Os dois concertos - Comentários da Lição 10

Lição 10 - 26/nov a 02/dez de 2012
(Comentários do irmão César Pagani)


VERSO EM DESTAQUE: “Mas a Jerusalém lá de cima é livre, a qual é nossa mãe.” (Gl 4:26)

Quantos concertos fez Deus com a raça decaída? “Assim como a Bíblia apresenta duas leis, uma imutável e eterna, e outra provisória e temporária, assim há dois concertos. O concerto da graça foi feito primeiramente com o homem no Éden, quando, depois da queda, foi feita uma promessa divina de que a semente da mulher feriria a cabeça da serpente. A todos os homens este concerto oferecia perdão, e a graça auxiliadora de Deus para a futura obediência mediante a fé em Cristo. Prometia-lhes também vida eterna sob condição de fidelidade para com a lei de Deus. Assim receberam os patriarcas a esperança da salvação.

“Este mesmo concerto foi renovado a Abraão, na promessa: ‘Em tua semente serão benditas todas as nações da Terra. ’ Gn 22:18. Esta promessa apontava para Cristo. Assim Abraão a compreendeu (Gl 3:8 e 16), e confiou em Cristo para o perdão dos pecados. Foi esta fé que lhe foi atribuída como justiça. O concerto com Abraão mantinha também a autoridade da lei de Deus. O Senhor apareceu a Abraão e disse: ‘Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em Minha presença e sê perfeito. ’ Gn 17:1. O testemunho de Deus concernente a Seu fiel servo foi: ‘Abraão obedeceu à Minha voz, e guardou o Meu mandado, os Meus preceitos, os Meus estatutos, e as Minhas leis. ’ Gn 26:5. E o Senhor lhe declarou: ‘Estabelecerei o Meu concerto entre Mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus, e à tua semente depois de ti. ’ Gn 17:7.

“Se bem que este concerto houvesse sido feito com Adão e renovado a Abraão, não poderia ser ratificado antes da morte de Cristo. Existira pela promessa de Deus desde que se fez a primeira indicação de redenção; fora aceito pela fé; contudo, ao ser ratificado por Cristo, é chamado um novo concerto. A lei de Deus foi a base deste concerto, que era simplesmente uma disposição destinada a levar os homens de novo à harmonia com a vontade divina, colocando-os onde poderiam obedecer à lei de Deus.

“Outro pacto, chamado nas Escrituras o ‘velho’ concerto, foi formado entre Deus e Israel no Sinai, e foi então ratificado pelo sangue de um sacrifício. O concerto abraâmico foi ratificado pelo sangue de Cristo, e é chamado o ‘segundo’, ou o ‘novo’ concerto, porque o sangue pelo qual foi selado foi vertido depois do sangue do primeiro concerto. Que o novo concerto era válido nos dias de Abraão, evidencia-se do fato de que foi então confirmado tanto pela promessa como pelo juramento de Deus, ‘duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta’. Hb 6:18.

“Mas, se o concerto abraâmico continha a promessa da redenção, por que se formou outro concerto no Sinai? - Em seu cativeiro, o povo em grande parte perdera o conhecimento de Deus e os princípios do concerto abraâmico. Libertando-os do Egito, Deus procurou revelar-lhes Seu poder e misericórdia, a fim de que fossem levados a amá-Lo e confiar nEle. Trouxe-os ao Mar Vermelho - onde, perseguidos pelos egípcios, parecia impossível escaparem - a fim de que se compenetrassem de seu completo desamparo, e da necessidade de auxílio divino; e então lhes operou o livramento. Assim eles se encheram de amor e gratidão para com Deus, e de confiança em Seu poder para os ajudar. Ele os ligara a Si na qualidade de seu Libertador do cativeiro temporal.” PP, 370, 371.

DOMINGO - Fundamentos do concerto

Para início de considerações, a lei a que Paulo se refere no verso 21 de Gl 4 é o Pentateuco, porquanto a história de Abraão, de Sara, Hagar, Ismael e Isaque está registrada em Gênesis, que pertence aos cinco primeiros livros bíblicos. As obras de Moisés são chamadas de Lei nas próprias Escrituras.

Pois bem, os gálatas que haviam sido enganados pelos judaizantes e se tornaram prosélitos do judaísmo ritual, por certo conheciam as histórias do AT. Paulo aproveitou-se desse conhecimento prévio para, mediante as alegorias de personagens bíblicos, ensinar acerca da loucura de tentar substituir a fé por rudimentos cerimoniais.

Conceituação de aliança – Basicamente um acordo entre pessoas visando ao conseguimento de objetivos do interesse das partes. Quando se faz um acordo entre iguais, as partes, segundo as leis vigentes no país onde habitam, estabelecem os direitos e obrigações pertinentes. A aliança entre partes desiguais se caracteriza pela imposição da vontade de uma das partes e a aceitação de outra.

Que Deus tem um acordo com todos os seres criados – referimo-nos aos anjos e habitantes de mundos não-caídos – ficou evidente quando da rebelião surgida nos paços celestiais. Satanás e seus asseclas desobedeceram, quebraram o concerto, e foram expulsos dos lugares santos. O rompimento dessa aliança deu-se pela rebelião e desobediência à justa vontade de Deus.

O tyrb bariyth (ou brith = cortar; daí a circuncisão chamar-se, em hebraico, brith milah ou aliança da circuncisão) tem os significados de acordo, compromisso, tratado, associação, aliança, convenção.

Na exposição argumentativa de Paulo, Sara e Hagar, duas personagens bíblicas, são evocadas como alegorias (representações de conceitos abstratos) dos dois concertos. (A etimologia de berîth ou brith não é inteiramente certa. A palavra ocorre pelos menos 280 vezes no Antigo Testamento, traduzida frequentemente como “concerto/aliança”. Noutros casos, a palavra é traduzida também por “liga” (Js 9:9; 2Sm 3:12 etc.); “confederação” (Ob 7; Gn 14:23). O termo é usado em uma variedade de significados, parecendo envolver não apenas o sentido de aliança, mas também, de compromisso, ordenança e lei. As opiniões, como poderia se esperar, divergem quanto à questão do significado primário do termo. Estudos etimológicos buscando encontrar a raiz por traz de berîth, não alcançaram resultados conclusivos. De acordo com M. Weinfeld, as derivações sugeridas podem ser classificadas em quatro possibilidades fundamentais . Para Mendehall, alternativa que envolve a idéia de “vínculo” e “responsabilidade” do concerto, é a posição geralmente aceita.)

Hagar – concubina de Abraão, serva de Sara, proveu descendência a Abraão, mas não segundo o mandado divino. Por sugestão de Sara e conivência do marido, eles tentaram cumprir a promessa de Deus - a parte de responsabilidade divina no acordo- feita em sua aliança com o patriarca. Ismael não era o filho da promessa, mas da carne, isto é, do desejo humano de querer fazer as coisas à sua moda. Paulo usou outro símbolo para o antigo concerto: o Monte Sinai. Ora, mas o que tem a ver o Monte Sinai com Hagar? No Monte Sinai foi homologada a Lei Moral e suprida a lei cerimonial. Os israelitas estavam sob jugo de justiça. “As condições do ‘velho concerto’ eram: Obedece e vive – ‘cumprindo-os [estatutos e juízos] o homem, viverá por eles’ (Ez 20:11; Lv 18:5); mas ‘maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei’. Dt 27:26.” MM59, 78.

É preciso cautela para não colocar o Senhor em posição dúbia, mal-interpretando Sua providência. Ora, Ele deu leis que eram justas para colocar o homem em servidão? As leis cerimoniais eram escravizantes? Se elas apontavam para Cristo, por que imputar-lhes essa finalidade desonrosa? Não nos esqueçamos de que as leis rituais (que também foram dadas por Deus, a exemplo da Lei Moral) exigiam fé dos cumpridores. Sem fé elas não passavam de liturgias ocas. Havia a forma, sim, mas essa devia direcionar para a fé. O problema está em tornar as leis salvadoras; aí elas se tornam escravagistas. Não foi isso o que os judaizantes fizeram e criaram grave crise na igreja da Galácia?

“A lei cerimonial existiu para atender a um propósito particular no plano de Cristo para a salvação da humanidade. O sistema típico de sacrifícios e ofertas fora estabelecido para que através dele o pecador pudesse discernir a grande oferta: Cristo... A lei cerimonial era gloriosa; era a provisão feita por Jesus Cristo em conselho com Seu Pai, para auxiliar na salvação da raça. Todos os dispositivos do sistema típico foram baseados em Cristo. Adão vira Cristo prefigurado no inocente animal que sofria, a penalidade da sua própria transgressão à lei de Jeová.” SDA Bible Commentary, vol. 6, pág. 1.094.

Hagar representa o pacto da escravidão no sentido de que a Lei que Deus revelou no Sinai não pode libertar os homens; pelo contrário, fá-los escravos da iniquidade e do pecado. Sua função é mostrar o pecado em todas as suas cores. O povo prometeu guardar a Lei sem compreender o que ela realmente significava. Colocaram-se sob compromisso de fazer algo impossível sem a justiça do Cordeiro.

Sara – tipo da Jerusalém que é de cima (v. 26), a cidade de Deus para onde estão destinados todos aqueles que seguem o Caminho, a Verdade e a Vida – Jesus Cristo. Sara gerou Isaque de Abraão. Em Isaque se cumpriram as promessas da santa descendência, da descendência da fé. O Salvador do mundo veio da linha genealógica de Isaque (ver Mt 1:2-16). O novo concerto nada mais é do que o cumprimento da promessa feita primeiramente a Adão, depois a Noé, a Abraão e a Davi (de cuja descendência real viria o Príncipe dos príncipes. É estabelecido em melhores promessas (Hb 8:6). Por paradoxal que possa parecer, o novo concerto é bem mais velho do que o concerto antigo, porquanto vem desde antes da fundação do mundo e prevalece sobre a aliança provisória do Sinai.

SEGUNDA - O concerto abraâmico

John Murray, eminente teólogo de pensamento calvinista, observa que “este concerto com Abraão é explicitamente estabelecido em Gênesis 15, 17, [que] enfatiza a totalidade do subsequente desenvolvimento da promessa redentiva de Deus, [em] palavra e ação”.

Eis o texto da aliança com Abraão e sua descendência: “Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gn 12:1-3)

As promessas: 1) Uma grande nação procederia do desfilhado patriarca. 2) Ele seria abençoado. 3) Se tornaria famoso. 4) Receberia poder para “ser uma bênção” [servir à humanidade]. 5) Todas as famílias da Terra, isto é, toda a humanidade seria abençoada por Deus através da descendência de Abraão.

Segundo Walvoord, “o concerto abraâmico fornece a chave para todo Antigo Testamento. [...] A análise de suas provisões e o caráter de seu cumprimento estabelecem o formato para todo o corpo da verdade bíblica.” Em outras palavras, tudo quanto foi revelado por Deus aos israelitas estava embasado nas promessas feitas ao patriarca da nação.

Explica o Dr. Amin A. Rodor, teólogo adventista: “Sem dúvida, é precisamente em termos das promessas dadas a Abraão, que Deus na plenitude dos tempos, enviaria Seu Filho, para que todos, sem distinção, recebessem a adoção de filhos. A redentiva graça de Deus, no alcance mais amplo de sua realização, é o desdobramento da promessa dada a Abraão, e, portanto, o desdobramento

do Concerto Abraâmico. Assim, Paul R. House adequadamente sumariza a questão quando afirma a respeito de Genesis 11:10-25:18: ‘Dito de forma simples, então, seria difícil exagerar a importância desta seção na literatura bíblica, e, portanto, na teologia bíblica.’”

