Comentários Lição 3 - Tessalônica nos dias de Paulo (Prof. César)



14 a 20 de Julho de 2012

Verso Principal
Porque, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível.(1Co 9:19)

              Hoje ela é Salônica e se encontra no mesmo lugar onde Paulo esteve. Seu nome original era Thermae ou “Fontes de Águas Quentes”, quando Cassandro, um dos sucessores de Alexandre Magno, fez dela a capital de seu reino em 315 a.C. e lhe mudou o nome para Tessalônica, em honra à sua esposa, irmã de Alexandre. Essa cidade conheceu seu pico de progresso durante o império romano, sob cujo domínio caiu após a Batalha de Pidna (168 a.C.). Quando a província da Macedônia foi organizada (146 a.C.), Tessalônica converteu-se em sua capital. 

              Depois da batalha de Filipos (42 a.C.), Tessalônica chegou a ser uma cidade livre, administrada por magistrados, que portavam o título de politaris ou governantes da cidade, atribuição essa que foi traduzida como "autoridades da cidade” em At 17:8.  Essa expressão aparece apoiada também por inscrições em grego encontradas no Arco de Tessalônica. 

Ela era um importante centro comercial e fortaleza militar localizada na Via Ignácia, estrada que cruzava a Macedônia de Leste a Oeste.  Paulo a visitou depois de ter estado em Filipos, durante sua segunda viagem missionária.  O apóstolo também a visitou mais uma vez e também a terceira, durante sua derradeira viagem missionária.  Duas de suas cartas, das 14 que escreveu, foram dirigidas a essa igreja.
             
              A despeito de ser um pastor, Paulo não tinha remuneração da obra. Foi justamente nessa cidade que o Dr. Paulo de Tarso, advogado e político judeu, não se importou em aprender a fazer tendas como seu ganha-pão (At 18:3). Consciencioso ministro, sabendo que a igreja infante não podia pagar-lhe um salário, apesar de saber de seu direito como homem que trabalhava no altar, de receber daqueles a quem ministrava, abriu mão para não ser pesado a ninguém. Essa priorização da obra de Cristo da parte de Paulo é impressionante. O que lhe importava era ganhar para seu Amado Senhor o maior número possível de pessoas, fossem judias ou gregas. 

DOMINGO
Os romanos chegam a Tessalônica
                O breve cenário histórico provido pela lição dá alguma ideia da conjuntura socioeconômica de Tessalônica nos dias de Paulo.

O comentário auxiliar desta lição diz: “A ‘paz’ de Roma veio, todavia, a mui alto custo – violência, dominação, exploração dos pobres e das classes trabalhadoras, e morte por crucifixão a todo aquele que desafiasse ou desacatasse o poder de Roma.” Isso também era verdadeiro para Tessalônica.

Uma das coisas que Roma nunca abriu mão foi dos impostos sobre os estados e cidades de suas províncias e colônias. Ora, desde tempos imemoriais os impostos sempre foram repassados para produtos e serviços, por vezes, quando abusivos, gerando economia inflacionária. Note que o autor da lição fala em transtornos econômicos, opressão dos pobres pelas classes dominantes, impotência política, inflação, níveis reduzidos de vida e outros entraves gerados por economias desarticuladas.
             
              Inevitavelmente ligadas aos problemas econômicos estavam as crises sociais. Um povo com qualidade de vida inferior não suporta por muito tempo a opressão sem dar sinais de reação. O descontentamento geral se manifestava em todas as classes, com reflexos comportamentais negativos.

Paulo teve de enfrentar uma conjuntura não muito animadora para sua missão evangelística. Porém, sua missiologia não admitia a espera de “tempos melhores”. Ele tinha uma dívida (Rm 1:14) com os gentios e tinha de pregar, não importava quão adversas poderiam ser as condições.

Fosse Paulo um pusilânime e ele daria uma desculpa a mais para não trabalhar de pronto naquela cidade. Afinal, ele ainda estava convalescendo da tremenda surra que tomara em Filipos, dos efeitos psíquicos de um aprisionamento injusto e temerário, e da reação ingrata de seu próprio povo.

Inteligentemente, Paulo ofereceu um caminho pacífico e altamente compensador como alternativa aos sofrimentos das classes pobres e à enfatuação das classes dominantes, porém, insatisfeitas com a fugaz felicidade mundana. Um Salvador maravilhoso predito por mais de 300 profecias do Antigo Testamento, que satisfaria todas as necessidades da alma atribulada e outorgaria esperança verdadeira.

O Senhor de Paulo, a quem ele pregava com denodo e muito amor, não tivera ambiente melhor para realizar Sua obra. Pelo contrário, além das restrições legais e políticas romanas, nosso Senhor teve de defrontar oposição de Seu próprio povo, das invejosas autoridades e políticos interesseiros.

             Quando mais adverso o campo missionário, maior o poder conferido pelo Espírito Santo aos pregadores do Evangelho. Nada pode deter-lhe a marcha ascendente, porque Jesus garantiu que ele seria pregado a todo o mundo, em testemunho a todas as nações.
                

Localização de Tessalônica, hoje Salônica, na moderna Grécia. Abaixo, vista aérea da cidade.


                SEGUNDA  
 Uma resposta pagã a Roma
               
                Tessalônica era uma cidade em crise em virtude da política romana e dos desmandos da administração pública. O povo não tinha como pôr-se em armas para levante popular a fim de exigir mudanças e melhores condições de vida.                  
               
               O culto de Cabirus, abordado pela lição, era o típico culto de personalidade ausente. Há até a abordagem de que Cabirus não passou de um personagem fictício, do tipo heroico e defensor dos  oprimidos. Na figura de Cabirus o povo trabalhador grego procurava segurança, liberdade e cumprimentos de suas promessas. Nos tempos do imperador Augusto, por alguma razão que ninguém conhece, o herói foi aceito posteriormente pela elite da cidade e “canonizado” para fazer parte do culto oficial. Dizia-se pela cidade que Cabirus atendia mais aos pedidos e ofertas dos ricos. Como a elite romana negava igualdade democrática à população nativa, privilegiando-se com as benesses políticas, os gregos se revoltavam por lhes serem negados os privilégios de cidadania por direito de nascimento. Essa “fina flor” romana controlava as fontes de renda.
              
               O escritor Jerome Murphy-O’Connor diz:”Diante dessa situação fica fácil entender como a pregação de Paulo era atraente para os que não tinham nada. Sua pregação correspondia, em grandes linhas, a uma teologia já considerada perdida. Paulo anunciava um jovem homem assassinado, ressuscitado dos mortos realmente, e que, por isso mesmo, tinha o poder de oferecer todos os bens no momento presente. Além disso, introduziria todos os seus seguidores num mundo completamente diferente.
              
               “Não é difícil imaginar como a proposta de um novo ‘deus’ que transformaria radicalmente a situação dos não privilegiados, seria vista pelas autoridades municipais como subversiva. Se movimentos como aquele criassem raízes e crescessem, ameaçariam os alicerces da sociedade. Mesmo que o crucificado Jesus de Nazaré pudesse parecer ridículo como um ’deus’ aos sofisticados romanos ou gregos, a classe governamental era suficientemente astuta para reconhecer o perigo de um ‘deus’ fora das estruturas da religião civil. Poderia se transformar no centro de aglutinamento do proletariado sempre instável, o eterno insatisfeito, por definição. A mensagem de Jesus poderia ser a lupa que focalizasse a luz do Sol sobre o ponto inflamável daquelas reivindicações frustradas. Sob sua inspiração, a onda de descontentamentos poderia se transformar em ação revolucionária.” Paulo de Tarso: Sua História, pp. 94, 95.                           
                 
TERÇA      
O evangelho como ponto de contato
          
                É maravilhoso o “senso de oportunidade de Deus”. Ele coordenou tudo para que Paulo chegasse à cidade justamente quando as disposições do povo estavam propícias à incursão do Evangelho. Isso nos fez pensar no estupendo e divino trabalho de distribuição do livro A Grande Esperança. Por que só recentemente a Associação Geral da IASD formulou planos para a disseminação mundial em massa do espetacular livro? Falta de visão anterior, ausência de arrojo missionário, dificuldades de recursos de financiamento? Não! Acreditamos que neste ponto de tempo em que vivemos, as almas estão mais propícias à recepção da tríplice mensagem angélica, assim como aconteceu com os tessalonicenses nos dias de Paulo.
               
