Comentários Lição 13 - Um Ministério Perpétuo (Prof. César)



23 a 30 de Junho de 2012

Verso Principal
“Com que se parece o Reino de Deus? Com que o compararei? É como um grão de mostarda que um homem semeou em sua horta. Ele cresceu e se tornou uma árvore, e as aves do céu fizeram ninhos em seus ramos.” (Lc 13:18 –NVI)

Embaixador de Cristo full-time ou de tempo integral. Esse é o crente fiel. Todos os dias da vida enquanto essa durar, ele está a serviço de Jesus. Não existe aposentadoria. Esse negócio de passar a tocha às gerações mais novas é um simbolismo belo e poético, mas não pode representar fim de corrida de quem passou a flama adiante. Quem vem no embalo, passa a tocha e continua correndo um pouco mais. Assim é na corrida olímpica de revezamento 4X400.

A consciência de continuidade de trabalho é muito importante para os velhos missionários. Deles deve ser o lema que impulsionou os 300 de Gideão: “Cansados, mas ainda perseguindo.” (Jz 8:4) Para os que iniciam o bom combate, o lema é “perseguir sem cansar”.
Certa vez o Prof. Eglom Cézar de Azevedo, bibliotecônomo da Casa Publicadora, e eu fomos visitar o Pr. Luiz Valdwogel, que já contava idade bem avançada. Ele prometera doar sua biblioteca para os acervos da CASA e lá fomos para Hortolândia, a fim de “botar as mãos” nas preciosidades literárias do velho servo de Deus. Ainda escrevendo com admirável lucidez, do alto de seus 90 anos, dizia que sempre adiava a velhice para mais tarde. Seu ministério, que teve início quando ainda era bem jovem, só cessou quando o velho “pássaro da floresta” – é isso que significa em alemão seu sobrenome - fechou os olhos até a manhã da ressurreição. Ellen White praticamente morreu escrevendo, aos 89 anos de idade.
É muito importante criar-se a consciência de ministério contínuo. Desse modo, o membro da igreja deverá ficar preparado em todos os momentos para testemunhar e evangelizar, inda que em meio às suas atividades cotidianas. Atenção às oportunidades! Leve consigo folhetos, literatura, uma Bíblia com anotações de estudos bíblicos breves para abrir em qualquer situação que isso requeira. Os jovens podem inserir estudos e outras mensagens rápidas e de fácil visualização em seus tablets, I-phones, I-pods, smart-phones, etc. para mostrá-los quando necessário.
Nossos moços possuem o “turbo missionário”, isto é, eles estão sempre com potência de sobra para o que der e vier, sempre vigilantes, atentos e sequiosos de testemunhar. João asseverou: “Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o maligno.” (1Jo 2:14)
O testemunho vivo ou pessoal está incluso no ministério perpétuo. Somos “lidos” pelas pessoas todos os dias. Mesmo sem abrir a boca, estamos pregando. Por isso é de fundamental importância carregarmos “nossos tanques espirituais de combustível” com o tesouro da religião de Cristo. “O homem bom tira do tesouro bom coisas boas...” (Mt 12:35) O bom tesouro é a Palavra de Deus.

DOMINGO
Evangelismo e testemunho incessante
O evangelismo publicado mediante a Palavra e o testemunho incessante de uma vida exemplar – essas são as mídias pessoais mais eficazes do cristão.
Isso só é possível quando se trabalha em íntima ligação com o autor desses dois canais de propaganda da salvação.
Estudemos em Jesus as maravilhosas habilidades de evangelização. Gostaríamos de introduzir primeiramente a entrevista com Nicodemos – tipo da alma que procura a luz da verdade, porém cheia de preconceitos.
Condição social: rico, classe A. Condição acadêmica: doutor em leis. Condição religiosa: fariseu, orgulhoso de suas práticas e tradições, e a elas vivamente aferrado. Condição política: um dos principais dirigentes. Condição espiritual: ignorante total da verdadeira religião.
Depois de tentar bajular Cristo e nitidamente procurar entrar em discussão teológica com nosso Salvador, foi surpreendido com uma denúncia de inconversão. Se ele precisava nascer de novo, não era convertido. A força das palavras de Jesus indicava que Aquele mestre nazareno parecia ler a mente e os segredos ocultos da vida do presunçoso fariseu. A consciência foi despertada. Que poder! Lembremo-nos que só se faz evangelismo quando o Espírito Santo tem plena posse da alma da testemunha. Jesus era cheio do Espírito.
Nicodemos tentou desconversar mostrando que havia entendido o novo nascimento como realidade física e não espiritual. Cristo não permitiu esse astuto atalho do doutor da lei, e repetiu a afirmação. Nicodemos, embora velho e celebrado mestre da nação, não tinha verdadeira percepção espiritual de sua vida. Jesus, em outras palavras, disse que ele precisava de conversão real e não de uma religião exterior. A franqueza de Cristo chocou o homem.
Cristo mostrou-lhe outra realidade que ele não conhecia. Sua vida era destituída do Espírito Santo. Nessas condições, ele não poderia jamais entrar no reino de Deus.
Jesus nos mostra aqui o padrão para se lidar com religiosos, sendo franco, mas sem lhe dirigir ofensas. Dizer a verdade com apoio da Palavra de Deus. Nada de ataques pessoais.
Agora vamos à entrevista com a mulher samaritana – tipo de alma separada totalmente do povo de Deus, de vida duvidosa, promíscua e irresponsável. Jesus foi à procura dela.
Jesus acercou-Se pedindo-lhe polidamente um favor inusitado. Um judeu jamais pedia nada a um samaritano, inda que estivesse nos estertores da morte. Quando um judeu viajava para o norte, para não passar em Samaria ele fazia um longo desvio, cruzando o Rio Jordão e subindo por fora até ultrapassar o posicionamento geográfico dessa cidade, então ele recruzava o Jordão e entrava mais uma vez no território de Israel.
Cristo produziu impacto na mulher. Então começou a revelar-se como o Dom da Vida, a água que dessedenta para a eternidade, o Único que podia satisfazer as necessidades mais profundas daquela alma perdida. Nessa entrevista, diferentemente da de Nicodemos, Cristo deixou que a mulher conduzisse a conversa até certo ponto. Essa não tinha conhecimento espiritual e nem bíblico como era o caso do líder fariseu. Era ignorante e Cristo teve de condescender com sua inteligência limitada. Ela entendeu a água da vida como a fresca água do poço de Jacó. Disse a Jesus que Ele não tinha recursos para saciar sua sede, a menos que ela O ajudasse. Colocou-se numa posição superior. Em seguida reconheceu que Jesus tinha alguma coisa que podia resolver seu problema de buscar água no poço, no maior calor do dia, e longe dos olhares críticos e maliciosos do povo que conhecia sua reputação.
Jesus formula uma pergunta cortante: “Chama teu marido.” E agora, ela era amasiada e não casada e estava em seu sexto relacionamento. Vida devassa. Então Cristo realizou uma façanha que não podia ser contestada. Sua divindade expressou-Se e Ele mostrou à mulher que conhecia os segredos imorais de sua vida. Ora, Aquele Homem lia pensamentos.
A revelação de Cristo, Deus em carne, mudou instantaneamente a vida da samaritana. De posse de Cristo ela foi à cidade e contou tudo quanto Jesus lhe havia dito.
Lembremo-nos de que o evangelismo não é simplesmente uma divulgação doutrinária, profética, moral, de um credo. É, fundamentalmente, a revelação de Cristo como o Salvador da humanidade.
SEGUNDA