A ação divina no capítulo 12 do Gênesis é graciosamente seletiva. Ele escolheu um homem para fazer um contrato de escopo universal com ele. Nada havia, a rigor, em Abraão que merecesse a atração do interesse divino. Por certo havia muitos homens justos contemporâneos. A preferência foi unicamente por graciosa manifestação.

O concerto sinaítico ou mosaico foi uma derivação do concerto adâmico e abraâmico. A finalidade era salvífica. “As melhores promessas” já estavam contidas em seu bojo. A promessa de perdão, por exemplo, era certa, desde que a fé no Redentor vindouro fosse manifesta pelo ofertante do sacrifício ritual.

No concerto abraâmico também havia sacrifícios rituais, embora não houvesse um sacerdócio intermediador. Melquisedeque é mencionado como sacerdote do Deus Altíssimo a quem Abraão devolveu o dízimo, mas não há qualquer evidência de que ele ministrasse nalgum templo ou que houvesse uma ritualística a observar.

Não podemos omitir a relação promessa-obediência, sem falsearmos a teologia do concerto. Antes das promessas do acordo, ordenou Deus: “Sai da tua terra, da tua parentela, da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei.” (Gn 12:1). Suponhamos que Abraão dissesse a Deus: “Não estou interessado; perdoe-me, Senhor, por não aceitar essa proposta. Estou muito bem aqui em Harã, tenho minha fazenda, muito gado, servos, renome local, e não desejo trocar meu conforto e estabilidade por uma viagem insólita.” Que seria do concerto?

As promessas e o concerto eram fruto da extraordinária graça e amor infinito de Deus, mas a graça não coagiria a vontade do ser. Abraão era um homem livre e, caso preferisse contrariar o plano de Deus, teria esse direito.

O concerto exigiu muita fé exercida através da paciência do patriarca. Parecia que o Senhor estava retardando a promessa, como se dissesse: “Abraão, você está em Minhas mãos. Farei o que prometi e quando Eu quiser.” O venerando homem deixou escapar uma pequena lamentação quanto à demora da promessa: “Senhor Deus, que me haverás de dar se continuo sem filhos.” (Gn 15:2) Deus renovou Sua promessa e Abraão creu na repetição do que Deus combinara com ele.

“A vida altruísta de Abraão tornou-o realmente um ‘espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens’. I Co 4:9. E o Senhor declarou que abençoaria os que bendissessem a Abraão, e puniria os que o maltratassem ou prejudicassem. Por meio da experiência de Abraão em sua vida religiosa, tem sido transmitido um correto conhecimento de Jeová a milhares de pessoas; e a sua luz lançará seus raios ao longo do caminho dos que praticam a piedade, a fé, a devoção e a obediência de Abraão.” E Recebereis Poder, 257.

TERÇA - Abraão, Sara e Hagar

Um triângulo amoroso que não deu certo. E por quê? Bem, tal situação é defectiva em todos os pontos. Deus fez uma mulher para um homem e um homem para uma mulher. Jesus falou sobre isso em Sua autoridade (Mt 19:4-6). A partir de Lameque (tetraneto de Caim) a determinação divina foi desrespeitada e a configuração do casamento passou a ter um homem e várias mulheres (poligamia). No tempo de Abraão, era costume arraigado de há muito ter o homem vínculo esponsal com duas ou mais companheiras.

Nosso bom patriarca, por sugestão da própria esposa, tomou a egípcia Hagar como mulher para gerar-lhe filhos. Talvez ele tenha pensado: “Bem, Deus disse que me daria muitos descendentes, porém, não especificou quem seria a geradora deles. Além disso, minha esposa autorizou-me a coabitar com sua serva para ter filhos com ela. Sara é estéril e jamais poderá ter filhos. Sendo assim, nada há de mal se Hagar me der descendência.” Esse comportamento moral de Sara no matrimônio estava mais estribado no Código de Hamurabi, conhecida lei daqueles tempos, e em outras leis orientais. Tabletes de argila descobertos em Nuzi, antiga cidade da Mesopotâmia registram disposições legais sobre contratos de casamento: “É obrigação o provimento de uma serva para o marido, caso a mulher não lhe dê filhos.”

Ora, o concerto fora feito com base nas promessas de Deus, aceitas unicamente pela fé. Isso queria dizer que o Senhor faria Sua parte em dar descendência ao velho Abraão. Ele, contudo, requeria continuidade ou firmeza de fé. Abraão fraquejou algumas vezes em sua confiança. Calvino escreveu que “a substância da fé possuída por Abraão e por Sara era deficiente, não em relação à promessa, mas em relação ao método pelo qual se cumpriria.”

Essa ação histórica proveu a Paulo a alegoria de que precisava para esclarecer os gálatas quanto à loucura de seu procedimento. Eles, mediante o evangelho de Cristo pregado por Paulo, haviam nascido livres em Jesus. Eram como Isaque, filhos da promessa e não como Ismael, filho de uma escrava, alguém de categoria social desprezível.

Por que o autor sagrado usa o Monte Sinai, ligando-o à Jerusalém palestina e os representa como símbolos de escravidão? As leis que Deus deu, por acaso escravizam? Se sim, então não são justas e se Autor não entende nada de legislação. Mas está escrito da primeira Lei dada no Sinai, que ela é “santa, justa e boa” (Rm 7:12). Das leis cerimoniais lemos: “Eis que vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o Senhor, meu Deus, para que assim façais no meio da terra que passais a possuir. Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente.” (Dt 4:5, 6)

Onde, pois, a escravidão? Na forma como a Lei é entendida. Se vista como requisito sine qua non ao alcance do mortal para a obtenção dos favores divinos, então ela é nociva e letal. O pecador vai tentar observá-la com firme decisão, força de vontade, determinação e retidão própria. Vai se impor a obrigação de atender à sua forma de justiça, porém, é tão incompetente para atingir e cumprir o espírito da Lei, quanto uma tartaruga virada de patas para o ar retornar à posição normal.

Eis por que Paulo diz que a “Jerusalém atual” (Gl 4:25) está em escravidão. Na época em que Paulo escreveu a epístola aos gálatas, os judeus, simbolizados por sua cidade-orgulho, ainda estavam presos à lei abolida por Cristo na cruz. Barnes entende da mesma maneira: “Isto é, um escravo de ritos e formas, como de fato era no tempo de Paulo”.

Quem, porém, recebeu o bendito Evangelho de Cristo já é habitante da Jerusalém de cima. Seu nome está escrito no Livro da Vida do Cordeiro. Já é cidadão legítimo do Céu.

“Temos Sua promessa. Temos o direito de posse à propriedade real no reino da glória. Nunca foi elaborado um título de propriedade mais estritamente de acordo com a lei, nem assinado de modo mais legível, do que o que dá ao povo de Deus o direito às mansões celestiais. ‘Não se turbe o vosso coração’ - diz Cristo; - ‘credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando Eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também.’ Jo 14:1-3.” MM95, 273.

A propósito, estude o manual de acesso à Nova Jerusalém: “Aos que se estão preparando para as mansões celestiais deve ser recomendado que façam da Bíblia seu principal livro de estudo.” FEC, 381.

QUARTA - Hagar e o Monte Sinai (Gl 4:21-31)

Não há nenhuma ligação histórica entre Hagar e o Monte Sinai. Ela era egípcia e morou com Abraão em Betel e depois Berseba. Sequer passou pelo Monte onde, mais tarde, Deus deu Sua Lei a Israel. Por que Paulo usou Hagar e o Sinai como alegoria da escravidão, da servidão? Leia Dt 33:2-4: “Disse, pois: O Senhor veio do Sinai e lhes alvoreceu de Seir, resplandeceu desde o monte Parã; e veio das miríades de santos; à Sua direita havia para eles o fogo da lei. Na verdade, amas os povos; todos os Teus santos estão na Tua mão; eles se colocam a Teus pés e aprendem das Tuas palavras. Moisés nos prescreveu a lei por herança da congregação de Jacó.” Pergunto: O que há de deletério e nocivo provindo do Sinais?

É útil repisar o ponto de que o problema não estava com a Lei Moral ou a ritualística. Nenhuma lei de Deus tem teor coercivo, escravagista, compulsório. Usemos um silogismo aqui para ver onde uma conceituação errada pode levar: premissa maior: Deus deu origem a todas as leis; premissa menor: As leis são instrumentos de escravaria; conclusão: Logo, Deus é o criador da escravidão. Veja que terrível enrascada origina esse raciocínio.

O pecado sim é que é escravocrata. Quem peca, escolhe fazê-lo e algema-se a si mesmo: “Quanto ao perverso, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido.” (Pv 5:22) “Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo [mashal ou exercer domínio sobre ele].” (Gn 4:7).

Perceba que os gálatas escolheram entre o puro evangelho de Paulo e o “evangelho judaizante caduco”. Assim se puseram em escravidão a exemplo do que os israelitas fizeram no Sinai: “Então, o povo respondeu à uma: Tudo o que o Senhor falou faremos.” (Ex 24:3) Deste modo obrigaram-se pela palavra perante Deus, fazendo um voto de obediência. Mas não demorou muito e adoraram o bezerro de ouro anulando o voto. Caiu sobre eles o desagrado divino: “Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes.” (Ec 5:4). Igualmente, o problema do Sinai foi a desobediência e não a Lei.

O “jugo da escravidão” de que fala Paulo no cap. 5, verso 1, concluindo sua argumentação exposta no cap. 4, refere-se claramente às leis cerimoniais sobrecarregadas de interpretações rabínicas e pensamentos de homens ao longo dos séculos. “É isto uma parábola para a época presente; e, segundo esta, se oferecem tanto dons como sacrifícios, embora estes, no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoar aquele que presta culto, os quais não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma.” (Hb 9:9, 10) “Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem.” (Cl 2:20-22)

O ritual do santuário e suas leis não eram jugo de escravidão, mas formas de edificar a fé se bem compreendidos. Com a deturpação dos “edificadores da religião”, aquilo que era útil e proveitoso tornou-se carga insuportável por causa dos doutores da Lei: “Mas Ele respondeu: Ai de vós também, intérpretes da Lei! Porque sobrecarregais os homens com fardos superiores às suas forças, mas vós mesmos nem com um dedo os tocais.” (Lc 11:46)

É importante notar que Jesus posicionou-se declaradamente a favor do código legal mosaico, pois disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5.17). Entretanto, Ele rejeitou com energia as ordenanças humanas e as compulsões impostas apenas pela tradição judaica (codificadas depois no Talmude), afirmando: “Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição. Pois Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte. Vós, porém, dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua mãe: Aquilo que podereis aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta para o Senhor, então, o dispensais de fazer qualquer coisa em favor de seu pai ou de sua mãe, invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes” (Mc 7:8-13).

“Os próprios discípulos de Cristo não estavam libertos, inteiramente, do jugo sobre eles posto pelos preconceitos herdados e pela autoridade dos rabinos. Manifestando agora o verdadeiro espírito desses rabis, buscava Cristo livrar da escravidão da tradição todos quantos na verdade desejassem servir a Deus.” DTN, 397.

Não incorramos na psicose de Esaú ao considerar a Lei de Deus um fardo. “A lei de Deus, que era a condição do concerto divino com Abraão, era considerada por Esaú como um jugo de escravidão.” PP, 178.