                 Sabemos da importância das estratégias missionárias para o sucesso da pregação. Dotado pelo Espírito, Paulo usava sua brilhante inteligência para fazer as abordagens missionárias. Planejava, organizava, analisava, argumentava e observava com atenção a reação do público que o ouvia.
           
           Estudemos em 1Co 9:19-27 a tática paulina de contextualização. Segundo o Espírito de Profecia: “Paulo não se aproximava dos judeus de maneira a despertar-lhes os preconceitos. Não lhes dizia, a princípio, que deviam crer em Jesus de Nazaré; mas insistia nas profecias que falavam de Cristo, Sua missão e obra. Levava seus ouvintes passo a passo, mostrando-lhes a importância de honrar a lei de Deus. Dava a devida honra à lei cerimonial, mostrando que fora Cristo que instituíra a ordem judaica e o serviço sacrifical. Levava-os, então, até ao primeiro advento do Redentor, e mostrava que, na vida e morte de Cristo, se havia cumprido tudo como estava especificado nesse serviço sacrifical. 

“Dos gentios, Paulo se aproximava exaltando a Cristo, e apresentando as exigências da lei. Mostrava como a luz refletida pela cruz do Calvário dava significação e glória a toda a ordem judaica. 
              
             Assim variava o apóstolo sua maneira de trabalhar, adaptando sua mensagem às circunstâncias em que se achava. Depois de paciente trabalho, tinha grande medida de êxito; entretanto, muitos havia que não se convenciam. Alguns há, hoje, que não se convencerão seja qual for o método de apresentar a verdade; e o obreiro de Deus deve estudar cuidadosamente métodos melhores, a fim de não despertar preconceitos nem combatividade. Eis onde alguns têm fracassado. Seguindo suas inclinações naturais, têm fechado portas pelas quais, com outra maneira de agir, poderiam ter encontrado acesso a corações e, por intermédio desses, a outros ainda. 

“Os obreiros de Deus devem ser homens de múltiplas facetas; isto é, devem possuir largueza de caráter. Não devem ser homens apegados a uma só ideia, estereotipados em sua maneira de agir, incapazes de ver que sua defesa da verdade deve variar segundo a espécie de pessoas entre as quais trabalham, e as circunstâncias que se lhes deparam.”                 OE, 118, 119.

 A título de ilustração, lembramo-nos de uma experiência de como não fazer evangelismo. Logo que a CASA se mudou para Tatuí, lá pelos idos de 89-90, os adventistas locais tomaram impulso e começaram a trabalhar com mais energia com os moradores da cidade. Uma irmã, que já havia até frequentado a Central Paulistana, muito “zelosa” (as aspas são bem propositais) e “impetuosa” em seu evangelismo saía aos sábados para visitar alguns tatuianos. Era comum eles fazerem churrascadas à tarde. Essa irmã entrava nas casas e dizia que os comedores de carne não entrariam no reino dos céus. Não é preciso dizer que sua messe de almas ficou no que, em matemática, se conceitua como “conjunto vazio” (ou conjunto nulo, representado pelo símbolo \varnothingou { }. Trata-se de um conjunto que não possui elementos. É zero, zero, zero).
                                 
                                                  QUARTA 

Paulo, o “pregador de rua”
                 Estavam em moda os gurus gregos. Enxames de filósofos, oradores, sofistas[1], magos, pseudorreligiosos se espalhavam pela cidade de Corinto a fim de aliciar jovens para suas fileiras. Como pregador multiforme, Paulo falava ou discursava tanto em lugares fechados como abertos, onde fosse mais conveniente. Ele bem poderia passar por mais um dos gurus itinerantes. Acontece que enquanto os oradores não contavam com poderes espirituais para sua tarefa, Paulo era um homem cheio do Espírito.  Suas palavras continham elementos que os discursos dos “pregadores de rua” jamais podiam ter: o poder do Espírito, a verdade da Palavra de Deus, a graça de Cristo e a mensagem mais poderosa de todas: Cristo e Esse crucificado.

   Os sofistas usavam a técnica do contra-argumento. A saber, que qualquer argumento ou arrazoado podia se contestado por outro que parecesse ter foros de verdade, porém, que servia simplesmente para recplicar e não para encontrar a verdade do fato.
   
   Eles são considerados por certos historiadores como os primeiros advogados da história, porque cobravam honorários dos clientes para efetuar sua defesa pública (nada de errado, diga-se de passagem).

   Sua corrente filosófica, a Sofística,  afirmava que não havia verdade absoluta, porém, só a relativa grego. Diziam que os valores morais e a verdade mudam com o tempo. Não é isso que o pós-modernismo defende? Seus defensores habilitavam-se na Erística, uma habilidade desenvolvida que conseguia sustentar e refutar, ao mesmo tempo, teses contraditórias.

                Paulo tinha contra seu projeto missionário a mentalidade generalizada de um confuso panorama cultural e religioso, por causa das várias correntes de pensamento popular. Ainda corria o risco de ser confundido com esses tipos de oradores andarilhos, o que rebaixaria a mensagem do Cristo morto, crucificado e ressurreto  ao nível de uma Babel cultural.

                Nossa lição destaca os eventuais paralelos existentes entre o trabalho de Paulo e dos oradores públicos. O apóstolo pregava tanto nas sinagogas (edifícios reservados) como nas praças (logradouros públicos). Atos 17:17 diz que Paulo “dissertava” nas sinagogas e nas praças. Dissertar, no original grego, tem o sentido de debater, arguir, discursar, o mesmo que faziam os mestres de Atenas e do mundo grego em geral.

                Quando pregou na sinagoga de Éfeso e tendo encontrado oposição por parte de certos frequentadores, resolveu levar os discípulos para a Escola de Tirano, a fim de poder ensiná-los diariamente. Não somente isso, durante três anos esse lugar público serviu de ponto de conferências do apóstolo, alcançando uma coletividade muito maior do que se houvesse estado na sinagoga.

                As gigantescas diferenças entre o trabalho de Paulo e as daqueles mestres gregos era que eles pensavam que sabiam o que era verdade. Paulo tinha a certeza da verdade porque essa lhe fora revelada diretamente por Cristo Jesus. Os filósofos pregavam que a potencialidade do homem podia levá-lo a adquirir um estágio superior de conhecimento da verdade. Paulo defendia que o homem nada podia fazer para libertar-se de sua carnalidade e viver dissoluto, senão por meio do Salvador que fora enviado do Céu. Que existia algo chamado obra da graça, uma operação dirigida pelo Espírito Santo, a qual capacitava o homem a refletir os princípios da verdade e da justiça, e o tornava melhor em todos os aspectos da vida. Os filósofos pregavam elevação temporal, Paulo pregava salvação eterna.                  
                 
QUIN TA  
Igrejas nos lares

                Foi naquele tempo que começaram os pequenos grupos. A organização da igreja era ainda incipiente ou principiante. Ela não possuía patrimônio, instituições, sanatórios, colégios, universidades, sistema financeiro institucional, etc. Era preciso um lugar para adorar a Deus segundo os ditames de consciência dos seguidores de Cristo. Irmãos que possuíam propriedade com cômodos suficientes para receber certo número de crentes para culto, emprestavam seus lares. Áquila e Priscila, colaboradores e amigos de Paulo, tinham uma igreja em seu lar (1Co 16:19). Ninfa, cristã de Laodiceia, também patrocinava uma igreja cedendo os cômodos de sua casa para as reuniões religiosas. Provavelmente esses locais serviam também como pontos de encontro para planejamento, hospedagem e núcleos de beneficência social.
                 
Residências do mundo romano – As casas romanas tipo domus seguiam um padrão. Havia um cômodo com um espaço no centro, em geral de ladrilhos, chamado "impluvium", onde caía a água da chuva, por uma abertura no teto (o "compluvium"). Esse cômodo onde ficava o "impluvium" era o "atrium". Em volta do atrium havia quartos e outros cômodos da casa. Não havia corredores, tudo ficava disposto em volta de cômodos centrais. Além do "atrium" havia o "peristilum", um pátio com um jardim no centro, em cujo redor havia os cômodos restantes da casa. Havia também a exedra, um recinto com assentos para reuniões e discussões, e o vestibulum que era a entrada principal da casa. .