Um ambiente estimulante
Jesus ordenou duas vezes que Pedro apascentasse e uma vez que pastoreasse Suas ovelhas (Jo 21:15-17). O texto do Evangelho de João nessa passagem mostra que Jesus usou dois termos diferentes para designar o cuidado pastoral que Pedro deveria ter com as ovelhas de Jesus. A primeira e a terceira ordem provêm do modo imperativo do verbo grego bibrosko, com o significado de nutrir, dar de comer, guardar. O segundo, “pastoreia”, origina-se do imperativo de poimhn ou poimen, com o sentido de governar, cuidar, satisfazer as necessidades.
Pois bem, é isso que os líderes da igreja precisam fazer com o rebanho do Senhor. “Se devemos fazer discípulos, precisamos dar atenção ao estabelecimento e sustentação de cada novo cristão.” LES. Por vezes “rodeamos o mar e a terra para fazer um prosélito...” (Mt 23:15) e depois o deixamos ao sabor dos ventos, ao seu próprio destino. Temos, porventura, um plano de acompanhamento pós-batismo? Se não temos, deveríamos. Nossos laços de fraternidade com os recém-ingressos na igreja precisam ser mais especiais do que aqueles tidos com os irmãos mais consolidados na fé. Com eles temos de conjugar o bibrosko e o poimen.
A lição fala de companheirismo com eles. Uma das maneiras mais práticas de exercer companheirismo com eles é integrá-los aos variados ministérios da igreja, conforme seus talentos, para que convivam conosco e aprendam a trabalhar por Jesus. Quanto à nutrição, sugerimos que classes pós-batismais sejam criadas para ajudá-los a crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2Pe 3:18). “Um novo cristão precisa ser desenvolvido, cuidado, estimulado, treinado e educado nos caminhos do Senhor.” LES.
Companheirismo vital
Meios e destemido esforço podem ser seguramente empregados numa obra como essa, pois é uma obra que subsistirá. Dessa forma, os que estavam mortos em ofensas e pecados são trazidos ao companheirismo dos santos e feitos assentar nos lugares celestiais com Cristo. Seus pés são postos em um firme fundamento. Tornam-se capazes de atingir uma elevada norma, até chegar às mais excelsas alturas da fé, pois os cristãos tornaram direitos os caminhos para seus pés, para que o que manqueja não se desvie do caminho.” CSS, 356.  
Como apresentar um ambiente de amor fraternal aos novos irmãos, de modo que se sintam atraídos ao companheirismo cristão?Deus quer dissipar as nuvens que se acumularam ao redor das almas... e unir todos os nossos irmãos em Cristo Jesus. Deseja que estejamos ligados pelos laços do companheirismo cristão, cheios de amor pelas almas por quem Cristo morreu. Disse Ele: ‘O Meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei.’ Jo 15:12. Quer que estejamos unidos no coração e nos planos para realizar a grande obra a nós confiada. Os irmãos devem pôr-se ombro a ombro, unindo suas orações junto ao trono da graça, para que consigam mover o braço do Onipotente. O Céu e a Terra estarão então intimamente ligados na obra, e haverá alegria e júbilo na presença dos anjos de Deus, quando é encontrada e restaurada a ovelha perdida.” FEC, 210. Se forem envolvidos num ambiente estimulante como esse, sentirão o “contágio” benfazejo do amor fraternal.
Comunhão espiritual
Há uma condição sine qua non para que os novos irmãos sintam e desfrutem plena comunhão fraternal: Nos a vemos em 1Jo 5:7: “Andarmos na luz”. Esses crentes precisam ver coerência entre ensino bíblico e vivência espiritual. Precisam ver que praticamos aquilo que ensinamos. O que mais os pode confundir do que ouvir o precioso ensino e constatar que nada ou pouco daquilo que foi ensinado é tornado em prática? Se não andarmos na luz, não temos comunhão uns com os outros e tornamos vãos os benefícios do sangue purificador de Jesus sobre nossas almas. A responsabilidade é tremenda!
Atos 2:42 nos mostra como vivia a comunidade crente na igreja primitiva e os efeitos do ambiente excitante que nela imperava: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações.” Havia estabilidade espiritual e ricas influências de progresso.
Já Atos 11:19-23 revela que os que foram dispersos por causa da perseguição (e havia milhares de crentes novos nesse contingente cristão disperso) saíram com grande poder a pregar em três grandes regiões ao norte da Palestina. Balanço dessa empreitada: “A mão do Senhor era com eles e grande número creu e se converteu ao Senhor.” (verso 21)
O trabalho dos líderes do “ambiente estimulante” tem no exemplo de Paulo relatado em Rm 1:11, 12 uma diretriz essencial: Esses comunicam dons espirituais aos membros para fortalecê-los (sermões, estudos bíblicos, instrução, treinamento, exercícios espirituais, etc.). Em troca aquenta-se a fé mútua que traz consolação tanto para líderes como para liderados.

TERÇA
Formando instrutores

O Pr. Webb levanta, de início, a questão prática do turnover (rotatividade de pessoal) na igreja. Esse é um problema de cunho pragmático e que precisa ser resolvido para que não haja queda de rendimento no evangelismo e testemunho da igreja. É impossível evitar essa rotatividade.
Para a continuidade dos ministérios da igreja são necessárias peças humanas de reposição. Como fazer isso? Não se deve esperar até que membros ativos deem baixa da congregação para ir afoitamente à procura de substitutos. Quando os ministérios ainda desfrutam certa pujança, é preciso pensar em preparar irmãs e irmãos para estarem a postos quando convocados. Para isso é preciso haver um plano específico.
Esse plano poderia ser feito pelo pastor da igreja juntamente com a Comissão, e por eles implementado e monitorado. Os cursos de treinamento, preferivelmente, devem ser ministrados por pessoas capazes e experientes dentro dos variados ministérios. Materiais e equipamentos (se necessários) devem ser providos. Em complemento às aulas práticas, os alunos deveriam envolver-se com os mais experientes em exercícios reais do ministério.
Tomemos o texto indicado na lição (2Tm 2:1-7): “Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros. Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou. Igualmente, o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas. O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos. Pondera o que acabo de dizer, porque o Senhor te dará compreensão em todas as coisas.”
Muito bem! Que princípios poderíamos aplicar no plano de formação de instrutores?
1) Os instrutores sênior precisam buscar força na graça de Cristo Jesus. Não há como fazer evangelismo sem estar investido do poder do Espírito.
2) Assumir os custos do eventual sofrimento em nome de Cristo. O evangelismo e os ministérios da igreja têm seu quinhão de tensão, aflições... Paulo sempre ressalta o valor de participar dos sofrimentos de Cristo como bom soldado da cruz.
3) Este princípio requer que ao se prestar serviço a Jesus, não é proveitoso envolver-se com os negócios deste mundo. O que Paulo quer significar é que os assuntos seculares não devem e nem podem suplantar os interesses eternos.
4) Outro aspecto é empenhar-se “segundo as normas”. Tudo o que se fizer para preparar instrutores evangelísticos deve ser consoante os princípios e normas bíblicas e testemunhais. Sair das regras bíblicas é fracasso certo.
5) O desfrute das conquistas deve ser feito em nome de Cristo, pois as vitórias e progressos são devidos à Sua graça e não ao esforço humano. Ele deve ser glorificado em tudo.
6) Tanto instrutores como formando precisam obter “compreensão contínua em todas as coisas”, pois que essa experiência é dádiva divina. Deus está totalmente disposto a conceder a Seus servos esse conhecimento amplo. Paulo recomenda a Timóteo que ele pondere esses conselhos espirituais. Assim também deve se dar conosco. Devemos pensar com demora nas coisas que são do alto.
Como Jesus preparou os que iam ficar em Seu lugar na Terra
“Durante Seu ministério, Jesus tinha conservado constantemente perante os discípulos o fato de que eles deviam ser um com Ele em Sua obra de recuperação do mundo da escravidão do pecado. Quando Ele enviou os doze, e depois os setenta, para proclamarem o reino de Deus, estava-lhes ensinando o dever de repartir com outros o que lhes havia dado a conhecer. Em toda a Sua obra Ele os estava preparando para trabalho individual, que devia ser expandido à medida que seu número aumentasse, e finalmente alcançar os confins da Terra. A última lição que deu a Seus seguidores foi que lhes tinham sido confiadas as boas novas de salvação para o mundo.” AA, 32.