“Necessitamos diariamente de iluminação divina; devemos orar como Davi: ‘Desvenda os meus olhos, para que veja as maravilhas da Tua lei.’ Sl 119:18. Deus terá um povo sobre a Terra que vindicará Sua honra dando valor a todos os Seus mandamentos; e Seus mandamentos não são penosos, nem um jugo de servidão.” FO, 42.

“Os que fazem ousadas pretensões de santidade demonstram com isso que eles não vêem a si mesmos à luz da lei; não são iluminados espiritualmente e não sentem aversão a toda espécie de egoísmo e orgulho. De seus lábios manchados pelo pecado saem as expressões contraditórias: ‘Sou santo, sou sem pecado. Jesus me ensina que se eu guardar a lei, cairei da graça. A lei é um jugo de servidão.’ Diz o Senhor: ‘Bem-aventurados aqueles que guardam os Seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.’ Devemos estudar diligentemente a Palavra de Deus para que cheguemos a decisões corretas e procedamos de acordo com elas; pois então obedeceremos à Palavra e estaremos em harmonia com a santa lei de Deus.” Idem, 95.

QUINTA - Ismael e Isaque hoje

Visto estarmos tratando de alegorias – Sara, Hagar, Monte Sinai, Jerusalém, Jerusalém Celestial, há duas delas que precisamos também entender: Ismael e Isaque. Ismael era da idade de 14 anos (foi circuncidado aos 13) quando Isaque nasceu. Na cabeça de Abraão, Ismael até então era o filho da promessa. Quase uma década e meia pensando que Ismael era o herdeiro e que dele viria a descendência que seria uma bênção a toda a humanidade. Deus abençoou, de fato, a Ismael dando-lhe tantos descendentes que formariam uma grande nação - os ismaelitas (Gn 17:20) que viveram ao norte da Arábia e a leste da Síria. Porém, o Senhor não se agradou de Ismael para torná-lo antecessor do vitorioso Messias. Dele foi profetizado: “Esse filho será como um jumento selvagem; ele lutará contra todos, e todos lutarão contra ele. E ele viverá longe de todos os seus parentes.” (Gn 16:12) EGW diz que ele possuía uma disposição turbulenta, desrespeitosa.

Isaque foi gerado de Abraão e Sara. Ele, sim, tornou-se o herdeiro espiritual de Abraão. A promessa de Deus referia-se a Isaque e não a Ismael. Não por que esse era filho de escrava. Ismael não era escravo nem servo; era progênie ou descendência de Abraão. Entretanto, por viver isolado do povo e da Lei de Deus, apostatou-se. O secundogênito (Isaque) era o verdadeiro primogênito por viver a fé de seu pai.

Os Ismaéis de hoje são os contenciosos da igreja, cuja mão é contra todos e a mão de todos contra eles. Estão interessados em contender, dividir, desconstruir e duvidar. São escravos de suas próprias paixões. Perseguem os que querem viver de acordo com as Escrituras e os Testemunhos, taxando-os de estreitos, fanáticos, retrógrados. Montam até sites para investir turbulentamente contra os servos de Deus que, apesar de terem suas fraquezas e cometerem deslizes, estão fazendo a obra como Neemias: “Estou fazendo grande obra, de modo que não poderei descer; por que cessaria a obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?” (Nee 6:3) Fundam editoras, editam livros, panfletos, revistas; usam a Internet para trazer vergonha sobre a causa de Deus. Uma coisa não são: “escravos de Cristo” (ver I Co 7:22)!

Os Isaques são aqueles que, apesar de suas deficiências morais e deslizes, temem a Deus e procuram fazer firme sua vocação em Cristo Jesus. São filhos da promessa, sendo descendentes de Abraão (Gl 3:29), herdeiros da Nova Terra, possuidores de todos os bens do Pai.

“Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus.” (Mt 8:11) Por que estarão à mesa das bodas do Cordeiro na Jerusalém de cima? Vindos de todas as nações (Oriente e Ocidente), aqueles que aceitaram a “descendência de Abraão” mediante a fé no sacrifício todo-suficiente de Cristo viverão a eterna felicidade.

“O caso de Isaque está registrado como um exemplo a ser imitado pelos filhos das gerações posteriores, especialmente aqueles que professam temer a Deus.

“O caminho que Abraão seguiu na educação de Isaque, e que o levou a amar uma vida de nobre obediência, foi relatado para benefício dos pais, e deve levá-los a ordenar sua casa após eles. Devem instruir os filhos a se renderem a sua autoridade e respeitá-la. Devem sentir a responsabilidade que sobre eles repousa, de guiar as afeições dos filhos, de modo que elas sejam postas sobre pessoas a quem o seu discernimento indique tratar-se de companheiros dignos para seus filhos e filhas. HR, 86.

É preciso esforço!

(autor desconhecido)

"Ele dá força ao cansado, e aumenta as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os mancebos cairão, mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; andarão, e não se fatigarão" (Isaías 40:29-31)

Certo dia, um homem caminhava por uma estrada deserta e começou a sentir fome. Não estava prevenido, pois não sabia que a distância que ia percorrer era longa.

Começou a prestar atenção na vegetação ao longo do caminho, na tentativa de encontrar alguma coisa para acalmar o estômago.

De repente notou que havia frutos maduros e suculentos em uma árvore. Aproximou-se mas logo desanimou, pois a árvore era muito alta e os frutos inacessíveis.

Continuou andando e foi vencido pela fome e o cansaço. Sentou-se na beira do caminho e ficou ali lamentando a sorte.

Não demorou muito e ele avistou outro viajante que vinha pelo mesmo caminho.

Quando o viajante se aproximou o homem notou que ele estava comendo os frutos saborosos que não pudera alcançar e lhe perguntou:
- Amigo, belo fruto você encontrou.

- É, respondeu o viajante. Eu o encontrei no caminho, a natureza é pródiga em frutos suculentos.

- Mas você tem a pele machucada, observou o homem.

- Ah, mas isso não é nada! São apenas alguns arranhões que ficaram pelo esforço que fiz ao subir na árvore para colher os frutos.

E o homem, agora com mais fome ainda, ficou sentado resmungando, de estômago vazio, enquanto o outro viajante seguiu em frente.

Algumas vezes, fatos como esse também ocorrem conosco.

Ficamos sentados lamentando o sofrimento mas não abrimos mão da acomodação para sair  em busca da solução.

Esquecemos que é preciso fazer esforços, lutar, persistir.

É muito comum ouvir pessoas gritando por um "lugar ao sol", mas as que verdadeiramente querem um lugar ao sol, trazem algumas queimaduras, fruto da luta pelo ideal que almejam.

Outras, mais acomodadas, dizem que Deus alimenta até mesmo os pássaros. Por que não haveria de providenciar o de que necessitam?

Essas estão certas, em parte, pois se é verdade que Deus dá alimento aos pássaros, também é certo que ele não o joga dentro do ninho.

O trabalho de busca pelo alimento é por conta de cada pássaro, e muitas vezes isso não é fácil.

Há situações em que eles se arriscam e até saem com alguns arranhões.

Por essa razão, lembre-se sempre de que Deus a todos ampara, mas a caminhada, os passos, a busca, é por conta de cada um.

Por vezes a escalada é árdua, exaustiva, solitária. Mas é preciso fazer esforços para alcançar o fruto desejado, principalmente em se tratando dos frutos que saciam a sede da alma.

Jesus ensinou: batei, e a porta se abrirá. Mas os passos até chegar à porta e o esforço por bater, são necessários.

Buscai e achareis. Outra recomendação na qual está contida a ação necessária. Buscar é movimento, é esforço, é ação. Seria diferente se Jesus tivesse dito: espere passivamente que a porta se abrirá, ou, fique aí parado que o que deseja chegará até você.

No entanto, é preciso saber o que se busca e por qual porta desejamos entrar.

Ainda aí nossa escolha é totalmente livre. Nossa vontade é que nos conduzirá aonde queremos chegar.

Sendo assim, façamos a nossa escolha e optemos por chegar lá, e chegar bem.

REFLEXÃO: "Não temas, porque Eu sou contigo; não te assombres, porque Eu sou teu Deus: Eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da Minha justiça" (Isaías 41:10)

O Talmude

O Talmude é uma compilação de estudos, reunidos desde o tempo de Esdras até o sexto século de nossa era, contendo leis, poesias, orações, ritos, sermões, folclore, regras sobre o procedimento, mas especialmente comentários escriturísticos. Outra definição bastante sintética é esta: Talmude é um repositório de leis judaicas.

O termo Talmude vem do hebraico Lamad = aprender, vindo a significar depois ensino, instrução, estudo.

Todo o Talmude não é mais do que um esclarecido comentário à Bíblia, continuando a ser grande força e fonte do judaísmo.

Talmude é a sua exposição autorizada, dir-se-ia um complemento necessário à própria Bíblia.

O seu estudo tem-se constituído em uma das grandes missões dos judeus. Todos procuram nele a luz interna que ilumina e santifica os princípios bíblicos. Tem tido, através de todas as épocas os seus comentadores, muitos deles notáveis e célebres.

A preocupação com a lei, sua exposição e comentário é unta das notas tônicas em todas as páginas do Talmude.

Há dois talmudes: um elaborado em Babilônia e outro na Palestina. O da Palestina é conhecido pelo nome de Jerusalém e foi terminado no ano 400 A.D., enquanto o talmude de Babilônia, sendo mais completo, se concluiu cerca do ano 500 da nossa era.

A edição principal do Talmude Babilônico foi publicada em Veneza, entre os anos 1522 e 1523, em 12 volumes, sendo todas as edições posteriores reproduções exatas desta edição. O de Jerusalém foi publicado pela primeira vez também em Veneza, em 1523.

Os talmudes estão escritos em aramaico. O de Babilônia em dialeto oriental e o de Jerusalém no ocidental.

O Talmude consta de duas partes distintas: a primeira comum ao Babilônio e ao Palestiniano é a Mishná; a segunda é distinta, porque a parte realizada na Palestina tem o nome de Talmude, enquanto a elaborada em Babilônia é conhecida como Gemara (do aramaico – complemento).

A revista da Sociedade Bíblica “A Bíblia no Brasil”, novembro e dezembro de 1980, págs. 22 e 23, trouxe um artigo de Ismael da Silva Júnior, que propicia melhor compreensão sobre este assunto. Leia-o com atenção:

O Talmude

“No início da Era Cristã, apareceu o Talmude, palavra hebraica que significa doutrinar, ensinar, interpretar, o qual nada mais é do que uma coleção de livros sagrados, preparados por alguns rabinos judeus, contendo um conjunto de leis, civis e religiosas, do povo descendente de Abraão.

Segundo alguns autores, o Talmude foi coligido em duas épocas diferentes. O primeiro volume por Judas e mais alguns rabinos hebreus. Esse Judas, cognominado o Santo, era descendente de Gamaliel, mestre de Saulo de Tarso, que viveu no II século da era Cristã.

Concordando com o pensamento dos fariseus, os seus autores admitiram a existência de uma tradição oral, transmitida por Moisés a Josué, a quem sucedeu na direção do povo de Deus, quando demandava a terra de Canaã, conforme está registrado em Deut. 31:1 a 8; e, por ele, aos anciãos do povo. Estes, por sua vez, fizeram com que chegasse aos profetas e à Grande Sinagoga e, por fim, a Igreja dos Hebreus. É isso, em termos gerais, o que afirma o Mispa. Ele foi preparado em virtude da grande dificuldade que havia na interpretação das leis do Pentateuco, ou dos cinco primeiros livros das Escrituras Sagradas, escritos por Moisés, sob a inspiração direta do Espírito Santo de Deus, conforme está escrito em Êx. 17:14 e 24:4.

