Comentários Lição 10 – Mordomia cristã e meio ambiente (Prof. Sikberto Marks)


02 a 09 de Março de 2013

Verso para memorizar: “DEUS os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a Terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela Terra” (Gên. 1:28).

Introdução de sábado à tarde
A palavra mordomia vem do latim “major domus”; traduzindo: é o “principal”, ou seja, o administrador da casa. Aplica-se também ao administrador de um estabelecimento, por conta do próprio dono que delegou seus poderes a este administrador. Pode ainda ser aquele que dirige os bens de uma igreja ou organiza uma festa de igreja. Enfim, é sempre alguém de confiança escolhido por quem é dono, para em seu nome, gerir o que deve ser gerido.
Uma outra aplicação da palavra é bem pejorativa. Mordomia também pode ser regalia, privilégios ou benefícios obtidos sem trabalho nem esforço. Esta aplicação não nos interessa nesse estudo.
DEUS, no sexto dia da criação, deu ao casal, por meio de Adão, o direito e os poderes para o gerenciamento de tudo o que existe nesse planeta. Eles aqui eram a autoridade máxima, em nome de DEUS. Eles não eram os proprietários, mas os que dirigiam. Em lugar de DEUS administrar o planeta, Ele deu esse poder aos seres humanos, e deveriam fazê-lo conforme o princípio geral de como também DEUS faz todas as coisas: amor.
Assim sendo, nós não podemos explorar os recursos do planeta devastando-o, como hoje se vê, e sim, podemos nos valer desses recursos, para nos beneficiar, mas de maneira que o planeta não seja prejudicado. Isso desde 1992 se chama “desenvolvimento sustentável”, que quer dizer, desenvolvimento tecnológico utilizando os recursos naturais, contudo, sem que assim se degrade a natureza. O nome existe, as regras foram estabelecidas naquele ano, houve o tratado de Kioto sobre a poluição, mas na prática, quase nada foi feito. Principalmente a indústria continua poluindo onde acha que isso é imprescindível para obter ganhos e competir com os concorrentes.
Nós, adventistas do sétimo dia, de saída do planeta, bem que poderíamos pensar assim: “estamos mesmo prestes a ser resgatados daqui, e iremos para o Céu, portanto, podemos usar a abusar.” Mas não é assim, quem agir dessa maneira, não se salva; fica aqui mesmo. Até no último dia de estadia na Terra, os que se salvam, irão respeitar os restos da natureza que ainda estiverem à disposição. E assim agirão sempre, seja no Céu, seja de volta, aqui na Terra renovada. É uma questão de consciência e de obediência aos princípios da lei divina, que obedecemos porque esse é o correto modo de viver. 
 
  1. 1.      Primeiro dia: Domínio outorgado no princípio
Todos os seres têm algo para fazer. Alguns exemplos: as abelhas polinizam as flores; os cachorros e os gatos são companhia para nós; os pássaros cantam; micro-organismos trabalham dentro de nosso organismo; árvores dão flores e frutos; outras plantas brindam-nos com lindas flores, como as orquídeas. E assim por diante. O ser humano, no Éden, também tinha o que fazer, e era um trabalho racional em extremo prazeroso: cuidar de tudo isso. Era para ele guardar ou zelar pela natureza.
O que significa ser o mordomo, numa situação como a de antes do pecado? E o que significa essa situação depois do pecado?
Ellen G. White dá alguma luz sobre isso. “Estavam continuamente descobrindo algumas novas belezas e excelências de seu lar edênico, as quais enchiam seu coração de profundo amor e lhes arrancavam dos lábios expressões de gratidão e reverência a seu Criador” ( História da Redenção, 22 e 23).
“Adão foi coroado rei no Éden. Foi-lhe dado domínio sobre todos os seres viventes que Deus tinha criado. O Senhor abençoou Adão e Eva com inteligência tal que Ele não tinha dado a nenhuma outra criatura. Conferiu a Adão o poder sobre todas as obras criadas, de Suas mãos. O homem, feito à imagem divina, poderia contemplar e apreciar as obras gloriosas de Deus na natureza.
“Adão e Eva podiam divisar a habilidade e a glória de Deus em cada haste de grama, arbusto e flor. A beleza natural que os envolvia refletia-se como um espelho de sabedoria, excelência e amor do seu Pai celestial. Seus cânticos de afeição e louvor subiam ao Céu suave e reverentemente, em harmonia com os suaves cânticos dos elevados anjos, e com a passarada feliz que gorjeava despreocupadamente suas músicas. Não havia doença, decrepitude, nem morte. A vida estava em tudo em que se pudessem repousar os olhos. A atmosfera estava cheia de vida. Havia vida em cada folha, em cada flor e em cada árvore.
“O Senhor sabia que Adão não podia ser feliz sem o trabalho; portanto deu-lhe a agradável ocupação de cuidar do jardim. À medida que ele cuidava das coisas bonitas e úteis ao seu redor, podia ver a bondade e a glória de Deus nas Suas obras criadas. Adão tinha temas a contemplar nas obras de Deus no Éden, que era uma miniatura do Céu. Deus não formou o homem meramente para contemplar as Suas obras gloriosas; porém deu-lhe mãos para trabalhar, bem como mente e coração para contemplar.
“Se a felicidade do homem consistisse em não fazer nada, o Criador não teria apontado o trabalho para Adão. O homem deveria encontrar felicidade no trabalho e também na meditação. Adão deveria ter em grande estima o fato de que ele fora criado à imagem de Deus, a fim de ser semelhante a Ele em justiça e santidade. Sua mente possuía a capacidade de cultivo contínuo, expansão, refinamento e nobreza, pois Deus era seu professor, e os anjos seus companheiros” (No Deserto da Tentação, 13 e 14).
“Ele foi posto, como representante de Deus, sobre as ordens inferiores de seres. Estes não podem compreender ou reconhecer a soberania de Deus, todavia foram feitos com capacidade de amar e servir ao homem. Diz o salmista: “Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das Tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: … os animais do campo, as aves dos céus, … e tudo o que passa pelas veredas dos mares”. Sal. 8:6-8” (Patriarcas e Profetas, 44 e 45).
Então, trabalhar na Terra sem pecado era algo um tanto parecido com estar de férias, numa praia bonita. Ali não se fica deitado todo o dia sem fazer nada. O que se faz são castelos na areia, caminhar perto da água ou banhar-se, contemplar a natureza e suas belezas, e assim por diante. Há muito para se fazer, e como isso é prazeroso! E isso também é trabalho, mas sem metas, sem compromisso, sem ordens, sem superiores, sem pensar em comprar ou vender, sem ser repreendido… O trabalho no Éden era para eles serem felizes, não para que por ele se sustentassem.
Depois do pecado tudo mudou. Então o trabalho assumiu outro objetivo, além de aprender com a natureza e contemplá-la. Depois do pecado, o trabalho passou a servir também para o sustento de nossa vida, para termos o que comer e onde morar, etc. E nesses últimos tempos o trabalho vem se tornando cada vez mais estressante, cheio de exigências e riscos de perder tudo o que fez. Sobre o que se faz há impostos, taxas, participação de outros, e temos que ter cuidado para que reste algo para nosso sustento, pois há os que estão atentos para tirar de nós o que for possível. Dias atrás, como foi complicado nos livrarmos da cobrança por serviços nunca prestados de um provedor de acesso à internet, algo que nunca solicitamos. E eles não podiam provar a solicitação, mas ligaram umas sete vezes exigindo pagamento. Da agradável ocupação, em razão do pecado, vejam só no pesadelo de vida que deu hoje aquilo que era tão bom no princípio.