QUARTA

Resgatando pessoas afastadas
No latim eclesiástico, apostasia significa deserção da religião, quebra de compromisso religioso, defecção ou abandono voluntário e consciente de uma obrigação assumida. A rebelião de Lúcifer no Céu é considerada a mais alta apostasia.
O vocábulo “apóstata” (que também tem o sentido de renegado) é de uma aspereza singular. Causa repúdio, distanciamento; soa como traição aos sagrados legados, desprezo por Cristo e Sua igreja. O Dr. Bernd Wolter escreveu: “Apostasia é um nome muito forte para o que acontece normalmente com uma pessoa quando ela deixa a fé pouco depois de dar os seus primeiros passos com Deus.”
Visto, porém, por outro prisma, aquele ou aquela que deixou o redil de Jesus é uma alma altamente necessitada dos cuidados pastorais e fraternais. Seu afastamento é como o triste balido da ovelha perdida, apelando para que a vamos buscar.
Por que as pessoas deixam a igreja? As razões são inúmeras e não teríamos tempo e espaço para considerá-las todas. Porém, para análise, partamos do princípio de que elas vêm para a igreja a fim de encontrar algo superior para sua vida. Vêm com muitas expectativas e esperanças. Se essas não forem supridas ao cabo de tempos, o abalo emocional daí resultante gera forte reação de desistência.

Essa é a Pirâmide de Maslow, que procura configurar as necessidades do ser humano. Os andares da pirâmide – de baixo para cima - mostram as prioridades de cada ser que vem ao mundo. À medida que as necessidades básicas são supridas, as outras são procuradas. Os membros da Igreja esperam que ela os ajude nessa busca até atingir o topo.
As causas de afastamento mais comuns são: atrações mundanas, persuasão da cultura secular (assimilação), desapontamento com membros e líderes, falta de afeição e atenção por parte dos irmãos, criticismo, indiferença para com os interesses e necessidades do membro, debilidade do senso de pertença (a pessoa quer sentir que é parte ou pertence a um grupo, a uma sociedade), pobreza na vida devocional (pouca oração, pouco ou nenhum estudo da Bíblia, frequência reduzida à igreja, falta de envolvimento nos ministérios e na missão...), orgulho e preconceito de alguns membros, e por aí vai.
Evidentemente, nossas igrejas devem ter seus planos de resgate de irmãos afastados. A bem da verdade é bom que se diga que apenas as visitas pastorais não são suficientes, via de regra, para trazê-los definitivamente de volta. É preciso que a igreja se envolva implementando um plano mais abrangente. Os irmãos debilitados querem sentir-se amados não apenas pelo pastor, mas por toda a igreja.
Julguei interessante colocar para a apreciação de meus irmãos e irmãs, algumas sugestões do Prof. Gilson Medeiros para visitas de resgate:
1. Vá logo ao ponto – Instintivamente ele já sabe a que você veio e se sente desconfortável com os rodeios. Quanto mais cedo você for ao ponto, menor o período de tensão. Você se sente à vontade conversando com um médico com uma seringa na mão?
2. Permita que a amargura venha à tona – Ele está sobrecarregado com rancores e mágoas longamente retidas. Ele culpa a igreja por injustiças reais ou imaginárias, sua mágoa é contra o presidente ou o ex-pastor. Ouça de maneira gentil; ouça com interesse. Diga-lhe, “se eu estivesse em seu lugar e tivesse sido tratado assim, eu me sentiria como você”. Quando ele percebe que você está do mesmo lado, começa a se desarmar.
3. Não defenda ninguém – Não importa quem ou o que o afastado ataque, não defenda ninguém. No momento em que você defende alguém, automaticamente, a mente dele identifica você como seu inimigo. A partir deste ponto você se torna impotente para ajudá-lo.
4. Não traia a confiança do ex-membro – Não dê publicidade ao que ele lhe falou. Melhor não repetir certas coisas, pois se ele descobrir que você vazou confidências, nunca mais confiará em você nem na igreja.
5. Não demore – Há momentos em que precisa ouvir uma longa história de decepção. Mas normalmente 15 ou 20 minutos são suficientes. Se respeitar esta regra, as portas se abrirão para você na próxima vez.
6. Sempre conclua sua visita com uma oração – Não pergunte se ele deseja uma oração. Diga-lhe: “Bem, preciso ir. Mas antes de partir, vamos fechar os olhos para uma oração?
Sugestões de frases a serem usadas nessa oração: “Ajude-o a não se demorar muito neste mundo, mas a estar na arca quando o dilúvio chegar”. “Perdoa-nos pela dor que nós como igreja lhe causamos, e ajude-o a reconhecer que o amamos e aguardamos o seu retorno”. “Senhor, desejo que suas crianças estejam seguras em seguir os seus passos, e que esses passos estejam na direção da vontade de Deus”.
Evidentemente há outras medidas a tomar. É importante que a igreja ponha em operação os meios de realcance dos afastados.
QUIN TA

A porta dos fundos
Algumas semanas atrás fomos assistir a uma apresentação do Coral Evangélico de São Paulo na Catedral Metodista da Liberdade. Ao recebermos o boletim da igreja, deparamos um pequeno artigo de um eminente líder metodista falando da “portabilidade de membros”. Ele se referia às perdas para outras denominações de membros de sua igreja e demonstrava preocupação.