Mais tarde os comentários críticos e gramaticais, juntamente com os da Tradição foram reunidos em um só volume, recebendo o nome de Massorá, que significa Tradição.

“O Talmude está dividido em duas partes: Misná e Gemara.

1. O Misná, que significa segunda Lei, é o compêndio onde estão registradas as leis tradicionais, preparadas pelo rabino Judas, o Santo, como já citamos acima. Está escrito em hebraico castiço, embora, nele, apareçam algumas palavras aramaicas, gregas e latinas. Está dividido em seis capítulos:

I. Iezaím, dedicado à agricultura. Ensina o que deve ser feito para o bom cultivo da terra, apresentando, ainda, as principais regras para o pagamento dos dízimos e das ofertas alçadas;

II. Moede, que determina como devem ser observadas as comemorações das festas nacionais;

III. Machim, que é um código que dá instruções às mulheres acerca do casamento e divórcio;

IV. Nezequim, que estuda os males causados nos homens, nos animais, etc., contendo, ainda regras para as contribuições mercantis e demais contratos que devem ser feitos pelo povo hebreu;

V. Cadachim, que é consagrado às coisas santificadas, às ofertas e ao serviço do templo;

VI. Tcharote, que estuda as coisas limpas e imundas, regras para interpretar o Misná. Apareceram, então, os comentários que, reunidos em volume, deram origem ao segundo volume do Talmude, chamado Gemara.

2. O Gemara é também conhecido por suplemento ou ampliação do Talmude. Existem dois Gemaras: um, de Jerusalém, compilado na Palestina, em 450 A.D., e, outro na Babilônia, talvez 50 anos depois. O primeiro consta apenas de um volume e o segundo de doze volumes. Estes últimos são os mais aceitos pelos hebreus.

No Talmude, existem muitas coisas ridículas e absurdas. Maimonada, célebre rabino do século XIII, residente na Espanha, procurando harmonizá-las, fez dele um resumo, a que chamou Machaxacor, que quer dizer Mão Forte, e que é considerado um código das leis completas, apreciáveis não tanto pelo seu fundo, mas pelo seu estilo, por seu método e pela ordem das matérias nele apresentadas.”

Há nestes livros leis que regulam cada ato da vida, algumas minuciosas e cansativas.

Seria interessante a transcrição de uma parte das Leis talmúdicas, relativas ao dia de sábado.

Estas leis são provenientes do livro The Bridge Between the Testaments, páginas 106-108.

“Vamos considerar as leis do Talmude quanto ao sábado. Todos os detalhes referentes a esse assunto abrangem no Pentateuco o espaço limitado de cerca de quatro páginas, de formato de oitavo. No Talmude requer isso 156 páginas duplas ou, em outras palavras, um espaço 300 vezes maior. Esta lei sabática consiste de 24 capítulos de regulamentos minuciosos e de ordenanças. Seu principal propósito é, comentar e definir aquilo que está escrito no quarto mandamento do decálogo, proibindo o trabalho no sábado. Mencionam-se trinta e três espécies de trabalhos proibidos. Em seguida, o Misná procura definir com exatidão escrupulosa em que consiste o ‘trabalho’ e o que pode ou não ser permitido.

Por exemplo ‘carregar’ algo é proibido. Após muita discussão foi determinado o máximo de peso que pode ser ‘carregado’ como talvez o de um figo seco. Mas, se fosse carregada a metade de um figo em duas ocasiões diferentes, reunir-se-iam estes dois atos para serem um só e seria isto pecado?

Numa outra parte se lê: Aquele que tiver dor de dentes não pode fazer bochecho com vinagre e lançá-lo fora, pois isso seria como se tivesse usado remédio. No entanto poderá bochechar com vinagre e logo tragá-lo, o que seria como se tivesse tomado alimento.

Regras minuciosas são dadas quanto ao vestuário a ser usado no sábado de manhã, para que não fosse usada alguma peça de vestimenta que induzisse a algum trabalho. A mulher não pode sair com seus adornos, prendedores, colares ou anéis, pois em sua vaidade poderia tirá-los e mostrar a alguma amiga e novamente colocá-los, o que seria ‘trabalho’ e por conseguinte, pecado.

Também estava proibido às mulheres olharem ao espelho no dia de sábado, pois poderiam descobrir algum fio de cabelo branco e querer arrancá-lo, o que seria um grave pecado.

Aos sábados somente haviam de ser comidos alimentos que foram preparados num dia da semana. Mencionam-se cerca de cinqüenta casos semelhantes, nos quais os alimentos estavam proibidos. . . .

Era proibido ‘atirar’ algum objeto ao ar. Se o mesmo objeto havia sido atirado com a mão esquerda e fora apanhado com a direita, isso seria pecado? É uma interessante pergunta. Mas não havia discussão alguma quando o objeto fosse apanhado com a boca, pois nesse caso não haveria delito, sendo que se comeria o dito objeto que então desapareceria.

Quando pensamos que, segundo a norma da lei talmúdica, da qual apenas mencionamos pequena parte, tratando também dos contratos, jejuns, festas, injúrias, casamentos, dízimos e da higiene, tudo discriminado com semelhante minuciosidade, podemos bem compreender porque Cristo declarou que eles tinham removido, por suas tradições, todo o significado da lei.”

Outras Determinações Sobre o Descanso Sabático

Pode-se dobrar as roupas até quatro ou cinco vezes, e estender os lençóis nas camas durante a noite de sábado, para usá-los nesse dia, mas não no sábado para (usar) depois dele ser concluído.

Pode-se guardar alimentos para três refeições. Se ocorrer um incêndio na noite de sábado, pode-se salvar alimento para três refeições; se for de manhã, pode-se salvar alimento para duas refeições; à (hora de) minhah, alimento para uma refeição. Disse R. José: Em todo tempo podemos salvar alimento para três refeições.

Algumas disposições revelam claramente que havia divergência de opiniões. São especialmente dignas de nota algumas divergências entre as escolas iniciadas por Hillel e Shammai, doutores da lei que alcançaram fama no fim do primeiro século antes de Cristo:

a) Regra de Beth Shammai (conservador): Não se deve vender (algo) a um gentio, ou ajudá-lo a carregar (um asno) . . . a menos que possa chegar a um lugar próximo; mas Beth Hillel o permite.

b) Shammai insistia que ao conseguir pássaros para o sacrifício num dia de festa, a escada não podia ser mudada dum pombal para outro, mas somente de uma abertura a outra do mesmo pombal. Hillel (mais liberal), porém, permitia ambas essas coisas.

c) Shammai permitia comer um ovo posto no sábado, mas Hillel o proibia, afirmando que a proibição de preparar alimento no sábado se aplicava não somente aos homens mas também às galinhas.

Era considerado ilegal expectorar sobre o solo porque assim talvez se estivesse regando uma planta.

Um princípio geral estabelecido pelo Rabi Aquiba:

“Toda espécie de trabalho que pode ser realizada na véspera do sábado, não invalida (quer dizer, não deve ser feito em) o sábado; mas o que não se pode fazer na véspera do sábado, isso invalida o sábado.”

Estas determinações foram transcritas do Ministério Adventista – maio-junho de 1965.

Atos 1:12, faz referência ao caminho que poderia ser percorrido num sábado. A tradução de Almeida, Edição Revista e Atualizada no Brasil traz uma nota ao pé da página declarando que a jornada de um sábado era cerca de um quilômetro. Comentaristas mais precisos afirmam que corresponderia a mais ou menos 1.200 metros.

O Talmude como um livro escrito foi terminado no início da Idade Média, mas a sua influência tem sido poderosa na preservação da vida, costumes, leis, enfim em todos os aspectos do judaísmo através dos séculos em todos os lugares aonde este povo tem chegado.

Em tempos de pressões e perigos o Talmude oferece ao povo judeu uma tranqüilidade espiritual, tornando-se um oásis no qual ele se refugia em busca de paz e descanso.

O Talmude tem exercido grande influência sobre o povo judeu, desde que os educadores desta nação colocam como matéria primordial em suas escolas o estudo deste livro. A mente das crianças é alimentada por suas histórias e o povo em geral é ensinado a ter lealdade para com todas as sublimes tradições da Pátria.

Interpretações erradas de Parábolas e de muitos conceitos do Talmude fizeram com que na Idade Média se levantasse grande oposição a este livro de tradições judaicas.

Em conseqüência desta oposição ao livro, o Papa Gregório IX mandou queimar publicamente no dia 12 de junho de 1242 em Paris 24 carroças carregadas de manuscritos do Talmude. Esta informação me parece exagerada quando se tem informação do elevado preço para a aquisição de um manuscrito naqueles idos.

Na Itália muitos foram incinerados no ano de 1322. Em 1562 foi instituída a censura ao Talmude, existindo ainda hoje muitos exemplares com a marca dessa censura.

Pedro Apolinário, História do Texto Bíblico, Capítulo 19.


Quantos arrebatamentos ocorrerão?


Arrebatamento Secreto?


A Cruz deve ser retirada!

“A justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins” (Isaías 11:5)

Diante de uma Ação do Ministério Público Federal, que pede a retirada de símbolos religiosos (sobretudo a Cruz) nos locais públicos federais de São Paulo, um Frade chamado Demetrius dos Santos Silva, deu uma belíssima resposta que fala em nome de todos os Cristãos:

"Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas..

Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.

A Cruz deve ser retirada!

Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas.

Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.

Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.

Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento.

É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e pobres".


REFLEXÃO: “Estes são os que viveram no reino de Deus: aquele que anda em justiça, e fala com retidão; aquele que rejeita o ganho da opressão; que sacode as mãos para não receber peitas; o que tapa os ouvidos para não ouvir falar do derramamento de sangue, e fecha os olhos para não ver o mal” (Isaías 33:15)

Lição 9 - Comentários de Sikberto R. Marks

Lições da Escola Sabatina Mundial – Estudos do Quarto Trimestre de 2011
Tema geral do trimestre: O Evangelho em Gálatas
Estudo nº 09 – Apelo pastoral de Paulo
Semana de 19 a 26 de novembro
Comentário auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks, professor titular no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (Ijuí - RS)
Este comentário é meramente complementar ao estudo da lição original
www.cristovoltara.com.br - marks@unijui.edu.br - Fone/fax: (55) 3332.4868
Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

Verso para memorizar: “Eu lhes suplico, irmãos, que se tornem como eu, pois eu me tornei como vocês. Em nada vocês me ofenderam” (Gal. 4:12, NVI).

Introdução de sábado à tarde

Paulo enviou uma mensagem bem dura aos Gálatas. Fez isso para impedir que caíssem em erros que viriam a levá-los à perdição eterna. Mas na mensagem, vez após outra, ele demonstrava que os amava. Foi por isso que escreveu de modo tão enfático, não queria que se perdessem. O modo de escrever dele doeu inclusive em seu coração, mas ou era isso ou eles continuariam num caminho descendente. Quando algo coloca em perigo a nossa vida espiritual, vale tudo para impedir uma derrocada. É a vida eterna que está em jogo.