  1. 2.      Segunda: Cuidando de outras criaturas
Há alguma necessidade de se estudar na Bíblia sobre o cuidado com a natureza? Pelo raciocínio lógico não deveria haver. Afinal, qual é a sabedoria em se deteriorar seja o que for? Qual a racionalidade em se prejudicar as coisas? Mas os seres humanos, sem a Bíblia, tornam-se, de fato, como seres não racionais, incapazes de entender que eles mesmos e seus filhos serão prejudicados se descuidarem da natureza. Um exemplo bem prático disso é a grande cidade de São Paulo. É quando cai uma chuva forte que vemos os efeitos da falta de zelo pela própria cidade. Já estive em outros países, e também recebemos informações de fora do Brasil. Um dos motivos, embora não o único, de alagamentos dentro da cidade de São Paulo é o relaxamento do próprio povo, que joga o lixo nas ruas, principalmente sacos plásticos. Quando chove, esse lixo vai entupir as entradas de água para as tubulações, e ela se torna inoperante. E assim é todas as vezes que chove forte, as tais bocas de lobo entupiram. Depois de muitos anos sofrendo enchentes, e as tubulações subterrâneas não servirem para nada, a maioria da população não ter aprendido a lição, é sinal de que, sem uma verdadeira relação com o Criador, o ser humano não se flagra e não muda nem mesmo nos pontos mais óbvios pelos quais ele mesmo se prejudica.
O mesmo se pode dizer com relação aos animais. Dias atrás soube de um cavalo que uns rapazes fizeram correr muito em dia quente. Depois o fizeram entrar num rio. Ele teve graves consequências em seus músculos, e em alguns dias, depois de muito sofrimento, morreu. Minha esposa e eu estivemos almoçando num restaurante e sentamos ao lado de uma janela. Minha esposa me chamou a atenção para um canil bem construído, com uma casinha coberta com uma telha de Brasilit. Era bem limpo, havia água e alimento. Porém em um ponto faltou cuidado. O cachorro não sabia onde ficar devido ao imenso calor do sol naquele lugar. O animal estava sofrendo, ofegante. Assim sofrem nas mãos dos seres humanos insensíveis pássaros, gatos, cachorros, cavalos e muitos outros animais, que precisam viver em desacordo com a sua natureza, na verdade sofrendo em todos os dias de vida, apenas para dar, vez por outra, algum prazer aparente a seus donos. Como se fossem donos. E se fossem donos, ainda assim não justificariam os maus tratos. Escreveu Ellen G. White: “Aqui está uma lição para todos os que têm poder de raciocínio: o tratamento cruel dispensado mesmo aos animais irracionais é ofensivo a DEUS. Aqueles que professam amar a DEUS nem sempre consideram que o abuso aos animais, ou sofrimento a eles imposto por negligenciá-los, seja pecado. Os frutos da divina graça serão revelados pelos homens, tanto pela maneira com que tratam os animais como pelo serviço prestado na casa de DEUS. Aqueles que se permitem ser impacientes ou irados com seus animais não são cristãos. Uma pessoa que é rude, severa e soberba em relação aos animais inferiores, sendo eles a parta mais fraca, é covarde e tirana. E manifestará, quando houver oportunidade, o mesmo espírito cruel e arrogante para com o cônjuge e filhos.” (Comentários de EGW sobre a lição da Escola Sabatina dos Adultos, p. 64).
Se somos parte do povo santo, então teremos cuidado com a natureza e com tudo o que DEUS criou, não importa se em poucos dias sairmos desse planeta e ele ficar abandonado por todos os seres humanos. É uma questão de cidadania celeste, que observaremos sempre seja onde estivermos.

  1. 3.      Terça: O sábado e o meio ambiente
“Lembra-te do sábado para o santificar, porque em seis dias fez o Senhor…”. É assim que inicia o quarto mandamento. Pede que nos lembremos do sábado para o santificar porque tudo foi criado por DEUS.
Portanto, se somos criaturas, e se o mais também foi criado por DEUS, não nos compete destruir o que outro criou. Mas sim, nos compete sempre lembrar, por meio do sábado, que tudo se originou pelo poder de DEUS; por isso, tudo merece o mesmo respeito e zelo como Aquele que criou dispensa a tudo o que existe. Como tudo o mais que existe, nós também somos criaturas, e viemos à existência por vontade e ato do Criador. E Ele estabeleceu como deveria ser o nosso relacionamento – nós seres racionais superiores neste planeta – com os seres inferiores e o restante da natureza. É pelo sábado que aprendemos isto, pois o sábado nos traz à lembrança que existe um Criador que tudo fez. E mais uma coisa importante: nós, seres racionais, temos capacidade de nos relacionarmos conscientemente com o Criador, e desse relacionamento racional depende a boa existência de tudo o mais aqui criado. Muito mais que cuidar da natureza, muito mais que não poluir ou não destruir, muito mais vale o nosso relacionamento com o Criador, santificando, por exemplo, o sábado conforme Ele determinou. E também muito mais vale o relacionamento com os nossos semelhantes, que fica definido a partir de como nos relacionamos com DEUS. No final de tudo, o bom funcionamento do planeta depende de como é o nosso relacionamento com DEUS, ou seja, como O adoramos. “O sábado devia ser um sinal entre Deus e Seu povo, para sempre. Dessa maneira devia ser um sinal. Todos os que observassem o sábado, mostrariam por tal observância serem adoradores do Deus vivo, Criador dos céus e da Terra. O sábado devia ser um sinal entre Deus e Seu povo, enquanto Ele tivesse um povo sobre a Terra para servi-Lo” (História da Redenção, 141 e 142).
Para aprendermos sobre esse relacionamento com DEUS, é bem interessante atentarmos para o que diz o livro de DEUS, a Bíblia, mas também o que diz o livro da natureza. “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos. Sal. 19:1. O Criador deu abundantes evidências de que o Seu poder é ilimitado, de que Ele pode estabelecer e subverter reinos. Ele sustenta o mundo pela palavra do Seu poder. Fez a noite, enfileirando as brilhantes estrelas no firmamento. Chama-as todas pelo nome. Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das Suas mãos, mostrando aos homens que este pequeno mundo é apenas um pontinho na criação de Deus” (Exaltai-O, MM, 1992, p. 54).