Ah, a temível porta dos fundos! Em 2005, por exemplo, tivemos no campo mundial 1.057.852 batismos e profissões de fé, e 476.351 afastamentos e desaparecimentos, representando uma perda de 45,03% em relação aos ingressos. Em parte essa perda específica foi explicada por revisões administrativas no rol de membros feitas nas Divisões mundiais.
Fica patente, porém, que temos perdas efetivas cada ano. A que se devem, afinal? Algum tipo de decréscimo é de se esperar. Mesmo na igreja primitiva havia defecções ou deserções. A verdade é que a taxa de relação entre o número total de adventistas e a população mundial aumentou nos últimos anos. Não se trata de uma simples conta de lucros e perdas. No entanto, a perda de almas, seja em que número for, é sempre uma tragédia.
Faz-se necessária uma avaliação séria das possíveis causas de abandono da fé. Em sua obra Estrategias de Crecimiento de La Iglesia, editada em 1998, o Pr. Daniel Julio Rode identifica alguns “detonadores” congregacionais. Ele destaca a falta de companheirismo cristão como um dos fatores de perda. Assevera que a ausência de companheirismo e inserção na vida congregacional é o elemento número um de defecções. A amizade entre membros é capital.
Falta de base doutrinária é outra causa. Muitas vezes, na pressa de batizar pessoas, descuidamos de lhes dar sólido alicerce doutrinário. O membro vitimado por essa afobação não tem ideia perfeita da verdade bíblica. Quando confrontado por enganadores e mistificadores, titubeia e duvida de sua conversão.
Membro que não trabalha, dá trabalho, diziam os antigos pastores. Um membro “assistente” não pode receber o calor vital, pois não se envolve no trabalho de ajuntar com Cristo.
Desleixo devocional particular é outra causa. Tem-se tempo para tudo, menos para a comunhão particular da alma com Cristo. Se a vara não estiver apegada à videira, fenece e murcha.
Atrações mundanas também fazem parte do quadro desertos. Se alguém amar o mundo, o amor de Cristo não está nele. Não é possível servir a Cristo e ao mundo.
Falta de frequência regular à igreja está alinhada como outro agente demolidor. “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” (Hb 10:25)
Um líder cristão escreveu: “Aquele irmão que deixa seguidamente de congregar e de participar dos cultos da igreja, está perdendo algo em sua vida espiritual. Deixar de reunir-se é uma atitude arrogante. Fazendo isso, a pessoa está declarando que não necessita de ninguém, que é autossuficiente e que pode viver a vida cristã sem qualquer ajuda do Corpo. Nós sabemos que Deus resiste ao soberbo. Essa pessoa começará a se sentir seca e insensível, pois o Senhor a resistirá e, com o tempo, ela pode vir até mesmo a se afastar completamente da fé. As reuniões da igreja são uma grande proteção.”
A prática da frequência deve ser acompanhada de admoestações fraternais. Devemos animar-nos uns aos outros quando nos reunimos.
O amor fraternal explícito é um poderoso antídoto contra a fuga. Quem é amado não deixa o lugar onde recebe afeição. Animação e não crítica e julgamentos é necessária. Servir aos irmãos é um privilégio de que poucos têm noção. Perdoar sempre, falar bem sempre, amar sempre. 

Enganos do Inimigo

"… receio que, assim como a serpente enganou […] com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente…" (2 Coríntios 11:3)

O livro “A Arte da Guerra” foi escrito no século 6 a.C. pelo general chinês Sun Tzu, e tem guiado o pensamento militar por séculos. Mas também tem sido usado por homens e mulheres em uma ampla variedade de outras áreas, incluindo liderança, gerenciamento, negócios, política e esportes. O que Sun Tzu escreveu sobre estratégias militares pode ajudar seguidores de Cristo a compreender as táticas de nosso inimigo espiritual: “Toda guerra é fundamentada em engano. Logo, quando temos condições de atacar, devemos parecer incapazes de fazê-lo; quando usamos nossas forças, devemos parecer inativos; quando estamos próximos, devemos fazer o inimigo acreditar que estamos distantes; quando distantes, devemos fazê-lo acreditar que estamos próximos”.

Da mesma forma, a guerra espiritual que Satanás trava contra nós é também fundamentada em engano. Na verdade, o primeiro pecado foi resultado de um engano do inimigo. Note o que Paulo disse: “Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo” (2 Coríntios 11:3).

Esta verdade concede tamanha importância ao alerta do nosso Senhor ao dizer que Satanás é o pai das mentiras (João 8:44), sempre tentando nos enganar. Qual é a nossa defesa? Saturar os nossos corações da verdade da Palavra de Deus. Apenas a verdade inspirada por Deus pode nos proteger contra enganos do inimigo.

*Deus é a VERDADE (Jeremias 10:10)

*Jesus é a VERDADE (João 14:6)

*Espírito Santo é a VERDADE (I João 5:6)

*A Bíblia é a VERDADE (João 17:17)

*A Lei é a VERDADE (Salmos 119:142,151)

Pensamento: A verdade de Deus é a melhor proteção contra as mentiras de Satanás.

Ref.: RBC
* Adendos meus

Evolução Humana

Porque está escrito: "Como eu vivo, diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará a mim, E toda a língua confessará a Deus" (Romanos 14:11)

A evolução humana é essa: nascemos, crescemos, conhecemos os prazeres do mundo, chegamos até o fim do poço, conhecemos a Deus, nos arrependemos, então só assim, evoluimos e vivemos. Tenho plena convicção de que essa é mais pura realidade dos seres humanos hoje. É só olharmos ao redor para percebermos o quanto a humanidade está cada vez mais arruinada no que se diz respeito à evolução de carater, consciência e solidariedade.

"Por isso o homem será abatido, a humanidade se curvará, e os arrogantes terão que baixar os olhos." Isaías 5:15

A Humanidade tem vivido um tempo de muitas mudanças, tanto sociais quanto religiosas, porém Jesus Cristo prevalecerá sobre todas essas coisas!!!

"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão". Marcos 13:31

Só realmente "vivemos" quando encontramos a Cristo, pois sabemos que mesmo perdendo nossa carne, ou seja, a primeira morte, ainda assim teremos a vida eterna ao lado do Pai.

"Multidões que dormem no pó da terra acordarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha, para o desprezo eterno." Daniel 12:2

"Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor." Romanos 6:23

Portanto, vigiai humanidade hipócrita... pois "toda a humanidade é como a relva, e toda a sua glória, como a flor da relva; a relva murcha e cai a sua flor." 1 Pedro 1:24

"Um terço da humanidade foi morto pelas três pragas de fogo, fumaça e enxofre que saíam das suas bocas." Apocalipse 9:18

Creiam na Espada de Cristo e serás liberto!!!

"De uma lua nova a outra e de um sábado a outro, toda a humanidade virá e se inclinará diante de mim", diz o Senhor. Isaías 66:23

Amém

(autor desconhecido)

DUAS LÁGRIMAS

(Sermão fúnebre apresentado pelo Pr. Arilton na despedida de seu irmão, no domingo, 10 de junho).

O dia 09 de junho não será mais lembrado por nossa família como um dia comum. Enquanto recapitulava a lição da Escola Sabatina e me preparava para mais um sábado de atividades na igreja o telefone celular tocou. Eram 7:28 da manhã.

O número era de minha irmã, Penha, mas a voz era de seu filho Iveliks. As palavras “Tio, não tenho uma boa notícia”, prenderam minha atenção como um pênalti marcada aos 45 minutos do segundo tempo de uma partida de futebol. Nós, os seres humanos, que existimos em família, de certa forma vivemos ansiosos pelo bem estar das pessoas que amamos.

A primeira imagem que veio à minha mente foi a de minha mãe. Já com seus quase 80 anos, saúde debilitada, mas o pensamento foi interrompido pela triste anúncio: “É o tio Dão. Ele teve um infarto hoje cedo e morreu”. O chão desaparece sob meus pés – a vida passa em sua mente em um minuto – aconteceu o que todos sabiam, mas que tentamos evitar, driblar, um ente querido se foi.

Algumas vezes em conversa com meu irmão, Pr. Antonio, principalmente depois de reuniões da família marcadas por brincadeiras, futebol, comida e boas risadas, sempre dizíamos, até quando teremos toda a família juntos. Os 9 filhos, pai e mãe. Quando e quem será o primeiro a nos deixar?!