Já as insulas eram, na arquitetura romana, habitações mais simples, domicílios das classes menos favorecidas. Como se vê na foto das ruínas de uma insula, eram semelhantes aos prédios de andares que temos hoje ou a sobrados. As ínsulas eram alugadas, mui pequenas, normalmente com um quarto onde chegavam a morar famílias inteiras.Embora a cidade de Roma possuíse rede de esgotos, as insulas não tinham locais de banho. Sua construção não era muito sólida. Eram construídas de madeira e tijolos ou pedras, o que as tornava alvos fáceis de incêndios. Por isso Nero não encontrou dificuldade em ordenar o grande incêndio. A proporção de insulas para domus era de quatro para uma.

Os irmãos mais abastados cediam seus domus para servir de casas de culto. Os irmãos mais pobres também se sentiam honrados e privilegiados em contribuir para a crescente igreja cristã, que cada vez mais demandava locais para abrigar os conversos e prepará-los para edificar sua fé e pregar a mensagem.
Pela proporção vista anteriormente, é provável que havia mais pequenos núcleos de adoração do que grandes. Os irmãos tinham uma fé tão vibrante que não reclamavam das acomodações. A igreja, estivesse num domus ou numa insula, era para eles a porta do céu.


[1] Os sofistas eram adeptos de uma escola filosófica e  viajavam por todo o mundo greco-romano para discursar em pública a fim de atrair estudantes de filosofia. Eles se ofereciam como mestres e cobravam estipêndio desses alunos para transmitir-lhes conhecimentos. Seus ensinamentos tinham como principal matéria a oratória, a argumentação pública e técnicas de persuasão coletiva. Esses professores gabavam-se de ensinar comportamentos virtuosos, isto é, de melhorar os cidadãos apenas usando o poder de convencimento de suas palavras.

Comentários Lição 3 - Tessalônica nos dias de Paulo (Prof. Sikberto)


14 a 21 de Julho de 2012

Verso para memorizar:Embora seja livre de todos, fiz-me escravo de todos, para ganhar o maior número possível de pessoas” (I Cor. 9:19, NVI).

Introdução de sábado à tarde
O estudo das lições desta semana não é tanto baseado na Bíblia quanto se está acostumado, mas sim na arqueologia e outros escritos, que evidentemente complementam o texto sagrado. O autor assim visa dar embasamento mais amplo para que possamos entender melhor o relacionamento de Paulo com os tessalonicenses, e assim obtermos boas lições para nós sobre comportamento e atitudes adequadas como verdadeiros cristãos.
É de se notar o verso bíblico desta semana. Um homem chegar ao ponto de se destinar exclusivamente à salvação de outros, como se fosse escravo das pessoas, ou seja, como sendo esta a ordem imperiosa da qual não podia se eximir. A tal ponto chegou o amor dele pelas pessoas. Parece que só JESUS o suplantou.

1.      Primeiro dia: Os romanos chegam a Tessalônica
Vamos conhecer um pouco sobre a situação política de Tessalônica nos dias de Paulo. “Cidade grega fundada por Cassiandro em 316 a.C. Esse general de Alexandre, o Grande batizou a cidade com o nome de sua esposa. Importante centro comercial desde 168 a.C., Tessalônica foi anexada ao Império Romano em 168 a.C. e tornou-se capital da Macedônia”.
A cidade era uma grande base naval, principal porto na Macedônia, com aproximadamente 200.000 habitantes no tempo de Paulo. Na batalha de Pidna, a cidade redeu-se aos romanos, em 168 a. C. Na guerra contra Cássio e Bruto, a cidade ficou ao lado de Antônio, que venceu, pelo que foi declarada ‘cidade livre’, recompensa por sua lealdade, mas estava ainda sob tutela romana. Foi em cerca de 42 a.C. que Augusto tornou-a numa “cidade livre”, por isso era governada pelo povo, tendo os politarcas (6 pessoas locais) como oficiais eleitos. Estes se preocupavam em manter a paz, caso contrário, os romanos tirariam o seu status de “cidade livre”.
 Desfrutou dessa condição durante o Império Romano, tornando-se a mais próspera da Mesopotâmia. A localização geográfica da cidade favorecia o comércio e também a expansão do evangelho.
Os tessalonicenses gozavam de maior liberdade política que Jerusalém. Os líderes políticos e as pessoas ricas da cidade levavam vantagem com essa situação. Eles não queriam perder o status de cidade livre. Por isso, cuidavam em não permitir qualquer tipo de movimento que atraísse o desgosto do imperador romano, assim como também agiram os líderes do Sinédrio ante as pregações de JESUS. Sendo assim, não era difícil para algum fanático agrupar pessoas contra algum pregador cristão, como foi o caso de Paulo. Naquela cidade Paulo só conseguiu pregar durante três sábados, e teve que ir embora. Mas ficou ali um grupo que prosperou. Os judeus contra JESUS usaram, em parte, da situação de liberdade da cidade, que, com o movimento de Paulo, pudesse atrair o ódio de Roma e perderem essa condição. Enfim, tudo é válido para ser usado contra o reino de DEUS, desde que este venha a ameaçar o império de satanás. Em nossos dias também será assim: os verdadeiros adoradores serão acusados de desordeiros, de ameaça a unidade religiosa, de serem contra a Nova Ordem Mundial, e assim por diante. O povo trabalhador era o que mais sofria porque os romanos cobravam tributos, e naqueles tempos, como hoje também, eram estes que pagavam. Portanto, eram presa fácil de revolucionários, e pregadores como Paulo podiam ser classificados como tais, sendo, portanto, ameaça às classes mais abastadas e favorecidas.

2.      Segunda: Uma resposta pagã a Roma
Com suas muitas formas de adoração pública, Tessalônica é uma referência quanto a divinização de imperadores; possuía um templo para o culto a César. Em suas moedas a cidade de Roma e os seus imperadores eram retratados como divindades. Possuía um templo à deusa Ísis, ao lado de Kabirus, sua divindade protetora. Dos relatos que envolvem personalidades nos ritos sagrados das cidades gregas, desde o século VI a.C., é possível afirmar que os tessalonicenses praticavam cultos de mistério, principalmente a Kabirus, também protetor da cidade de Filipos. Esse Kabirus era um deus menor, e foi um homem morto por seus irmãos. O povo confiava muito nele, e tinha esperança de que os socorresse. Mas o imperador romano, especialista em trapaça e enganação (como são muitos políticos), propagou que ele era a reencarnação de Kabirus.  Em meio a toda essa diversidade cúltica havia uma comunidade judaica que, descontente com o êxito do programa evangelístico, agita o povo da cidade contra o apóstolo Paulo. Com o tempo o povo perdeu a esperança de que este Kabirus os socorresse, e assim abriu-se espaço para outra pregação, a do cristianismo, colocando a esperança em JESUS CRISTO.
Em nossos dias também é assim. Há igrejas prometendo milagres e demonstrando que os fazem. Porém, há muitos relatos de falsidade, e muitos pessoas que vão a essas igrejas percebem que estão sendo ludibriadas, e que os seus líderes só estão interessados nas ofertas. Já conheci vários casos de pessoas que saíram de lá em busca de uma mensagem mais bem fundamentada. Cresce o número de pessoas que já não veem mais sentido no evangelho da prosperidade, da cura e dos milagres, com montões de dinheiro que vai para as mãos de poucos, e que sustenta suntuosas mansões. Por exemplo, os dados dizem que entre 2003 e 2009, 24% (480 mil) dos membros deixaram a igreja de Edir Macedo. Ao mesmo tempo, aumentou nesse período a proporção de 4% para 14%, dos ditos ‘crentes genéricos’: aqueles que assistem mais de uma igreja, e muitos deles procuram por uma definitiva.  São dados da POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), do IBGE. A Igreja Católica, no Brasil, e em diversos lugares no mundo, principalmente nos países desenvolvidos, vem perdendo fiéis vertiginosamente. Os católicos que representavam 93,5% da população em 1950, eram 73,7% no censo de 2000, e em 2009 eram apenas 68,4%. A evasão é mais acentuada nas faixas jovens. Essas pessoas estão em busca de um evangelho que lhes satisfaça as necessidades espirituais. Em todo o mundo cresce o vácuo para a pregação do evangelho eterno. O mundo está amadurecendo para a pregação final.