  1. 4.      Quarta: Mordomos da saúde
O assunto mordomia, entre nós, precisa ser revitalizado. Há muito tempo mordomia tem conotação de arrecadação de dinheiro, e é bem fácil constatar que é isso mesmo. Se bem que os programas de mordomia nesses últimos anos vem tentando dar outro enfoque mais sistêmico e integral, mas a ênfase é sempre no dinheiro. Esses programas geralmente são bem pouco atraentes, elaborados de modo incompetente, por pessoas que não têm condições espirituais para fazê-lo. A imagem da palavra mordomia entre nós não é positiva. Uma prova disso é que muitas vezes ouvimos os pregadores falarem sobre esse assunto desculpando-se ao iniciar suas apresentações, geralmente dizendo outra vez que mordomia não é só dinheiro. Isso é verdade, mas se parece como um remendo pior que o soneto. Falta credibilidade oficial e espiritualidade em geral. Os “provai e vede” são muito parecidos com as igrejas neopentecostais, onde se diz assim: “devolva o dízimo e dê suas ofertas e serás muito abençoado, com mais dinheiro.” Enquanto não houver uma reforma entre nós nesse assunto vital, essencial e muito solene, o tema continuará sendo visto como um “patinho feio.” Fica o alerta do ponto de vista de quem observa de fora das esferas oficiais.
Desculpem, mas hoje veremos algo sobre a saúde, que faz parte da mordomia cristã, ou se preferirem, da “fidelidade cristã.” Se quisermos ter credibilidade para falar em mordomia, nossos líderes devem, sem exceção, ser homens e mulheres saudáveis, conforme o resultado esperado de nossos princípios de saúde. Ficam perdoados aquelas pessoas que têm problemas hormonais ou outros que as fazem engordar, mesmo tendo bons hábitos. Enquanto houver tantos obesos, e é uma quantidade expressiva de ministros gordos, pançudos, redondos, por falta de “mordomia”, que não se trate de algo que só os leigos devem seguir, do tipo façam o que mandamos, mas não façam o que não gostamos de fazer. É necessária uma urgente reforma, também na saúde, vindo de cima para baixo. Ou a credibilidade continuará sobre a corda bamba.
E todos nós, pastores e membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia, devemos ter credibilidade ao levarmos a mensagem ao mundo externo à igreja. Para assim fazer, devemos testemunhar a eficácia de nossos princípios de vida e de saúde. Enquanto houver, entre nós, muitos pesos pesados, é prudente ficarmos quietos perante o mundo. Em outras palavras, DEUS, que nos deu os princípios de vida saudável, jamais seria tão contraditório em conceder o poder pleno do ESPÍRITO SANTO a uma igreja com um testemunho desses. Essa questão precisa ser resolvida e bem logo!
Se continuarmos estudando lição após lição, vendo e ouvindo um Provai e Vede após outro, assistindo e/ou participando de programas pró-saúde, e não experimentando mudança alguma, DEUS não concederá o poder que necessitamos para concluir a obra. “Ninguém pode devidamente compreender suas obrigações para com Deus a menos que entenda claramente suas obrigações para consigo mesmo como propriedade de Deus. Aquele que permanece em pecaminosa ignorância das leis da vida e da saúde, ou que voluntariamente viola essas leis, peca contra Deus” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, 295). É necessário a liderança superior proceder uma reforma urgente e profunda no meio oficial, para que haja moral para se pregar a mesma reforma no meio leigo. Só então a saúde se tornará no braço direito da terceira mensagem angélica.
“Ao negligenciarmos fazer exercício físico, ao sobrecarregarmos a mente ou o corpo, desequilibramos o sistema nervoso. Aqueles que assim encurtam a existência, desatendendo as leis da natureza, são culpados de roubo para com Deus. Não temos nenhum direito de negligenciar ou fazer mau uso do corpo, da mente ou das energias, os quais devem ser utilizados para oferecer a Deus um devotado serviço.
“Devem todos possuir um conhecimento inteligente da estrutura humana, a fim de que possam conservar o seu corpo nas necessárias condições de fazer a obra do Senhor. Aqueles que formam hábitos que enfraquecem o poder dos nervos e diminuem o vigor da mente ou do corpo, tornam-se incapacitados para a obra que Deus lhes tem dado a fazer. Por outro lado, uma vida pura e sadia é mais propícia à perfeição do caráter cristão e ao desenvolvimento das faculdades da mente e do corpo” (Conselhos Sobre Saúde, 41).
As orientações existem, falta atitude mais firme. Com que moral uma pessoa que visivelmente descuida de sua saúde prega no púlpito? E pior, como alguém assim tem cargo de mordomia ou sobre assunto de saúde na igreja? Como alguém assim vai passar a lição desta semana para a sua classe? A não ser que faça, nesse dia, um propósito com seus alunos de mudar de atitude.