Ontem, 09 de julho, de forma trágica e inesperada veio a resposta, e como foi amargo o sabor da descoberta!

Naquele momento, o que me veio a mente foi o texto de Paulo: “O salário do pecado é a morte”. Romanos 6:23. E cedo ou tarde o pecado cobra um alto preço. Desde que nossos primeiros pais, Adão e Eva, perderam o direito à árvore da vida por causa da desobediência, do pecado, o ser humano tem amargado o gosto da morte. Ele sempre quando ela chega arranca de nós as pessoas que amamos. Desta vez foi meu irmão, João.

Alguns o apelidaram de “Ferrim”, ou Dão, o cartório o registrou como João Cordeiro de Oliveira, que no próximo 01 de dezembro completaria 52 anos de vida. Ele parte e deixa esposa, 4 filhos, 8 irmãos, pai e mãe e tantos outros parentes e amigos. Ele deixa de fato um vazio.

a) Uma cama vazia – pensei em sua esposa, Lena, companheira do dia-a-dia. Como seria seu primeiro domingo sem o esposo, e agora com título de viúva.
b) Pensei nos filhos – a partir de agora órfãos de pai.
c) Pensei na Sabrina – com data marcada para o casamento – agora não mais tem um pai para entrar com ela.
d) Pensei na Camila, Diego, João Vitor.
e) Pensei nos nossos pais – já idosos, e a despeito da preocupação com os filhos, netos, bisnetos, os problemas de saúde, tem que enfrentar a dor de sepultar um filho. O mesmo que carregaram no colo, viram crescer e virar homem, pai, avô...

Esse é nosso mundo depois da realidade do pecado! Enquanto ponderava estas coisas, duas lágrimas rolaram, uma lágrima de tristeza e uma de esperança.

Lágrima de tristeza

Em momentos difíceis como este é difícil entender Romanos 8:28, onde declara que “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. Como pastor, já mencionei tantas vezes esse texto para irmãos em sofrimento porque agora o texto se torna tão difícil, tão enigmático?

O que acontecerá após o sepultamento de nosso irmão?

Um título de viúva, filhos órfãos, uma alteração na foto da família, uma mãe que terá sua resposta alterada “tenho 9 filhos, 8 vivos e 1 morto”. Nós, os irmãos, passaremos a dizer “temos um irmão morto”... Todavia, entretanto, em minha face também rolou uma lágrima de esperança.

Lágrima de Esperança

Enquanto minha namorada, Juliana, me abraçava e, sem palavras, tentava me consolar, sentindo minha dor ou escolhendo palavras certas para aquele momento, rolaram em minha face lágrimas de esperança. Lembrei-me de João 11:11, onde Jesus afirma que a morte é apenas um sono. O sono prevê um acordar, um despertar. Haverá um despertar um dia, quando não sei, mas haverá. Talvez as lágrimas do momento nos impeçam de ver, de enxergar esse dia, mas haverá!

Em realidade, Jesus falou de dois despertar. Um para vida eterna e outro para vergonha e horror eterno. Pela primeira vez o texto de João 5:28,29 assumiu um novo significado em minha vida. Instintivamente fui levado a me questionar como pastor e teólogo – em qual ressurreição meu irmão se levantará?!

A primeira ressurreição será a dos salvos. Esta ocorrerá no momento da volta de Jesus. Os salvos ressurgirão com seus corpos glorificados, sem qualquer mancha ou vestígio de pecado. Eles receberão vestes brancas de justiça, coroas de vida eterna, uma pedrinha branca com um novo nome, e o direito novamente de participar da árvore da vida e viver eternamente.

Já a segunda ressurreição, 1.000 anos depois da volta de Jesus, será a dos ímpios (Apocalipse 20:5). Com o mesmo corpo que morreram ressuscitarão para tomar conhecimento do porquê de sua perdição, dobrar os joelhos pela última vez (Romanos 14:11) em reconhecimento ao senhorio de Cristo,e aguardar o desfeche final da história. Lúcifer, o grande originador do pecado, arregimentará homens e demônios para sua última investida – atacar a cidade santa – que esteve no céu por 1.000 anos e agora pousa na terra (Apocalipse 21:2).

Quando Gogue e Magogue, ou seja, todos os perdidos de todas as eras (Apocalipse 20:7-10), forem convencidos por Satanás, iniciarão, sob seu comando, uma marcha pela superfície da terra em direção a cidade santa com a intenção de tomá-la de assalto. Será neste momento que Deus realizará sua obra estranha (Isaías 28:21), o ato de destruir o pecador, Satanás e seus anjos.

Fogo descerá dos céus e os consumirá. O mesmo fogo que põe fim aos pecados e pecadores, purificará esta terra para se tornar a eterna morada dos salvos. Então, e só então, seremos por todos os dias da eternidade uma família que nunca mais derramará lágrimas nem experimentará a dor da separação.

Mas ainda não respondi a pergunta: “Em qual das duas ressurreições despertará meu irmão, João”?

Eu não sei! É difícil assumir isso, mas eu não sei. E somente Deus que nos conhece tão bem tem essa resposta!

A mim, como pastor e irmão, resta o conselho de Paulo: “Consolai-vos uns aos outros com essas palavras” 1 Tessalonicenses 4:18). Palavras de esperança de um reencontro.

Estava rascunhando esse sermão enquanto voava de Montes Claros para Belo Horizonte e depois voaria de Belo Horizonte para Vitória. Enquanto escrevia estas linhas ouvi o comandante anunciar: “em três minutos iniciaremos nossa descida”.

Estava a bordo do vôo TRIP 5575, dentro de poucas horas chegaria ao aeroporto de confins e depois Vitória. Encontraria minha família como nunca dantes e ver o corpo sem vida de meu irmão.

Não mais nesta vida – verei seu sorriso.
Não mais nesta vida – jogaremos bola juntos.
Não mais nesta vida – ouviremos sua voz.
Não mais nesta vida – sentiremos o calor de sua presença.
Não mais nesta vida – verei seu olhar aprovativo.

Um dia cheguei em casa e ele tinha um presente para mim. Eu deveria ter 8 ou 9 anos de idade. Ele havia comprado uma mochila de por nas costas para mim. Até então levava meus 4 livros para a escola em uma sacola de arroz. Me tornei o único garoto na escola com tal mochila.

Nunca também me esquecerei dos desfiles de 07 de setembro. Minha escola, Angelo Zani, ia para a avenida Expedido Garcia, em Campo Grande, e lá, sob os olhares de uma multidão, desfilávamos felizes. Quantas vezes testemunhei seu olhar em minha direção nestas ocasiões. Seu olhar me dizia: “Vai, segue em frente, to com você, parabéns, marcha firme...”.

Foi seu incentivo que me deu ânimo. Se hoje estou cursando um doutorado, é graças a ele, sua força, sua ajuda.

Não mais nesta vida sentirei seu carinho. Nunca me esquecerei quando tive que ir para a Bahia, fazer o vestibular para Teologia. Quando retornei com a notícia que havia sido aprovado, ele se assentou comigo e confidenciou: “Eu estava torcendo tanto que você não passasse”. Isso poderia soar desencorajador se não tivesse vindo dele. Mas eu sabia o que ele estava dizendo. Ele não me queria longe. Ele me queria por perto.