3.      Terça: O evangelho como ponto de contato
Paulo era um pregador bem flexível que se adaptava facilmente às novas culturas. Ele adaptava sua estratégia de pregação conforme o lugar. Chegando a uma nova cidade, primeiro estudava bem as condições culturais e a religiosidade bem como as divindades do local. Depois decidia como iria pregar.
Essa é uma estratégia que ainda devemos utilizar hoje, mas com muito cuidado, assim como fez Paulo. Isso não quer dizer que devamos fazer concessões em relação aos nossos princípios nem a nossa cultura de adventistas, que é superior a tudo nesse mundo.
O interessante é que abrir-se para um pouco de mundanismo é uma estratégia que facilmente atrai grande número de pessoas. Foi assim que a Igreja Católica granjeou milhares de fiéis, e hoje conta com mais de um bilhão, mas está em franco declínio mundo afora. Nessas igrejas, os muitos que assim conquistam estão salvos? É assim que a igreja de Edir Macedo, a “Universal”, em 30 anos, só no Brasil chegou a 13 milhões de membros com mais de 15 mil pastores e 5 mil templos. Essas igrejas neopentecostais utilizam o evangelho popular mundanizado para cativar pessoas. Seria essa uma boa estratégia para a Igreja Adventista? Eis que já existe, entre nós, de modo oficial, tais iniciativas, que podem ser classificadas como estratégias degeneradas a partir das de Paulo, assim como essas igrejas novas, ricas e cheias de fiéis, mas cujo destino é a morte eterna.
Ellen G. White tem uma palavra segura a esse respeito.
“Muitos supõem que, para se aproximar das classes mais altas, é preciso adotar uma maneira de vida e um método de trabalho que se harmonizem com seus fastidiosos gostos. Uma aparência de riqueza, custosos edifícios, caros vestidos, equipamentos e ambiente, conformidade com os costumes do mundo, o artificial polimento da sociedade da moda, cultura clássica, as graças da oratória, são considerados essenciais. Isso é um erro. O caminho dos métodos do mundo não é o caminho de Deus para alcançar as classes mais elevadas. O que na verdade os tocará é uma apresentação do evangelho de Cristo feita de modo coerente e isento de egoísmo” (A Ciência do Bom Viver, 214).
Levá-los-emos então a concluir que as reivindicações de Cristo são menos estritas do que uma vez creram, e que pela conformação com o mundo exercerão maior influência sobre os mundanos. Assim se separarão de Cristo; então não terão forças para resistir ao nosso poder, e dentro de pouco tempo estarão prontos para ridicularizar o seu antigo zelo e devoção” (Testemunhos para Ministros, 274, grifos acrescentados).
“O Senhor há de em breve trabalhar com maior poder entre nós, mas há o perigo de permitirmos que os nossos impulsos nos levem aonde o Senhor não quereria que fôssemos. Não devemos dar um passo para depois retroceder. Devemos caminhar solene, prudentemente, não fazendo uso de expressões extravagantes, nem permitindo que os nossos sentimentos sejam excessivamente agitados. Devemos pensar calmamente, e agir sem empolgação; pois há alguns que ficam facilmente arrebatados, que se aproveitam de expressões sem fundamento e usam pronunciamentos extremos para criar agitação, impedindo assim a própria obra que Deus queria fazer. Há uma classe de pessoas sempre dispostas a escapar por alguma tangente, que desejam apreender qualquer coisa estranha, maravilhosa e nova; mas Deus quer que todos procedam calma e ponderadamente, escolhendo as palavras em harmonia com a sólida verdade para este tempo, a qual precisa, tanto quanto possível, ser apresentada ao espírito isenta do que é emocional, conquanto ainda levando a intensidade e solenidade que lhe convém. Devemos guardar-nos de criar extremos, de animar os que tendem a estar ou no fogo, ou na água” (Testemunhos para Ministros, 227 e 228, grifos acrescentados).
O mundo será convencido, não pelo que o púlpito ensina, mas por aquilo que a igreja vive. O pastor anuncia do púlpito a teoria do evangelho; a piedade prática da igreja lhe demonstra o poder” (Serviço Cristão, p. 67, grifo acrescentado).

4.      Quarta: Paulo, o “pregador de rua”
Nos tempos de Paulo havia outros ensinadores públicos que se apresentavam nas praças. Eram os filósofos. Os primeiros deles surgiram na região de Jônia e Magna, na Grécia, lá pelo século VII e VI antes de CRISTO. O primeiro deles foi Tales de Mileto. Eram os pré-socráticos.
Eles criavam suas próprias teorias, ou seguiam as de algum mestre anterior, pelo que se chamavam discípulos deste ou daquele mestre. Buscavam entender de oratória, e se tornaram grandes debatedores e muito capazes de argumentação e do uso da voz e do corpo ao se apresentarem em público. Realmente eles impressionavam as pessoas que geralmente gostavam de ouvi-los.
Esses filósofos ensinavam ciência humana, baseada no método do pensamento racional dedutivo. Por exemplo, Sócrates (que viveu entre 470 e 399 a. C.) dizia coisas que impressionavam, mas que estavam erradas à luz da Bíblia: “Só sei que nada sei”; “o verdadeiro conhecimento vem de dentro.”
O que os filósofos, em geral, ensinavam? Isso depende de que mestre seguiam. Tessalônica não era uma cidade que produzia filósofos. Para lá iam seguidores vindos de outro lugar, ou que eram de lá, mas que haviam aprendido filosofia, geralmente na Grécia. Eles ensinavam sobre o que é o ser humano, defendendo a imortalidade da alma. Também ensinavam sobre como se tornar bom cidadão ativando o poder interior, submisso à racionalidade humana. Evidentemente não admitiam o DEUS verdadeiro, e estavam ligados à mitologia pagã, de diversas origens e vertentes, mas que, em síntese, se originou com Ninrod, bisneto de Noé.
Paulo também usava a rua para pregar, embora não só, pois pregava também em templos e em casas. Paulo ensinava de um modo diferente. Conforme a lição, ele dizia que o verdadeiro cristão devia separar-se de certas coisas do mundo (como ainda hoje ensinamos) e que a salvação vem de DEUS, isto é, uma operação de fora para dentro, uma recriação (como também ainda ensinamos hoje).
Em nossos dias há muitos mestres ensinando tudo que é coisa. A moda hoje é ensinar que DEUS quer nos enriquecer nesse mundo, que podemos viver como desejamos, pois uma vez tendo-nos entregue a JESUS, estamos salvos para sempre. O que importa é seguir determinada igreja, contribuir com muito dinheiro, e cada uma se diz a verdadeira. Faz parte da moda músicas batidas em alto volume, curas e milagres bem como falar línguas, dependendo da igreja.
De modo diferente, igreja verdadeira vai concluir a pregação da mensagem a ela confiada, a todo o mundo, por meio do poder do ESPÍRITO SANTO, utilizando-se de métodos bem simples, tão simples que irão impressionar até mesmo os líderes da igreja. Isso ainda está no futuro, mas veremos em poucos meses. Ellen White escreveu sobre isso: “Permiti-me dizer-vos que o ‘SENHOR’ trabalhará nesta última obra de um modo muito fora da comum ordem de coisas e de um modo que será contrário a qualquer planejamento humano. Haverá entre nós, os que sempre desejarão dominar a obra de ‘DEUS’, para ditar até que movimentos se farão quando a obra avançar sob a direção do anjo que se une ao terceiro anjo na mensagem a ser dada ao mundo. ‘DEUS’ usará maneiras e meios pelos quais se verá que Ele está tomando as rédeas em Suas próprias mãos. Surprender-se-ão os obreiros com os meios simples que Ele usará para efetuar e aperfeiçoar sua obra de justiça” (Testemunhos para Ministros M, 300 e  Eventos Finais, 175, grifos acrescentados).
DEUS utilizará “meios simples” para concluir a Sua obra. Tão simples que os obreiros se surpreenderão. Se tivermos o poder do ESPÍRITO SANTO, poderemos deixar de lado os artifícios de origem humana e de fora, que hoje na igreja são bastante utilizados, mas que nada mais são senão misturas de cristianismo com paganismo. Nós somos uma igreja peculiar, temos que ser criativos e originais, e também dependentes do poder de DEUS, não das coisas do mundo. Esta é uma profecia de Ellen G. White que se cumpre.