  1. 5.      Quinta: Princípios de mordomia cristã
“Lembrai-vos das palavras do apóstolo inspirado: “Não sois de vós mesmos. Porque fostes comprados por preço.” I Cor. 6:19 e 20. Fostes comprados, … mesmo que pereçais. O Senhor quer Sua propriedade. Quando nos dedicamos a Deus de alma, corpo e espírito; quando mantemos o apetite sob o domínio da consciência esclarecida, e batalhamos contra toda concupiscência, mostrando que consideramos todo órgão como propriedade de Deus, destinado para o Seu serviço; quando todas as nossas afeições atuam em harmonia com a vontade do Senhor, firmando-se nas “coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus” (Col. 3:1) – então teremos dado ao Senhor o que Lhe pertence. Ó Deus, “tudo vem de Ti, e das Tuas mãos To damos”. I Crôn. 29:14” (Este Dia com DEUS, MM, 1980, 365).
DEUS é o proprietário de tudo que existe porque Ele criou. Nem nós somos de nós mesmos. Nem o tempo nos pertence. Assim também os bens não nos pertencem e nem o terreno onde construímos a casa onde moramos. Tudo é de DEUS. Esse é o sistema celeste.
Vamos raciocinar um pouco comparando o sistema celeste, onde nada temos que seja nosso, e o sistema terrestre, onde é costume registrar bens em nosso nome e dizer: “isto é meu”.
Parece mais interessante a vida no sistema terrestre. Numa primeira vista sim, pois podemos ter muitas coisas que sejam nossas. Podemos registrar bens que assim passam a ser nossos, e podemos ter a nota fiscal para provar que a televisão nos pertence por exemplo. Aqui na Terra é assim que funciona, e nos parece normal.
No Céu não teremos nada no nome. Nada nos pertencerá. Nada teremos para registrar, aliás, nem haverá lugar para fazer registros. Tudo pertencerá a DEUS.
E qual é a grande diferença entre o sistema terrestre e o celeste? Os registros terrestres de posse na verdade não tem valor, senão perante os homens, e mesmo assim, podem perder a validade. Aqui um ladrão pode nos tomar as coisas, e ele nem se importa com os documentos de posse. Aqui as pessoas podem falir, e a justiça tomar em nome dos credores, o fogo pode consumir, um terremoto, vendaval ou inundação podem consumir com tudo. A doença pode requerer que vendamos os bens para pagar tratamentos. Aqui os bens envelhecem e perdem o valor, ou por causa do mercado, o que valia 100 passa a valer bem menos, por exemplo 5, como foi o caso das ações de um grande banco que quebrou. Quem tinha essas ações em seu nome, simplesmente perdeu 95, em poucas horas! Aqui é ilusão ter as coisas no nome, porque, ou nos tomam, ou perdemos por diversas razões, e ainda por cima, se nada disso acontece, um dia desses morremos, e as posses de nada servirão depois da morte.
E como é no sistema celeste. Lá, nada teremos no nome, porém, usaremos os bens sem que ninguém nos impeça ou cause transtornos. Nunca pagaremos impostos prediais ou territoriais, nunca as coisas se desvalorizarão, nunca tomarão o que estaremos utilizando.
Afinal, o que é mesmo importante? Ter bens ou utilizar bens? É evidente, é bem melhor utilizar os bens, e não ser molestado por isso. Aqui muitos têm coisas de alto valor, mas não podem sair na rua com elas, pois se tornam alvo da ganância de maus elementos. Lá, mesmo nada nos pertencendo, seremos felizes, pois poderemos usar o que existir, em qualquer lugar, sem ameaças. Tente imaginar o seguinte, como se fosse aqui na Terra. Você não tem absolutamente nada. Portanto, pelos critérios terrestres, está na pobreza absoluta. Mas, você trabalha para um patrão muito rico, que não lhe paga salário, porém, você pode usar a conta dele e comprar tudo o que necessita para seu consumo. Também ele lhe emprestou uma linda casa que pode usar à vontade. Ele tem muitos automóveis, que também estão à sua disposição o tempo todo. Nas férias, pode viajar a qualquer lugar do mundo, por conta dele. Os filhos podem fazer os cursos que desejarem, ele paga tudo. E assim por diante. Se isso fosse realidade, do que iria reclamar? O que desejaria mais? Pois tudo o mais que desejasse para viver, teria à vontade. Curioso não é? Pois assim é na Nova Terra.
O que podemos deduzir desse raciocínio? Que aqui mesmo, devemos ensaiar o sistema celeste. Esse é o sistema de mordomia, quando nada nos pertence, mas tudo nos é alcançado para utilizarmos para o nosso bem. É um sistema em que teremos tudo para usar, embora nada para ser nosso. É um sistema em que DEUS supre tudo, sempre, eternamente. Nem mesmo se torna necessário trabalhar para comprar e ter, pois o que tivermos necessidade nos será concedido gratuitamente, sempre como presentes, para o uso quando for o desejo. Convenhamos, esse sistema é absolutamente superior, e permite a verdadeira felicidade. Ninguém será mais importante que o outro por ter mais, pois nem mesmo há possibilidade desse tipo de comparação. Mas o importante é que lá, na Nova Terra, teremos muito mais que o necessário, eternamente à nossa disposição, sem falta de nada, embora não sejamos proprietários do que poderemos usar. É mais importante poder usar à vontade do que ser dono.
Por isso que aqui na Terra é tão importante aprender como administrar os recursos que pertencem a DEUS. Esses recursos celestiais são, pelo menos: (1) os bens, como casas que usaremos ali, terrenos, plantas, etc.; (2) nós mesmos, com vida para toda eternidade; (3) o tempo, a ser utilizado para usufruir tudo o mais que existe; (4) DEUS, nosso Criador, para O amarmos e dEle aprendermos temas maravilhosos; (5) os outros seres criados, para nos relacionarmos; (6) a natureza, para estudarmos, cuidarmos  e contemplarmos; (7) outros planetas, para fazermos viagens de turismo espacial; (8) nossas capacidades de aprender, ter conhecimento e realizar, e assim por diante.
Aqui na Terra a mordomia, como sabemos, se limita aos bens, o corpo, o tempo e os talentos ou capacidades. Mas na Nova Terra, teremos muitas coisas mais para administrar, e para sermos felizes. Temos que aprender com o pouco para sabermos usar corretamente o muito, que foi prometido, e bem logo se tornará, para nós, realidade.

  1. 6.      Aplicação do estudo Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:
Vamos olhar a nossa situação na Terra de um modo positivo. Se há algum lugar no Universo em que existe necessidade e possibilidade de servir, esse lugar é o nosso planeta. Aqui, mais que em qualquer outra civilização de DEUS, há pessoas necessitando de auxílio, de socorro, de ajuda de todo tipo. Por exemplo, no momento em que estou escrevendo essa parte do comentário, hoje é dia 28 de janeiro, em nossa região estão velando mais de 230 mortos que perderam suas vidas numa boate incendiada. Nós, adventistas, sabemos que quem entra ali, os anjos de DEUS não os acompanham, vão por conta e risco, geralmente um lugar cheio de irregularidades, que as autoridades não querem perceber porque elas mesmas vão para ali se divertir. Por se tratar de negócio muito rentável, envolve interesses econômicos e políticos de pessoas poderosas. Então as leis não são devidamente aplicadas. Além disso, é uma contravenção divina. Mas as famílias desses mortos, quase todos jovens, necessitam de auxílio, e como! Desde uma palavra de conforto a auxílios diversos para as providências do sepultamento. Outras famílias estão necessitando de auxílio no tratamento de seus feridos. A principal ajuda que essas pessoas necessitam é da nossa mensagem de salvação e da demonstração viva de um estilo de vida alternativo saudável e que gere verdadeira felicidade. Isso mesmo, felicidade autêntica, que esse pessoal procura nas boates e outros tipos de ilusões. Essas pessoas estão sendo enganadas pelo demônio, que lhes convence da necessidade de se divertir daquela maneira, pulando toda madrugada em um ambiente fechado, poluído com som em volume altíssimo. Quão importante é nesses dias a nossa mensagem do futuro que aguardamos e de saúde que já devemos estar vivendo!
No Éden, antes do pecado, Adão e Eva cuidavam do jardim. Mas depois do pecado, surgiu a necessidade de trabalhar pelo sustento da vida, além de cuidar da natureza. Servir o semelhante no Éden era fácil e simples, não havia necessidades como as que apareceram depois do pecado. Hoje todos nós dependemos de muita ajuda, e somos convidados a ajudar. Hoje não conseguimos mais viver sem o socorro de outras pessoas. Quantas vezes a mão de um amigo nos acode levando rapidamente para o hospital em razão de alguma emergência.
O grande exemplo de ajuda, de servir, foi JESUS, que veio para nos servir no escape da morte eterna. Portanto, se há algum lugar onde podemos treinar a cidadania celeste de se importar pelo próximo, esse lugar é o nosso planeta, principalmente nesses últimos dias.

Assista o comentário clicando aqui.

Divórcio


Texto do vídeo:

Naquela noite, enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: “Tenho algo importante para te dizer”. Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos. 
De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.
Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: “Por quê?”

Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou “você não é homem!” Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouvi-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta
satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.

Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.

Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. 

Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me
senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.

No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.

Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e voltei a dormir.

Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possível. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus exames no próximo mês e precisava de um ambiente propício para preparar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.
Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca, mas aceitei sua proposta para não tornar
meus próximos dias ainda mais intoleráveis.

Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. “Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio” – disse Jane em tom de gozação.
Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então, quando eu a carreguei para fora da casa, no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo “O papai está carregando a mamãe no colo!” Suas palavras me causaram
constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho “Não conte para o nosso filho sobre o divórcio” Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da
casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.

No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito, eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto,
seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos, cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.

No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.

Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles, mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse “Todos os meus vestidos estão grandes para mim”. Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.

A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso… ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração….. Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.

Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse “Pai, está na hora de você carregar a mamãe”. Para ele, ver seu pai carregando sua mãe todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo. Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.

Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas. Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras: “Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo”.

Eu não consegui dirigir para o trabalho… fui até o meu novo futuro endereço, saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia… Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela “Desculpe, Jane. Eu não quero mais me divorciar”.

Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa “Você está com febre?” Eu tirei sua mão da minha testa e repeti.” Desculpe, Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe”.

A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouvi-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.

Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: “Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe”.

Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama – morta.

Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio – e prolongou a nossa vida juntos
proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, do seu marido, façam pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz!

Um casamento centrado em Cristo é um casamento que dura uma vida toda.

(Recebi o texto acima, por e-mail. Não sei quem escreveu. Acho, também, que pouco importa se é um relato real ou fictício. Por isso resolvi publicar aqui. Se salvar do divórcio um casamento fragilizado, terá valido a pena). Amilton Menezes

Comentários Lição 9 – Casamento: Um dom do Éden (Prof. César Pagani)


23 de Fevereiro a 01 de Março de 2013

Verso em Destaque: “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea [uma adjutora que esteja diante dele .” Gn 2:18 - VARC.

Nota do comentarista: Os irmãos poderão achar alguma diferença nos títulos principal e diários da lição. É que os traduzimos diretamente do original e esses podem não ser iguais aos dos impressos na lição em português.

            Feliz foi Adão, que não teve sogra e nem caminhão.” Quantas vezes lemos essa bem-humorada afirmação em para-choques de caminhões? De fato, Adão não teve sogra, nem sogro, nem cunhados e cunhadas. Nenhum padrinho esteve em seu casamento e Deus não recitou nenhum texto tradicional para uni-los em matrimônio. Não houve troca de alianças, nem damas de honra e não se fez nenhuma festa após as núpcias.
            Porém, a sublimidade e singeleza da narrativa bíblica ensina que Deus criou os seres humanos em pares. Eram indivíduos, sim, com diferenças anatômicas, físicas, psíquicas, hormonais, com órgãos reprodutores diferentes e outras características de distinção.  Adão foi criado solteiro e Eva também, mas Deus os uniu logo em seguida, porque não “era bom” que homem e mulher vivessem sós. Um deveria ser o complemento do outro. Uma só carne somente seria consolidada após a copulação (o homem se uniria à sua mulher e seriam echad [echad é o mesmo vocábulo usado para expressar a união da Divindade] , isto é, uma só carne, um organismo indissolúvel constituído de duas partes). Não seriam apenas uma carne, mas um só destino, um só propósito – construir a felicidade um do outro – um só organismo social.
            Precisamos recorrer ao Gênesis para entender o propósito de Deus, que ainda é o mesmo, para o consórcio nupcial. Esforcemo-nos por entender isso nesta semana. 

DOMINGO

Lo Tov  (Não é bom)

            O “não é bom” do Senhor resultou de uma ação proposital do Criador.  Sabiamente Elohyim omitiu a criação do par de Adão  no primeiro momento. Quando Ele criou cada espécie animal, proveu cada espécime de um par com quem unir-se para a propagação da espécie.  Adão deu nome a cada par quando Deus designou que assim o fizesse (Gn 2:19).
O homem era a obra-prima da Criação, pois trazia em si a imagem e semelhança do Criador, o que não acontecia com nenhum outro espécime animal vivo.  Ele fora  feito com capacidade de pensar, amar e relacionar-se com o Criador.
            “Depois da criação de Adão, toda criatura vivente foi trazida diante dele para receber seu nome; ele viu que a cada um fora dada uma companheira, mas que entre eles ‘não se achava adjutora que estivesse como diante dele’. Gn 2:20. Entre todas as criaturas que Deus fez sobre a Terra, não havia uma igual ao homem. E disse ‘Deus: Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele’. Gn 2:18. O homem não foi feito para habitar na solidão; ele deveria ser um ente social. Sem companhia, as belas cenas e deleitosas ocupações do Éden teriam deixado de proporcionar perfeita felicidade. Mesmo a comunhão com os anjos não poderia satisfazer seu desejo de simpatia e companhia. Ninguém havia da mesma natureza para amar e ser amado.” PP, 46.
            Adão, embora perfeito, foi criado com carência de ajuda. Por isso Deus, ao criar Eva, denominou-lhe ezer “adjutora” (VARC), “auxiliadora” (VARA), “auxiliar” (Bíblia de Jerusalém), “alguém que o auxilie e que lhe corresponda” (NVI). O homem não era autossuficiente.
            “Misteriosamente”, Adão deitou-se no solo como se estivesse totalmente entorpecido. Não foi um sono de cansaço ou para eliminar toxinas, ácido láctico dos músculos, proporcionar descanso aos sistemas orgânicos... Como o homem precisava de um ser que lhe desse simpatia, carinho, companheirismo, amor e comunhão social, Deus fez cair sobre ele pesado sono para que, ao despertar tivesse uma agradável surpresa e desfrutasse os primeiros momentos de felicidade conjugal.
            Adão ficou tão maravilhado do ser que tinha diante dele, que chamou sua mulher primeiramente de varoa (Ishshah – mulher, fêmea, esposa). A propósito, em português temos o verbo esposar cujo sentido é “tomar a seu cuidado”.  Aquela belíssima fêmea, seu complemento vivo, seria a mãe de toda a espécie humana e eterna companheira. Ela o ajudaria a governar a Terra, a cuidar dos filhos, a promover sua felicidade pessoal – e ele promoveria a felicidade de sua metade. Seria a sua rainha, a primeira-dama do novo planeta.

