb 4:15) Assim, sendo vítima inocente, assume os pecados dos homens como se cometidos por Ele.   Expia, com Seu sangue, esses pecados. Purifica o pecador e deixa-o livre da segunda morte.
            Como Ele provou a morte por todos os homens, quer isso dizer que, potencialmente, os pecados dos homens estão cobertos. Agora, o sangue de Jesus só vale como remissor se o pecador cumprir as regras salvadoras que Deus estabeleceu para sua redenção, isto é, aceitar a Jesus como Salvador todo-suficiente e recebê-Lo como Senhor em sua vida. Quem não reivindica os méritos do sangue de Cristo não poderá receber seus benefícios.
            Precisamente neste momento, Jesus está exercendo Suas funções sumo sacerdotais, aplicando os direitos da redenção efetivada em favor do homem. A Lei de Deus profanada aceita a justiça perfeita de Cristo em lugar da iniquidade do pecador.  O iníquo penitente é, então, considerado justo por causa de Cristo. A Lei não pode acusá-lo de nada, pois seus requerimentos de justiça foram satisfeitos em Cristo.           

TERÇA

Publicamos um interessante comentário (com algumas leves ressalvas) feito por Daniel E. Parks, autor presbiteriano, com relação à eficácia do sangue de Jesus: “Cristo obteve redenção à maneira tipificada no Antigo Testamento. Arão, o sumo sacerdote de Israel, era um tipo de ‘Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados’, em favor dos eleitos de Deus (v. 11). O ministério de Arão em santuário terreno e temporário,  feito pelos homens, tipificava o ministério de Cristo em um ‘maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação’ (v. 11). A entrada de Arão no Santo dos Santos tipificava a entrada de Cristo no “céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus” (v. 24). Arão, buscando a redenção com o sangue de touros e de bodes em uma bacia, tipificava Cristo obtendo a redenção com o Seu ‘próprio sangue’ (v. 12) — o sangue do Cordeiro de Deus que corria em suas veias. Arão tinha de entrar duas vezes no Santo dos Santos — uma vez para oferecer sangue pelos seus próprios pecados; depois, em favor dos pecados do povo. Ele tinha de fazer isso a cada ano. Cristo, porém, entrou no mais santíssimo de todos os lugares[1] ‘ uma vez por todas’ (v. 12) — ‘uma vez’, porque Ele mesmo não tinha pecado; ‘por todas’, porque não precisaria entrar ali novamente. Arão ministrava em favor da purificação da carne; ‘muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a Si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! ’ (v. 14.). Por intermédio da misericórdia, Arão recebia o perdão anual. Cristo, o Sumo Sacerdote, ‘eterna redenção’.”
Esse sangue proveio do Cordeiro Imaculado, um sangue incontaminado, puríssimo, cobridor, doador de vida.
“Ele gostaria que cada alma considerasse a eficácia do Seu sangue como de ilimitado valor, capaz de salvar perfeitamente a todos que forem persuadidos a vir a Ele. Ele deseja que cada indivíduo de nossa raça, formado a Sua imagem, lembrasse que Deus é infinito, e que o Seu amor revelado na expiação de Cristo em favor de toda a humanidade, torna manifesto o valor que atribui à humanidade. Ele os convida a virem a Ele para serem salvos. Devemos ir à Fonte de toda a misericórdia. Ele usará homens como Seus instrumentos para salvar do pecado a seus semelhantes.” Carta 33, 1898.
“A eficácia do sangue de Cristo devia ser apresentada ao povo com vigor e poder, para que sua fé se pudesse apropriar de Seus méritos...” Evangelismo, 191. 
            “Fostes escolhidos por Cristo. Fostes resgatados pelo precioso sangue do Cordeiro. Apresentai diante de Deus a eficácia desse sangue. Dizei-Lhe: ‘Sou Teu pela criação; sou Teu pela redenção. Respeito a autoridade humana   e o conselho de meus irmãos; mas não posso confiar inteiramente neles. Desejo que me ensines, ó Deus. Fiz contigo o concerto de adotar o divino padrão de caráter e que faria de Ti o meu conselheiro e guia - um participante de todos os planos de minha vida; ensina-me, portanto.’  Que a glória do Senhor seja vossa principal consideração. Reprimi todo desejo de distinção mundana, toda ambição de obter o primeiro lugar. Incentivai a pureza e santidade de coração, para que possais representar os verdadeiros princípios do evangelho. Seja todo ato de vossa vida santificado pelo sagrado empenho de fazer a vontade do Senhor, para que a vossa influência não conduza os outros a caminhos proibidos. Quando Deus é o dirigente, Sua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda.” Fundamentos da Educação Cristã, 348, 349.

