CONHEÇA JOSÉ BATES
"Eis que Eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores". Gênesis 28:15
José Bates foi fundamental durante a etapa inicial do adventismo do sétimo dia. Além de estar no centro do desenvolvimento da posição doutrinária do movimento, levou, depois de um tempo, a mensagem do sábado aos outros dois fundadores do movimento.
Conforme veremos, Bates, além de ser um dos fundadores do adventismo, foi também seu missionário mais zeloso. Podemos afirmar, sem dúvidas, que não haveria adventismo do sétimo dia da maneira que o conhecemos sem sua liderança pioneira.
Bates nem sempre foi cristão. Ele nasceu em Massachusetts, no dia 8 de julho de 1792, e rejeitou a fé de seu pai no início da vida. Sua cidade natal estava se transformando na capital dos caçadores de baleias dos Estados Unidos, e ele sonhava o tempo inteiro com uma vida de aventuras no mar. Apesar de o pai ter planos para ele, finalmente, lhe deu permissão para partir, na esperança de que uma viagem o “curaria”, mas o efeito foi exatamente o oposto.
Em junho de 1807, pouco antes de completar 15 anos, Bates partiu como assistente de navio numa viagem para a Europa. Suas primeiras experiências no mar poderiam levar uma pessoa mais acanhada a desistir dos sonhos e voltar para casa. Por exemplo, no retorno da viagem da Inglaterra, o jovem caiu no oceano do topo de um dos mastros, perto de um grande tubarão para o qual alguns de seus companheiros estavam jogando iscas. Caso a criatura não tivesse mudado de posição bem naquele instante, a carreira de Bates no mar teria sido bem curta.
Na primavera de 1809, ele teve outra experiência quase fatal quando o navio em que estava atingiu um iceberg, próximo a Newfoundland. Presos no porão de carga do navio, ele e outro marinheiro seguraram-se no escuro, preparados para morrer, enquanto ouviam, de tempos em tempos, “os gritos de alguns dos miseráveis companheiros, no convés acima [deles], suplicando a Deus por misericórdia”.
Anos mais tarde, Bates escreveu sobre suas inquietações espirituais na ocasião: “Oh, que pensamento terrível! Prestes a entregar minha alma e […] descer com o navio naufragado até o fundo do oceano, tão longe de casa e dos amigos, sem a menor […] esperança do Céu.”
O vigoroso jovem recebeu um chamado para despertar, mas ainda não estava pronto para entregar a vida a Deus.
Podemos ser agradecidos porque Deus não desiste. Quão bem-aventurada é a verdade de que Ele continua a trabalhar inclusive por aqueles a quem amamos!
Meditação Diária 29-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer
TEMPO DE DISPERSÃO 4
"Pela fé, entendemos". Hebreus 11:3
O entendimento não chega com facilidade. Em especial quando mais precisamos dele, quando nossa confusão abala os alicerces da vida.
É quase impossível para nós, que vivemos mais de 160 anos depois do evento, compreendermos o grau de confusão e caos entre os mileritas após o grande desapontamento de outubro de 1844.
As respostas para o que aconteceu, conforme observamos nos últimos três dias, eram muitas. O segmento espiritualizador defendia que eles estavam corretos quanto ao tempo e ao evento e afirmavam que Cristo tinha vindo no dia 22 de outubro. Os adventistas de Albany, por sua vez, alegavam que erraram quanto ao tempo, mas estavam corretos em relação ao evento que ocorreria no fim das 2.300 tardes e manhãs. Isto é, nenhuma profecia se cumprira em outubro, mas a purificação do santuário correspondia ao segundo advento e ainda estava por acontecer.
Os dois grupos abriram mão de algo essencial. No caso dos espiritualizadores, foi o entendimento literal da Bíblia, ao passo que o grupo de Albany deixou de lado a concepção de profecia defendida por Miller.
No entanto, houve uma terceira posição possível em relação ao cumprimento da profecia dos 2.300 dias em outubro de 1844, a saber, que os mileritas acertaram o tempo, mas erraram o evento. Em outras palavras, a profecia das 2.300 tardes e manhãs se cumprira, mas a purificação do santuário com certeza não correspondia ao segundo advento.
O interessante a respeito dessa terceira abordagem é que não teve muitos adeptos, diferentemente das outras duas propostas. Entretanto, na metade de 1845, milhares se identificavam com as ideias dos espiritualizadores e dos adventistas de Albany, mas a orientação que defendia o acontecimento de alguma coisa em 22 de outubro não teve presença marcante.
No entanto, era deste terceiro posicionamento que surgiriam os adventistas do sétimo dia, que se tornaram o maior dentre os grupos adventistas. Tal acontecimento aguardava três coisas: (1) o surgimento de líderes, (2) a evolução de doutrinas que explicassem a experiência milerita e esclarecesse noções equivocadas e (3) o surgimento de periódicos e estratégias organizacionais capazes de difundir tais ensinos. O restante da jornada deste ano seguirá esse terceiro grupo.
Desde já, porém, podemos ser gratos a Deus por Sua paciência. Ele espera por nós, enquanto procuramos resolver as dificuldades da vida.
Meditação Diária 28-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer
TEMPO DE DISPERSÃO 3
"Tudo, porém, seja feito com decência e ordem". 1Coríntios 14:40
Colocar ordem na confusão: era disso que os adventistas precisavam na primavera de 1845. Pelo menos era o que Josué V. Himes pensava. Ele conseguia ver claramente que os espiritualizadores fanáticos levariam o movimento à ruína.
No entanto, o fanatismo não era o único ponto de divergência entre Himes e os espiritualizadores. Ele também discordava quanto ao suposto cumprimento da profecia em outubro de 1844. Conforme vimos antes, os espiritualizadores achavam que isso havia ocorrido – que Jesus entrara no coração deles em 22 de outubro de 1844 e que a profecia das 2.300 tardes e manhãs havia se cumprido, ou seja, eles estariam corretos tanto em relação ao tempo quanto ao evento.
Passado um período, Himes admitiu que o milerismo estivera errado em relação ao tempo, mas correto em relação ao evento que deveria acontecer no fim dos 2.300 dias. Em outras palavras, nenhuma profecia havia se cumprido no dia 22 de outubro, mas eles deveriam continuar a esperar o retorno de Jesus nas nuvens do céu durante os seguintes anos de “tempo controverso”. No processo para chegar a essa conclusão, ele começou a desistir da concepção de profecia defendida por Miller desde novembro de 1844. Eventualmente, afastou as pessoas da interpretação profética que dera força e foco ao evangelismo milerita.