SEGUNDA

Uma Companheira para Adão
        A palavra “companheiro(a)” é de origem latina cum panis ou aquele(a) com quem dividimos o pão. Aquele ou aquela em quem confiamos o suficiente para assentá-lo(a) em nossa mesa e dividir nossas ideias, vitórias, derrotas ou um simples pedaço de pão. 
            A matéria-prima com a qual o Criador fez Eva foi uma costela. A Sra. White explica o significado desse ato divino: Eva foi criada de uma costela tirada do lado de Adão, significando que não o deveria dominar, como a cabeça, nem ser pisada sob os pés como se fosse inferior, mas estar a seu lado como seu igual, e ser amada e protegida por ele. Como parte do homem, osso de seus ossos, e carne de sua carne, era ela o seu segundo eu, mostrando isto a íntima união e apego afetivo que deve existir nesta relação. ‘Porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta.’ Ef  5:29. ‘Portanto deixará o varão a seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.’ Gn 2:24. “ Cartas a Jovens Namorados, p. 11.
            Viram a postura divina? Nem machismo, nem feminismo. Mas igualdade. Adão deveria amar e proteger Eva. Eva devia amar e completar o marido.  
            Excita-nos a curiosidade em saber por que o Senhor usou uma costela e não outro órgão ou órgãos do corpo. É certo que vimos um dos significados explicitados por Ellen White. Mas será que é só isso? É bem possível. Porém, poderíamos extrapolar um pouco e tentar imaginar outro sentido.
          A costela é um elemento anatômico protetor. Os doze pares de costelas que temos formam uma caixa protetora (gradil costal) dos órgãos vitais do ser humano. Elas “abraçam” pulmões, coração, fígado, pâncreas e baço.
           A mulher é um elemento protetor do homem em certo sentido. Quando ela ama o esposo, não há protetora maior (quando mãe, é a guardadora por excelência do filho ou da filha; quando um homem é presa de medo extremo, ele chama por quem? “Manhêêê!”). Com seu afeto ela deveria ser o alter ego (segundo Houaiss: alter ego também tem o sentido de  grande amigo, pessoa em quem se pode confiar tanto quanto em si mesmo) do marido.)
           

            Você não vai encontrar o casamento ideal nos usos e costumes da sociedade pós-moderna, que  aceita, promove e pratica casamentos abertos, ajuntamentos de conveniência, uniões gays, aderências sem vínculo conjugal, adesões descomprometidas, direito de paternidade a casais homossexuais, etc. Evidentemente, não nos compete condenar as pessoas que, sem conhecimento de luz maior, aderem aos “valores” e costumes do pós-modernismo.  Pelo contrário, somos compelidos pelo Evangelho a levar-lhes o modelo ideal de sociedade e de consórcio matrimonial, segundo o Criador estabeleceu, para decidam o caminho a seguir.
            No princípio Deus criou homem e mulher – dois sexos com características peculiares de cada um dos cônjuges.  A mulher com suas características psicofísicas, anatômicas, hormonais, espirituais  e emocionais próprias .  O homem com seus predicados distintos da mulher. Deus propositou que os dois deveriam unir essas características numa vida longa e comum. 
            Deus marcou o casamento com a cláusula de indissolubilidade. Uma vez casados, casados para sempre. É verdade que Ele permitiu houvessem em Israel leis reguladoras da dissolução de casamentos. Um dos dispositivos estabelecia que se houvesse infidelidade conjugal, o vínculo matrimonial seria desfeito. Outros dispositivos estabeleciam motivos diversos para a dissolução. Mas Jesus deixou claro que essas exceções foram criadas por causa da dureza de coração do povo escolhido (Mt 19:8; Mc 10:5).
            Também não é plano de Deus que haja em nossos arraiais casamentos dissolvidos. Mesmo em casos em que não houve infidelidade explícita, muita gente tem-se divorciado e contraído novas núpcias. Há que se admitir que existam problemas muito sérios em certos casamentos desfeitos e novas núpcias, os quais precisam até ser levados a instâncias superiores de nossa Organização para exame e solução. Hoje, motivos como incompatibilidade sexual, desequilíbrio financeiro, incompatibilidade de gênios, desinteresse pelo cônjuge, perda do amor, etc.,  são razões suficientes para procurar um advogado e mover processos separatórios.
            A Bíblia diz que Deus odeia o divórcio (Ml 2:16 – Tradução Brasileira). Como Deus não muda, acreditamos que Ele ainda mantenha a mesma indisposição contra o repúdio ou divórcio.
O divórcio contesta o intento original de Deus ao fundar o casamento (Mt 19:3-8; Mar. 10:2-9), mas a Bíblia não silencia sobre o assunto. O rompimento do vínculo matrimonial  é  parte da experiência humana sob o regime do pecado, mas foi provida  legislação bíblica especial para restringir  os danos causados por ele (Dt 24:1-4). A Bíblia procura santificar o  casamento e dissuadir a ação  separadora, apresentando as alegrias do amor e da fidelidade conjugal (Pv  5:18-20); Ct 2:16; 4:9 a 5:1), comparando a relação de Deus com o Seu povo ao casamento (Is 54:5; Jr  3:1), focalizando as possibilidades do perdão e da restauração matrimonial (Os 3:1-3) e indicando a aversão de Deus ao divórcio e à desdita causada por ele (Mt 19:4-6; Mt 10:6-9). Fartas orientações bíblicas enaltecem o casamento e procuram orientar na solução de problemas que tendem a enfraquecer ou anular o alicerce do matrimônio (Ef. 5:21-33; Hb 13:4; I Ped. 3:7).” 
            O Celebrante do primeiro casamento havido na Terra estabeleceu que homem e mulher se conheçam previamente mediante namoro santo, que analisem se podem viver uma vida perene em comum , que orem e submetam sua pretendida união a Deus e então, explorando as possibilidades de dar certo ou não e achando-as conformes, partir para o altar e receber a bênção divina, ou desfazer o compromisso.  A causa de muitas separações no seio da igreja é que casamentos são celebrados precipitadamente, sem oração e uso da razão, e depois de algum tempo desmoronam tristemente. 
Reconhecendo os ensinamentos da Bíblia acerca do casamento, a Igreja está ciente de que as relações matrimoniais, em muitos casos, ficam aquém do ideal. O problema do divórcio e do novo casamento só poderá ser observado em seu verdadeiro aspecto quando for encarado à luz do Céu e contra o fundo histórico do Jardim do Éden. O ponto central do santo plano de Deus para o nosso mundo foi a criação de seres feitos à Sua imagem, que se multiplicassem e enchessem a Terra, e vivessem juntos em pureza, harmonia e felicidade. Ele criou Eva do lado de Adão, e deu-a a Adão como sua mulher. Foi assim instituído o casamento – sendo Deus o autor da instituição e Deus o oficiante do primeiro casamento. Depois de o Senhor revelar a Adão que Eva era verdadeiramente osso de seus ossos e carne de sua carne, nunca lhe poderia surgir na mente dúvida alguma de que os dois fossem uma só carne. Nem podia surgir na mente de nenhum dos componentes do santo par, dúvida alguma de que Deus pretendesse que o seu lar tivesse duração eterna.” Sétimo Dia.
     