Minhas memórias foram interrompidas pela voz do comandante: “Tripulação, preparar para o pouso”. Era hora de pousar mas a viagem ainda não havia terminado. Deveria descer (Pampulha, BH) para depois subir em direção ao destino final. Me lembrei do Dão.

Ele estará descendo hoje, mas apenas para uma escala. Logo subirá para seu destino final. Ainda não estamos em casa e é lá que as melhores coisas acontecem. “Se preparem para o pouso”, disse o comandante. Estamos aguardando ouvir a voz de outro comandante, Jesus, Ele vai chegar e vai anunciar: Vamos para o lar.

Rola em nossa face uma lágrima de esperança – hemos de ver nosso irmão novamente, daqui a pouco, e as lágrimas nunca mais rolarão.

Frases #35

"O mais incrível não é o fato do homem ter pisado na Lua; mas de DEUS ter pisado na Terra"

(autor desconhecido)

Frases #34

"Quem é chamado para o serviço de Cristo, enfrenta o desprezo dos inimigos (Ex 5:4-8) e a censura dos amigos" (Ex 5:19-21)

Prof. Emílio Abdala

Frases #33

“O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo”

Charles Spurgeon

O Criador deixa um presente especial para Seus filhos a cada semana. Desembrulhe-o

(Pr Areli Barbosa)
 
A conclusão de um prédio ou uma casa é resultado de um grande esforço. Foram várias reuniões, encontros, acertos, discussões para, finalmente, chegar ao término da obra. É sair do imaginário para o real; do planejamento para o concreto. Nada melhor do que comemorar essa vitória com uma grande festa de inauguração.

Deus também planejou detalhadamente como faria o mundo. Foi feita uma grande reunião de planejamento, com muitos planos e idéias. Em cada um dos seis dias Deus criou algo para alegrar a vida do ser humano, tudo planejado com detalhes e minúcias. E no sexto dia, depois de tudo concluído, Deus criou o homem. Só depois disso, então, sim, Deus criou o sábado e descansou.
 
Mas por que Deus criou o sábado depois de haver recém-criado Adão e Eva? Lembre-se de que nenhum dos dois estava cansado, pois eram recém-criados. Na verdade, essa era a festa de comemoração do projeto concluído; a celebração de um grande feito, uma comemoração inesquecível.

É por isso que o sábado é uma lembrança da Criação. É para lembrar que um dia, muito tempo atrás, alguém pensou no mundo e, depois de muitos planos e trabalho, a obra foi concluída. Sobre os seis dias passados, Adão e Eva tiveram que ser informados por Deus. Mas o dia de sábado foi diferente. Eles estavam presentes e viram com os próprios olhos. Eles nunca poderiam esquecer. Esse dia os ajudaria a lembrar que o Deus que tinha criado todas as coisas devia ser adorado. Por isso a Bíblia diz: “Guarde o sábado, que é um dia santo.” (Êxodo 20:8, NTLH).

Bom seria se tudo tivesse ficado assim... Mas quando o pecado atingiu este mundo, Satanás atacou diretamente o sábado. Ele usou agentes humanos para mudar o dia de guarda do sábado para o domingo. Com o passar dos anos, a maioria das pessoas se esqueceu do verdadeiro dia de descanso. Mesmo aqueles que ainda se lembram do dia de guarda são levados a se esquecer dele por algumas horas. Alguns, pior ainda, se esqueceram de Deus e passaram a viver como se Ele nem existisse.

Mas essas pessoas também se esqueceram que a guarda do sábado traz conforto ao adorador. É um dia reservado especialmente pelo Criador para trazer auxílio a Suas criaturas, para renovar a vida, a saúde e a paz. Nenhuma idéia de trabalho ou negócio sem concluir ou obrigação assumida de última hora deve interferir nesses momentos. Roupas limpas, casa arrumada, mesa festiva com alimentos especialmente preparados, leitura da Bíblia, louvor e oração, compõem nossas boas-vindas ao Criador. Um presente!

E sabe o que é melhor nesse presente? É que depois de seis dias sempre vem um novo sábado e isso soa como se Deus dissesse: “Filho, não importa o que você tenha feito ou por onde tenha andado. Se neste sábado você se encontrar comigo, então Eu o perdoarei, o salvarei e o abençoarei.” Foi Ele mesmo quem disse: “Obedeçam às leis a respeito do sábado; não cuidem dos seus próprios negócios no dia que para Mim é sagrado. Considerem o sábado como um dia de festa, o dia santo do Senhor, que deve ser respeitado. Guardem o sábado, descansando em vez de trabalhar; não cuidem dos seus negócios, nem fiquem conversando à toa. Se Me obedecerem, Eu serei uma fonte de alegria para vocês e farei com que vençam todas as dificuldades; e vocês serão felizes na terra que Eu dei ao seu antepassado Jacó. Eu, o Senhor, falei.” Isaías 58:13 e 14, NTLH.

Depois de um dia de sábado assim, você terá uma vida diferente. E, então, esse dia se tornará, a cada semana, inesquecível. Não perca tempo: abra logo esse presente.

Fonte: Estória das histórias
 

Frases #32

“A lei do Senhor é o pão de cada dia do verdadeiro crente”

Charles Spurgeon

Feliz sábado!



"Indo para Nazaré [JESUS], onde fora criado, ENTROU, NUM SÁBADO, NA SINAGOGA, SEGUNDO SEU COSTUME, e levantou-se para ler” (Lucas 4:16)

Que o Senhor do sábado te abençoe ricamente!

Frases #31

"Todo cristão ou é um missionário ou é um impostor"

Charles Spurgeon

Frases #30

"O que o homem é, o é sobre seus joelhos diante de Deus, e nada mais" 



Robert Murray McCheyne (1813-1843)

O dia de Corpus Christi

(por Dennis Downing)

O dia de Corpus Christi, que no latim significa "corpo de Cristo", é marcado para lembrar a ordenança da eucaristia, que é a realização da santa ceia, ou ceia do Senhor.


A santa ceia foi ordenada por Jesus de acordo com o Evangelho de Lucas 22:19-20, onde diz "E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: 'Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós'."

No Evangelho nunca é ordenado que este dia seja guardado anualmente. Segundo a tradição, a data é comemorada numa quinta-feira por este ser o dia da semana em que, provavelmente, Jesus tomou a ceia com seus discípulos.

Certamente, há quem questione a atenção dada à comemoração, devido à sua base em tradições extra-bíblicas. Mas, será que não podemos olhar por um momento além dos conflitos e diferenças que tanto dividem aqueles que querem seguir a Jesus?

Vale lembrar o sacrifício do Senhor e a instituição da Santa Ceia, algo que foi dado justamente para lembrar o que Jesus fez por nós. Foi Jesus mesmo que disse "fazei isto em memória de mim". Vamos refletir sobre o que é que devemos lembrar.

A palavra “graças”, na frase "deu graças, partiu-o e deu aos discípulos..." traduz a palvra grega “eucaristeo” de onde vêm palavras como “eucaristia” e “caridade”. Não foram as palavras “pão” nem “corpo” que deram origem ao nome que lembra a ceia do Senhor. Foi a palavra “agradecer”. Jesus deu graças pelo pão que simbolizava seu corpo que ainda seria crucificado.

Jesus deu graças pela oportunidade de ser usado por Deus. E, ao fazer isso, ele estava dando graças pelo sofrimento que ele teria que aguentar.