Entretanto, esse resultado final não estava claro para todos durante a primavera de 1845. Tudo que Himes sabia era que eles precisavam fugir dos falsos ensinos dos fanáticos. Foi o mesmo temor que levou Miller, cada vez mais enfraquecido e tomado por dores, à campal de Himes, no fim de abril de 1845. Himes havia convencido Miller a se unir a ele em um congresso planejado para começar no dia 29 de abril, em Albany, Nova York. Lá o grupo majoritário de adventistas se organizou em uma quase denominação, com base doutrinária e abordagem organizacional rudimentar próxima ao congregacionalismo.
O evento em Albany foi positivo no sentido de tentar colocar ordem no caos. Todavia, foi prejudicial ao afastar o segmento do milerismo do modo de interpretar as profecias que deram origem e sentido ao movimento. O maior problema subjacente é que sua principal motivação era se definir em termos daquilo a que eram contrários. Caíram na armadilha de fazer teologia contra as crenças do próximo. E, com isso, vem uma falha de equilíbrio.
Ajuda-nos, Senhor, a manter os olhos em Tua Palavra, em vez de nos concentrarmos nos problemas de quem está ao redor, à medida que procuramos nos orientar ao longo do dia.
Meditação Diária 27-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer
TEMPO DE DISPERSÃO 2
"Então, Jesus lhes disse: […] Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas". Mateus 26:31
Guilherme Miller temia o fanatismo mais do que qualquer outra coisa. Seu movimento ficara relativamente livre desse problema até outubro de 1844, mas, por volta da primavera de 1845, fanatismos e excessos carismáticos corriam soltos em meio a certos segmentos dos espiritualizadores.
Em abril de 1845, Miller estava extremamente incomodado com essa situação. Naquele mês, ele escreveu a Himes: “Vivemos em uma época estranha. Toda sorte de interpretação fantasiosa das Escrituras é agora prescrita por novos luminares, que refletem seus raios de luz e calor para todos os lados. Alguns deles são estrelas cadentes e outros só emitem luz fraca. Estou cansado dessas mudanças constantes; mas, meu querido irmão, precisamos aprender a ter paciência. Se Cristo voltar nesta primavera, não necessitaremos dela por muito tempo; e se Ele não vier, precisamos de muito mais. Estou preparado para o pior, esperando pelo melhor.”
Infelizmente, o tempo continuou a tardar. Miller e seus seguidores testemunharam algo diferente do “melhor” tão esperado. Um ano e meio depois, já enfermo, escreveu: “Estou tomado pela dor. Tenho sido assolado por dores de cabeça, nos dentes, nos ossos e no coração desde outubro; mas bem mais pela última dor, quando penso em tantos dos amados irmãos do passado que, depois do desapontamento, caíram em fanatismos de toda natureza, deixando os primeiros princípios do aparecimento glorioso de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo.”
Ele não era o único que ficou confuso e perturbado pelo caos de desorientação entre os espiritualizadores no início de 1845. Em maio, Himes observou que “o movimento do sétimo mês [produzira] mesmerismos profundos”.
O problema de todos os mileritas, nesse período, era a questão da identidade. Diferentes setores do movimento sugeriram respostas diversas para ela, mas todos lidavam com as mesmas inquietações.
Expressando da forma mais clara possível, é difícil se manter no caminho certo em períodos de grande perturbação. Sempre foi e sempre será. Nossa oração diária deve ser para Deus nos ajudar a manter os dois pés no chão e a mente tão clara quanto possível, sobretudo em tempos turbulentos. E assim como Miller, na prova devemos esperar pelo melhor, mas preparados para o pior.
Ajuda-nos hoje, ó Pai, a ter uma atitude de equilíbrio e uma prece no coração.
Meditação Diária 26-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer
TEMPO DE DISPERSÃO 1
"Eis que vem a hora e já é chegada, em que sereis dispersos". João 16:32
Josiah Litch usou palavras cheias de significado bíblico ao escrever, dois dias depois do desapontamento de outubro: “O dia é sombrio por aqui. As ovelhas estão dispersas, e o Senhor ainda não voltou.” Desapontamentos espirituais profundos sempre tendem a provocar desilusão e dispersão dos fiéis.
Foi isso que ocorreu com os adventistas mileritas no fim de 1844 e início de 1845. Eles ficaram desorientados e confusos enquanto tentavam descobrir o sentido de sua experiência. O ápice de sua esperança os havia levado às profundezas do desespero.
É impossível formar um retrato totalmente preciso dos mileritas decepcionados, mas é provável que a maioria tenha abandonado a fé adventista e voltado para suas antigas igrejas ou se deixado arrastar para a descrença.
Aqueles que mantiveram a esperança no breve retorno de Cristo podem ser classificados em três grupos gerais. A grande pergunta que rondava a todos era: “O que aconteceu, se é que aconteceu algo, em 22 de outubro, no encerramento dos 2.300 dias de Daniel 8:14?”
O primeiro grupo identificável a surgir na esteira do desapontamento foi o dos espiritualizadores. Esse setor do adventismo defendia que o movimento estava correto tanto em relação à data quanto ao evento. Isto é, Cristo havia voltado em 22 de outubro. No entanto, Ele fizera uma entrada espiritual no coração dos fiéis, em vez de um retorno visual nas nuvens do céu.
Com essa interpretação, deram um importante passo para longe da interpretação de Miller sobre a Bíblia. Começaram a espiritualizar seu significado, mesmo em passagens que falam obviamente de eventos literais. Com isso, abriram-se a toda espécie de engano. O fanatismo despontou cedo entre os espiritualizadores. Havia quem afirmasse que, como já estavam no reino, encontravam-se necessariamente sem pecado e além do pecado.
Alguns dentre o grupo tomaram maridos e esposas “espirituais”, com resultados nada espirituais. Outros defendiam que, como estavam no sétimo milênio, era errado trabalhar. Outros ainda, seguindo a ordem bíblica de que os membros do reino devem ser como criancinhas, descartaram o uso de talheres e passaram a comer com as mãos e a engatinhar. É desnecessário mencionar que ondas de entusiasmo carismático surgiram em meio a suas fileiras.
Precisamos ser cuidadosos e inteligentes ao ler a Palavra de Deus. Espiritualizar o significado claro das Escrituras corresponde a se abrir para um desastre espiritual.
Meditação Diária 25-01-2015 - George Knight - Para Não Esquecer
ORIENTAÇÃO DIVINA
"Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel". Lucas 24:21
Miller e seus companheiros de fé haviam se enganado em alguns aspectos de sua interpretação e de seu entendimento da Bíblia. Afinal, Jesus não voltou à Terra em 22 de outubro de 1844, nem em nenhuma data dos anos 1840. A pergunta que se impõe é: “Estaria Deus dirigindo um movimento como esse?”