5.      Quinta: Igreja nos lares
Creio que a resposta ao que debatíamos, no dia de ontem, no finalzinho do comentário, está no dia de hoje. Como funcionava, em muitos lugares, a igreja nas primeiras décadas do cristianismo? Em muitos lugares não havia uma construção apropriada para abrigar os membros da igreja, então eles se reuniam nos lares, ou em salas pequenas. Lembro que tendo ido pregar sobre profecias em muitos lugares, às vezes ia para grupos bem pequenos, que alugavam uma sala pequena, e bem aconchegante, e nela se organizavam como um grupo para realizarem seus cultos. Eram irmãos zelosos que enfeitavam o lugar com flores, e tudo bem organizado e bonito. Todos se conheciam bem, e se alegravam estando juntos. Ao meio dia almoçavam juntos. Eram grupos de 30, 40 ou 50 pessoas. Como é bom quando estamos num grupo assim, pequeno mas dinâmico, com iniciativa, boa liderança, sempre com alguma novidade, nunca parada na monotonia. Resumindo, muito aconchegante, um lugar para se ser feliz.
Essa é a ideia dos pequenos grupos. Devem ser dinâmicos, com novidades, liderados por pessoas com iniciativa de criar situações agradáveis a todos.
Tenho ido a igrejas grandes. Mais de mil membros por exemplo. Nelas se formam grupos menores, desligados uns dos outros. E não há o mesmo espírito de unidade e fraternidade como nessas mais pequenas. Como é bom sentir-se pertencente a uma família, onde todos se conhecem e se amam.
Pois será assim que a obra será concluída, por meio de pequenos, simples, dinâmicos grupos, onde todos se amam mutuamente.

6.      Aplicação do estudo Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:
Como naqueles tempos, quando os apóstolos saíram a pregar, muitos (mas nem todos) estavam fartos de falsas pregações, e almejavam algo mais sólido e duradouro. Hoje é o mesmo. Há milhões de pessoas, hoje, sendo iludidas por pregadores da prosperidade secular, quando eles mesmos, e só eles, enriquecem. E são milhões de membros que nada percebem que isso está tudo errado, e que é um cenário profético do fim do mundo.
Mas nem todos caem e ficam nesse estado de torpor, sem perceber absolutamente nada. Há um bom número de pessoas que são inteligentes para perceber que, quando só o pastor enriquece, algo está muito errado. Essas são pessoas que precisam de uma religião, mas elas detectam que, onde estão, irão para um lugar que não desejam. Essas pessoas, percentualmente um grupo pequeno, mas numericamente um número expressivo, estão maduras para receber a mensagem bíblica autêntica, que só a Igreja Adventista pode dar. JESUS CRISTO está conduzindo a igreja para que bem logo tenha poder para buscar essas pessoas para fazerem parte da igreja verdadeira. Então a obra será concluída.

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Mais uma infeliz noite de jogo

Confesso que hoje meu discernimento cristão amanhece abalado! Sinceramente, não tenho nada contra palmeirenses, corintianos, são-paulinos ou sei lá o que. Particularmente prefiro "torcer" para as pessoas que conheço e investir meu tempo nisto, sobretudo na minha família e meus amigos, mas as pessoas torcem para o que elas quiserem.

O que me deixa indignado é que o grau de idolatria vem crescendo absurdamente de um tempo para cá diante de tudo que é relacionado a futebol, ainda mais falando de Brasil. Sim idolatria, e idolatria pura, desordenada e mega acentuada, onde ALGUNS destes "discípulos louvam seus deuses" a todo custo. Alguns são capazes de matar e morrer por estes times, basta ler algumas notícias.

Infelizmente, AINDA moro em meio à selva de pedra junto a dezenas de outros prédios paralelos ao meu e estes "discípulos" mal educados, ou melhor, isentos de educação, não conseguem extravasar seu sentimento de alegria vazia e passageira dentro de suas próprias casas. Eles precisam sair gritando, xingando, provocando, buzinando, cantando, soltando fogos, de suas próprias varandas ou pior ainda, numa "romaria" com seus carros em plena primeira hora da madrugada.

Incrível não poder ter o direito de dormir com tamanha algazarra. E não falo só por mim, mas sobretudo pelos meus filhos pequenos e por aqueles que estão na mesma condição que eu. Se tais pessoas desejam ficar bocejando o dia posterior inteiro de ressaca por álcool ou por sono, o problema realmente é delas, mas o que eu não me conformo é que me obriguem a ter este mesmo tipo de problema. Sem contar que somos todos obrigados a ouvir as palavras mais baixas chegando aos ouvidos dos nossos filhos.

Fico pensando se alguns destes fiéis torcedores possam ser também aqueles declarados fiéis de Cristo. Fico imaginando se estes discípulos do futebol são proporcionalmente tão bons adoradores de Cristo como o são de seus ídolos do esporte; se conhecem os dez mandamentos como conhecem as regras do jogo; se conhecem os nomes dos 12 apóstolos como conhecem do time principal e do reserva.

É verdade, isto é só um desabafo corriqueiro e talvez também esteja desordenado. Verdade também que estas palavras não se aplicam a todos, mas a apenas alguns que passam a fronteira do bom senso. Mas caso você seja um daqueles bons filhos de Deus e talvez esteja se conformando com as coisas deste mundo e a maneira de como estas coisas são feitas acreditando que esta torcida acentuada é natural e aceitável, fica aqui algumas instruções da palavra de Deus:

Êxodo 23:2-3 “Nao seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda darás testemunho, acompanhando a maioria, para perverteres a justiça...”

Provérbios 4:14-16 “Não entres na vereda dos ímpios, nem andes pelo caminho dos maus. Evita-o, não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo. Pois não dormem, se não fizerem o mal, e foge deles o sono se não fizerem tropeçar alguém.”

Que Deus nos abençoe a todos, e que nos próximos dias de jogo, os verdadeiros filhos de Deus se afastem de toda e qualquer situação incompatível com a vontade do Mestre.

Frases #36

"UFC começou com Caim, passou pelo Coliseu, chegou nos estádios e agora está na sua casa e no seu coração mascarado de esporte!"

Pr. Ivan Saraiva

Comentários Lição 2 - Preservando Relacionamentos (Prof. Sikberto)


07 a 14 de Julho de 2012

Verso para memorizar:Quem é a nossa esperança, alegria ou coroa em que nos gloriamos perante o Senhor JESUS na Sua vinda? Não são vocês? De fato, vocês são a nossa glória e nossa alegria” (I Tes. 2:19 e 20, NVI).

Introdução de sábado à tarde
Onde alguém pregasse o evangelho havia oposição. JESUS, quando Se levantou para iniciar a pregação, logo recebeu oposição. Isso aconteceu em Seu primeiro sermão, conforme Lucas 4:28 e 29. E assim foi em todos os dias de Sua vida, até que O mataram. O interessante, e até irônico, é que Ele veio para morrer. Assim, opondo-se a Ele, na verdade estavam ajudando-O a cumprir Sua missão. E o mesmo ocorreu com os missionários posteriores a JESUS. Um caso com Paulo foi a conversão do carcereiro. Os inimigos do evangelho, pensando calar Paulo, na verdade o colocaram ao alcance de mais uma família que de outro modo talvez nunca soubesse sobre JESUS, e a família do carcereiro foi convertida. Para isto, as portas da prisão se abriram com um terremoto. É evidente que DEUS estava agindo.
Paulo, depois que semeou o evangelho, foi expulso da cidade de Tessalônica. Mas o evangelho, como de costume, ganhou com isso, pois ele, não querendo abandonar aqueles irmãos novos na fé, lhes escreveu duas cartas, que passaram a fazer parte da Bíblia, e serviram como orientação a um número multiplicado de crentes ao longo dos séculos, muito maior que os crentes de Tessalônica. Quem poderá lutar contra DEUS e obter vantagem?
Paulo passou a amar os irmãos de Tessalônica. E o amor sempre leva as pessoas a se ligarem entre si, procurando relacionar-se. Aliás, DEUS criou os seres humanos para se relacionarem, pois isto é absolutamente necessário para que sejam felizes.