Paulo talvez não imaginasse, mas hoje estamos estudando o que ele escreveu. Pessoalmente gosto de Paulo, assim como de mais dois personagens bíblicos: Elias e João Batista. Também aprecio os demais, mas estes me servem como referencial para escrever esses comentários, que são para os últimos dias. Estamos em tempos decisivos; não se deve enganar as pessoas. Porém, pode-se ver muitos tratando as pessoas de modo irresponsável, como que dizendo: continuem assim, quando há erros em andamento. Outros inclusive dão exemplo negativo, e logo têm seguidores. Refiro-me ao interior da igreja. Há liberalismo e conformação com o mundanismo. Sabíamos que seria assim, mas isso não quer dizer que devamos simplesmente cruzar os braços. Quem for líder, ou formador de opinião dentro da igreja, como Paulo, tem a responsabilidade de dar o toque de corneta correto. Milhares de vidas, especialmente jovens, estão em grave perigo. E muitos são os que estimulam a ficarem em situação de perigo. Prefiro ser impopular que enganar lisonjeando. Apesar de às vezes ter escrito com relativa dureza, de cada 100 e-mails que recebo, apenas um diz não concordar. São centenas de pessoas que dizem ter sua vida modificada por esses comentários realistas. E não poucos vieram para a igreja por esse meio. É gratificante não ter a consciência pesada por enganar multidões. Paulo é nisso um bom exemplo.

“A lisonja é uma arte pela qual Satanás fica de emboscada a fim de enganar e envaidecer o ser humano com elevados pensamentos quanto a si mesmo. ... A lisonja tem sido o alimento de que muitos de nossos jovens se têm nutrido; e os que têm louvado e lisonjeado têm suposto que estavam fazendo bem; mas têm feito mal. Elogio, lisonja e condescendência têm feito mais no sentido de induzir almas preciosas a falsos caminhos, do que qualquer outro artifício inventado por Satanás. A lisonja faz parte dos métodos do mundo, mas não dos de Cristo. Pela lisonja, pobres criaturas humanas, cheias de fragilidades e enfermidades, chegam a pensar que são eficientes e dignas, e ficam inchadas, em sua mente carnal. Intoxicam-se com a ideia de serem dotadas de talentos acima do que possuem, e sua vida religiosa se desequilibra. A menos que, pela providência de Deus, elas sejam desviadas desses enganos, e se convertam, e aprendam o a-b-c da religião na escola de Cristo, perderão a salvação” (Filhos e Filhas de DEUS, MM, 1956, 73).

1. Primeiro dia: O coração de Paulo

“O apóstolo exortava os gálatas a deixar os falsos guias por quem haviam sido desviados, e a voltar à fé que havia sido acompanhada por inquestionáveis evidências de aprovação divina. Os homens que os haviam procurado desviar de sua fé no evangelho eram hipócritas, de coração não santificado e vida corrupta. Sua religião era feita de um acervo de cerimônias, por cujas práticas esperavam ganhar o favor de Deus. Não tinham interesse num evangelho que requeria obediência à palavra: "Aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." João 3:3. Sentiam que uma religião baseada em tal doutrina re-queria demasiado sacrifício, e assim se apegavam a seus erros, enganando-se a si e aos ou-tros” (Atos dos Apóstolos, 387).

“A maneira como Paulo viveu entre os gálatas foi tal que ele pôde afirmar mais tarde: "Rogo-vos que sejais como eu." Gál. 4:12. Seus lábios tinham sido tocados com a brasa viva do altar, e ele foi habilitado a sobrepor-se às fraquezas do corpo e a apresentar a Jesus como a única esperança do pecador. Os que o ouviam sabiam que ele havia estado com Jesus. Assistido com o poder do alto, estava capacitado a comparar as coisas espirituais com as espirituais e a demolir as fortalezas de Satanás” (Atos dos Apóstolos, 209).

“Esta é hoje nossa grande necessidade em cada igreja de nosso país. Pois, "se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas". II Cor. 5:17. O que era objetável no caráter é expurgado da alma pelo amor de Jesus. É expelido todo egoísmo; toda inveja, toda maledicência é desarraigada, e é efetuada uma transformação radical no coração. "O fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei." Gál. 5:22 e 23. "É em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz." Tia. 3:18” (E Recebereis Poder, MM, 1999, p. 289).

“Com semelhante guia - um anjo expulso do Céu - esses pretensos sábios da Terra podem inventar teorias fascinantes para obcecar a mente dos homens. Paulo disse aos gálatas: "Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade?" Gál. 3:1. Satanás tem uma mente superior e agentes escolhidos pelos quais opera para exaltar a homens e honrá-los acima de Deus. Mas Deus está revestido de poder; pode tomar os que estão mortos em delitos e pecados e, por meio da operação do Espírito que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, transformar o caráter humano, restituindo à alma a perdida imagem de Deus. Os que creem em Jesus Cristo são transformados de rebeldes contra a lei de Deus em servos obedientes e súditos de Seu reino. São de novo nascidos, regenerados, santificados por meio da verdade” (Fundamentos da Educação Cristã, 332).

2. Segunda: O desafio da transformação

Os gálatas, em seu erro de tornar a obediência à lei no motivo para a salvação, em lugar da fé de JESUS CRISTO, que morreu para nos salvar, estavam, na verdade, dando abertura para uma nova doutrina, e uma nova seita ou no mínimo uma dissidência. Eles estavam num caminho perigoso de afastamento da salvação. O perigo em que eles estavam era preocupante porque, errados, pensavam estar certos, e por isso se esforçavam, sem perceber, por se aprofundarem no erro. Essa é uma condição assustadora, porque a pessoa pode nem mesmo aceitar alguma orientação para entender a situação e então sentir a necessidade de ajuda.

Em nossos dias tais condições ocorrem com frequência. Assim se formam dissidências da Igreja Adventista do Sétimo Dia, e grupos se aprofundam no erro, persistem nele, e já não conseguem facilmente ser orientados para mudar de direção. Essas situações certamente ocorrerão com mais frequência quanto mais próximos do fim estivermos. É a guerra de satanás contra o povo de DEUS. E podem todos crer: estamos na iminência de entrar no calor dessa guerra, para as últimas batalhas, e para a batalha final. Faz parte dessas batalhas o anúncio do evangelho de CRISTO ao mundo inteiro, pois a guerra é espiritual. Do outro lado, todo e qualquer tipo de ação para evitar essa proclamação, e também para impedir que as pessoas entendam a mensagem será utilizada. Inclusive leis opressivas para perseguir quem leva a mensagem da salvação ao mundo. Nisso as exortações de Paulo aos gálatas são válidas para nós. Elas são um tipo de conselho do que devemos fazer.

O que Paulo estava propondo aos gálatas? Que eles “se tornassem como ele se tornou.” Mas o que era Paulo? Ele uma vez já foi Saulo, em extremo zeloso, mas no erro. Ao convite de JESUS, ele mudou de atitude, e passou a ser outra pessoa, agora zelosa pelo que CRISTO orientou. Ele, aos gálatas, não estava pedindo como pediu aos de Tessalônica e aos de Corintos, que agissem como ele agia, seja para ganhar a vida, seja na obediência. Aqui a situação era diferente. Esses gálatas estavam se afastando de DEUS por uma via mui perigosa. Eles estavam criando uma nova religião. E se isso prosperasse, logo mais no mundo existiria um instrumento nas mãos de satanás para não só combater a verdadeira igreja de CRISTO como também, usando o mesmo nome de JESUS CRISTO, levar as pessoas à perdição. Na verdade foi o que aconteceu mais tarde, com o surgimento da Igreja Católica. Então, para evitar que a degeneração do evangelho de CRISTO surgisse naqueles dias, tão cedo, Paulo, um grande defensor, se levantou entre os gálatas (por uma carta, pois estava longe) e disse, parafraseando: sede tais como eu sou, mudem de atitude e sigam a CRISTO como eu resolvi seguir.

Esse apelo é muito útil para os nossos dias.

3. Terça: Eu me tornei como vocês

Paulo estava apelando aos gálatas para que eles se tornassem como ele, pois ele também era como eles. Ou seja, “sede qual eu sou, pois também sou como vocês” (Gál. 4:12). O que ele quis dizer com isso? A resposta está em I Cor. 9:23. Paulo ali disse que se fez tudo para com todos, ou seja, procurou aproximar-se o quanto era permitido (I Cor. 9:21) para alcançar para CRISTO tanto judeus como gentios. Paulo contextualizava suas atividades missionárias. Isso significa que ele vivia de tal maneira e falava e demonstrava que atraía pessoas de culturas diferentes a CRISTO, não a ele nem a qualquer outro foco.

Então, assim como Paulo se tornou atraente a eles, e por isso eles apreciaram o seu evangelho, assim também deveriam eles proceder. Isso quer dizer: esforcem-se para serem apreciados pelas pessoas em nome de CRISTO, por vosso meio, atraindo-as ao Salvador.

“O pastor não deve julgar que toda a verdade tem que ser apresentada aos incrédulos em toda e qualquer ocasião. Ele deve estudar com cuidado quando convém falar, o que dizer, e o que deixar de mencionar. Isso não é usar de engano; é trabalhar como Paulo fazia. "Porque, sendo livre para com todos," escreveu ele aos coríntios, "fiz-me servo de todos, para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivera debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivera sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns." I Cor. 9:19-22.

“Paulo não se aproximava dos judeus de maneira a despertar-lhes os preconceitos. Não lhes dizia, a princípio, que deviam crer em Jesus de Nazaré; mas insistia nas profecias que falavam de Cristo, Sua missão e obra. Levava seus ouvintes passo a passo, mostrando-lhes a importância de honrar a lei de Deus. Dava a devida honra à lei cerimonial, mostrando que fora Cristo que instituíra a ordem judaica e o serviço sacrifical. Levava-os, então, até ao primeiro advento do Redentor, e mostrava que, na vida e morte de Cristo, se havia cumprido tudo como estava especificado nesse serviço sacrifical.

“Dos gentios, Paulo se aproximava exaltando a Cristo, e apresentando as exigências da lei. Mostrava como a luz refletida pela cruz do Calvário dava significação e glória a toda a ordem judaica.

“Assim variava o apóstolo sua maneira de trabalhar, adaptando sua mensagem às circunstâncias em que se achava. Depois de paciente trabalho, tinha grande medida de êxito; entretanto, muitos havia que não se convenciam. Alguns há, hoje, que não se convencerão seja qual for o método de apresentar a verdade; e o obreiro de Deus deve estudar cuidadosamente métodos melhores, a fim de não despertar preconceitos nem combatividade. Eis onde alguns têm fracassado. Seguindo suas inclinações naturais, têm fechado portas pelas quais, com outra maneira de agir, poderiam ter encontrado acesso a corações e, por intermédio desses, a outros ainda.

“Os obreiros de Deus devem ser homens de múltiplas facetas; isto é, devem possuir largueza de caráter. Não devem ser homens apegados a uma só ideia, estereotipados em sua maneira de agir, incapazes de ver que sua defesa da verdade deve variar segundo a espécie de pessoas entre as quais trabalham, e as circunstâncias que se lhes deparam” (Obreiros Evangélicos, 117 a 119).

4. Quarta: Naquele tempo e agora

Pelo que a lição apresenta, há indicativos de que Paulo foi à galácia para se tratar, ou pelo menos de alguma forma se restabelecer de alguma doença. E, não perdendo tempo, aproveitou a oportunidade para também pregar ali o evangelho de CRISTO.