Encontramos a melhor resposta no Novo Testamento. Lá vemos os discípulos interpretando erroneamente as palavras de Cristo sobre Sua crucifixão e a natureza de Seu reino diversas vezes. Foi só depois da ressurreição que eles começaram a entender o que Jesus tentara lhes ensinar. Mas, como não estavam prontos, precisaram passar por um desapontamento avassalador que abalou até mesmo os alicerces de sua crença na orientação divina. Foram necessários estudo e compreensão para conseguirem entender o que lhes havia acontecido.
O fato é que Deus escolhe trabalhar por meio de agentes humanos no plano da salvação. Até mesmo as situações guiadas por Ele têm tanto elementos divinos quanto humanos. E tudo o que concerne à humanidade se encontra manchado com a falibilidade. É assim que Deus tem trabalhado nos seres humanos e por meio deles ao longo da história.
Na situação específica do milerismo, podemos nos perguntar por que Miller não leu o restante de Apocalipse 10, uma vez que cria que a abertura das profecias do livrinho de Daniel refletida naquele capítulo se cumpriria em seus dias. Isto é, se ele acreditava que o livro fora aberto e sua mensagem era doce na boca, por que não percebeu que seria amarga no estômago (v. 10) e que outro movimento surgiria das cinzas da amargura, com uma mensagem mundial para “muitos povos, nações, línguas e reis” (v. 11)? A própria lógica de Miller deveria levá-lo a ver que Deus previra o amargo desapontamento, assim como Jesus predissera o mesmo em relação a Seus discípulos.
E ainda: Se Miller defendia estar pregando a primeira mensagem angélica (Ap 14:6, 7), e muitos de seus seguidores criam estar anunciando a segunda (v. 8), por que eles deixaram de dar a ênfase devida à terceira? (v. 9-12). As três juntas conduzem progressivamente ao segundo advento retratado nos versículos 14-20.
O fato é que Deus escolheu seres humanos falíveis para usar em Sua missão na Terra. A boa notícia é que Ele continua a trabalhar conosco, a despeito de nossas fraquezas. Podemos louvá-Lo e agradecê-Lo por isso!
"Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel". Lucas 24:21
Miller e seus companheiros de fé haviam se enganado em alguns aspectos de sua interpretação e de seu entendimento da Bíblia. Afinal, Jesus não voltou à Terra em 22 de outubro de 1844, nem em nenhuma data dos anos 1840. A pergunta que se impõe é: “Estaria Deus dirigindo um movimento como esse?”
Encontramos a melhor resposta no Novo Testamento. Lá vemos os discípulos interpretando erroneamente as palavras de Cristo sobre Sua crucifixão e a natureza de Seu reino diversas vezes. Foi só depois da ressurreição que eles começaram a entender o que Jesus tentara lhes ensinar. Mas, como não estavam prontos, precisaram passar por um desapontamento avassalador que abalou até mesmo os alicerces de sua crença na orientação divina. Foram necessários estudo e compreensão para conseguirem entender o que lhes havia acontecido.
O fato é que Deus escolhe trabalhar por meio de agentes humanos no plano da salvação. Até mesmo as situações guiadas por Ele têm tanto elementos divinos quanto humanos. E tudo o que concerne à humanidade se encontra manchado com a falibilidade. É assim que Deus tem trabalhado nos seres humanos e por meio deles ao longo da história.
Na situação específica do milerismo, podemos nos perguntar por que Miller não leu o restante de Apocalipse 10, uma vez que cria que a abertura das profecias do livrinho de Daniel refletida naquele capítulo se cumpriria em seus dias. Isto é, se ele acreditava que o livro fora aberto e sua mensagem era doce na boca, por que não percebeu que seria amarga no estômago (v. 10) e que outro movimento surgiria das cinzas da amargura, com uma mensagem mundial para “muitos povos, nações, línguas e reis” (v. 11)? A própria lógica de Miller deveria levá-lo a ver que Deus previra o amargo desapontamento, assim como Jesus predissera o mesmo em relação a Seus discípulos.
E ainda: Se Miller defendia estar pregando a primeira mensagem angélica (Ap 14:6, 7), e muitos de seus seguidores criam estar anunciando a segunda (v. 8), por que eles deixaram de dar a ênfase devida à terceira? (v. 9-12). As três juntas conduzem progressivamente ao segundo advento retratado nos versículos 14-20.
O fato é que Deus escolheu seres humanos falíveis para usar em Sua missão na Terra. A boa notícia é que Ele continua a trabalhar conosco, a despeito de nossas fraquezas. Podemos louvá-Lo e agradecê-Lo por isso!
Comentários Lição 07 - Cristo: Nosso Sacrifício (Prof. César Pagani)
9 a 16 de
novembro de 2013
Verso
para Memorizar
“Carregando Ele
mesmo em Seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos
para o pecado, vivamos para a justiça; por Suas chagas fomos sarados.” (1Pe
2:24)
César L. Pagani
“O Senhor proverá para Si o cordeiro” foram as
palavras de Abraão a Isaque no momento
de sacrificá-lo sobre um tosco altar no alto do Monte Moriá. E, de fato, o Altíssimo já havia feito isso
muito antes da fundação do Universo e do mundo. Ele provera o holocausto de Si
mesmo em Cristo para tirar o pecado do mundo.
Cristo Se
dispôs a vir a este mundo sofrer pelo pecador, assumir todos os pecados dos
homens, passar uma vida de constantes provações e dificuldades e, no final, sofrer
vergonhosa morte de cruz.
Jesus
observou fielmente os mandamentos de Deus, desenvolveu vida santa e imaculada,
para poder creditar a nós todos os merecimentos de Seu sacrifício pessoal. Toda
vez que confessamos nossos pecados em arrependimento e contrição, recebemos a
justiça de Cristo a nosso crédito e ficamos diante de Deus como se nunca
houvéssemos pecado.
Que
plano! Não é sem razão que passaremos a eternidade toda estudando sobre esse
sacrifício.
DOMINGO
Jesus em Isaías 53
O cap. 53 de
Isaías tem início falando da humildade e despojamento do Servo do Senhor.
Embora Sua obra pública precisasse de divulgação para que os pecadores
soubessem quem era Ele e qual Sua missão, Jesus nunca procurou publicidade e
nem obter culto à Sua personalidade. Não se vestia como os altivos rabinos
judeus com pompa, luxo e custosos ornamentos. Suas vestes eram as de um camponês Galileu.