1.      Primeiro dia: Oposição em Tessalônica
Está muito bem explicado, no texto da lição, o que ocorreu em Tessalônica. Por isso iremos comentar a motivação em combater o evangelho, que estava por trás desses fatos.
Como explica o texto da lição, a motivação primária da expulsão de Paulo e Silas de Tessalônica era o medo de que lá acontecesse o mesmo que aconteceu em Roma pouco tempo antes (leiam no texto da lição). Havia, portanto, uma aparente provocação contra as autoridades de Roma, pois parecia estarem pregando que se levantava um novo rei para derrubar o imperador. Na verdade era isso que o povo judeu aguardava tão ansiosamente: que viesse o Messias e os libertasse do Império Romano. Mas o Messias veio diferente, e em grande parte não agradou nem os líderes judeus, que queriam permanecer ligados às autoridades romanas, e nem o povo judeu, que viu em JESUS apenas um homem pobre e sem capacidade de liderar uma revolução nacionalista. Seguiram-No apenas aqueles que entenderam, pela Sua explicação e pelas Escrituras, que o Messias desta vez viria não para ser rei, mas para ser mártir, e Se tornar o Salvador. Embora fosse essa a explicação que os missionários cristãos davam em suas viagens, mesmo assim, eram combatidos com o mesmo argumento usado para condenar JESUS: Ele Se dizia Rei. Agora eram aqueles pregadores que O proclamavam Rei.
No entanto, se bem que O chamavam Rei, deixavam bem claro que não era em relação a nenhum reino deste mundo. Ele era Rei do Universo.
Então, se não havia ameaça alguma ao Império Romano nas pregações dos primeiros cristãos, por que razão eram perseguidos? Note nos versos que a lição de hoje destaca, Atos 17:5 a 9. Perseguiam a Paulo e Silas por inveja. Por trás dos atos deles estava o demônio, pois via o avanço bem sucedido das missões missionárias, e a igreja crescendo em todos os lugares, e ele perdendo adeptos. O inimigo precisava agir, e criou argumentos tão bem engendrados que pareciam lógicos para convencer o povo e as autoridades que aqueles simples e inocentes pregadores eram uma perigosa ameaça ao Império Romano, bem como às autoridades locais.
Assim será em nossos dias, quando a igreja começar a pregar com mais poder, o que, aliás, já está acontecendo, embora ainda em pequena escala. Virão contra a Igreja Adventista e seus adeptos fervorosos (porque os demais se alinharão com os inimigos), e os atacarão por meio de diversas leis, como as da homofobia, do domingo, etc. Serão criados argumentos que parecem bem fundamentados, e amparados por leis civis, que darão a entender que os atos dos pregadores são uma afronta à sociedade. Inclusive, por exemplo, o estilo de vida de nosso povo será visto como prejudicial – o fato de não comermos certas carnes, ou carne alguma, de não ingerirmos bebidas misturas com álcool, e assim vai. O principal motivo, hoje, de oposição, será o sábado bíblico em confronto com o domingo pagão. Tudo será muito bem fundamentado em leis civis ou em acordos globais.
O que aconteceu em Tessalônica nos serve de modelo para sabermos como nos preparar para o que irá acontecer em poucos anos. Isso para que não sejamos pegos de surpresa, e que a pregação da igreja não sofra impedimento.

2.      Segunda: O episódio em Bereia
“Ora, estes de Bereia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a Palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (Atos 17:11). Paulo operou sinais em Bereia, mas os cristãos dali determinaram se Paulo era de Deus ou não, examinando se o que Paulo falava estava de acordo com as Escrituras ou se não estava. (Deuteronômio 13:1-5; Jeremias 23:25-32; 1 Coríntios 12:1-3; 1 Tessalonicenses 5:21 podem ser estudados para mais ajuda neste ponto).
Aqui está a diferença entre o preconceito e a mente aberta com segurança. Há três tipos de pessoas quanto à Bíblia. Os preconceituosos são contra, e muitas vezes nem sabem por quê. Ou porque é moda ser contra a Bíblia, ou porque algumas coisas da Bíblia denunciam que a vida destas pessoas precisa mudar. Também há os superficiais, que aceitam tudo sem se importarem se é realmente verdadeiro. Em nossos dias são tantos que é bem fácil criar uma nova igreja ou seita, e escrever na frente: “venha aqui para curas e milagres, também expulsamos demônios todas as noites” que logo o lugar irá lotar. Mas se escrever na frente algo assim: “aqui se ensina sobre JESUS com base na Bíblia”, se vierem algumas poucas pessoas, sinta-se recompensado. Tal anúncio certamente faria efeito se fosse em Bereia. E há uma terceira classe que não acredita facilmente em qualquer coisa, mas também não é preconceituosa. Estes ouvem e depois abrem as suas Bíblias e conferem se aquilo que ouviram têm fundamento e é consistente. Quantos agem assim hoje? Uma minoria quase inexpressiva. Por isso é tão fácil enganar as pessoas quanto à fé, pois quase ninguém confere na Bíblia. Os judeus de Bereia eram especiais, mais nobres, porque após ouvir um sermão, em casa, geralmente em grupos, conferiam as novidades em seus rolos do Velho Testamento para comprovar a veracidade. Por isso eles foram considerados, por Paulo, mais nobres, ou seja, mais dignos de confiança e do nome de cristão.
Em nossos dias, aqueles que apenas são “cristãos de ouvido” são facilmente manipuláveis. Se são adventistas, qualquer dúvida... e já não sabem responder. Se são de outra denominação tradicional, ficam ali porque os pais já foram dessa igreja. E se são das novas igrejas que vêm surgindo, facilmente trocam por outra que lhes pareça mais atraente com mais vantagens aqui e agora. Esse é um ponto destacado pela lição, mas há outro: o da provocação.
Devemos ter muito cuidado em não provocar a oposição, principalmente por parte de outras denominações. Essa frase que escrevi tem que ser considerada com muito cuidado. Ela não quer dizer que não devamos pregar a verdade porque pode desencadear perseguições.
O que nós adventistas devemos ter cuidado é em não ofender as outras igrejas ou seus membros como se fossem gentios. Devemos tratá-los como irmãos. E sem temor, como fizeram os apóstolos, nos compete pregar toda a verdade, fazendo-o com diplomacia, mas sem esconder nada. Afinal, foi assim que os primeiros missionários agiram, e DEUS aprovou. E como membros que somos, devemos dar bom testemunho sendo bons cidadãos, honestos, corretos, de bom relacionamento com as pessoas, com famílias equilibradas onde se cultiva a felicidade, a saúde e a certeza da vida eterna. Nosso testemunho tem que ser coerente com a nossa pregação. Há muitos pastores nossos que nesses últimos anos vem pregando abertamente toda a verdade. Isso irá desencadear perseguição. Mas essa pregação não pode ser evitada e é esse o caminho, temos que esclarecer tudo. O que devemos evitar é o comportamento inadequado que se chama mau testemunho, porém, a verdade não pode ser escondida.
“Ao avançar a obra do povo de Deus com santificada e irresistível energia, implantando na igreja o estandarte da justiça de Cristo, movida por um poder que vem do trono de Deus, tornar-se-á a grande controvérsia cada vez mais forte, e se tornará cada vez mais determinada. Mente se aparelhará contra mente, plano contra plano, princípios de origem celestial contra princípios de Satanás. A verdade em seus variados aspectos estará em conflito com o erro em suas formas sempre variadas e crescentes, e que se possível, enganariam os próprios escolhidos.” (CRISTO Triunfante, MM, 2002, 360).
 “Estendendo-se a controvérsia a novos campos, e sendo a atenção do povo chamada para a lei de Deus calcada a pés, Satanás entrará em ação. O poder que acompanha a mensagem apenas enfurecerá os que a ela se opõem. O clero empregará esforços quase sobre-humanos para excluir a luz, receoso de que ilumine seus rebanhos. Por todos os meios ao seu alcance esforçar-se-á por evitar todo estudo destes assuntos vitais. A igreja apelará para o braço forte do poder civil, e nesta obra unir-se-ão católicos e protestantes. Ao tornar-se o movimento em prol da imposição do domingo mais audaz e decidido, invocar-se-á a lei contra os observadores dos mandamentos” (O Grande Conflito, 607).