QUARTA

Protegendo o que é precioso
              Pois é, o casamento está hoje sob cerrado ataque da cultura e costumes pós-modernos. A sociedade tem sido manipulada pelos filósofos, pensadores e a mídia (entenda-se como mídia a literatura, TV, cinema, rádio, Internet, redes sociais, etc.)  para não reconhecer a santidade do matrimônio nos moldes bíblicos. Mesmo os legisladores  estão se rendendo a casamentos homossexuais, concubinatos, ajuntamentos e outras formas consorciais, tendo que estabelecer leis para a regência do que acontece na sociedade, com respeito a formas recém-criadas de união conjugal.  
            As igrejas cristãs têm feito o possível para se defender das incursões da sociedade no terreno sagrado do matrimônio. 
            As revoluções sexuais dos anos sessentas e setentas apresentaram uma perspectiva social ousada e em desafio aos códigos comportamentais tradicionais existentes até então. Elas se tornaram fenômenos mundiais e estabeleceram novas regras de conduta sexual.  A liberação sexual incluiu maior aceitação do sexo fora das relações heterossexuais e monogâmicas tradicionais (principalmente do casamento).  A contracepção e a pílula, nudez pública, a normalização da homossexualidade,  outras formas “alternativas” de expressão sexual e a legalização do aborto foram fenômenos que começaram a ganhar força nas sociedades ocidentais.
            O casamento religioso e seus valores começou a perder terreno. Os princípios estabelecidos por Deus passaram a ser abertamente desafiados. Há casos de adventistas que só se casaram no civil.
            Jesus e Seus apóstolos ensinaram princípios fundamentados na sagrada Lei de Deus para blindar o casamento cristão contra as invenções do maligno e de seus seguidores.  Ficou claro que o adultério inclui mais do que relações sexuais ilícitas. O adultério pode acontecer na mente do indivíduo ainda que não se expresse em atos.
            Uma análise sintética do termo “adultério”, tanto no hebraico (na’aph)  quanto no grego (porneia, moichao),  revela que o termo está relacionado sempre como antítese do casamento monogâmico, e diz respeito a atos tidos por ilícitos perante a Lei de Deus e nominados como relações sexuais ilegais ocorridas entre pessoas não casadas.   Porneia tem aplicação a relações homossexuais, lesbianas,  coito entre solteiros ou fornicação e até ajuntamento com animais.
A Bíblia não tem meias palavras e nem faz rodeios a respeito de qualquer profanação da sacraticidade do matrimônio e já adverte a respeito de quais serão os resultados para os que incorrem no delito: “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas [...] herdarão o reino de Deus.” (1Co 6:9, 10)
            A IASD tem procurado cumprir seu papel de defensora dos princípios e protetora do casamento bíblico, promovendo encontros de casais, cursos para noivos, realizando pregações, publicando literatura específica  e envidando todo esforço para conservar a estabilidade dessa instituição divina.
             

O casamento como uma metáfora para a igreja

             várias passagens nas Escrituras em que Deus Se apresenta como esposo de Sua igreja.   A parábola das 10 virgens, por exemplo, assinala a volta de Jesus como esposo da igreja e Sua alegria final em reunir-se para as bodas do Cordeiro. Jesus também é apresentado como noivo em Mt 9:15; Mc 2:19, Lc 5:34 e 12:36; como esposo em 2Co 11:2.
            No AT Jeová é mostrado e declara-Se a Si mesmo como Esposo de Seu povo (Is 50:1; Jr 3:8, 14).
            Deus considera a união com Seu povo assim como  matrimônio indissolúvel. Cada apostasia  de Sua igreja é tida como adultério (Jr 3:8). No livro do profeta Oseias o Senhor pede a Seu servo que despose uma mulher de prostituições para simbolizar o que Israel fez com o Amante de sua alma. 
            Quando a igreja acata costumes do mundo, suas práticas, ainda que travestidas de trajes religiosos, comete prostituição e trai seu Marido que a comprou com o próprio sangue.
            E tanto Deus a considera como mulher perpétua que, depois das bodas do Cordeiro ocorrer no Céu, após a triunfante vinda de Cristo, Ele a tomará para morar eternamente Consigo.  
            Embora o Senhor ame todos os seres que criou e que não caíram em pecado, mantendo-se castos, Ele escolheu a humanidade resgatada para habitar com ela para sempre no pós-milênio. Apocalipse 21:3 diz: “Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.”
            Tanto no Antigo como no Novo Testamentos, a relação matrimonial é empregada para representar a terna e sagrada união existente entre Cristo e Seu povo, os remidos a quem Ele comprou a preço do Calvário. ‘Não temas’, diz Ele; ‘porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o Seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor.’ Is 54:4 e 5. ‘Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o Senhor; porque Eu vos desposarei.’ Jr 3:14. No Cântico dos Cânticos ouvimos a voz da esposa, dizendo: ‘O meu Amado é meu, e eu sou dEle.’ Ct 2:16. E Aquele que é para ela ‘o primeiro entre dez mil’ (Ct 5:10), fala a Sua escolhida: ‘Tu és toda formosa, amada Minha, e em ti não há mancha.’ Ct. 4:7.” MDC, 64. 
            Cristo honrou a relação matrimonial tornando-a também símbolo da união entre Ele e os remidos. Ele próprio é o esposo; a esposa é a igreja, da qual diz: ‘Tu és toda formosa, amiga Minha, e em ti não há mancha.’ Ct 4:7.” CBV, 356.
            “Cristo comparou Seu amor pela Igreja com o amor entre o marido e a esposa. As Escrituras contêm ternas histórias de amor, tais como a de Jacó e Raquel e a comovente história de Rute, a moabita, que através de seu casamento com Boaz tornou-se um elo na genealogia do Messias.” Cartas a Jovens Namorados, 7. 
            Perguntamos: O que essa bela simbologia tem a ver com meu casamento individual? “O Senhor pôs o esposo como cabeça da esposa para ser seu protetor; ele é o laço de união da família, unindo os membros entre si, da mesma forma como Cristo é a cabeça da igreja e o Salvador do corpo místico. Que cada esposo que sustenta amar a Deus estude cuidadosamente os reclamos de Deus no que respeita a sua posição. A autoridade de Cristo é exercida com sabedoria, com toda a bondade e mansidão; assim exerça o esposo seu poder e imite a grande Cabeça da igreja.” LA,215. 
            Cristo é nosso exemplo no governo do lar e na proteção e união da família. Sendo Jesus um Esposo amante e dedicado, ensina-me que devo imitar-Lhe o exemplo como chefe de família. Ele é nosso modelo em tudo!

Comentários Lição 9 – Casamento: um presente dado no Éden (Carlos Bitencourt)

(23 de Fevereiro a 02 de Março de 2013)

Cuidado! A lição fala de “casamento”, mas a Lição não é sobre casamento!

O que isso significa? Significa que não devemos nos esquecer do tema geral do trimestre (Origens), repartido em 13 semanas, e que todas estão e devem continuar de mãos dadas. Sendo assim, o “casamento” desta semana faz parte da Criação e da Redenção – e deve ser dado todo espaço necessário para a conclusão dentro desse contexto.  O presente foi dado no Éden, e, mesmo fora do Éden, continua a ser um presente de Deus. Foi um presente no período da santidade e perfeição, e continua sendo um presente dentro do grande conflito.