É preciso lembrar que nessa hora Jesus ainda tinha seu corpo. Ele ainda podia desistir. Ele sabia claramente e em detalhes tudo que estava prestes a sofrer. Mesmo assim, ele não só escolheu dar sua vida como sacrifício - mas ele deu graças a Deus pela oportunidade. Já pensou em agradecer a Deus pela oportunidade de sofrer?

Foi isso que Jesus fez. Ele deu graças. Ele deu sua vida. Eucaristia. Caridade. E dois mil anos depois, nosso vocabulário continua sendo impactado pelos atos e palavras de Jesus. Vale a pena lembrá-Lo, suas palavras e tudo que ele fez por nós. Vale a pena lembrar o corpo de Cristo dado por nós, o Corpus Christi. Lembre disso na próxima vez que você tomar a ceia. Lembre quem lhe deu esta graça. E agradeça a Ele.

Naquela noite, depois de tomar o pão, Jesus tomou o cálice e disse "Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vocês". (Lucas 22:20) Quando Ele disse “em favor de vocês”, seu nome estava incluído nas últimas cinco letras daquela frase. Palavras faladas dois mil anos atrás foram dirigidas a você!

Hoje, você ainda está livre para resistir, negar, rejeitar. Muitos o fizeram, e Jesus garantiu a liberdade de cada um para fazer exatamente esta escolha. Mas um dia eles se arrependerão. E não será só por causa do sofrimento eterno. Será mais ainda por causa do grande amor que desperdiçaram.

Quando você olhar para Jesus lembre-se do Seu grande amor. Lembre-se que um dia Jesus lembrou de você e lhe enviou um recado. Ouça o que ele está dizendo. Lembre-se dEle.

Oremos: Maravilhoso Deus, somos e sempre seremos devedores a Jesus. Mas agradecemos que, mesmo com uma dívida que nunca poderíamos pagar, Ele se deu por nós. Quando participamos na ceia ajude-nos a lembrar que Jesus lembrou de nós quando foi instituída. Em nome de seu Filho Amado agradecemos. Amém.

Fonte: Iluminalma

Corpus Christi e minha experiência

(por Marcio)

"Porque o pão de Deus é aquEle que desce do céu e dá vida ao mundo" (João 6:33)

Muitas foram as vezes em que estive numa fila aguardando o momento em que a hóstia seria colocada na minha boca pelo padre, naquele que é o momento "alto" da cerimônia, onde aprendi desde cedo que o Corpo de Cristo (Corpus Christi em latim) seria introduzido no meu organismo. Esta cerimônia, um dos sete sacramentos segundo a igreja católica, é chamada de Eucaristia, onde o fiel entra em Comunhão (como é mais comumente chamado) ao entrar em contato com aquele pedaço de pão, produzido com água e farinha de trigo, sem sal e fermento. O aviso era: "Não mastigue o pão", porque se mordesse, estaria ferindo o corpo de Cristo. O mesmo então deveria apenas ser dissolvido pela saliva, mas jamais mastigado.

Há alguns anos aprendi que este processo é chamado de TRANSUBSTANCIAÇÃO, ou "mudança de substância", dogma que ensina que ali há a presença real, literal e verdadeira do próprio Cristo sob a aparência de pão, ou seja, o pão e o vinho não simbolizam apenas o corpo e o sangue do Senhor, mas ensina que é o próprio sangue e o próprio corpo de Cristo.

O "comer a carne e beber o sangue" tomou até os próprios apóstolos de dúvidas. Suas emoções foram atordoadas, alguns se escandalizaram. Se absorvessem aquelas palavras em sentido literal, haveriam de ser como canibais (João 6:52). Contudo, um pouco mais adiante no verso 63, Jesus abre-lhes a mente dizendo: "As palavras que Eu vos tenho dito, são ESPÍRITO e VIDA". Neste momento foi-lhes esclarecido de que o Mestre se referia ao "alimento espiritual" e que este só pode ser recebido pela fé. Jesus também disse: "...isto é Meu corpo"; "... isto é Meu sangue..." (Mateus 26:26 e 28). Poderia Ele estar repartindo Seu próprio corpo e servindo Seu sangue na presença dos Seus discípulos? Tal idéia é falaciosa! Interessante, é que a igreja romana não admite contestação em qualquer um dos seus pontos fundamentais. De acordo com ela, o próprio Deus lhes concedeu autoridade plena para interpretar as escrituras, e os fiéis devem acatar toda e qualquer "revelação" sem contestação. O Corpus Christi também é o nome dado a uma das festas desta igreja desde 1264, onde são realizadas desde então procissões em vias públicas; cortejos de "veneração pública" à Eucaristia católica.

No entanto, o participar da Santa Ceia do Senhor é saciar a fome espiritual; significa aceitar ou reaceitar a Jesus como seu Salvador pessoal, é entrar na Vida. Comer do pão material pode saciar nossa necessidade física, mas só "comendo do pão do céu", que poderemos saciar nossas necessidades espirituais. "E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede" (João 6:35).

Esta cerimônia solene nos faz lembrar do significado da Sua morte, Seu sacrifício. É a festa da lembrança, da recordação. O Mestre foi muito sábio em cada característica desta cerimônia que deveria ser feita em memória dEle. O pão, alimento comum em quase todas as culturas, deve sim ser mastigado, triturado em memória daquEle que foi machucado pelos pecados de muitos. Está escrito: "Comei" (Mateus 26:26), o que indica a ação de mastigar. É feito sem fermento (símbolo de pecado), assim como Jesus não tinha pecado. O vinho ou suco de uva (também sem fermento), um dos três melhores alimentos para a memória humana, é abençoado (Isaías 65:8). Todos são SÍMBOLOS de uma ordenança que deve ser repetida por todos aqueles que são de Cristo Jesus e querem permanecer nEle, renovando sua aliança, aceitando o "maná do céu" como alimento que fará parte agora da sua própria alma. Jesus usou muitos símbolos, e neste contexto declarou ser o "Pão", mas também disse ser "a Porta" (João 10:7); "a Vinha" (João 15:5), contudo, não significa que Ele seja literalmente um pedaço de madeira ou uma plantação de uvas, são apenas figuras de linguagem.

Esta simbologia da Santa Ceia é melhor chamada de CONSUBSTANCIAÇÃO, crença na presença espiritual de Jesus COM O pão e o vinho, sem modificar suas características. Faz todo o sentido, porque mesmo depois de abençoados pelo ministrante, conservam a mesma aparência, forma, sabor, cheiro, peso e cor. Com todo respeito aos irmãos que pensam diferente, ouvir dizer que alguém mastigou a hóstia e a mesma sangrou, não passa de lenda religiosa.

Enfim, a Mesa do Senhor foi instituída pelo próprio Deus encarnado. Ela representa simbolicamente a lembrança da sua morte e anuncia a Sua breve volta. Enquanto que a I.C.A.R. anuncia a PRESENÇA real de nosso Senhor nos elementos sacramentais, o apóstolo Paulo escreveu aos corintos a AUSÊNCIA real do Senhor, de quem nos devemos lembrar: "Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor até que Ele venha" (I Coríntios 11:26).

REFLEXÃO: "Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (Atos 5:29)

Ref. bibliográfica: A Igreja Católica nas profecias - Orlando J. Oliveira

Corpus Christi e a Igreja Romana

De acordo com a Wikipedia: Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo) é uma festa móvel da Igreja Católica que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia. A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito Canônico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, “para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia”.