O verso 3 profetiza
sobre como seria a vida do Messias em sociedade. Embora as multidões se
admirassem de Seus ensinos, se beneficiasse de Seus milagres e maravilhas,
desprezo foi o que Jesus mais conheceu. Os mestres do povo achavam que Ele
estava com as faculdades mentais em colapso (ver Mc 3:21). Seus próprios irmãos não
criam nEle (Jo 7:5). “Como a pedra rejeitada, Cristo, em
Sua missão terrestre suportara desdém e maus-tratos.” DTN, 600.
Porém, ali estava o
Cordeiro que Deus proveria para Si, como disse Abraão a Isaque quando do
sacrifício no Monte Moriá. Jesus, revestido de carne humana, estava sujeito às
fraquezas e carências da humanidade. Tinha fome, sede, precisava de descanso,
necessitava do apoio humano, tinha necessidades sociais. Como Substituto do
homem Ele tinha todo o direito e poder de arrancar homens e mulheres das garras
das enfermidades, das deformidades e mesmo da morte. Não somente doenças físicas, mas também
espirituais e psíquicas.
Ele levou sobre Si os
nossos pecados no madeiro. Deus, em Seu plano de resgate, colocou sobre Cristo
todas as nossas iniquidades, transgressões, falhas, mazelas, deslizes... O
Substituto do homem padeceu na cruz em nosso lugar. O castigo que nos traz a
paz estava sobre Ele e por Seus ferimentos fomos curados.
Ninguém sofreu maior
e mais contínua pressão das hostes das trevas do que Jesus. Uma implacável
perseguição foi movida contra o Salvador. Satanás seguia-Lhe no encalço
procurando frustrar a obra que Jesus viera fazer.
“Quando a Palavra
escrita de Deus foi dada por intermédio dos profetas hebreus, Satanás estudou
com diligência as mensagens sobre o Messias. Ele sublinhou cuidadosamente as
palavras que esboçavam com inconfundível clareza a obra de Cristo entre os
homens como um sofredor sacrifício e como um rei conquistador. Nos rolos de
pergaminho das Escrituras do Antigo Testamento ele leu que Aquele que devia
aparecer, ‘como um cordeiro foi levado ao matadouro’ (Is 53:7), que ‘o Seu
parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer’. Is 52:14. O
prometido Salvador da humanidade devia ser ‘desprezado, e o mais indigno entre
os homens, homem de dores... ferido de Deus e oprimido’ (Is 53:4), contudo
devia Ele também exercer Seu grande poder para julgar ‘os aflitos do povo. ’
Ele devia salvar ‘os filhos do necessitado’, e quebrar ‘o opressor’. Sl 72:4.
Estas profecias levaram Satanás a temer e tremer; mas ele não renunciou ao seu
propósito de frustrar, se possível, as misericordiosas providências de Jeová
para a redenção da ração perdida. Ele se determinou cegar os olhos do povo,
tanto quanto fosse possível, para o real significado das profecias messiânicas,
a fim de preparar o caminho para rejeição de Cristo em Sua vinda.” PR, 686,
687.
SEGUNDA
Para ser
eficiente substituto do homem na assunção da punição devida aos pecados, Jesus
tinha de ser carne. Viesse Ele apenas como Deus, inda que velando tremendamente
Sua glória, não poderia assumir pecados sobre Si, pois Deus é absoluta
santidade, justiça, inocência, imaculabilidade. Ele devia assumir a mesma carne
que Adão legou aos seus descendentes.
Jesus, como Verbo, era infinitamente maior do que os
anjos, Suas criaturas. Jesus, como homem, tinha de ser menor do que eles. Não
deveria ter seu poder, suas capacidades, suas habilidades. Era na condição de
homem que Ele deveria passar pela “paixão da morte”. Era na condição de homem
que Ele deveria provar “a morte por todos”.
Nosso Salvador deveria ser em tudo “semelhante aos
irmãos”. Ele devia sentir o que o homem sente em suas fraquezas e exposição às
influências do mal, para poder ser “misericordioso e fiel sumo sacerdote”.
Ele não deveria ser apenas o substituto do homem para
assumir seus pecados e sofrer a punição exigível pela Lei, mas o Intermediador
entre a humanidade e a Divindade. Deus colocou sobre Cristo “a iniquidade de
todos nós” (Is 53:6). Cristo coloca sobre nós a Sua justiça.
Como invicto vencedor do pecado, Ele não pode ser acusado
de pecado. “Quem dentre vós Me convence de pecado?” (Jo 8:6). “Porque não temos
sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi Ele
tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.” (Hb
4:15) Assim, sendo vítima inocente, assume os pecados dos homens como se
cometidos por Ele. Expia, com Seu
sangue, esses pecados. Purifica o pecador e deixa-o livre da segunda morte.
Como Ele provou a morte por todos os homens, quer isso
dizer que, potencialmente, os pecados dos homens estão cobertos. Agora, o
sangue de Jesus só vale como remissor se o pecador cumprir as regras salvadoras
que Deus estabeleceu para sua redenção, isto é, aceitar a Jesus como Salvador
todo-suficiente e recebê-Lo como Senhor em sua vida. Quem não reivindica os
méritos do sangue de Cristo não poderá receber seus benefícios.
Precisamente neste momento, Jesus está exercendo Suas
funções sumo sacerdotais, aplicando os direitos da redenção efetivada em favor
do homem. A Lei de Deus profanada aceita a justiça perfeita de Cristo em lugar
da iniquidade do pecador. O iníquo
penitente é, então, considerado justo por causa de Cristo. A Lei não pode acusá-lo
de nada, pois seus requerimentos de justiça foram satisfeitos em Cristo.
TERÇA
Publicamos um interessante comentário (com algumas
leves ressalvas) feito por Daniel E. Parks, autor presbiteriano, com relação à
eficácia do sangue de Jesus: “Cristo obteve redenção à maneira tipificada
no Antigo Testamento. Arão, o sumo sacerdote de Israel, era um tipo de ‘Cristo
como sumo sacerdote dos bens já realizados’, em favor dos eleitos de Deus (v.
11). O ministério de Arão em santuário terreno e temporário, feito pelos homens, tipificava o ministério de
Cristo em um ‘maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer
dizer, não desta criação’ (v. 11). A entrada de Arão no Santo dos Santos
tipificava a entrada de Cristo no “céu, para comparecer, agora, por nós, diante
de Deus” (v. 24). Arão, buscando a redenção com o sangue de touros e de bodes
em uma bacia, tipificava Cristo obtendo a redenção com o Seu ‘próprio sangue’
(v. 12) — o sangue do Cordeiro de Deus que corria em suas veias. Arão tinha de
entrar duas vezes no Santo dos Santos — uma vez para oferecer sangue pelos seus
próprios pecados; depois, em favor dos pecados do povo. Ele tinha de fazer isso
a cada ano. Cristo, porém, entrou no
mais santíssimo de todos os lugares[1] ‘ uma vez
por todas’ (v. 12) — ‘uma vez’, porque Ele mesmo não tinha pecado; ‘por
todas’, porque não precisaria entrar ali novamente. Arão ministrava em favor da
purificação da carne; ‘muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito
eterno, a Si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência
de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! ’ (v. 14.). Por intermédio da
misericórdia, Arão recebia o perdão anual. Cristo, o Sumo Sacerdote, ‘eterna
redenção’.”