Se foi assim, então é de se crer que algum apego diferenciado se formou entre Paulo e aqueles irmãos, porque o teriam acolhido durante uma necessidade especial, em que ele estava fragilizado. Em troca, ele lhes anunciou a salvação. Não se pode saber se quando Paulo chegou a essa região, o teriam acolhido não sendo ainda cristãos, mas isso é possível. Fato é que Paulo e eles tinham uma afinidade especial. Logo é de se imaginar que Paulo também tivesse uma consideração especial para com eles, um carinho mais acentuado por conta dessa situação que não aconteceu em outros lugares. Isso poderia ter levado a uma preocupação mais acentuada, pois tanto ele fora favorecido em situação de necessidade quanto eles receberam a mensagem quando o poderiam ter rejeitado, por causa do preconceito cultural que existia na época, e era muito forte, sobre pessoas doentes. Especialmente em relação a pregadores, esses deviam ter moral, serem saudáveis, para que fossem aceitos, e que sua mensagem tivesse credibilidade.

Então Paulo pregou em condições difíceis a ele e eles aceitaram essa pregação, mesmo ele dando impressão de estar sob o desfavor dos deuses, como eles ainda criam. Hoje em dia o preconceito existe e é forte. Há, por exemplo, preconceito em relação a quem é diferente; preconceito racial, que leva ao racismo; preconceito aos menos favorecidos, que são pobres; preconceito aos que não são diplomados, e assim por diante. Vamos a um exemplo, uma pessoa iletrada, porém consagrada e que tenha o poder de DEUS, e que seja humilde, isto é, que tenha em parte o perfil de JESUS CRISTO. Esse não consegue pregar numa igreja grande e rica. Ao menos é bem difícil. Ou outra pessoa que pregue sobre a reforma da saúde, não é bem recebida por muitos de nosso meio. Imagina então uma pessoa que tenha adoecido por razões alheias ao seu controle, e realizar uma pregação sobre vida saudável. Ainda há preconceito, e muito, em meio ao povo de DEUS, assim como no mundo, e em todos os lugares. Ele é uma das armas de satanás para impedir, ou no mínimo frear a pregação da mensagem ao mundo. E para criar condições ao fanatismo.

5. Quinta: Falando a verdade

Temos no estudo de hoje a necessidade de falar sobre uma prática que popularmente se chama “lei do canalha”. É as ela que Paulo se refere em seu livro, embora não mencione esse nome. A lei do canalha, em geral, funciona assim: “eu faço de conta que estou ensinando e você faz de conta que está aprendendo, e assim prosseguimos.” Ou, havendo um problema sério: “eu faço de conta que não vi nada e você faz de conta que está à vontade com a situação.” Ou, nos ambientes de ensino: “eu faço de conta que ensino e o aluno faz de conta que está aprendendo.” Ela se aplica a todas as situações. Caracteriza-se por “fazer de conta”, ou seja, todos estão se enganando, e ninguém se importa com isso. No caso de Paulo, ele não se valeu dessa lei. Evidentemente ele não era um canalha.

Paulo precisava salvar os gálatas da tendência de retorno ao passado. Eles não estavam retornando ao paganismo anterior, mas indo a práticas que os levariam para a escravidão da lei. E não foi para escravizar que a lei de DEUS foi concedida, mas para libertar. “Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar” (Tiago 1:25 ). No entanto, se tornarmos a lei de DEUS como um conjunto de regras burocráticas que precisam ser cumpridas sem que o nosso caráter seja transformado, isto é, uma lei externa, que não esteja no coração, tornamo-nos escravos de formalidades, não libertos para a vida feliz. E era essa a tendência dos gálatas: virem a se tornar escravos de algo que era exatamente para os libertar.

Alguns judeus cristãos, mas ainda ligados às formalidades de uma obediência cega e não inteligente, ligados a procedimentos que se não bem entendidos se tornam meras ordens sem sentido, estavam querendo levar os gálatas ao ponto onde eles se encontravam quando obedeciam as suas regras e dogmas pagãos. Eles faziam aquelas coisas, tipo rituais pagãos, por meio de uma obediência cega, que não sabiam bem porque deviam ser seguidas. Em geral, era para satisfazer os seus deuses, mas quais as razões? Se aqueles judeus entendessem bem qual era o sentido dos Dez Mandamentos, e das leis cerimoniais, pensariam e agiriam bem diferente do que era a sua prática de apego a regras, não a transformação.

E aqueles judeus (veja bem, não eram todos os judeus cristãos que agiam assim, pois o próprio Paulo era judeu cristão), o faziam com sutilezas, lisonjas e fala sedutora. Nisso aplicavam a tal lei do canalha, ou seja, se faziam de amigos, mas, percebendo ou não, eram traidores. E o seu objetivo era separar os gálatas de Paulo, pois ele era a principal fonte de sabedoria para os libertar daqueles formalismos que essa classe de judeus valorizava acima de tudo.

6. Aplicação do estudo – Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:

O texto selecionado de Ellen G. White para o estudo de hoje não poderia ser melhor. É esclarecedor e nos deixa felizes. Os gálatas corriam perigo dramático, como estudamos. Mas eles aceitaram as exortações de Paulo, sentiram os sentimentos dele, de como os amava. Temos coisas a aprender desse episódio.

a) Por pior que seja uma situação, sempre é possível, com o poder de DEUS, e muitas vezes por meio de outras pessoas utilizadas por DEUS, sair dela e voltar para o caminho bom.

b) É preciso saber falar ou escrever com o coração quando somos requeridos a exortar, repreender, admoestar ou contestar alguém.

c) Não se pode cair na lei do canalha, em nome da amizade aparente, ficar quietos se alguém está correndo perigo. É preciso agir com sabedoria e de forma planejada, e ajudar a pessoa.

d) Ao se dar um conselho, muitas vezes cabe a nós mesmos tomar conselho com outra pessoa para agir de maneira mais sábia e ponderada, e acertar como Paulo, que conseguiu resolver a situação revertendo para o lugar certo e cortando a tendência.

e) Quem recebe um conselho precisa ser humilde para refletir sobre o que lhe falaram ou escreveram, assim como é mais importante ainda que seja humilde quem exorta. Tem-se visto em publicações, hoje, exortações arrogantes e prepotentes contra pessoas ou movimentos perigosos na igreja. O resultado sempre foi a radicalização em ambos os lados, e o problema só tem aumentado.

f) Em tudo, como fez Paulo, tem que se envolver uma dose maior de amor que as doses dos outros ingredientes.

g) No final da experiência, mesmo tendo havido uma tendência perigosa e fulminante, todos saíram fortalecidos, tanto os gálatas, como Paulo, e outras comunidades que puderam se beneficiar dos fatos bem solucionados, e até nós, nesses últimos dias, que temos um referencial de como se solucionam casos e tendências de alto risco.

h) No que aconteceu, vimos a mão de DEUS agindo por meio de Paulo. Importante é ressaltar que ele agiu de modo humilde, por isso não houve resistência suficiente para rechaçar seus argumentos que foram visivelmente bem duros e incisivos.

Nós vivemos em dias de dissidências, de iniciativas oficiais questionáveis, de mundanismo inundando a igreja, de práticas detestáveis que deixaria horrorizada Ellen G. White. E em muitos desses casos a tendência avança e nada oficialmente é feito. Parece que a lei do canalha está em vigor. Se é feita alguma coisa, ela é tão suave e lerda, que até Paulo ficaria impressionado e preocupado, e entraria logo em ação. E vê-se, em especial, muitos jovens se perdendo dentro da igreja, a olhos vistos, com pais apavorados sem saber o que fazer, pois, enfim, aos olhos de muitos líderes é melhor eles praticarem mundanismo dentro do que fora da igreja. E assim como atinge os jovens, não deixa de fora os adultos. Via de regra, me refiro a jovens porque sou professor dessa faixa etária, dos 20 anos em diante, quando concluem o curso de Administração. Tenho me preocupado intensamente com essa faixa etária. Vejo e sinto a apreensão deles na busca por vencer na vida. Como são receptivos a conselhos! Como desejam acertar! E como erram facilmente! Agora me refiro aos do mundo, então, imagine-se os da igreja. Como são presa fácil dos poderes que os querem controlar para interesses econômicos sedutores nada positivos. Quando nos intervalos das aulas, lá vem eles, para trocar ideias, e querem conhecimento seguro para seus empreendimentos. São poucas as vezes que posso ir ao banheiro ou sair da sala de aula. Eles vêm e querem falar e ouvir. Eles querem vencer, querem muitas vezes iniciar uma empresa, e fazem isso, têm ideias, são criativos, têm energia. Mas também lhes falta a experiência, e essa eles buscam onde puderem. Eles não querem errar, detestam errar, mas querem acertar desde a primeira tentativa em sua vida. Detestam errar, mas são tão vulneráveis! Como são carentes de mentes compreensíveis para lhes dar conselhos e repassar experiência! Como eles necessitam de Paulos, como este que estudamos, para lhes orientar, principalmente antes de cometerem erros às vezes destruidores da sua felicidade!

Um exemplo emocionante é o de uma moça, que tem uns 25 anos. Mora numa cidade pequena. Já controla em suas mãos quatro empresas de ramos diferentes. A última é o jornal da cidade. Ela é inteligente, e tem iniciativa. É uma líder. Frequentemente ela interfere nas aulas para inserir nos debates algo que possa ter proveito para os desafios que enfrenta, ou que surgiram naquele dia. Outros se agregam ao que ela expõe. E assim, a aula se enriquece, ela aprende muito, e outros também. Assim que vem o intervalo da aula noturna, lá vem ela, para continuar a troca de ideias, sempre com perguntas e relatos de elevado nível. Como é agradável lidar com jovens!

De minha parte, como me vejo pequeno diante da situação alarmante que se forma com a Nova Ordem Mundial e a Globalização, essa a principal ingrediente da Nova Ordem! E como faltam pessoas sinceras e sábias para interagir com esses jovens, da igreja ou de fora, onde possam se amparar para obter experiência! Enfim, como é difícil ser jovem hoje em dia. Lisonjeadores tem à vontade. Mas conselheiros sinceros e seguros, ao estilo de Paulo, bem poucos.

escrito entre 19 e 25/10/2011

revisado em 26/10/2011

corrigido por Jair Bezerra

O apelo pastoral de Paulo - Comentários da Lição 9

Lição 09 - 19 a 25 de novembro de 2011
(Comentários do irmão César Pagani)

VERSO EM DESTAQUE: “Amigos, imploro-lhes que sejam como eu sou; pois eu também me tornei como vocês.” (Gl 4:12)
As pessoas são incalculavelmente valiosas para Jesus. Embora Ele não ordene mimar ninguém e nem compactuar com fraquezas e pecados do povo, requer que Seus servos preguem a sã doutrina.

Temos um quadro exemplar da dupla face (não duas caras, entendamos bem) do zeloso líder: “Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina. Quanto aos homens idosos, [dize] que sejam temperantes, respeitáveis, sensatos, sadios na fé, no amor e na constância. Quanto às mulheres idosas, semelhantemente, [dize] que sejam sérias em seu proceder, não caluniadoras, não escravizadas a muito vinho; sejam mestras do bem, a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos, a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada. Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os [incentiva-os] para que, em todas as coisas, sejam criteriosos. Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito.” (Tt 2:1-8)

E mais: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” (II Tm 4:2)

DOMINGO - O coração de Paulo

A linha de abordagem de Paulo no capítulo quatr0 abrange agora a expressão íntima do que ele sentia pelos gálatas, apesar da força da repreensão que lhes dirigira. Como imitador de Cristo que era, Paulo “levava desaforo para casa”. Sua magnanimidade atingira o ponto de chegar a possuir a virtude cristã do não-ressentimento.