A festa foi decretada em 1264 e se baseia no conto fictício de que o pedaço de pão (a Hóstia) teria se transformado em carne viva de Cristo, encharcando de sangue a boca da pessoa que tomava a Eucaristia.

Ostensório [foto], usado para transportar o pão mistíco da Igreja Romana. Lembra o SOL e não é mera coincidência.

Centenas de protestantes foram mortos por não concordarem com o misticismo pagão dessa doutrina. Wycliffe, atacou esta doutrina na sua leitura ante a Universidade de Oxford em 1381.

Juan Mollius, italiano, professor, sacerdote aos 18 anos, ao ler as verdades do Evangelho descobriu os erros da Igreja de Roma, dentre outros, Purgatório, Transubstanciação, Missa, Confissão Auricular, Oração pelos Mortos, Hóstia, Peregrinações, Extrema-Unção, Cultos em idioma desconhecido, e outros. Foi enforcado em 1553, tendo o corpo queimado.

De acordo com o Livro dos Mártires (p.118-119):

Um jovem inglês que estava em Roma [por volta de 1560], passava um dia junto a uma igreja justo quando saiu a procissão da hóstia. Um bispo levava a hóstia, e vendo-a o jovem, arrebatou-a, a lançou no chão e a calcou a seus pés, gritando: “Miseráveis idólatras, que deixais o verdadeiro Deus, para adorar um pedaço de comida!”. Esta ação provocou de tal modo o povo que teria despedaçado o jovem naquele mesmo momento, mas os sacerdotes persuadiram a multidão que o deixassem para que fosse sentenciado pelo Papa.

Quando contaram o assunto ao Papa, este sentiu-se sumamente exasperado, e ordenou que o preso fosse queimado de imediato; porém um cardeal o dissuadiu desta apressada sentença, dizendo-lhe que seria melhor castigá-lo gradualmente e torturá-lo, para poder descobrir se tinha sido instigado por alguma pessoa determinada a cometer uma ação tão atroz.

Aprovado isto, foi torturado com a maior severidade, porém só conseguiram tirá-lhe estas palavras: “Era a vontade de Deus que eu fizesse o que fiz”. Então o Papa pronunciou sentença contra ele:

1) Que o carrasco o levasse com o torso nu pelas ruas de Roma.

2) Que levasse a imagem do diabo sobre sua cabeça.

3) Que lhe pintassem nas calcas uma representação das labaredas.

4) Que lhe cortassem a mão direita.

5) Que depois de ter sido assim levado em procissão, fosse queimado.

Quando ouviu esta sentença, implorou a Deus que lhe der força e integridade para manter-se firme. Ao passar pelas ruas, foi enormemente escarnecido pelo povão, aos quais falou algumas coisas severas acerca da superstição romanista. Mas um cardeal que o ouviu, ordenou que o amordaçassem.

Quando chegou à porta da igreja onde havia pisoteado a hóstia, o carrasco lhe cortou a mão direita, e a encravou num pau. Depois dois torturadores, com tochas acesas, abrasaram e queimaram seus carne todo o resto do caminho. Ao chegar no lugar da execução beijou as correntes que haviam amarrado a estaca. Ao apresentá-lhe um monge a figura de um santo, bateu nela lançando-a no chão; depois, acorrentando-o na estaca, acenderam a lenha, e pronto ficou reduzido a cinzas.

Pouco depois da execução acabada de mencionar, um venerável ancião, que tinha permanecido muito tempo preso da Inquisição, foi condenado à fogueira, e tirado para ser executado. Quando estava já acorrentado à estaca, um sacerdote susteve um crucifixo diante dele, e lhe disse: “Se você não tirar este ídolo de minha vista, serei obrigado a cuspir nele”. O sacerdote o repreendeu por falar tão duramente, porém ele lhe disse que lembrasse do primeiro e do segundo mandamento, e que se afastasse da idolatria, como Deus mesmo tinha ordenado. Foi então amordaçado, para que já não falasse, e pondo fogo na lenha, sofreu o martírio no fogo.

(O Lívro dos Mártires, Página 129)

Nos vales de Piemonte, no século 17, Dn Rambaut, de Vilário, pai de uma numerosa família, foi apreendido e levado a prisão junto com vários outros, no cárcere de Paysana. Aqui foi visitado por vários sacerdotes, que com uma insistente importunidade fizeram tudo o possível por persuadi-lo a renunciar à religião protestante e tornar-se papista. Mas recusou rotundamente e os sacerdotes, ao verem sua decisão, pretenderam sentir piedade por sua numerosa família, e lhe disseram que poderia, com tudo, salvar sua vida se afirmava sua crença nos seguintes artigos:

1) A presença real na hóstia.

2) A Transubstanciação.

3) O Purgatório.

4) A infalibilidade do Papa.

5) Que as missas realizadas pelos defuntos livravam almas do purgatório.

6) Que rezar aos santos dá remissão dos pecados.

O senhor Rambaut disse aos sacerdotes que nem sua religião nem seu entendimento nem sua consciência lhe permitiriam subscrever nenhum destes artigos, pelas seguintes razões:

1) Que acreditar na presença real na hóstia é uma chocante união de blasfêmia e idolatria.


2) Que imaginar que as palavras de consagração executam o que os papistas chamam de transubstanciação, convertendo o pão e o vinho no verdadeiro e idêntico corpo e sangue de Cristo, que foi crucificado, e que depois ascendeu ao céu, é uma coisa demasiado torpe e absurda para que acredite nela sequer uma criança que tiver a mínima capacidade de raciocínio; e que senão a mais cega superstição poderia fazer que os católico-romanos depositassem sua confiança em algo tão ridículo.

3) Que a doutrina do purgatório é mais inconseqüente e absurda que um conto de fadas.

4) Que era uma impossibilidade que o Papa fosse infalível, e que o Papa se arrogava de forma soberba algo que somente podia pertencer a Deus como ser perfeito.

5) Que dizer missas pelos mortos era ridículo, e somente tinha a intenção de manter a crença na fábula do purgatório, por quanto a sorte de todos estava definitivamente decidida ao partir a alma do corpo.

6) Que a oração aos santos para remissão dos pecados é uma adoração fora de lugar, por quanto os mesmos santos têm necessidade da intercessão de Cristo. Assim, já que somente Deus pode perdoar nossos erros, deveríamos ir somente a Ele em busca do perdão.

Os sacerdotes sentiram-se tão enormemente ofendidos ante as respostas do senhor Rambaut aos artigos que eles queriam se subscrevesse, que decidiram abalar sua resolução mediante o mais cruel método imaginável. Ordenaram que lhe cortassem a circulação dos dedos das mãos até o dia que ficasse sem eles; depois passaram aos dedos dos pés; depois, alternadamente, foram cortando-lhe um dia uma mão, outro dia um pé; porém ao ver que suportava seus sofrimentos com a mais admirável paciência, fortalecido e resignado, e mantendo sua fé com uma resolução irrevogável e uma constância inamovível, o apunhalaram no coração, e deram seu corpo como comida para os cães.

 
Para ler sobre os mártires por causa da questão do Corpus Christ, Eucaristia e paganismos semelhantes leia o Livro dos Mártires.

Fonte: Sétimo Dia

Frases #29

"As minhas orações não mudam a Deus, mudam a mim mesmo" 


C.S. Lewis (1898-1963)
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