Esse sangue
proveio do Cordeiro Imaculado, um sangue incontaminado, puríssimo, cobridor,
doador de vida.
“Ele gostaria que cada alma considerasse a eficácia do Seu sangue como de ilimitado valor, capaz de salvar perfeitamente a todos que forem
persuadidos a vir a Ele. Ele deseja que cada indivíduo de nossa raça, formado a
Sua imagem, lembrasse que Deus é infinito, e que o Seu amor revelado na
expiação de Cristo em favor de toda a humanidade, torna manifesto o valor que atribui à
humanidade. Ele os convida a virem a Ele para serem salvos. Devemos ir à Fonte
de toda a misericórdia. Ele usará homens como Seus instrumentos para salvar do
pecado a seus semelhantes.” Carta 33, 1898.
“A eficácia do sangue de Cristo devia ser apresentada ao povo com vigor e poder, para que sua fé se
pudesse apropriar de Seus méritos...” Evangelismo,
191.
“Fostes escolhidos por Cristo. Fostes
resgatados pelo precioso sangue do Cordeiro. Apresentai diante de
Deus a eficácia desse sangue. Dizei-Lhe: ‘Sou Teu pela criação; sou Teu pela redenção. Respeito a
autoridade humana e o conselho de meus irmãos;
mas não posso confiar inteiramente neles. Desejo que me ensines, ó Deus. Fiz
contigo o concerto de adotar o divino padrão de caráter e que faria de Ti o meu
conselheiro e guia - um participante de todos os planos de minha vida;
ensina-me, portanto.’ Que a glória do
Senhor seja vossa principal consideração. Reprimi todo desejo de distinção
mundana, toda ambição de obter o primeiro lugar. Incentivai a pureza e
santidade de coração, para que possais representar os verdadeiros princípios do
evangelho. Seja todo ato de vossa vida santificado pelo sagrado empenho de
fazer a vontade do Senhor, para que a vossa influência não conduza os outros a
caminhos proibidos. Quando Deus é o dirigente, Sua justiça irá adiante de ti, e
a glória do Senhor será a tua retaguarda.” Fundamentos
da Educação Cristã, 348, 349.
QUARTA
Sacrifício imaculado
A condição
de a vítima ser sem qualquer mácula, defeito ou senão estético era sine qua non. O ofertante tinha de
escolher o melhor exemplar de um ano de seu rebanho, ou comprá-lo de alguém. Ao chegar ao santuário o sacerdote examinava
o animal para constatar sua qualidade segundo o previsto nas leis
levíticas. A mínima deformidade tornava
o animal impedido para o sacrifício.
Por que tinha de ser
de um ano? Clarke entende que podia ser de qualquer idade entre oito dias e um
ano. Jamieson, Fawcett e Brown propõem que essa oferenda representava Cristo no ápice
da vida e de Sua imaculabilidade perfeita (ver Hb 7:26; 1Pe 1:19).
Jesus foi o único ser
humano justificado pela Lei, pois a guardou em sua integralidade e satisfez
todos os seus requerimentos de justiça. Sendo totalmente puro, imaculado,
inocente, a pena da Lei só Lhe poderia ser imputada se Ele assumisse a culpa de
outrem. O que de fato nosso Salvador fez. Esse mérito Ele transmite àqueles que
O aceitam.
Não admira a extrema
exigência dos regulamentos para oferecimento das vítimas que representavam o
Redentor vindouro. O povo precisava ser impressionado com a verdade de que o
Ser puríssimo tipificado pelo cordeiro era tão perfeito que não haveria outro
igual. Eles ofereciam frequentemente
cordeiros de um ano no santuário, e precisavam compreender que quem faria o
sacrifício antitípico no futuro seria o próprio Senhor Deus. Deus proveria para
Si o Cordeiro enviando Jesus Cristo, o mais puro dentre os puros.
Um
grande perigo
“Porque é
impossível que os que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e
se fizeram participantes do Espírito Santo,
e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro, e
depois caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que, quanto
a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério.”
(Hb 6:4-6) Estaria Paulo aqui se referindo ao pecado contra o Espírito Santo, o
único que não pode ser perdoado?
Adam Clarke sugere
que os aí referidos são apóstatas do cristianismo, os quais rejeitaram todo o
sistema cristão e Seu Autor, o Senhor Jesus. Os que, irrevogavelmente contra
tudo quanto se refira à religião de Cristo, e que ainda se postam contra o povo
de Deus e estorvam-lhe a santa obra. Porventura estariam entre esses infelizes
Esaú, que a Bíblia diz ter sido profano, e Saul, que desonrou Deus por sua
obstinada desobediência.
Não há dúvida de que
foi esse o caso de Hofni e Finéias, filhos de Eli: “Na reprovação de Eli
a seus filhos acham-se palavras de uma significação solene e terrível - palavras que todos os que
ministram em coisas sagradas bem fariam em ponderar: "Pecando homem contra homem, os juízes o
julgarão; pecando, porém, o homem contra o Senhor, quem rogará por ele?" 1Sm
2:25. Houvessem seus crimes lesado unicamente seus semelhantes, e poderia o
juiz ter feito a reconciliação, indicando uma pena, e exigindo a devida
restituição; e assim os transgressores poderiam ter sido perdoados. Ou, se não
tivessem eles sido culpados de um pecado de presunção, uma oferta para o pecado
poderia ter sido apresentada por eles. Mas seus pecados estavam de tal maneira
entretecidos com seu ministério de, na qualidade de sacerdotes do Altíssimo, oferecerem
sacrifício pelo pecado, e a obra de Deus foi de tal maneira profanada e
desonrada perante o povo, que nenhuma expiação por eles poderia ser aceita. Seu
próprio pai, embora fosse sumo sacerdote, não ousou interceder em favor deles;
não os podia defender da ira de um Deus santo. De todos os pecadores, são os mais culpados os que
lançam o desdém aos meios que o Céu proveu para a redenção do homem - pecadores
estes que ‘de novo crucificam o Filho de Deus, e O expõem ao vitupério’.