QUARTA
Sacrifício imaculado
            A condição de a vítima ser sem qualquer mácula, defeito ou senão estético era sine qua non. O ofertante tinha de escolher o melhor exemplar de um ano de seu rebanho, ou comprá-lo de alguém.  Ao chegar ao santuário o sacerdote examinava o animal para constatar sua qualidade segundo o previsto nas leis levíticas.  A mínima deformidade tornava o animal impedido para o sacrifício.
            Por que tinha de ser de um ano? Clarke entende que podia ser de qualquer idade entre oito dias e um ano. Jamieson, Fawcett e Brown propõem  que essa oferenda representava Cristo no ápice da vida e de Sua imaculabilidade perfeita (ver Hb 7:26; 1Pe 1:19).
            Jesus foi o único ser humano justificado pela Lei, pois a guardou em sua integralidade e satisfez todos os seus requerimentos de justiça. Sendo totalmente puro, imaculado, inocente, a pena da Lei só Lhe poderia ser imputada se Ele assumisse a culpa de outrem. O que de fato nosso Salvador fez. Esse mérito Ele transmite àqueles que O aceitam. 
            Não admira a extrema exigência dos regulamentos para oferecimento das vítimas que representavam o Redentor vindouro. O povo precisava ser impressionado com a verdade de que o Ser puríssimo tipificado pelo cordeiro era tão perfeito que não haveria outro igual.  Eles ofereciam frequentemente cordeiros de um ano no santuário, e precisavam compreender que quem faria o sacrifício antitípico no futuro seria o próprio Senhor Deus. Deus proveria para Si o Cordeiro enviando Jesus Cristo, o mais puro dentre os puros.      

Um grande perigo
            Porque é impossível que os que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo,  e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro,   e depois caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério.” (Hb 6:4-6) Estaria Paulo aqui se referindo ao pecado contra o Espírito Santo, o único que não pode ser perdoado?
            Adam Clarke sugere que os aí referidos são apóstatas do cristianismo, os quais rejeitaram todo o sistema cristão e Seu Autor, o Senhor Jesus. Os que, irrevogavelmente contra tudo quanto se refira à religião de Cristo, e que ainda se postam contra o povo de Deus e estorvam-lhe a santa obra. Porventura estariam entre esses infelizes Esaú, que a Bíblia diz ter sido profano, e Saul, que desonrou Deus por sua obstinada desobediência.
            Não há dúvida de que foi esse o caso de Hofni e Finéias, filhos de Eli: “Na reprovação de Eli a seus filhos acham-se palavras de uma significação solene e terrível - palavras que todos os que ministram em coisas sagradas bem fariam em ponderar:  "Pecando homem contra homem, os juízes o julgarão; pecando, porém, o homem contra o Senhor, quem rogará por ele?" 1Sm 2:25. Houvessem seus crimes lesado unicamente seus semelhantes, e poderia o juiz ter feito a reconciliação, indicando uma pena, e exigindo a devida restituição; e assim os transgressores poderiam ter sido perdoados. Ou, se não tivessem eles sido culpados de um pecado de presunção, uma oferta para o pecado poderia ter sido apresentada por eles. Mas seus pecados estavam de tal maneira entretecidos com seu ministério de, na qualidade de sacerdotes do Altíssimo, oferecerem sacrifício pelo pecado, e a obra de Deus foi de tal maneira profanada e desonrada perante o povo, que nenhuma expiação por eles poderia ser aceita. Seu próprio pai, embora fosse sumo sacerdote, não ousou interceder em favor deles; não os podia defender da ira de um Deus santo. De todos os pecadores, são os mais culpados os que lançam o desdém aos meios que o Céu proveu para a redenção do homem - pecadores estes que ‘de novo crucificam o Filho de Deus, e O expõem ao vitupério’. Hb 6:6.” Patriarcas e Profetas, 580.
“Deus opera pela manifestação de Seu Espírito para reprovar e convencer o pecador; e, se a obra do Espírito é finalmente rejeitada, nada mais há que Deus possa fazer pela alma. O último recurso da misericórdia divina foi empregado. O transgressor desligou-se de Deus; e o pecado não tem remédio para curar a si mesmo. Não há um poder reservado, pelo qual Deus possa operar para convencer e converter o pecador. ‘Deixa-o’ (Os 4:17), é a ordem divina. Então, ‘já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários’. Hb 10:26 e 27.” Idem, 405.   
 “Quando o Espírito de Deus é entristecido de tal modo que venha a retirar-Se, todo apelo feito através dos servos do Senhor é inexpressivo para eles. Interpretarão mal cada palavra. Zombarão e escarnecerão das mais solenes advertências bíblicas, as quais, não houvessem eles sido fascinados por instrumentos satânicos, os fariam tremer. Todo apelo feito a eles é inútil. Não prestam atenção a repreensões e conselhos. Desprezam todas as instâncias do Espírito e desobedecem aos mandamentos de Deus que outrora defendiam e enalteciam. As palavras do apóstolo bem podem aplicar-se a tais pessoas: ‘Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade?’ Gl 3:1. Seguem o conselho de seu próprio coração até que a verdade deixa de ser verdade para eles. Barrabás é escolhido, e Cristo é rejeitado.” E Recebereis Poder, 36.  



[1] Em verdade, segundo nossa crença, Jesus entrou no Lugar Santíssimo para assentar-Se com Seu Pai no trono do Universo como Rei. Mas como Sumo Sacerdote, iniciou Seu ministério sacerdotal no Lugar Santo, assim como tipificado no ritual veterotestamentário, para comparecer diante do Pai e pleitear a causa de Seus filhos terrenos.  
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