A propósito: o grande conflito nos faz esquecer da santidade do matrimônio, mas Deus, que não nos abandonou e nem nos deixou como brinquedo na mão do inimigo, em Seu glorioso Plano da Redenção, deixa Sua marca de resgate, de restauração, de cuidado e carinho. É verdade que o inimigo tem interesse na família, mas Deus já disse: “a família é minha”.

Outra coisa: não use a lição para ferir aqueles que erraram ou estão em erro. A Palavra de Deus é redentiva, instrutiva e disciplinar (e disciplinar não significa “bater”, mas educar). Não faça da classe um tribunal, um lugar de julgamento, e nem sentencie o errante. Permita que o Espírito Santo faça Sua obra.

* Domingo – “Não é bom que o homem esteja só” (24 de fevereiro). Até o dia anterior (o quinto), Deus havia dito e repetido: “Tudo é bom”. Vai findar, então, o dia da criação da humanidade (o sexto), e o Criador dirá: “Tudo é muito bom”.  Assim, Adão é bom, o breve tempo que ele existiu sem Eva era bom, a momentânea inexistência de uma pessoa que lhe fosse idônea era bom, a criação de Eva foi boa, e o casamento foi bom. Tudo era muito bom. Sendo assim, ao dizer que “não é bom que o homem esteja só”, Deus não estava dizendo que algo estava errado, mal feito, mal acabado. Não. Tudo era perfeito.

Sem querer forçar o texto, me lembrei do “sem forma e vazia”. Não era o caos. Nada havia de errado. Prova é que o Espírito de Deus pairava sobre o que Moisés disse ser “abismo”. Onde está Deus, a perfeição ali está. Nos momentos solitários de Adão, ali estava Deus, ali estava a benção de Deus. Ocorre, no entanto, que, assim como Deus poderia ter criado tudo já pronto e funcionando, pois Ele não precisa de etapas, preferiu, mesmo assim, as etapas. Entendeu ser importante para o homem sentir e experimentar o desejo de, assim como os animais que ele dava os nomes, ter uma companheira, uma pessoa, uma mulher. Deus provocou a experiência, a valorização e a responsabilidade sobre o presente que iria conceder. Adão entendeu. E é com o homem e a mulher, ou seja, com o macho e a fêmea, que é completa a imagem e semelhança de Deus. Notaram? É com os dois. Não é só ele e não é só ela. Os dois!

Entendo ser possível comentar sobre a “procriação”. Deus podia, mas não fez a Terra povoada por dezenas ou milhares de pessoas, conforme uma numeração ideal pensada por Ele, como é o caso dos anjos. Não. A raça humana é diferente. A partir de Adão e Eva, casais seriam formados, e estes deveriam gerar crianças, formando as famílias. E aqui uma preciosa lição: todos somos irmãos. Nós somos da mesma família. Em função do Pecado, passamos a necessitar de salvação, de redenção. Jesus, então, assume a humanidade. Nasce entre nós. É verdade que Sua encarnação é um mistério. Ele é gerado pelo Espírito Santo. Mas nasceu de Maria. Tem o nosso sangue. Tem a nossa carne. Somos da mesma família. Somos de Deus pela Criação. Somos de Deus pela Redenção.

* SegundaUma companheira para Adão (25 de fevereiro). É muito significativo o fato de Deus ter usado uma costela de Adão para criar Eva. Eles são dependentes um do outro. Ambos são responsáveis por si e um pelo outro. Casados, são uma só carne.
Adão ficou encantado, maravilhado e de boca aberta. Deus lhe deu dois presentes: Eva e casamento. Feliz união. Belíssima cerimônia. E Deus estava presente. Com isso, que belo sábado eles devem ter tido, hein?!

Do lado de fora do Éden, e com cerca de 6 mil anos de pecado, lamento não ter as palavras adequadas para me expressar sobre as coisas de Deus. Quanto machismo e preconceito em minhas palavras e ações. Quantas palavras mal faladas, mal escritas, incompletas, inadequadas. Distorcemos o papel da mulher, da esposa, do matrimônio. Descrevemos passo a passo a desobediência de Eva, com riqueza de detalhes, e superioridade no julgamento. Quanta bobagem. Bastaria reconhecer e afirmar: a mulher é um presente de Deus para o homem. O homem é um presente para a mulher. Eva era a manifestação e execução do planejamento de Deus. Era amiga, companheira, idônea. Nisso estava o amor.
TerçaCasamento ideal (26 de fevereiro). Casamento ideal, bem ideal, ideal de verdade, foi o de Adão e Eva, antes do Pecado. Ocorre, porém, que, mesmo sendo expulsos do paraíso, levaram uma semente dada por Deus: a unidade. Mas, já repararam que o inimigo tem atacado justamente esse ponto? Ele insinua que a pessoas devem buscar o prazer e a realização individual – e, se o cônjuge interferir nisso, que seja substituído, e quantas vezes for necessário. Vejam a que ponto chegamos!

No entanto, fiquemos ainda dentro do eixo da lição, que resgata o princípio bíblico da unidade. (Quando da conclusão da lição, veremos a unidade entre Cristo e a Igreja – e por isso a ênfase nesse momento). O casamento ideal, mesmo depois do Pecado, ocorre quando se busca a união, que não ocorre no terreno do Pecado, mas quando em presença de Deus. Assim, em Cristo, busque o perdão por coisas do passado e comprometa-se em buscar Sua preciosa presença a cada dia, a partir de agora. Restabeleça ou reafirme com o cônjuge o compromisso de unidade em Cristo Jesus. A propósito: que os leitores e ouvintes sejam levados à plena confiança em que Cristo tem o enorme desejo de perdoar e restabelecer as relações.

* QuartaProtegendo o que é precioso (27 de fevereiro). Nem todos se sentem bem em falar em público, e de forma descente, sobre sexo. Pois bem, a lição aborda sim essa questão. Respeitando então o modo reservado dos irmãos, sejamos diretos: a atividade sexual deve acontecer entre marido e mulher, macho e fêmea, e somente no contexto do matrimônio. Qualquer coisa fora disso é Pecado.
Entendo ser apropriado relembrar que somos (marido e mulher/ macho e fêmea) à imagem e semelhança de Deus. Alto nível de respeito deve ser exercitado.

*  QuintaCasamento como uma metáfora da igreja (28 de fevereiro). Desde o Velho Testamento, Deus buscou ensinar Seu povo através de figuras. Ele falou do Plano da redenção através de situações que fossem comuns às pessoas, facilitando o aprendizado. E uma das figuras foi justamente a de Marido e esposa, a de Senhor e Sua Igreja.
É impressionante! Mesmo aderindo a rebelião, a humanidade não foi esquecida pelo Criador. Ele, agora também Redentor, busca, busca, e busca, porque ama, ama, e ama.
Queridos, aceitemos a proposta gratuita de Deus. Mantenhamos relacionamento de quantidade e qualidade com nosso Criador. Amém!

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