Hb 6:6.” Patriarcas e Profetas, 580.
“Deus opera pela
manifestação de Seu Espírito para reprovar e convencer o pecador; e, se a obra
do Espírito é finalmente rejeitada, nada mais há que Deus possa fazer pela
alma. O último recurso da misericórdia divina foi empregado. O transgressor
desligou-se de Deus; e o pecado não tem remédio para curar a si mesmo. Não há
um poder reservado, pelo qual Deus possa operar para convencer e converter o
pecador. ‘Deixa-o’ (Os 4:17), é a ordem divina. Então, ‘já não resta mais
sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor
de fogo, que há de devorar os adversários’. Hb 10:26 e 27.” Idem, 405.
“Quando o Espírito de
Deus é entristecido de tal modo que venha a retirar-Se, todo apelo feito
através dos servos do Senhor é inexpressivo para eles. Interpretarão mal cada
palavra. Zombarão e escarnecerão das mais solenes advertências bíblicas, as
quais, não houvessem eles sido fascinados por instrumentos satânicos, os fariam
tremer. Todo apelo feito a eles é inútil. Não prestam atenção a repreensões e
conselhos. Desprezam todas as instâncias do Espírito e desobedecem aos
mandamentos de Deus que outrora defendiam e enalteciam. As palavras do apóstolo
bem podem aplicar-se a tais pessoas: ‘Quem vos fascinou para não obedecerdes à
verdade?’ Gl 3:1. Seguem o conselho de seu próprio coração até que a verdade
deixa de ser verdade para eles. Barrabás é escolhido, e Cristo é rejeitado.” E Recebereis Poder, 36.
[1]
Em verdade, segundo nossa crença, Jesus entrou no Lugar Santíssimo para
assentar-Se com Seu Pai no trono do Universo como Rei. Mas como Sumo Sacerdote,
iniciou Seu ministério sacerdotal no Lugar Santo, assim como tipificado no
ritual veterotestamentário, para comparecer diante do Pai e pleitear a causa de
Seus filhos terrenos.
Comentários Lição 06 - O Dia da Expiação (Prof. César Pagani)
02 a 09 de Novembro de 2013
“Quem, ó Deus, é semelhante a Ti, que perdoas a iniquidade e Te
esqueces da transgressão do restante da Tua herança? O Senhor não retém a Sua
ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de
nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas
profundezas do mar.” (Mq 7:18, 19)
César L. Pagani
Os judeus chamam o Yom Kippur de Yoma, “o dia”. Andreasen o considera como a “coluna mestra do
sistema sacrifical”. Era um dia de profundo recolhimento espiritual. Nenhuma
obra servil podia ser feita nesse dia. Para o povo constituía-se um sábado de descanso. Um autor hebreu
escreveu: “Sua chegada, no
dia 10 de Tishri, é um acontecimento de tal magnitude para a comunidade, que a
vida parece nela fazer uma parada; deixam-se de lado todas as ocupações e
preocupações, esquecem-se as necessidades físicas, e as massas de indivíduos se
apressam a mergulhar, durante um dia, num mar de purificação.” Tradições e Costumes Judaicos, 140.
Mas
o preparo para o Yoma começava nove dias antes. Do primeiro ao nono dia de
Tishri era o período de exame de consciência e arrependimento, um preparo de
coração para o grande dia do juízo. O nível de introspecção e humilhação era
profundo.
A
Enciclopédia Judaica, à p. 286, expõe a concepção israelita do dia do juízo de
Israel: “Deus, sentado em Seu trono para julgar o mundo, ao mesmo tempo Juiz,
Litigante, Perito e Testemunha, abria o Livro de Registro; este é lido,
achando-se aí a assinatura de todo o homem. Soa a grande trombeta; ouve-se uma
voz mansa e delicada; os anjos tremem, dizendo: Este é o dia de juízo, pois
mesmo Seus ministros não são puros diante de Deus. Como um pastor faz a chamada
de seu rebanho, fazendo-o passar sob a vara, assim faz Deus passar toda alma
viva perante Ele para fixar o limite da vida de toda criatura e determinar-lhe
o destino. No dia de Ano Novo, é escrito o decreto; no Dia da Expiação é selado
quem há de viver e quem há de morrer, etc. Mas o arrependimento, a oração e a
caridade podem desviar o mau decreto.”
“Leshanah
Tova Ticatevu” é o voto que cada judeu devoto hoje faz ao seu companheiro, e significa: “Que você seja aprovado no Juízo!”
DOMINGO
A purificação anual
O
ritual especial do Yom Kippur era processado, em certo aspecto, como nos outros
dias do ano. O tamid ou sacrifício
contínuo do cordeiro da manhã e da tarde era realizado. Antes de tudo, o sumo
sacerdote deveria tomar um banho e, diferentemente do que ocorria nos dias
precedentes, ele vestia uma túnica branca de linho simples, calções de linho,
cinto de linho e mitra de linho sobre a cabeça.
O passo seguinte era a recepção de
dois bodes e um carneiro que eram oferecidos pela congregação. Ele, particularmente,
oferecia em sacrifício um novilho em seu próprio favor, para expiação de
pecados cometidos, a fim de não ser fulminado pela presença do Senhor ao
adentrar o Santíssimo. Nesse meio tempo, ele tomava um incensário com brasas
vivas e o leva para o Santíssimo
colocando-o sobre o propiciatório. Então coloca um punhado de incenso sobre o
incensário e faz com que uma nuvem de fumaça cubra a tampa da arca.
Feito isso
ele sai para receber o sangue do novilho que foi por ele oferecido e retorna ao
mais interior do templo, espargindo sete vezes o sangue sobre o propiciatório.
Nessa ação ele faz expiação por si e pela sua casa.
Na
sequência ele sai do Santíssimo e vai ao pátio, junto ao altar de holocaustos e
mata o bode que é pelo Senhor. Toma de seu sangue e retorna à presença de Deus
para fazer expiação pelo povo. Note-se que essa expiação é para retirada dos
pecados do povo do santuário, e não por seus pecados cometidos e já
perdoados. Essa expiação é pelo Santíssimo
que fora contaminado com o registro sanguinolento dos pecados da congregação. A
seguir ela remove simbolicamente os pecados registrados no Lugar Santo. Aí
dirige-se ao altar de holocaustos e faz expiação por ele. A essa altura tudo quanto havia no santuário
estava livre dos pecados. Deus perdoara a todos com Sua imensa graça. Nenhuma
transgressão ficava no templo para testemunhar contra qualquer transgressor.