Ele diz aos irmãos que, embora fosse uma alta autoridade na igreja, era como qualquer crente e não um orgulhoso pastor que mantém distância de suas ovelhas problemáticas.

A enfermidade – Não é indicado que tipo de enfermidade ele se refere ao citá-la em Gl 4:14. É de nosso conhecimento que Paulo tinha um problema oftalmológico crônico oriundo de seu encontro com o Cristo fulgurante na estrada de Damasco. Porém, é possível que outro tipo de doença o tenha acometido por causa do excessivo desgaste físico e mental. “As provações, as ansiedades que Paulo havia suportado despojaram-no de suas forças físicas. Assaltavam-no as enfermidades da idade avançada. Pressentia que estava a fazer sua última obra; e, abreviando-se o tempo de seu trabalho, seus esforços se tornaram mais intensos. Parecia não haver limite para o seu zelo. Resoluto no propósito, pronto nas ações, forte na fé, viajava de uma igreja a outra em muitas terras, e procurava por todos os meios ao seu alcance fortalecer as mãos dos crentes, para que pudessem efetuar um trabalho fiel na conquista de almas para Jesus, a fim de que, nos tempos probantes em que então se achavam mesmo a entrar, permanecessem firmes no evangelho, dando fiel testemunho de Cristo.” AA, 488.

A despeito de ter pregado o evangelho aos gálatas em condições enfermiças, ele não foi desprezado ou minimizado em seu ministério. Pelo contrário, os crentes gálatas ouviram Paulo pregar como se um anjo de Deus lhes estivesse falando (Gl 4:14) ou mesmo o próprio Jesus.

O apóstolo mostrou-se sensibilizado ao dizer que tinha certeza de que suas ovelhas daquela cidade o amavam. “Vocês teriam arrancado os próprios olhos para me dar.” (v 15) Essa declaração pode, talvez, indicar que a cegueira parcial de Paulo era a enfermidade referida.

Que mudança espantosa foi aquela que os heréticos judaizantes causaram e que esmagavam a alma do apóstolo?

Ao ler com pouca atenção certos textos de Paulo, muita gente imagina-o como um líder espiritual severo, crítico e frio. Nada mais longe da verdade! Ele não recuava um milímetro em questão de princípios, mas desdobrava-se em zelo e preocupação pelo destino eterno dos que haviam aceitado a Cristo mediante seus esforços.

Para tentar enfatizar ainda mais seu amor pelos gálatas, o grande evangelista usa a figura de uma parturiente em pleno trabalho de dar a luz. As lancinantes dores de parto representavam a ansiedade e o extremo esforço que Paulo fazia para ver Cristo formado neles (v. 19). Ele não se conformava com a ação dos judaizantes que estavam procurando “abortar” Cristo. Esses falsos ensinadores com seu evangelho espúrio queriam destruir o trabalho de Paulo e fascinar os crentes para que os seguissem e a suas heresias.

O amor pastoral do apóstolo não podia tolerar em hipótese alguma que isso acontecesse. Ele faria todas as tentativas possíveis para impedir a ruína de suas queridas ovelhas. Seu desejo incontido era estar presente à Galácia e dirigir-lhes palavras firmes e reprovadoras do pecado, porém ternas, afetuosas e empapadas do amor de Cristo (v. 20)

O coração de um pastor repleto do Espírito - “O coração deles [Paulo e Barnabé] estava cheio de fervente amor pelas almas a perecer. Como fiéis pastores na busca da ovelha perdida, não abrigavam o pensamento de facilidades ou conveniências próprias. Esquecidos de si mesmos, não fraquejavam quando cansados, famintos ou com frio. Eles tinham em vista um único objetivo - a salvação dos que vagueavam distantes do redil.” AA, 169.

O segredo do amoroso coração de Paulo era porque ele possuía, como bem o declarou em I Co 2:16, “a mente de Cristo” (e Seu coração também).

Compreendendo o cuidado de nossos pastores distritais

Não poucos membros da igreja “não querem nem saber” o que um pastor passa para apascentar as igrejas que lhes são confiadas (incluam-se os pastores dirigentes administrativos). Pensam que a vida do ministro é fácil, seu trabalho ricamente remunerado, que só passam o tempo preparando sermões e estudos bíblicos e rodam a semana inteira fazendo “passeios” por seu distrito em visitas meramente sociais.

Não digo que não haja pastores descomprometidos. Isso equivaleria a dizer que não há pecadores no ministério. “Há pecadores no pastorado. Não estão eles porfiando por entrar pela porta estreita. Deus não trabalha com eles, pois não pode suportar a presença do pecado.” TM, 145.

O Pr. Ermano Bassi dizia que “existem os profissionais do púlpito e os vocacionais do púlpito”. Porém, devemos honrar os ministros que se esfalfam e lutam com todas as suas forças e conhecimento para apresentar a Jesus uma igreja sem mácula, nem ruga, nem coisa alguma que contamine. Não nos esqueçamos que muitos, muitos mesmo, têm o “coração de Paulo”.

SEGUNDA  - O desafio da transformação

Imitadores do imitador do original – Essa é uma “pirataria” abençoada e o Proprietário dos direitos autorais faz questão de que milhares de milhares de cópias sejam feitas e espalhadas pelo mundo. Ao Paulo usar o substantivo grego mimetes, traduzido por imitadores, remete-nos a outro conceito que é o do mimetismo. O mimetismo é um recurso do reino animal através do qual muitas espécies se ajustam ao ambiente natural ou o imitam de tal forma, que os predadores não podem localizá-los. Quando o animal se sente ameaçado por ataques, ele utiliza a cor e a forma ambiental e disfarça-se. Veja o exemplo do inseto-folha ao lado.

Imitar a Cristo é revestir-se dEle e utilizar a cor e o ambiente do Céu para se proteger do astuto predador de almas. O arquiinimigo nada pode contra os que imitam a Jesus. Philips traduziu I Co 11:1 de forma muito enfática: “Copiem-me, meus irmãos, como eu copio o próprio Cristo.”

O alvo da transformação é reproduzir o caráter de Cristo. Como bem expressa o título de hoje, essa tarefa é um desafio; sim, e de longo termo. Podemos afirmar que essa é uma expressão alternativa de santificação. Santificação é imitar o Modelo que nos foi mostrado no Monte das Oliveiras (Getsêmani) e no Monte Calvário.

É curioso que Paulo, em Fp 3:17, recomendou que os crentes filipenses observassem a vida de outros crentes que seguiam esse grande pastor imitador de Cristo. Assim, segue-se que a abrangência da obra transformadora tem de ser congregacional. Não basta que um crente imite a Cristo e outro não. Esse é um princípio pelo qual todos nós precisamos ser dirigidos.

Para imitar, precisamos observar atentamente o modelo. Lembramo-nos do tempo em que estávamos na Escola de Belas-Artes. Nosso mestre de artes, o Prof. George Nasturel, grande artista romeno de fama internacional, dizia-nos para observar bem o modelo a desenhar. Ele nos ensinava como captar com mais exatidão os traços da figura exposta, comparando uns elementos com outros. Comparemo-nos com o caráter de Cristo e na poderosa influência do Espírito Santo, oremos para ser transformados segundo Ele.

Onde está o Modelo? - Cristo Jesus revelou-Se na Palavra de Deus desde a Queda. Ali vemos o Deus perdoador, pronto a resgatar, pronto a infundir fé e esperança, a tratar com bondade infinita os que erram; o Deus paciente, longânimo, tardio em iras e grande em beneficência e verdade. Vemos também o Deus justo e perfeito em Seus caminhos. O Espírito do Senhor torna eficaz a obra de imitação. “Sede perfeitos, como é perfeito vosso Pai que está no Céu.” Ou seja, imitem a Deus.

Processo de longo prazo - Paulo confessa em Fp 3:13, 14 que ainda não alcançara o máximo de perfeição ou a estatura completa de Cristo – em outros termos, a “imitação perfeita” de Cristo: “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”

A santa ambição do Modelo Perfeito - “Devem [os crentes] ter a ambição de ser excelentes em tudo que é útil, elevado e nobre. Contemplem eles a Cristo como o modelo segundo o qual devem ser moldados. A santa ambição que Ele revelou em Sua vida devem eles nutrir - a ambição de tornar o mundo melhor por eles nele terem vivido. Tal é a obra a que são chamados.” CBV, 398.

“Dominados pelo Espírito, eles viam a Cristo em seus irmãos. Só um interesse prevalecia. Um elemento de imitação absorveu todos os outros - ser semelhante a Cristo, fazer as obras de Cristo. O sincero fervor sentido era expresso por meio de afetuosa prestimosidade, palavras bondosas e ações altruístas. Todos se esforçavam para ver quem podia fazer o máximo pelo desenvolvimento do reino de Cristo.” E Recebereis Poder, 288.

TERÇA - Eu me tornei como vocês

Livre de todos? Escravo de todos? O que Paulo quer dizer ao usar ideias opostas? Primeiramente, o autor da epístola está afirmando sua condição de cidadão romano livre. Ele não era um escravo ligado a nenhum senhor. Seus direitos civis eram todos respeitados. Podia ir e vir, comprar e vender, expressar suas ideias, escrever suas opiniões, discutir, realizar todos os atos previstos nas leis sem sofrer qualquer agravo.

A “escravidão” de que Paulo fala é metafórica e retórica, para dar maior ênfase ao seu compromisso assumido com Cristo de ser o pregador dos gentios.

Judeu para com os judeus; sem lei para com os sem lei, fraco para com os fracos; tudo para com todos. Paulo contextualizava suas ações e pregações dependendo do grupo a que se dirigia. “Assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos.” (I Co 10:33).

Talvez uma experiência ocorrida há muitos anos na Central Paulistana possa dar uma ideia da adaptabilidade do evangelista ao contexto cultural, social e étnico do campo evangelístico. Fazíamos parte do grupo de adventistas de origem judaica (Centro de Estudos Judaicos) voltados para o trabalho especial de pregar aos judeus. Como sabíamos que certas atitudes e termos cristãos poderiam bloquear o acesso aos de Israel, pusemos em ação um plano de comunicação contextualizado. Através dele substituíamos o “adventistês” por outros termos mais acessíveis. Ao falarmos do pastor da igreja, dizíamos o “moré” (ou professor); para o batismo, usávamos a palavra “mikvé” (banho ritual); Jesus era “Yeoshua ben Youseph” (Jesus, filho de José) ou “mashiach” (Messias); igreja era “beit knesset” ou lugar de reunião, “tanach” era a Bíblia, etc. Trabalhávamos a partir de pontos de fé comuns, evitando colisões e crenças polêmicas.

Hoje temos na Associação Paulistana duas unidades contextualizadas para evangelismo dos judeus e dos islâmicos: Comunidade Judaica e Comunidade Árabe.

Isso não quer dizer comprometimento de princípios ou camuflagem doutrinária. Continuamos mantendo nossa identidade, respeitando a cultura das pessoas com quem nos relacionamos. O Pr. João Cláudio Chaguri, em sua tese de mestrado, expôs com maestria como realizar um evangelismo contextualizado com os árabes. Mediante um plano sábio e cuidadoso, muitos fiéis do Islã se interessaram em aprender sobre “Isa”, Jesus. Na década de 70, o Pr. Benoni de Oliveira, de origem judaica, trabalhava dentro de um esquema apropriado para levar Cristo a seus compatriotas no Brasil.