3.      Terça: O interlúdio em Atenas
Paulo foi corajoso em ir para Atenas. Se bem que naqueles dias essa cidade já não era mais importante como nos tempos do Império Grego de Alexandre, ainda era uma cidade de forte cultura própria. Os restos do Império Grego foram conquistados militarmente pelo Império Romano, mas Roma foi culturalmente conquistada pelos filósofos gregos. E esses filósofos fizeram, bem mais tarde, outra importantíssima conquista: a igreja cristã. Grande parte dos dogmas da Igreja Católica se originam da filosofia grega. A influência dos pensadores gregos sobre o mundo é inestimável.
Atenas, nos dias de Paulo, ainda era a “Universidade do Mundo”. Depois dela, em lugar algum na história da época, havia tanta tradição cultural. De Atenas havia saído generais, estadistas, historiadores, oradores, poetas e filósofos. Essa era a terra dos grandes filósofos como Tales de Mileto, Aneximenes, Sócrates, Platão, Aristóteles. Lá a filosofia, que é o estudo sobre a existência do ser humano e das coisas, e assim vai, se desenvolvera como em nenhum outro lugar do planeta. Mas esses pensadores todos era pagãos, e em grande parte se inspiravam de tradições religiosas e culturais de povos ainda mais antigos, como os babilônios, os egípcios, os sumérios e outros. Foram os filósofos gregos que organizaram o pensamento pagão e lhe deram característica de ciência para aqueles tempos. Ali Paulo, digamos, ‘se meteu’, ou seja, ele foi tentar levar o evangelho a esses grandes pensadores, cheios de si pela capacidade de argumentação e retórica bem desenvolvida, mas fundamentada em bases falsas. Atenção: tudo o que se fundamenta em bases não verdadeiras, pode ser muito bem desenvolvido a tal ponto que pareça verdadeira e confiável, como hoje é a teoria da origem das espécies. E quem a defende, torna-se tão confiante nas ideias que não admite outras, e passa a não dar crédito algum a quem pense diferente. Isso também acontece hoje, da parte dos evolucionistas para com os criacionistas. Ali Paulo foi falar sobre JESUS, e foi, digamos, mal sucedido. Alguns poucos se converteram, portanto, não foi um fracasso. Evidente, era uma cidade tão confiante em suas ideias que bem poucos estavam qualificados a ouvirem outras ideias. Mas esses poucos valiam muito para DEUS, e para lá foi enviado Paulo, o apóstolo tardio, inteligente o suficiente para discursar por lá.
Um dos que se converteu foi Dionísio, um dos frequentadores do Areópago (lugar de grandes debates filosóficos). Também se converteu uma mulher chamada Damaris, e mais outras pessoas. Consta que estes construíram uma igreja na cidade, pois “um grupo de arqueólogos gregos escavou as ruínas de uma igreja do Dionísio, o areopagita, situada precisamente atrás do Areópago.”
Na cidade já havia uma sinagoga de judeus, pequena ao que se sabe, pois poucos eram os judeus por lá, e eles não receberam muito bem o apóstolo Paulo.
Qual foi a estratégia de Paulo em Atenas? Diferente da de Tessalônica e Bereia. Enquanto nas cidades anteriores, onde havia mais judeus, ele começou a pregar conquistando esses judeus para fincar uma base de crentes, em Atenas não foi possível a tal base. Teve que ir pregar direto aos atenienses. Então ele circulou pela cidade para conhecer sua cultura e encontrar alguns pontos em comum, e assim ganhar credibilidade para lhes falar. Achou por lá um monumento “ao deus desconhecido”, que ele usou como sendo um tributo ao DEUS que ele estava anunciando. Isso chamou a atenção de alguns filósofos daqueles dias, e foram ouvi-lo no Areópago.
A estratégia de Paulo estava correta. Ele procurou os pontos em comum, de sua fé com a deles, e isso abre portas. Essa estratégia é tão boa que hoje satanás também a utiliza para unir as igrejas, começando pelas crenças e práticas que são comuns. Um desses pontos comuns é a música gospel, cujo ritmo e volume de som é o mesmo em todos os lugares, e cuja letra transmite pouco conhecimento, somente superficialidades. Mas é um ponto comum. Nós, adventistas, devemos utilizar a estratégia dos pontos comuns do modo correto, sem cairmos no erro de nos tornarmos um pouco pagãos para conquistar os pagãos.

4.      Quarta: Chegada a Corinto
Vamos relembrar a trajetória da segunda viagem de Paulo, a que é motivo desses estudos: Antioquia (na Síria); Tarso, Derbe, Listra (pela segunda vez, onde quase foi morto por apedrejamento); Icônio na Galácia, Trôade (para onde foi diversas vezes, e teve a visão para “passar à Macedônia”, e logo embarcou para lá, onde pregou em 5 cidades); Samotrácia (uma ilha do mar Egeu, onde Paulo só passou a noite, pois o barco ancorou ali); Neápolis (outra parada, já na Macedônia); Filipos (1ª cidade macedônica onde pregou e onde ele foi acusado e preso junto com Silas, por causa da moça da qual expulsou um demônio adivinhador); Anfípolis e Apolônia (locais de passagem); Tessalônica (2ª cidade macedônica onde pregou, principal cidade da Macedônia, atual Grécia, onde ele teve problemas de forte oposição); Bereia (3ª cidade macedônica onde pregou e importante cidade líder da Macedônia; ali eles foram bem recebidos e os irmãos estudavam as escrituras); Atenas (4ª Cidade macedônica ou grega, local de muitas divindades pagãs, onde os filósofos lhe deram as costas mas não o trataram mal); Corinto (5ª cidade macedônica onde pregou, localidade de Àquila e Priscila; ali Paulo passou um ano e meio, e ganhou algum dinheiro construindo tendas e também sofreu acusações dos judaizantes ao líder romano Gálio, mas este não se envolveu) Cencreia de onde viajou por mar até Éfeso (não mais na Macedônia, ficou ali pouco tempo, mas retornou na terceira viagem daí ficando muito tempo nessa cidade). Depois ele retornou  por mar, via  Cesaréia, Jerusalém.
Em Corinto, Paulo decidiu mudar a estratégia de abordagem que utilizara em Atenas. Pessoalmente entendo que Paulo talvez devesse ter dado mais tempo em Atenas para que conquistasse mais os filósofos. Por vezes também debato em minha universidade com filósofos. Se há coisa que eles adoram é um debate. Mas também detestam ser contestados, com raras exceções. Contudo, depois que eles passam a respeitar o oponente, e isso leva bom tempo, tornam-se mais propensos a ouvir e avaliar outras ideias. Parece que Paulo usou a estratégia correta em Atenas, com a falha de ter ido muito rápido ao ponto que era o seu alvo.
Já em Corinto, onde habitavam gregos, ele cuidou de mudar sua forma de abordagem. Em Corinto ele foi ainda mais direto que em Atenas. Mas ali isso não seria problema, pois eram gregos mas não filósofos. Quanto mais simples são as pessoas, mais direto podemos ser ao lhes apresentar a verdade. Em Corinto Paulo teve problemas com os oponentes judaizantes, mas o poder romano, representado por Gálio, não se envolveu, pois não via mal algum. Paulo teve, por outro lado, bom número de pessoas que o consideravam bem, por isso ele ficou ali por um ano e meio. Corinto foi um contraste em relação a Atenas. Talvez por isso que Paulo escreveu, em sua carta aos Coríntios, assim: “Certamente a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de DEUS. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos entendidos. Onde está o sábio? Onde o escriba? Onde o inquiridor deste século? Porventura não tornou DEUS louca a sabedoria deste mundo? Visto como, na sabedoria de DEUS, o mundo não O conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a DEUS salvar aos que creem, pela loucura da pregação” (I Cor. 1:18 a 21).

5.      Quinta: Paulo revela sua afeição
Paulo se apegou aos Tessalonicences (não só a eles) e os amava. Ele sentia vontade de estar com eles, especialmente para os proteger de outros pregadores que faziam mal, e se opunham à verdade. Quando Timóteo lhe escreveu sobre o progresso na cidade de Tessalônica, Paulo se regozijou. Inicialmente Paulo enfrentou forte oposição em Tessalônica, vinda de fora, mas os membros de lá mantiveram a fé e cresciam no conhecimento e na prática. Aqueles irmãos eram para ele como sua família, como seus filhos. Aliás, essa é outra estratégia correta de Paulo: ele levava a mensagem e não esquecia de quem salvou. Já naqueles tempos de difícil comunicação e viagens, ele enviava cartas, das quais algumas foram inseridas na Bíblia. Enviava outros pregadores e ele mesmo tornava a visitar. Isso é algo que falta em nosso meio atualmente.