A
fase final da purificação é a trazida do bode emissário. O sumo sacerdote
coloca as mãos sobre a cabeça do bode e confessa todos os pecados que Israel
cometeu naquele ano (Lv 16:20-22). Não há mais nenhum pecado, nada que separe o
povo do Senhor. A transferência foi feita e agora o bode é figurativamente o
transportador de pecados, ou o responsável por eles. No ritual do santuário não
haveria outra transferência. Os pecados “morriam” com o bode, que era levado a
um lugar deserto por um homem especialmente designado para isso, e ali
abandonado à própria sorte.
“Visto que Satanás é o originador do pecado, o
instigador direto de todos os pecados que ocasionaram a morte do Filho de Deus,
exige a justiça que Satanás sofra a punição final. A obra de Cristo para a
redenção dos homens e purificação do Universo da contaminação do pecado, encerrar-se-á pela remoção dos
pecados do santuário celestial e deposição dos mesmos sobre Satanás, que
cumprirá a pena final. Assim no cerimonial típico, o ciclo anual do ministério encerrava-se com a purificação do santuário e confissão dos pecados sobre a cabeça do bode emissário. Em
tais condições, no ministério do tabernáculo e do templo que mais tarde tomou o
seu lugar, ensinavam-se ao povo cada dia as grandes verdades relativas à morte
e ministério de Cristo, e uma vez ao ano sua mente era transportada para os
acontecimentos finais do grande conflito entre Cristo e Satanás, e para a final
purificação do Universo, de pecado e pecadores.” Patriarcas
e Profetas, 343-358.
SEGUNDA
Ora, o perdão
era concedido dia após dia ao vir o pecador penitente perante Deus no
santuário, trazendo sua oferta pelo pecado. Os pecados que ficavam
“registrados” no santuário estavam perdoados. Não dariam testemunho contra o
infrator. Se, por acaso, o pecador perdoado viesse a falecer numa guerra ou
mesmo em algum acidente, ou ainda de doença ou velhice, estava quite com Deus e eternamente salvo.
O sumo sacerdote realizava sua obra no Dia da Expiação no
papel de mediador. Todo trabalho era feito através dele. Ele mesmo era o
transportador simbólico de pecados registrados no santuário, até colocá-los
sobre a cabeça do bode Azazel. A culpa dos pecados perdoados passava, assim,
para o bode, que por sua vez transportava todo o registro de pecado e culpa
para o deserto. Com a morte desse animal o ciclo do pecado terminava.
Um questionamento
interessante é proposto por M. L. Andreasen acerca do ritual da expiação. “É
bem possível que alguém pergunte: Por que era necessária qualquer purificação
por parte do povo? Não tinham eles trazido de quando em quando suas ofertas
durante o ano, confessado os pecados e ido embora perdoados? Por que, então, se
fazer cada ano comemoração de pecados?”
Pois bem, os pecados
haviam sido perdoados no mesmo dia em que o pecador os confessava e oferecia a
vítima especificada nas diretrizes ritualísticas. Porém, sempre havia a possibilidade
de o pecador cometer novamente os mesmos pecados ou relaxar sua vida espiritual.
Até aí a capacidade perdoadora de Deus seria acionada para remitir esses e
outros pecados. Mas suponhamos que esse pecador abandonasse sua vida de
consagração e voltasse as costas para
Deus. O que aconteceria com os pecados anteriormente perdoados?
“Deus mantém uma conta
para cada homem. Sempre que, de um coração sincero, ascende uma súplica por
perdão, Ele perdoa.Mas por vezes os homens mudam de ideia. Arrependem-se de seu
arrependimento. Mostram, por sua vida, que o mesmo não é duradouro. E assim
Deus, em vez de perdoar de maneira absoluta, definitiva, registra o perdão ao
lado do nome das pessoas e espera o apagar final dos pecados para quando eles
tiverem tido tempo de pensar maduramente no assunto. Se ao fim da vida se acham
ainda com a mesma ideia, Ele os considera fiéis
e, no dia do juízo, seu registro é definitivamente limpo. Assim
acontecia com Israel outrora. Ao chegar o Dia da Expiação, cada ofensor tinha a
oportunidade de mostrar que ainda estava com o mesmo espírito e queria o
perdão. Se assim fosse, o pecado era apagado e ele estava completamente limpo.”
O
Ritual do Santuário, pp. 151-152.
TERÇA
Destaque-se,
a bem da compreensão, que o bode emissário ou Azazel só entrava em cena após a
purificação do santuário estar completa. Portanto, ele não tem nenhum valor
expiatório ou de purificação, mas de transportador da carga acumulada antes no
santuário. Ele se tornava “culpado” e alvo da ira da justiça.
Antes
de ser levado para o deserto, Azazel era apresentado ao sumo sacerdote, que
impunha as mãos sobre o animal e confessava todas as iniquidades dos filhos de
Israel e todas as suas transgressões. O Mishnah,
uma compilação em forma de código das leis tradicionais do judaísmo,
descreve que durante o tempo do segundo templo, o sumo sacerdote, no final do
Yom Kippur, punha as mãos sobre Azazel e dizia: “Oh, Deus, Teu povo, a casa de
Israel, cometeu iniquidade, transgrediu e pecou diante de Ti. Oh, Deus, perdoa,
te peço, as iniquidades, transgressões e pecados de Teu povo, a casa de Israel,
que cometeu diante de Ti, como está escrito na lei de Teu servo Moisés: ‘Porque neste dia se fará expiação
por vós, e sereis limpos de todos os vossos pecados diante de Jeová.”
É bom lembrar que o sangue do bode que havia
sido escolhido por sortes para ser do Senhor é quem tinha seu sangue derramado
para transportar o registro de pecados desde o santuário, mediante o sumo
sacerdote, até Azazel. Em termos simbólicos, o sangue do bode derramado no Dia
da Expiação tinha validade de transporte até que sua carga de injustiças e
pecados fosse posta sobre Azazel.
O
fato de haver um lançamento de sortes sobre os bodes trazidos ao santuário no
Dia da Expiação traz em relevo um ensino importante: Uma das sortes de escolha era “pelo Senhor” e outra pelo bode emissário. Entendem muitos
intérpretes que se uma das sortes é para um ser pessoal, a outra também o
seria, a despeito das diferentes funções, e concluem que há antagonismo entre
dois seres pessoais representados pelos animais. Ora, sendo um o Senhor, quem é
Seu antagonista? Satanás, sem dúvida.
A
ação simbólica de retirar os pecados do santuário e pô-los sobre Azazel é
profética e indica o que Deus fará com os pecados que foram registrados e
perdoados no santuário celeste, mediante a obra sumo sacerdotal de Cristo.