Quando Hesselgrave afirma que contextualizar é tentar comunicar fielmente a mensagem da Palavra de Deus, de maneira significativa e aplicável nos distintos contextos, sejam culturais ou existenciais, ele expõe um desafio à Igreja de Cristo: comunicar o Evangelho de forma teologicamente fiel e ao mesmo tempo humanamente inteligível e relevante. E este talvez seja o maior desafio do estudo e compreensão quando tratamos da teologia da contextualização. Historicamente, a ausência de uma teologia bíblica de contextualização tem gerado duas consequências desastrosas no movimento missionário mundial: o sincretismo religioso e o nominalismo evangélico.

“O pastor não deve julgar que toda a verdade tem que ser apresentada aos incrédulos em toda e qualquer ocasião. Ele deve estudar com cuidado quando convém falar, o que dizer, e o que deixar de mencionar. Isso não é usar de engano; é trabalhar como Paulo fazia. ‘Porque, sendo livre para com todos,’ escreveu ele aos coríntios, ‘fiz-me servo de todos, para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivera debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivera sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns.’ I Co 9:19-22.

“Paulo não se aproximava dos judeus de maneira a despertar-lhes os preconceitos. Não lhes dizia, a princípio, que deviam crer em Jesus de Nazaré; mas insistia nas profecias que falavam de Cristo, Sua missão e obra. Levava seus ouvintes passo a passo, mostrando-lhes a importância de honrar a lei de Deus. Dava a devida honra à lei cerimonial, mostrando que fora Cristo que instituíra a ordem judaica e o serviço sacrifical. Levava-os, então, até ao primeiro advento do Redentor, e mostrava que, na vida e morte de Cristo, se havia cumprido tudo como estava especificado nesse serviço sacrifical.

“Dos gentios, Paulo se aproximava exaltando a Cristo e apresentando as exigências da lei. Mostrava como a luz refletida pela cruz do Calvário dava significação e glória a toda a ordem judaica.

“Assim variava o apóstolo sua maneira de trabalhar, adaptando sua mensagem às circunstâncias em que se achava.” OE, 117, 118.

QUARTA  - Naquele tempo e agora

A primeira incursão missionária de Paulo na Galácia (província romana situada mais ou menos onde está a Turquia hoje) custou muitos sacrifícios ao apóstolo. Em sua carta aos gálatas ele menciona uma enfermidade física (ponto que já abordamos no domingo).

Paulo considerava que sua condição na época era tal que ele poderia causar impacto negativo nos habitantes locais. Não sabemos se a enfermidade havia afetado sua aparência física, que é muito importante para um pregador. O fato é que os gálatas o receberam muito bem e o trataram com muita reverência (supomos que o apóstolo estaria com cerca de 60 anos de idade).

Os elementos postos na frase do verso 14 do capítulo 4 (“como anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus”) demonstram o profundo interesse nos sermões paulinos e em sua autoridade.

É-nos por vezes que impossível aceitar o fato de que os servos de Deus mais consagrados precisam sofrer tanto para realizar o trabalho divino. Jesus foi o maior de todos os sofredores. Seus primeiros apóstolos padeceram aflições, humilhações e até martírios. Por que Deus “não facilita” o ministério de Seus servos e permite que Satanás lhes faça implacável oposição?

Deus disse a Ananias antes de enviá-lo a consolar Saulo: “Vai, porque este é para Mim um instrumento escolhido para levar o Meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois Eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo Meu nome.” (At 9:15, 16)

E Paulo, após muitas doridas experiências, declarou com alegria: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” (II Co 12:10) “Declarou o apóstolo: ‘Quando estou fraco, então, sou forte.’ II Co 12:10. Reconhecendo sua fraqueza, apegou-se, pela fé, a Jesus Cristo e Sua graça...” CES, 91.

Ele bem compreendia que Deus estava dirigindo totalmente sua vida e que os “açoites” que recebia resultavam em proveito espiritual e, maiormente, do evangelho.

“O fato de sermos chamados a suportar a prova mostra que o Senhor Jesus vê em nós alguma coisa de precioso que deseja desenvolver. Se nada visse em nós que pudesse glorificar Seu nome, não desperdiçaria tempo a depurar-nos. Não lança pedras sem valor na Sua fornalha. É o minério precioso que Ele depura. O ferreiro põe o ferro e aço no fogo, a fim de provar que qualidade de metais são. O Senhor permite que Seus eleitos sejam postos na fornalha da aflição para lhes provar a têmpera e ver se podem ser formados para a Sua obra.” CBV, 471.

Bem, mas o que queremos discutir agora é a mudança de procedimento dos gálatas, após a desastrosa visita dos judaizantes de Jerusalém. Havia mal velada indisposição dos antes admirados seguidores contra aquele que uma vez amaram e seguiram. Os ciumentos judeus professadamente cristãos não se conformavam com a eminência de Paulo entre os gentios, e almejavam destruir não apenas sua imagem e reputação, mas o puro evangelho que pregava. Conseguiram seu intento até certo ponto. Porém, o coração pastoral de Paulo não os odiava por isso. Tinha, sim, profunda compaixão por aquelas almas que lhe custaram tanto sofrimento e labor, agora desviadas por agentes do diabo infiltrados no ministério.

Se há algo que retalha um coração pastoral esse é o desvio de suas ovelhas. Pastorear congregações custa muito estresse, ansiedade, cuidados e trabalhos extras. O pior é quando o pastor encontra oposição sistemática entre os próprios companheiros de liderança e membros da comissão da igreja.

No texto a seguir podemos ter um exemplo do que estamos nos referindo na experiência do grande pregador Guilherme Müller: “Muitos pastores [das várias denominações] não aceitaram, eles próprios, a salvadora mensagem, e por vezes criavam obstáculo aos que a aceitavam. O sangue de almas repousa sobre eles. Pregadores e povo uniram-se na oposição à mensagem do Céu. Perseguiram Guilherme Miller e os que a ele se uniram no trabalho. Falsidades foram postas a circular para prejudicar-lhe a influência. Em diferentes ocasiões, depois de haver declarado com franqueza o conselho de Deus, aplicando cortantes verdades ao coração de seus ouvintes, grande ira ergueu-se contra ele e, ao deixar o local das reuniões, pessoas o seguiram para matá-lo. Não obstante, anjos de Deus foram enviados para lhe preservar a vida, retirando-o em segurança de entre a furiosa turba.” Spiritual Gifts, vol. 1, pág. 136.

Cabe muito bem em nossos dias a exortação encontrada em Hb 13:17: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.”

QUIN TA  - Falando a verdade

“Tenho-me, pois, tornado vosso inimigo, porque vos disse a verdade?” (Gl 4:16 – Tradução Brasileira)

“Jura dizer a verdade, somente a verdade e nada mais que a verdade?” Este é o juramento lapidar apresentado a testemunhas, depoentes e réus perante as cortes de justiça dos EUA, com a mão direita posta sobre a Bíblia e a esquerda erguida para os céus.

É exatamente isso que exige o nono mandamento da Lei do Senhor: “Não dirás falso testemunho” ou “Não dirás mentiras ou a mínima coisa que fuja da verdade absoluta estabelecida pela justiça divina.”

O pregador cristão tem de sempre dizer a verdade, pois ele é representante de Cristo, a própria Verdade. Aristóteles disse certa vez de sua amizade por Platão: “Platão é meu amigo, mas a verdade é mais minha amiga.”

Se a verdade deve ser dita aos inimigos, que se dirá dos amigos? Paulo, o denodado pastor de almas, disse aos gálatas a pura verdade para despertá-los do torpor espiritual em que as mentiras dos judaizantes os lançaram. “Insensatos gálatas!...” não é nada agradável de se ouvir sendo um gálata. Mas, não era a verdade? Não haviam eles cometido loucura ao desviar-se rapidamente da verdade do Cristo crucificado e ressurreto para os formais judaicos?

“Que luz há na Palavra! Em Isaías lemos: ‘Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a voz como a trombeta e anuncia ao Meu povo a sua transgressão.’ Is 58:1. Essa é a obra que devemos fazer. Notai a expressão: ‘Meu povo.’ Por que haveria o profeta de dizer ‘Meu povo’? Eles não estavam andando segundo a luz da verdade, mas Deus desejava salvá-los dos seus pecados. A verdade devia ser-lhes novamente levada em sua simplicidade.” BS, 77.

Quando o povo de Deus se desvia dos mandamentos e segue as normas e costumes do mundo, os atalaias do púlpito precisam “anunciar ao Meu povo a sua transgressão”. É uma impostergável injunção ou ordem divina: “Mas tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir.” (Ez 2:7)

Por amor aos gálatas Paulo viu-se impelido a sacudi-los de sua apostasia. Pv 27:5 diz: “Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto.”

Não é dever agradável ao profeta, ao pregador, ao pastor, ter de repreender alguém do povo de Deus ou mesmo congregações inteiras.

Paulo, por acaso, foi inimigo de Pedro quando o repreendeu na cara por dissimular seu comportamento perante os judeus de Jerusalém, escandalizando os gentios de Antioquia? Pedro foi grato a Paulo por dizer-lhe francamente a verdade. Em sua segunda carta, capítulo três, verso 15, ele o chama “amado irmão Paulo”.

Mas a verdade deve ser dita no espírito de Cristo. “De todos os povos da Terra, deviam ser os reformadores os mais abnegados, os mais bondosos, os mais corteses. Dever-se-ia ver em seus atos a verdadeira bondade dos atos desinteressados. O obreiro que manifesta falta de cortesia, que mostra impaciência ante a ignorância dos outros ou por se acharem extraviados, que fala bruscamente ou procede sem reflexão, pode cerrar a porta de corações por tal maneira que nunca mais lhes seja dado conquistá-los. Como o orvalho e a chuva branda caem nas ressequidas plantas, assim deixai cair suavemente as palavras quando procurais desviar os homens de seus erros. O plano de Deus é conquistar primeiro o coração. Devemos falar a verdade com amor, confiando nEle quanto ao poder para a reforma da vida. O Espírito Santo aplicará ao coração a palavra proferida com amor.” CBV, 157.

Mais adiante, no curso de sua exposição registrada no capítulo 4, Paulo acusa os judaizantes de hipocrisia estudada, visando a desviar os gálatas de seu verdadeiro pastor. Era-lhe penoso não poder combater os deturpadores da verdade com seus cortantes argumentos bíblicos. Não para derrotá-los e envergonhá-los, mas para convertê-los e levá-los a pensar melhor na oportunidade que estavam perdendo de não pregar Cristo e Esse crucificado.

Ele ansiava estar pessoalmente na Galácia para falar em suaves tons de amor mesmo as verdades mais probantes. Sabia que as cartas, mesmo inspiradas e por mais bem escritas que sejam, não podem apresentar inflexões, tonalidades de reais sentimentos e mais doçura do que frases de amor ditas face a face, inda que fossem repreensivas.

Conselho final – “Falai como Ele falaria, agi como Ele haveria de agir. Revelai constantemente a doçura de Seu caráter. Manifestai aquela opulência de amor que se acha na base de todos os Seus ensinos e de todo o Seu trato com os homens. Os mais humildes obreiros, em cooperação com Cristo, podem tocar cordas cujas vibrações ressoarão até aos extremos da Terra, e ecoarão harmoniosamente através dos séculos eternos.” CBV, 159.
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