6.      Aplicação do estudo Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:
A lição colocou duas citações importantes de EGW para nossa reflexão. De fato, a receptividade, a cortesia, o bom relacionamento e o trato amorável são vitais para que alguém de fora se interesse por JESUS. Os de fora não veem JESUS, eles veem seus representantes. E neles buscam conhecer JESUS. Resolvemos adicionar outras citações com teor correspondente aos que a lição já nos sugeriu ler.
“Os que se tornaram novas criaturas em Cristo Jesus, produzirão os frutos do Espírito - "amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio". Gál. 5:22 e 23. ... refletir-lhe-ão o caráter e se purificarão, assim como Ele é puro. As coisas que outrora aborreciam, agora amam; e aquilo que outrora amavam, aborrecem agora. O orgulhoso e presunçoso torna-se manso e humilde de coração. O vanglorioso e arrogante torna-se circunspecto e moderado. O bêbado torna-se sóbrio e o viciado, puro. Os vãos costumes e modas do mundo são renunciados” (Caminho a CRISTO, p. 58).
“Ao ser a atenção do povo chamada para o assunto da reforma do sábado, ministros populares perverteram a Palavra de Deus, interpretando-a de modo a melhor tranquilizar os espíritos inquiridores. E os que não investigavam por si mesmos as Escrituras, contentavam-se com aceitar conclusões que se achavam de acordo com os seus desejos. Por meio de argumentos, sofismas, tradições dos pais da igreja e autoridades eclesiásticas, muitos se esforçaram para subverter a verdade. Os defensores desta foram compelidos à Sagrada Escritura para defender a validade do quarto mandamento. Homens humildes, armados unicamente com a Palavra da verdade, resistiram aos ataques de homens de saber, que, com surpresa e ira, perceberam a ineficácia de seus eloquentes sofismas contra o raciocínio simples, direto, daqueles que eram versados nas Escrituras ao invés de sê-lo nas subtilezas filosóficas.” (Grande Conflito, 455).

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Relato verídico sobre quem tinha dúvidas [sobre o sábado]

Muitas vezes acreditamos que nossas dúvidas sobre o guardar o Shabat são "pessoais" ou mesmo que são "exclusivas".
Procuramos reproduzir alguns diálogos reais na sua integralidade, para que todos possam entender a dimensão que isto pode tomar com sua renovação pessoal quando optam pelo obedecer ao Shabat.

Esta narrativa abaixo é sobre uma senhora que foi cristã [evangélica] e procurou entender como o quarto mandamento não era cumprido pela sua congregação e os motivos de tal prática. 

Abaixo alguns diálogos que ela teve com líderes de sua igreja:

Senhora: A gente acredita nos 10 mandamentos?
Prof. Escola Dominical: Sim, claro!
Senhora: E por que a gente não segue o Shabat?
Prof: Porque Jesus aboliu a lei.
Senhora: Então eu posso roubar? Posso desonrar pai e mãe?
Prof: Claro que não! É mandamento não fazer essas coisas
Senhora: Mas o mesmo lugar que diz isso diz pra cumprir o Shabat.
Prof: (Irritado) Você está tendo aula com algum judeu? Olha, não acredite nos judeus. Eles não têm Jesus.
Senhora: Eu conheço um que acredita.
Prof: Olha, se a irmã quer guardar o Shabat, tudo bem. Mas não vai poder nem falar mal dos outros no Shabat, hein?
Senhora: Mas falar mal dos outros em dia de semana pode?
Prof: Não é isso. É que a gente adora o Senhor todos os dias.
Senhora: Sim, mas a Bíblia manda guardar o Shabat independente do que a gente faz nos outros dias.
Prof: Mas veja aqui: Jesus repreendeu os judeus porque falavam que ele curava no Shabat.
Senhora: Mas a Bíblia não diz que não era permitido curar no Shabat.
Prof: Olha, se você quer guardar o Shabat tudo bem, mas não traz mais esse assunto pra igreja, ok? Guarda para você.
Uma amiga se oferece para ligar para uma grande missionária para “tirar a dúvida sobre o Shabat”.
Senhora: A senhora acredita nos 10 mandamentos?
Missionária: Claro que sim!
Senhora: Então a senhora guarda o Shabat?
Missionária: Não, eu não preciso fazer isso. Jesus aboliu a lei.
Senhora: Então eu posso roubar? Posso matar?
Missionária: Olha, a Bíblia manda guardar um dia pro Senhor, e a gente faz isso já, no domingo.
Senhora: Mas a Bíblia não fala do domingo, fala do Shabat. E mais: ninguém guarda o domingo, as pessoas só vão à igreja e pronto.
Missionária: Sim, eu sei que a Bíblia não fala. Quem criou o domingo foi o império romano.
Senhora: O império romano?!?!
Missionária: Sim, mas veja bem, o Senhor mandou a gente obedecer aos governos. E o império romano criou o domingo como dia de descanso. Mas no início, judeus e cristãos guardavam os dois dias.
Só que aí o império romano decretou que só podia guardar o domingo, porque os judeus queriam vida fácil: queriam ficar com o Shabat e também não trabalhavam no domingo.
E mais: os judeus só guardam o Antigo Testamento. Eles cumprem a lei à risca, mas não acreditam em Jesus.
Senhora: Mas é errado cumprir o Antigo Testamento por que se o Senhor não é homem para que se arrependa?
Missionária: Imagina se um judeu tiver um negócio milionário para fechar no Shabat, ele não vai deixar de fazê-lo. Duvido!
Senhora: Então se eu tiver que roubar muito dinheiro, eu posso? Missionária: É diferente... roubar é pecado. Ah tá...
Missionária: E então, tirou sua dúvida?
Senhora: Tirei sim, muito obrigada.
A senhora tirou sua dúvida sim. Tirou sua dúvida de que o Shabat é mandamento, e está super feliz por cumpri-lo.
Recentemente, ela esteve na casa de um conhecido no Shabat, para estudar a Bíblia. O amigo dela havia convidado um casal de pastores neo-pentecostais. Abaixo reproduzo o diálogo entre eles:
Senhora: Pastor, não tenho muito tempo na fé. Você poderia me falar sobre os 10 mandamentos?
Pastor: Claro: Não terás outros deuses, não farás imagem ou escultura, não matarás, não roubarás, não adulterarás, honra teu pai e tua mãe, não levantarás falso testemunho, não cobiçarás, não tomarás o nome do Senhor em vão. Xi, minha filha, não me lembro qual é o décimo.
Senhora: O “décimo” não seria para guardar o sábado?
Pastor: Sábado? Acho que não. Peraí, deixa eu olhar aqui na Bíblia.
O pastor então procura na Bíblia. Com o auxílio da Senhora, localiza o trecho dos 10 mandamentos, e diz:
Pastor: Puxa, é verdade! Aqui diz para a gente guardar o sábado.
Senhora: E por que a gente não guarda?
Pastor (meio sem jeito): Puxa, não sei... Eu nunca tinha lido isso antes. Esposa, vem ver isso aqui!
Pastora: O que foi?
Pastor: Você sabia que um dos 10 mandamentos era para guardar o sábado?
Pastora: O sábado??? Não, isso é coisa de adventista. A Bíblia não diz isso. A Bíblia diz para guardarmos o domingo.
Senhora: Diz? Onde?
Pastora: Sinceramente, não sei.
Pastor: Não, aqui nos 10 mandamentos diz para guardar o sábado! Puxa vida, a gente aqui nunca tinha lido isso.
Pastora: Deixa eu ver... É verdade. A Bíblia diz para guardar o sábado! Por que ninguém ensinou isso para a gente antes.
O amigo da Inês então diz:
Amigo: Não, mas Jesus aboliu o sábado.
Senhora: Onde?
Amigo: Aqui, ele curou no sábado e disse que se uma ovelha cair num buraco, ela pode ser retirada no sábado.
Senhora: Mas aqui ele está falando de salvar uma vida, e não de trabalhar no sábado.
Curar e fazer o bem no sábado é servir ao Senhor. Isso é guardar o sábado.
Jesus não disse: “Agora é a festa do caqui” no sábado.
Amigo: Você tem razão... Eu não tinha pensado por esse lado. Eu ia levar meu filho para cortar o cabelo hoje, será que devo?
Senhora: A Bíblia diz que não deve trabalhar nem teu servo nem tua serva.
Amigo: Puxa, então não vou levar ele hoje.
Pastor: Nós também vamos estudar mais sobre o sábado para poder servir ao Senhor.
Por um lado, essa história me deixa feliz, pois mostra o despertamento que gradativamente vai ocorrendo nas pessoas. 

Como Ele nos prometeu: Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. 

Fonte: Torah Viva
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