Alguém terá de arcar com a culpa final dos pecados. E como o vil tentador é o
responsável pelos pecados que fez o povo de Deus cometer, será ele responsabilizado
criminalmente no pós-milênio e receberá o salário do pecado. Cumprir-se-á,
então, o que está escrito no livro de Malaquias: “Pois eis que vem o dia e arde como
fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o
restolho; o dia que vem os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que
não lhes deixará nem raiz nem ramo.” Como Satanás é a raiz de todo pecado, será
consumido pelas chamas de fogo misturado com enxofre no dia do Juízo
Retributivo.
QUARTA
No dia da expiação
Os versos de
estudo para hoje (Lv 16:29-31 e 23:27-32) nos trazem lições importantes.
Deus determinara um comportamento
especial no décimo dia do mês de Tishri (aliás, o procedimento tinha início com
o pôr do sol do dia nono [Lv 23:32]). Toda preocupação secular deveria ser
afastada; nenhum trabalho ou tarefa imprópria deveria ser feito nesse dia. As
atenções deveriam concentrar-se em “afligir as vossas almas”. Um profundo exame
íntimo requeria todas as energias do judeu nesse dia. Ele deveria pensar em seus
pecados, no que o levou a cometê-los; deveria intuir o peso da afronta que
lançou perante Deus e considerar como a bondade perdoadora de Deus havia
tratado com ele.
Esse dia era tão
especial também em termos de contrição, que o sumo sacerdote, no terceiro dia
de Tishri, se mudava de sua residência em Jerusalém para os aposentos do
templo, onde deveria compenetrar-se em orar, meditar e preparar o ritual do dia
décimo. Não podia acontecer nenhum erro. A situação era tão solene que um dos
sacerdotes mais velhos da equipe sacerdotal ficava o tempo todo com o sumo
sacerdote, apoiando-o ininterruptamente, aconselhando, instruindo-o e
monitorando-o para que tudo saísse a contento.
Andreasen explica que na noite precedente ao Dia da Expiação, o sumo
sacerdote não podia dormir para que não lhe ocorresse nenhum tipo de
contaminação.
Ora, por que tanta
minudência se os pecados de Israel já estavam perdoados. Acredito que Deus
queria impressionar tanto a sacerdotes como ao povo com respeito à malignidade
do pecado. Tudo devia ser feito com a maior seriedade possível. E outra coisa a
ser lembrada é que os israelitas estavam perdoados, mas o santuário ainda
detinha a contaminação do pecado. Era uma mancha abominável diante do puríssimo
Deus, cuja presença habitava o santuário. Está escrito: “Fará expiação pelo
santuário por causa das imundícias dos filhos de Israel e das suas
transgressões, segundo todos os seus pecados, e assim fará para a tenda da
congregação que mora com eles no meio das suas imundícias.” (Lv 16:1 6)
“No Dia da Expiação
os pecados daqueles que já tinham obtido perdão eram apagados. Os outros eram
‘extirpados’. Assim era o santuário purificado do registro do pecado acumulado
durante o ano. Essa purificação do registro também efetuava a purificação do
povo cujos pecados já estavam perdoados. Eram apagados. Não mais permaneciam
como testemunho contra eles. A expiação estava feita e o povo não se achava sob
condenação. Estavam puros, livres, felizes. O próprio registro não existia
mais.” O Ritual do Santuário, p. 153.
A parábola do credor
incompassivo mostra como alguém pode arrepender-se de seu arrependimento e
atrair o desagrado de Deus sobre si. O credor implacável fora perdoado pelo rei
de uma dívida astronômica, impagável. Ele implorou o perdão de seu senhor e foi
atendido. Mas demonstrou espírito inconciliável, pecaminoso, quando não quis
perdoar alguém que lhe devia tão pouco. Seu perdão foi cancelado por causa da
atitude ímpia e ele sofreu a devida punição
da qual foi livrado anteriormente. Deus é justo.
QUINTA
O yom kippur de isaías
A cena é de majestade e solenidade
inimaginável. Isaías narrou a visão que teve, mas sua intensidade, penetração e
emoção mal podemos imaginar. Compare-se
essa visão com aquela que teve Daniel no cap. 7:9-10. Entre as duas distam 203
anos. Embora livros não tenham sido abertos na visão de Isaías, o cerimonial
ali ocorrido transmite uma imagem de grande impacto.
O
senso da absoluta santidade divina causou tal comoção no profeta, que ele
pensou que seria fulminado. A mesma
impressão foi causada em Manoá, pai de Sansão, pois, aterrado, disse à sua
mulher Ana: “Certamente morreremos, porquanto temos visto a Deus” (Jz 13:22).
Quando
Deus está em juízo contra o pecado, Seus atos produzem de impressão esmagadora,
consumidora. A santidade do Altíssimo é
tamanha que até os anjos mais exaltados velam seu rosto diante dEle. Não é à
toa que Ele é chamado de “terrível” quando se Lhe acende a ira. Salmo 76:7 afirma: “Tu, sim, Tu és terrível; se Te iras, quem pode subsistir à Tua vista?”
Como expõe o autor das lições deste
trimestre, há paralelos significativos entre o ritual do santuário terrestre e
a visão de Isaías, que penetrou no santuário celeste: fumo de incenso, altar de
intercessão donde o anjo tirou a brasa que purificou os lábios do profeta,
séquitos de anjos. Embora não haja evidências de um juízo massivo, Isaías,
ele próprio, foi julgado naquele
momento. Era ele, como mesmo se reconheceu, um homem de lábios impuros e que
morava com uma população de boca contaminada. Todos, profeta e povo, estavam em
pecado. Como no dia do Yom Kippur, Isaías afligiu sua alma por causa do pecado.
Mostrou-se arrependido por cometer erros, principalmente por meio de palavras,
pecados
contra Deus. Sabia que Deus julga atos, pensamentos ocultos ou manifestos,
motivos, intenções e palavras – não disse Jesus: “... porque, pelas tuas
palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado.”? (Mt
12:37)
Porém, Deus, por ser infinitamente
misericordioso Juiz, purificou Isaías. O profeta sentiu-se tão leve
espiritualmente e tão grato a Deus que se dispôs aceitar o ministério profético
e cumprir as ordens divinas.
O propósito do dia antitípico do Yom
Kippur não é achar culpas no povo de Deus, pesar cada crente nas balanças
celestiais para encontrar pecados nele e condená-lo como inepto para habitar
com os anjos. Deus quer absolver, remir, perdoar. Brasas vivas do altar de Deus
ainda estão incandescendo. Elas representam o sangue purificador de Cristo e
Sua intercessão constante. Como Isaías foi purificado em juízo, nós também o
seremos se mantivermos firme a nossa confiança.
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